quinta-feira, 7 de novembro de 2013

[Crítica] Duplo Dexter


Autor: Jeff Lindsay
Editora: Planeta
Lançamento: 2011
Título Original: Double Dexter

Crítica:

Tenha medo de sua própria sombra.

Li este livro depois da série ter chegado ao fim. Nada de ficar sentindo saudades dos meus personagens favoritos em um final que eu obviamente não gostei. Por que ficar lamentando se eles continuam cheios de fôlego nos livros? Também sei que muitas pessoas ficaram insatisfeitas com o final da série, mas nem imaginam que os livros são completamente diferentes (com exceção do primeiro). Esse sexto livro continua a se distanciar do que foi apresentado na série de TV, mas sem desrespeitar o que vimos nos livros anteriores. Porém, já posso adiantar que esse foi o volume que eu menos gostei da saga. Dexter continua sarcástico e afiado nas palavras, mas o direcionamento que a história seguiu nessa parte não foi tão interessante quanto poderia ter sido.

A história obviamente volta a seguir o sempre desafiado Dexter Morgan, o assassino camarada. Nesse volume, ele se junta à sua irmã para solucionar um caso mórbido de um assassino de policiais que quebra todos os ossos de suas vítimas e as mantém vivas durante a maior parte do processo. Em paralelo a isso, Dexter é visto durante uma de suas brincadeiras mortais e passa a ser perseguido e ameaçado por sua testemunha anônima. Acontece que sua testemunha tem um senso de justiça único e está pronto para distribuí-lo um corpo de cada vez, até chegar ao Dexter.

Gostei bastante dos crimes envolvendo os policiais com os ossos quebrados. Um assassino em série de policiais seria o suficiente para manter o interesse que todos, além de colocar em perigo alguns dos nossos personagens favoritos, como a Deb. Infelizmente, o enredo praticamente deixa essa trama de lado antes mesmo da metade do livro. A testemunha secreta do Dexter surge como o vilão principal, o que é muito entediante. Assim como o protagonista afirma, sua sombra é chata e sua motivação é extremamente sem sentido. Qual o sentido de trocar o assassino de policias com ela?

E os pontos negativos não se resumem apenas a isso. Há muitos outros pontos que sou moralmente obrigado a tratar. Primeiro que não vejo qualquer sentido em uma história que foca mais na Rita do que na Debra. Choquem-se! Agora que a Deb se tornou mãe e tem um novo parceiro, ela se afastou do irmão e quase não aparece na história. Em seu lugar, o autor achou melhor dar um pouco mais de destaque para a Rita e os seus dramas familiares. Só depois de ler este livro vocês irão perceber que o destino que ela teve na série foi mesmo um presente para os fãs. E o pior é que o drama com a Rita se estende por boa parte da história, com o Dexter não conseguindo entender algo óbvio aos nossos olhos.

Essa é uma das coisas mais irritantes da história. Dexter, que sempre se gabou por ser mais inteligente que os outros, é sempre o último a fazer ligações óbvias ao seu redor. Não só em relação aos sentimentos de sua mulher como também em torno da identidade de sua testemunha. Jeff Lindsay realmente perdeu a mão dessa vez. Escreveu algo óbvio e demorou a fazer com que o seu protagonista percebesse. Pelo menos o terceiro ato é mais dinâmico e faz valer todo aquele desenvolvimento lento e cansativo. Assim como nos livros anteriores, o terceiro ato se passa em um lugar especial e diferente do que estamos acostumados.

Aliás, Lindsay já lançou o sétimo livro e deu algumas entrevistas dizendo que devemos esperar por severas consequências nas próximas histórias. Eu somente fico no aguardo! Essas últimas duas histórias não tiveram nada de importante além do manjado “caso da vez”. Está na hora de passar a faca nesses personagens e garantir mais espaço para a Debra. Uma das melhores coisas desse livro é ver que a ligação entre o Dexter e sua irmã está mais forte do que nunca. Ela finalmente aceita o que ele faz e apoia isso. Só espero que o próximo, que já foi lançado e se chama Dexter em Cena, seja bem mais impactante!
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