sábado, 2 de novembro de 2013

[Livro] The Double Me - 1x11: All Eyes On Us [+18]


Um dia da caça, outro do caçador.”


Corre, disse uma voz na cabeça de Alex assim que percebeu que não era tarde demais. Todas aquelas pessoas circulando, aqueles modelos seminus, aqueles flashes exagerados e aquele clima de exposição pareciam ser coisas que ele poderia muito bem evitar.

Por outro lado, Nate parecia estar se divertindo com todo aquele movimento que mal conseguia acompanhar com os olhos. Aquilo não era apenas uma coisa que ele tinha que fazer pra provar ao mundo que o Nate de antes morreu e que o novo é melhor que a maioria, mas sim era um sonho de infância que estava se realizando. Ele sempre quis fazer parte de algo que valorizasse sua até então escassa beleza, e aquela era sua grande chance.

— Isso não é demais? — Comentou ele.

Alex, que estava ao lado, porém um passo atrás, aproveitou que não estava sendo visto para fazer uma careta. Como Nate poderia gostar de toda aquela exposição?

— É, bem legal. — Alex engoliu em seco quando viu a modelo loira passando ao seu lado sem a parte de cima do biquíni.

— Gêmeas Olsen o caralho, Manhattan é só nossa. — Nate andou na direção dos fotógrafos, queria ver de perto o ensaio daquele modelo asiático com roupas da antiga Grécia.

Alex suspirou, não fazia ideia onde estava com a cabeça quando aceitou fazer aquilo. Eles provavelmente vão expulsá-lo do local quando perceberem que as únicas expressões faciais que ele tem são vergonha e náuseas. Mas ele já estava ali, e não poderia simplesmente ir embora. Tinha que se esforçar para não decepcionar o novo irmão, que parecia estar tendo uma conversa bastante alegre com um dos fotógrafos há alguns metros. Na verdade, alegre demais.

— Oi, eu sou Dora. — Disse a mulher oriental de óculos perto de Alex. Era tão baixinha que o garoto precisou olhar pra baixo para encarar seus olhos. — Falei com você pelo telefone e estou aqui pra supervisionar o ensaio. Alex veio?

— Na verdade eu sou o Alex, Nate está ali. — Alex fez sinal com a cabeça, Dora olhou imediatamente.

— Me desculpe, é que vocês são parecidos demais. — Ela sorriu. — Enfim, pronto pra sua sessão de fotos?

— Estou um pouco nervoso. — Alex engoliu em seco quando olhou pra fila de modelos só de cueca indo na direção da outra porta. Ele teria que fazer aquilo também?

— Tudo bem, é sua primeira vez. O banheiro é ali atrás se quiser vomitar.

— Estou bem.

— Ok então, vocês são os próximos. Seus trajes estão naquela sala de porta azul a sua direita. — Ela apontou. — Divirtam-se.

Alex olhou pra porta, dois fotógrafos estavam trocando informações em frente a ela. Quando virou novamente para continuar sua conversa com Dora, a garota já havia desaparecido. Não explicou como vai ser, como precisava agir ou o que tinha que fazer depois de vestir os trajes. Apenas desapareceu no meio dos fotógrafos sem se preocupar com seu modelo estreante.

Por sorte Nate já estava caminhando de volta em sua direção e não lhe deixaria sozinho.

— A gente vai tirar fotos com aquele cara? — Perguntou Alex, referindo-se ao fotógrafo com quem Nate conversava.

— Não, mas peguei o telefone dele. — Nate levantou um pedaço de papel com dois dedos. O telefone do fotógrafo estava ali. — Vamos sair na Quinta.

Alex estava incrédulo. Não por ele ter dado em cima de alguém num momento como aquele, mas por ser tão fácil pra ele fazer isso. Alex demoraria anos pra conseguir o telefone de alguém, porque pra isso acontecer ele teria que passar pela tortura milenar de pedi-lo a alguém sem gaguejar.

— Como você consegue? Você não ficou conversando com ele nem por três minutos.

— Eu sou uma má influência. Não me faça perguntas. — Nate piscou e saiu andando para o camarim.

Alex quase sorriu, ele era inacreditável. Seguiu o irmão com as mãos no bolso do casaco e fechou a porta assim que entraram. Não tinha ninguém lá dentro, apenas três cadeiras com os nomes “Nathaniel, Laurie e Alexander”. Laurie deveria ser a garota sem a parte de cima da roupa, eles presumiram.

Em cima das cadeiras estavam as roupas que precisavam usar pra o ensaio. Nate logo tratou de pegá-las. Ele deu uma olhada, era uma cueca Box preta e uma calça jeans justa. As roupas de Alex eram iguais, só mudavam de cor. Seu jeans era mais escuro e a cueca era branca. Ele ficou preocupado quando não viu nenhuma camisa.

— Então eu acho que é verdade... — Ele comentou.

— O que? — Nate tirou sua camisa.

— “Calvin Klein não precisa do seu caráter, precisa dos seus músculos”. — Alex mudou o tom de voz para que Nate percebesse que a citação não era de sua autoria.

— Por que você fala desse jeito? Eu quero ser modelo da CK junto de você, mas também quero que você se divirta.

— É, acho que você tem razão... — Alex hesitou um momento par refletir. Que mal tinha em passar uma tarde com o irmão rodeado de pessoas que fariam muito bem para sua autoestima?

— Preciso ir ao banheiro, volto em três minutos. — Nate deu meia volta e saiu.

Ele passou por alguns modelos no caminho até o próximo corredor onde ficava o banheiro. Mas antes de chegar, foi puxado pelo braço e obrigado a entrar numa sala que não conhecia.

Ele teria feito se importado com aquilo em qualquer outra ocasião, mas quando foi imprensado na parede e viu que se tratava de Jensen, a raiva passou. Agora eles estavam perto o suficiente pra sentir a respiração um do outro. Era o que Jensen fazia quando queria intimidar as pessoas.

— Eu gostei, faz de novo? — Nate mordeu o lábio. O olhar cínico estava disfarçando o nervosismo por estar naquela situação com o garoto que achava ainda amar, ainda mais quando sabia que Jensen estava com raiva.

— Você vai me dizer o que aconteceu há três dias na porta da mansão.

— Eu sei lá, os empregados fizeram a dança da chuva?

— Estou falando de quando você fingiu ser seu irmão gêmeo e me beijou. Não acho que seja um momento fácil de esquecer.

— Não sei do que você está falando... — Nate tentou afastá-lo, mas Jensen o imprensou novamente contra a parede, dessa vez com mais força.

— Você sabe muito bem. Só quero ver você confessar.

— Só se você confessar que sabia que era eu e mesmo assim continuou me beijando.

Jensen não disse nada, e nem teria como dizer. A verdade estava estampada no seu rosto junto de um sentimento que ele não conseguia entender. Deveria ser arrependimento ou culpa, mas não era.

— Aliás, eu não te beijei. — Nate tentou se defender, mas Jensen deu um ar de risos. — Foi você quem me beijou. E eu não me passei por ele só pra ficar pertinho de você, só queria saber o que acontecia quando vocês dois estavam juntos. E pelo visto, nada demais. Um romance com censura para o horário nobre realmente não faz o seu estilo, Jensen.

— Pra sua informação, eu gosto dele de verdade.

— E ele sabe que você está namorando outro garoto?

Jensen se afastou. Não tinha como dialogar com Nate sem que ele ficasse extremamente irritado.

— Isso não é da sua conta.

— Pode ser, mas não me canso de imaginar o que Alex vai dizer quando descobrir a sua obsessão em ser infiel. Como seu irmão gêmeo, me sinto na obrigação de evitar que ele se machuque.

— Quer saber? — Jensen se aproximou. — Você tem razão, eu não presto, mas seria egoísmo demais interferir no que eu sinto pelo Alex só porque não senti o mesmo por você. Vou terminar com Justin hoje mesmo para fazer a coisa certa, e se ainda existe algo de humano em você, não vai impedir seu irmão de ser feliz. Apenas deixe a gente em paz e não faça a vida dele ser miserável só porque a sua também é.

Nate manteve o olhar de superioridade, mas por dentro ele estava desabando. Quando terminou de falar, Jensen passou por ele e saiu pela porta, batendo-a com força o suficiente para Nate se assustar. Ele fechou os olhos por alguns segundos e depois abriu, ele não queria nem pensar no quanto aquelas palavras tinham doído.

Ele deu um suspiro longo só pra esquecer que aquilo tinha acontecido. Ele precisava estar bem para suas fotos ou então seria um completo desastre.

Um minuto se passou enquanto tentava esquecer tudo o que Jensen dissera e então já estava pronto. Ele forçou a maçaneta da porta, mas ela não queria girar. Tentou uma segunda vez e novamente nada aconteceu. Até olhou pra cima e pra baixo só pra saber se não havia alguma tranca ali, mas o motivo não era esse. Ele logo percebeu que o tinham trancado ali dentro.

Jensen e Thayer estavam do lado de fora, olhando pra porta enquanto Nate se esgoelava dentro da sala.

— Ele é estressadinho, né? — Disse Thayer.

— Mais do que você pensa. Bom, agora não te devo mais nada. Esqueça que eu existo.

— É claro. — Thayer sorriu com malícia.



— Nate, este é o vigésimo recado que eu te deixo. Por favor, não faz isso comigo. O pessoal aqui está furioso, aparece logo. Tchau. — Alex desligou.

Os fotógrafos e a modelo Laurie estavam olhando para ele, completamente entediados. Eles só queriam que ele se sentisse mal pela demora do irmão. Nate estava meia hora atrasado e a equipe inteira quase desistindo de fazer aquelas fotos.

— Acho que ele deu pra trás. — Disse Laurie. Até vestira sua blusa violeta pensando que Nate nunca iria aparecer.

— Não, ele não desistiu. — Alex olhou pro nada. Não tinha certeza do que acabara de dizer, mas queria ter. — Ele não faria isso...

Dora olhou no relógio, seu chefe ficaria uma fera se eles demorassem mais.

— Hey Dora, o que está acontecendo? — Perguntou Thayer, estava fingindo que tinha acabado de chegar.

— Nosso modelo furou. Perderemos nossos empregos. A não ser... — Dora se levantou e olhou para Thayer com segundas intenções.

— O que? — Thayer fingiu que estava confuso, mas Alex já sabia o que iria acontecer.

— Você é nadador, não é, Thayer? — Dora sorriu. — Você poderia substituir Nate no ensaio fotográfico. Poderia até usar sua medalha de ouro.

— Não. — Exclamou Alex. — Ele vai aparecer, eu sei.

— Querido, ele desistiu. Quanto mais cedo você aceitar isso, melhor. Se você não quiser fazer as fotos, tudo bem. Thayer Van Der Wall deve valer pelos dois. — Dora sorriu novamente, estava louca para que Thayer aceitasse.

E foi exatamente o que ele fez. É claro que isso fazia parte do plano desde o começo, mas era melhor fazer-se de desentendido até que as fotos estivessem nos outdoors de toda cidade.

— Vamos lá. — Ele disse.

— Perfeito! — Dora quase bateu palmas. — Vá se trocar. E coloque a medalha!

Alex não disse nada, e também não havia nada que pudesse dizer. A única coisa que poderia impedir que Thayer tirasse as fotos era Nate, o único que por uma coincidência duvidosa, não estava ali.

Dora aproximou-se do garoto quando notou seu olhar de decepção. Ela não sentia pena pelas fotos dos gêmeos não terem dado certo, só queria tirar proveito daquela situação.

— Se eu fosse você não desistiria só porque seu irmão não está mais na jogada. Seria ótimo ter você ao lado de Laurie Pankoski e Thayer Van Der Wall num outdoor.

Alex pensou, a proposta de Dora era injusta demais. Nate com certeza teve um bom motivo para não comparecer as fotos já que era o seu sonho. Se tirasse as fotos sem ele, poderia ser acusado de usurpador e traidor. Ou Nate gostaria que ele fizesse as fotos quando não pode?

— Você sabe que Nate faria as fotos sem você, não é? — Provocou Dora.

Ela tinha razão, Nate faria as fotos sem ele num piscar de olhos. E aquela também poderia ser sua chance de ganhar um bom dinheiro.

— Eu farei as fotos. — Respondeu. — Conte comigo.



Assim que abriu a porta da mansão, Alex deu de cara com Lydia. Ela estava andando em direção à cozinha quando teve que parar para se virar. Seus olhos brilharam quando encontram os de Alex, pena que ela não podia dizer o quanto tinha sentido sua falta sem parecer louca ou exagerada.

— Você chegou. — Ela sorriu. — Onde você estava?

— Fazendo umas fotos. — Alex deu alguns passos após fechar a porta e encarou sua tia avó, sem medo de dizer a verdade. — Vou estar na Calvin Klein.

— Isso foi ideia do Nathaniel, não é?

— Acho que não importa. A não ser que seja uma coisa ruim.

— De modo algum. — Lydia deu um suspiro, estava lembrando de alguém do passado que era igualzinho ele. — Boa noite, então.

Ela virou-se devagar para continuar seu caminho. Alex, porém, precisava forçar mais um pouco até que a verdade saísse de sua boca. Se Judit realmente tinha ficado grávida de trigêmeos e Lydia sabia, não podia guardar este segredo por muito tempo.

— Ontem eu tive um sonho. — Ele começou, já caminhando em sua direção— Eu sonhei com Judit brigando com uma enfermeira no hospital e depois assistia meu próprio nascimento. Foi tão, sei lá, estranho. Acho que significa que depois do que aconteceu, estamos juntos agora...

Lydia não teve coragem de olhar para ele, ela tinha medo que sua expressão de constrangimento fizesse o garoto pensar o que não deveria. Nem passou pela sua cabeça que ele sabia de alguma coisa e estava jogando verde para ela confessasse.

— O que você acha, tia Lydia?

— Bom... — Lydia virou para ele, tentando disfarçar o incômodo em falar sobre aquele assunto. — Vocês estão juntos agora, e é só o que importa. Boa noite, Alexander.

— Boa noite, tia Lydia.

Lydia continuou seu trajeto enquanto Alex permaneceu quieto observando a velha mulher. Ele sabia que ela estava mentindo, pôde ver pela sua expressão que tentou dissimular. Então, era realmente verdade. Tinha mais alguém no mundo que dividiu um óvulo com ele e Nate, uma garota, que de alguma forma Judit conseguiu perder da maneira que o perdeu. E por onde ela andava? Será que tinha uma boa vida? Ou havia algo errado com sua existência a ponto de obrigar todo mundo a mentir? Era uma coisa que Alex achava que nunca iria descobrir.

Mal ele sabia que ainda tinha outro problema para lidar. Nate tinha acabado de abrir a porta da mansão cheio de fúria, exatamente como Alex imaginava que iria acontecer.

— Jensen me trancou no armário. — Disparou ele. — O faxineiro me encontrou agora.

— Sério? — Alex engoliu em seco.

— Eu vou matá-lo. Bem devagar. Pedaço por pedaço. — Ele gritou e quebrou o vaso da pequena mesa ao lado da escada.

— Ow, Nate, calma! — Pediu seu irmão enquanto tentava proteger-se dos destroços com as duas mãos. — Você quer acordar a casa inteira?

— Eu perdi a droga das fotos! Mas que merda! — Ele chutou a escada.

— O que está acontecendo? — Perguntou Lydia, tinha acabou de voltar ao hall. — Nathaniel?

— Volte pra Cocoon, velha dramática. — Nate subiu as escadas correndo.

Lydia o observou em seu momento de fúria, sabia que tinham tomado alguma coisa dele. Ela viveu ao seu lado por três longos anos na França e sabia muito bem como ele reagia a cada coisa. Da ultima vez que o vira assim foi quando o substituíram por um modelo andrógeno num desfile da Gucci. Ele quase quebrou o apartamento inteiro antes de dar laxante para o modelo e jogar cola em seu shampoo.

— Me desculpe. Vou ver como ele está. — Alex subiu as escadas logo em seguida.

Nate tinha acabado de entrar no quarto do irmão pra ficar sozinho. Ele olhou pela janela, queria quebrar tudo, mas não podia fazer isso quando estava tentando convencer seus pais de que era um santo. Ele tirou seu celular do bolso e discou o número de Quentin assim que Alex o encontrou.

— Nate, se acalma. Olha...

— Estou ligando pro Quentin, deve ter algo que a gente possa fazer.

— Olha, eu... — Alex tentou novamente acalmá-lo com palavras, mas Nate não estava disposto a lhe dar nenhuma brecha. Muito pelo contrário, ele sentia que estava diante do Nate que quebrara tudo no dia em que soube da sua existência.

— Caixa postal, droga! — Nate gritou.

— O que você vai fazer?

— O que eu vou fazer? — Nate discou novamente o numero do seu amante. De acordo com o olhar insano que ele lançava pro nada, talvez até mesmo seus comparsas estivessem correndo perigo. — Vou cortar fora.

— Oh... — Alex recuou. Era difícil saber quando seu irmão estava falando a verdade ou não.

— Não acredito que perdi o ensaio por uma brincadeira tão infantil. Estamos aonde, no jardim de infância?

— Olha Nate, eu fiz as fotos...

Nate tirou o celular da orelha quando processou as palavras de Alex. Não estava irritado, magoado ou qualquer coisa que Alex poderia temer. Estava apenas surpreso por ter ouvido isso de alguém que antes de qualquer coisa, nem queria fazer as fotos.

— Você fez as fotos?

— Fiz, me desculpa. Eu sei que você tem todo o direito de ficar chateado, e você deve estar me odiando agora, mas... — Alex hesitou. — Dora conseguiu me convencer.

— Oh, ok. — Nate tentou ficar calmo. Ele colocou as mãos na cintura e fitou o chão, pensativo novamente. Não poderia culpar o irmão por ter feito as fotos só porque houve um imprevisto, ainda mais quando já tinha admitido pra si mesmo que desejava o melhor para Alex. — Tudo bem, eu acho...

— Me fale o que eu tenho que fazer pra você se sentir melhor. Eu faço qualquer coisa.

— Você pode castrar meu ex namorado? — Nate deu um grande suspirou e jogou-se na cama de braços abertos.

— Bom, a gente poderia tentar. — Alex sentou ao seu lado. — Mas muitos gays por aí vivem uma boa vida sendo passivos.

— Haha! — Nate gargalhou. Seu irmão virgem e recatado tinha acabado de fazer uma piada sobre sexo? Ele iria lembrar daquilo pelo resto da semana. — Então você sabe o que é ser passivo? Estou em choque. — Para que pudessem conversar melhor, ele resolveu sentar-se na cama, colado com o irmão.

— Não é como se eu não usasse a internet.

— Certo. — Nate olhou para suas mãos, ele estava tirando e colocando seu anel por causa de seu tique nervoso. — Você saiu bem nas fotos, pelo menos?

— E quando é que a cópia de Nathaniel Strauss não sai bem em uma foto? Ta certo que eu não posso ser comparado com o Thayer, mas...

— O que você disse? — De repente Nate pareceu ter sido atingido por uma bomba. Mas na verdade, era assim que sua mente estava categorizando aquela notícia. O susto foi tão grande que ele se levantou da cama pra ficar de frente para Alex. Só esperava que aquilo tivesse sido uma brincadeira.

— Ah... — Alex hesitou para escolher minuciosamente as palavras. Pois se não o fizesse, poderia ser cumplice do início da terceira guerra mundial. — Dora meio que... Convenceu Thayer a ficar no seu lugar...

Nate sorriu, era impossível acreditar que aquilo era verdade. Já que Alex tinha aderido ao sarcasmo sutil, só poderia ser uma brincadeira. Porque se não fosse, Nate precisaria admitir que Jensen e Thayer estavam trabalhando juntos para derrubá-lo, como se tirar sua pureza e partir seu coração não tivessem sido o suficiente. Mas será mesmo que ele acreditou, mesmo que por um segundo, que os alvos de sua vingança não tentariam bater de volta?

— Ok, isso não ta acontecendo...

— Por quê? Você não estava lá e Thayer apareceu na hora e... — Alex parou de falar assim que as coisas começaram a fazer sentido na sua cabeça. Ele tinha chegado a mesma conclusão que Nate, só não sabia se acreditava. — Você acha que...

— Não, eu tenho certeza. — Nate pegou seu celular novamente e discou outro numero, Alex não fazia ideia do que ele estava tramando.

Ele esperou algum tempo na linha até alguém atender enquanto Alex o observava bastante curioso.

— Oi, é da mansão dos Van Der Wall? — Perguntou, e só ponderou novamente quando obteve uma resposta. — Você sabe me informar se Thayer Van Der Wall está em casa?

— O que? — Alex levantou as sobrancelhas. Que plano era aquele?

— Four Seasons? Entendi. — Nate caminhou em direção a janela. Ele viu, de repente, Jensen correndo pelo gramado do outro lado, e logo preparou seu olhar malicioso. — Obrigado. — Ele disse antes de desligar. — Seu namorado está aqui.

— O que? — Alex deu um pulo da cama e foi em direção a janela. — O que ele está fazendo aqui?

— Aparentemente, não consegue ficar longe de você. Vou me esconder no closet enquanto vocês conversam, beleza? — Nate correu até lá, sem dar tempo ao garoto para dizer qualquer coisa.

Quando ouviu o barulho de uma pedra acertando a janela, Alex suspirou de cansaço. Definitivamente se sentia como uma adolescente virgem num filme da Disney, como seu irmão dissera no começo do dia. Escalar a janela era tão anos noventa que se não fosse Jensen McPhee querendo lhe visitar, provavelmente ele o expulsaria de sua casa. Mas não podia fazer isso, não quando Nate estava no closet preparado pra espiar se ele realmente era o irmão fiel que prometera ser.

A janela foi aberta assim que Jensen começou a escalar. O garoto olhou pra porta do closet uma ultima vez só para que quando sentisse vontade de olhar novamente, pudesse se conter. Ou então, Jensen saberia que tinha mais alguém ali no quarto além deles dois.

— Foi fácil. — Disse Jensen ao colocar a primeira perna para dentro do quarto. — Eu poderia fazer isso todo dia. — Ele sorriu antes de agarrar Alex e lhe beijar.

Alex manteve os olhos abertos antes de cair em si e perceber que precisava afastá-lo. Porém Jensen não estava lidando bem com aquela rejeição. Ele insistiu em continuar beijando-o e passando a mãos em suas costas, quase chegando naquele lugar onde não se atreveria a tocar.

Alex não sabia, mas aquele beijo poderia ser visto como um teste. Jensen só queria saber se podia sentir com Alex as mesmas borboletas que sentira com Nate na noite passada, e precisava saber rápido. Ou então, seus sentimentos poderiam acabar afetando suas futuras decisões.

— Jensen, para. — Alex o empurrou. — Tenho que pedir pra você sair.

— O que? Por quê? Eu pensei...

— Eu vou ser bem direito, espero que você não entenda isso como uma ofensa, mas... Depois de tudo o que aconteceu com Nate, não sei se posso confiar em você.

— Você não vai nem me deixar explicar tudo? — Jensen deu um passo a frente, fazendo Alex recusar um passo para manter a mesma distância saudável.

— Há algumas horas eu deixaria, mas parece que sua parceria com Thayer está andando de vento em poupa.

Jensen suspirou, derrotado. Como já esperava, Nate não perdeu a chance de contar sua versão distorcida sobre como todos o odeiam só para Alex manter distância da pessoa que gosta. Será que ele também havia contado que é o culpado por Amber estar no hospital? Porque se não tivesse, Jensen teria o prazer.

— Então você não vai ficar comigo pelas coisas que eu faço e já fiz com seu irmão, mesmo que precise ignorar o que sente por mim? Você sabe que gosta de mim, sabe que quer me beijar, e você sabe que eu gosto tanto de você a ponto de tentar mudar.

— Você não sabe o que está falando.

— Alex. — Jensen se aproximou. — O que eu fiz com seu irmão foi errado, e eu me arrependo disso todos os dias. Mesmo que você não acredite, eu posso mudar. Eu quero mudar. Quantas vezes vou ter que repetir que posso fazer as coisas diferentes? — Ele tocou em seu rosto com a mão direita, estava fazendo um carinho.

Alex não recusou, mas só porque sabia que Nate não podia ver nada do que estava acontecendo enquanto permanecia no closet. Ele só podia ouvir o que falavam, perceber seu tom de voz sereno e apaixonado, e talvez ouvir os pequenos suspiros que cada um deles dava por não poderem ficar juntos. Mas o toque de Jensen parecia ter o poder de fazê-lo se entregar completamente. Mais alguns segundos daquilo e ele jogaria sua família bilionária pro alto em nome do que nem sabia que estava sentindo.

Então, no meio de pequenas carícias que fizeram o tempo congelar, Alex soube que precisava fazer uma escolha. Não poderia ter Jensen e sua família ao mesmo tempo, não poderia ter o amor de um garoto e o amor da família ao mesmo tempo, porque o destino tinha tornado isso impossível.

Mas ele sabia que o garoto que fazia seu estômago revirar também precisava fazer uma escolha. Ele sabia exatamente o que estava sentindo por Alex e tinha certeza que era com ele que precisava tentar. Mas como eliminar aquela certeza que ele também amava Nate? Será que essa paixão pelo ex namorado iria atrapalhar seus novos sentimentos ou ele estaria livre para amar um outro alguém? Era a única coisa que não tinha certeza.

De dentro do closet, Nate demonstrava impaciência devido a todo aquele silêncio. Perguntou-se se eles estavam se beijando, mas Alex não faria isso com ele, não quando ele estava há poucos metros de distancia. Mas a ideia ainda assim lhe causava um grande mal estar. Afinal, por que mesmo tendo atingido a perfeição, Jensen demonstrava que preferia ficar com seu irmão gêmeo ao invés dele? Era humilhante admitir que mesmo sendo o garoto mais bonito do mundo, Jensen nunca iria amá-lo.

— Você precisa ir agora. — Disse Alex, engolindo em seco.

— Certo. — Jensen assentiu e caminhou até a janela.

Assim que o garoto se afastou, Alex sentiu que já podia respirar direito novamente. Toda aquela tensão tinha ido embora, — ou estava indo embora. — mas saber que algo aconteceria se tivesse durado apenas mais alguns segundos estava fazendo-o sentir-se culpado.

Jensen subiu na janela e olhou uma ultima vez para Alex, ele sabia que iria sentir saudades, e esperava que ele fizesse a escolha certa. Talvez ele acertasse dessa vez, talvez ele parasse de magoar as pessoas só porque tem medo que elas consigam viver sem ele e um dia vão embora. Talvez ele pudesse amar Alex mais do que amou Nate um dia, e isso seria o suficiente para confortar seu coração.

— Se servir de alguma coisa, diga ao Nate que eu sinto muito. — Ele virou as costas e partiu, do mesmo jeito que havia chegado, partindo o coração de Alex em dois.

Por um segundo ele esqueceu que o irmão estava dentro do closet ouvindo tudo, mas Nate logo deu seu ar da graça e escorou-se na porta do closet para observar a situação. Alex ainda fitava a janela vazia, sentindo que tinha deixado escapar algo que lhe traria uma grande felicidade. Ele realmente estava apaixonado, e sim, era a coisa mais forte que já sentira na sua vida.

— Você o ama?

— Não. — Mentiu Alex, mas manteve a voz firme.

— Que bom. — Nate continuou olhando, fingindo que acreditava em suas palavras. — Espero que esteja ao meu lado quando vê-lo rastejar.

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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Preciso pra agora o oróximo capítulo.

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  2. Leiam a Web serie desse blog, tá muito daora!
    http://criticandonamadruga.blogspot.com.br/

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