quinta-feira, 7 de novembro de 2013

[Crítica] Dexter - Design de um Assassino


Autor: Jeff Lindsay
Editora: Planeta
Lançamento: 2009
Título Original: Dexter by Design

Crítica:

Assassinato é uma arte.

Se você cometeu um erro e não pode voltar atrás, o que se deve fazer? Sim, você deve passar por cima dele. Assim como nos filmes, os autores também têm a liberdade de passar por cima da história anterior e continuar do ponto que agradará os seus leitores. No livro anterior, a proposta de Jeff Lindsay, era de que o Passageiro das Trevas fosse uma entidade própria. Ele criou passagens voltadas para a evolução da “Coisa”, mas nada conseguiu convencer os leitores, então nada de significativo é mencionado neste volume a respeito desse assunto.

A história deste quarto livro volta a girar em Dexter, agora muito bem casado com Rita, em lua de mel em Paris, sonho de sua mulher. Depois de voltar de sua viagem especial, ele dá de cara com mais um caso bizarro. Turistas estão sendo abertos e arrumados em um design bizarro e deixados à mostra pelos pontos agitados da cidade. Agora, com o mercado turístico ameaçado, Dexter e Deborah terão que achar os culpados pelos crimes bizarros. Porém, nem tudo é o que parece e algo inesperado pode estar bem diante dos seus olhos.

Assim como o caso policial do segundo livro, este também é bastante sinistro. Não estou falando do assassinato, mas sim do que os assassinos – que se sentem artistas – fazem com os corpos de suas vítimas. Em uma riqueza de detalhes impressionante (que faria os mais fracos vomitarem), o autor descreve com perfeição a obra bizarra dos assassinos. Com direito a corpos totalmente abertos com seus órgãos internos retirados, sendo substituídos por diversas outras coisas, como latas de cerveja em gelo e frutas. Como o próprio Dexter observou em uma passagem, é como se os assassinos estivessem apresentados sombrias cestas de café da manhã.

Outra coisa importante que é bem trabalhada neste volume é a relação entre a Deb e o seu irmão. Ela descobriu sobre seu lado negro logo no primeiro livro, porém, nunca tiveram a chance de discutir sobre isso. Deb nunca se mostrou realmente a favor, pois sempre que podia dava algumas cutucadas no irmão a respeito de sua verdadeira natureza. Pois neste quarto livro ela finalmente deixou transparecer seus sentimentos e se abriu para seu irmão. Foi um momento que eu esperava esperando há muito tempo, então me surpreendi com as consequências dessa conversa. E eu não posso garantir para todos vocês que não é o que estão pensando.

O terceiro ato surpreende ao apresentar o Dexter e o namorado de sua irmã, Chutsky, em uma missão em outro país, no melhor estilo James Bond. Algo bem diferente do habitual. Ao invés de testemunharmos Dexter com uma lâmina afiada brilhante sob a luz do luar, nosso serial killer favorito estava portando uma arma e sendo escoltado por parafernálias modernas para ajudá-lo a pegar o vilão do livro, antes que o mesmo pudesse revelar sua obra final, o que poderia traçar todo o futuro do Dexter.

Apesar de ter sido interessante acompanhar o Dexter contando com uma ajuda inesperada, em um local novo, com novas técnicas de contato, não posso deixar de pensar que tudo acabou sendo em vão. Nesta história, quando pensamos que o assassino está perto de encontrar o seu destino final, ele acaba escapando pelos dedos do nosso anti-herói. E há uma caçada melhor do que ao lado de sua verdadeira família? Acho que não. O final surpreende, até porque, vocês nunca irão imaginar quem selará o banho de sangue.
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