sábado, 26 de outubro de 2013

[Livro] The Double Me - 1x10: We’re Billionaires, By the Way [+18]



“Quem disse que dinheiro não trás felicidade, não sabia onde fazer compras”.


— Concentração. — Pediu o homem de terno e cabeça branca quando notou seus respeitáveis alunos não dando o melhor de si.

Pareciam todos exaustos por causa das três horas seguidas de ensaio, mas havia algo em Kerr que o diferenciava dos demais. Ele não estava exausto, ele estava distante, tocando seu violino enquanto pensava em todos os problemas que precisava resolver.

Kerr sempre tinha sido daquele jeito. Por trás do sorriso vencedor que conquistava Nova York inteira estava escondido um garoto inseguro que temia o que poderia lhe acontecer caso não tivesse mais todas as regalias que um Foster tem. Em apenas alguns dias Nate conseguiu destruir fisicamente e psicologicamente sua irmã. E ele tinha certeza que algo bem pior havia sido guardado pra quando chegasse a sua vez.

— O que está acontecendo com vocês hoje? — O maestro se afastou. — Eu quero paixão!

Kerr fitou o chão com a cara emburrada. Apesar de saber que o maestro estava referindo-se a todos que estavam na sala, foi ele quem recebeu o olhar de reprovação.

— Tudo depende da nossa apresentação. Inglaterra, Japão, Louvre. Precisamos chegar até lá. — Ele se aproximou de Kerr. Agora sim estava admitindo seu interesse no olhar perdido do garoto. — Algo errado?

— Me desculpe, prometo que vou me esforçar. — Kerr continuou olhando pro nada, emburrado. Enquanto seu rosto continuasse com as marcas da briga da noite passada, ele não conseguiria encarar ninguém como se estivesse tudo bem. Já estava se achando sortudo por nenhum dos seus amigos terem feito perguntas, mas não era nada que eles não poderiam descobrir através dos jornais.

—É o futuro de vocês que está em jogo.

— Me desculpe. — Pediu Kerr novamente, já colocando o violino na posição na posição correta.

— Muito bem, vamos de novo. — O maestro se afastou e subiu no pequeno púlpito de maneira em frente ao quadro branco.

Kerr suspirou. Estava desejando que a musica o fizesse esquecer de todos os seus problemas, mas a tranquilidade estava passando longe de seu coração.

Amber ainda estava no hospital e mal conseguia colocar algo no estômago. Sua mãe. — a dona de casa publicamente viciada em pílulas. — já tinha começado a exagerar nos calmantes, sem se preocupar com os efeitos colaterais ou a reputação da família perante a mídia. E como se não bastasse, havia um garoto com recursos infinitos para destruir tudo o que ele já construiu e deixar cicatrizes pra vida inteira. Como ele poderia fugir de tudo isso quando nem conseguia se concentrar pra tocar uma maldita musica?

Se ignorasse todos os pensamentos obsessivos, será que conseguiria tocar direito? Bem, não custava tentar. Ele limpou sua mente e forçando a concentração, conseguiu manusear perfeitamente o arco do violino para ingressar na melodia.

Seu olhar parou nos do maestro, que continuava observando-o com precaução. Aquele homem tinha um sexto sentido para saber quando alguém estava mal e não iria deixá-lo em paz. Tanto que fez questão de descer do pequeno púlpito para vê-lo tocar de perto.

— Você não está fazendo isso direito.

Kerr apenas ignorou.

— Você está fazendo tudo errado. — Provocou o maestro novamente. — Você não está se esforçando.

Kerr sabia o que ele estava tentando fazer, mas preferiu ignorar. Logo a musica terminou e toda a tensão em seu corpo foi aliviada.

— Por hoje é só. — Informou o maestro, afastando-se.

Kerr não pensou duas vezes, apenas largou o violino junto do arco e saiu correndo. Os outros músicos olharam pra porta quando ouviram-na bater com força. Eles estavam curiosos sobre o que estava acontecendo, porém o maestro estava orgulhoso. Kerr realmente era um garoto com um grande talento que poderia ir muito além das fronteiras Nova York. Isso se ninguém estivesse disposto a lhe impedir.

— Apenas escolha uma. — Alex suspirou. Estava há meia hora assistindo o irmão colocar e tirar todas as roupas de seu closet. Ou aqueles casacos de trinta mil dólares não eram bons o suficiente, ou Nate realmente não gostava de usar roupas — Quando a gente chegar lá vai ter que colocar outra roupa mesmo...

— Sou uma figura pública agora, preciso me vestir como tal. — Nate arredou algumas camisas do lado esquerdo, a escolha estava difícil. — Esqueceu em que mundo vivemos? Frivolidade é nossa melhor amiga.

— Ai meu Deus. — Alex debochou. — Você tem um quarto maior que a minha casa cheio de roupas e sapatos. Por que precisa de mais?

— Porque eu sou o irmão fútil. — Nate virou para encará-lo. — E você é o irmão pobre. Eu sei que vai doar sua parte da herança pra caridade enquanto eu torro tudo em Las Vegas. Mas você não acha que está precisando de roupas novas? — Nate fez uma careta quando fitou as roupas baratas que o irmão usava.

— O que tem de errado com as minhas roupas? — Alex olhou para elas, pareciam normais.

— Você ta brincando, né? — Nate deu um meio sorriso e caminhou até a porta do fim do closet. — Você sabe qual a primeira regra mundial?

— Sei lá, todos nós somos iguais e ninguém é melhor que ninguém?

— Não, essa é uma regra de colégio publico. — Nate tirou sua camisa e começou a vestir outra, agora bastante folgada para obter um resultado diferente. —A regra de que estava falando é completamente diferente. — Ele olhou pro irmão, ainda sentado num banco ao lado da porta. — Nada do que é barato vale a pena, a não ser as coisas que não tem preço.

— Ainda estou ouvindo. — Alex sorriu, aquele sarcasmo era até engraçado.

— O que eu quero dizer, Alex, é que eu aprecio a sua falta de interesse pelo dinheiro. Você é herdeiro de bilhões e não se importa em continuar vestindo camisas de vinte dólares ou andando de ônibus, mas você deve. Qual o problema em pedir pro Dennis levar você ao shopping e gastar vinte mil por semana? É sério, você precisa torrar esse dinheiro. Me diga uma coisa. — Nate caminhou até ele. — Você nunca se sentou no sofá de segunda mão da sua mãe e viu um comercial na sua TV não-plasma com algo que você gostaria de ter, mas sabia que não podia já que tinha que comprar comida?

— Já, claro. — Alex sorriu. — Mas acho que você deve saber que nosso sofá foi caro.

— Tanto faz. Me conta o que você viu.

— Bom, eu sempre quis ter um notebook, mas...

— Perfeito! Vamos comprar três pra você, um pra manhã, um pra tarde e um pra noite. Ou, um pra trabalho, um pra lazer e outro pra putaria. Anda, vai ser divertido.

— Por mais que eu aprecie a ideia e admita que você pode ser uma ótima companhia, eu ainda acho que isso não é pra mim.

— A gente vai na Bloomingdales, depois a gente passa num lugar que eu quero ir, então a gente faz as fotos na CK e depois corre pro shopping pra comprar apenas um notebook modesto pra você. Mais que isso eu não posso fazer. É pegar ou largar.

— Existe alguém que consegue dizer não pra você? — Alex tinha se dado por vencido.

— Tyler Posey. Ele disse que era hétero, e eu segui em frente.

— Qual é? — Alex socou devagar o ombro do irmão. Mas não sabia se tinha sido realmente uma piada.

Nate sorriu, vitorioso. E foi só escolher que sapato iria usar que os dois saíram da mansão. Foram levados até a Bloomingdales mais próxima com a limusine de Simon, e Alex resolveu não contestar. Afinal, quantas pessoas poderiam dizer que Nathaniel Strauss era uma grande pessoa? Isso com certeza era um ponto positivo no meio de toda aquela loucura.

Quando passaram pelas portas de vidro da loja, a vendedora Crystal logo abriu um sorriso de orelha a orelha. Ela conhecia muito bem os gêmeos Strauss, ou pelo menos, tudo o que já havia sido postado na Vogue e nos Blogs de fofoca. Como disse Perez Hilton, eles representavam os seres humanos em sua forma perfeita. E se alguém discordasse, estaria equivocado.

— Olá senhores Strauss. Como posso ajudá-los? — Crystal aproximou-se deles, com as duas mãos unidas na frente do corpo. Apesar de parecer uma garota refinada, não conseguia esconder que estava se sentindo como uma tiete perto dos ídolos.

— Meu irmão quer dar uma olhada em suas roupas. E não importa o preço, a não ser que estejamos falando sobre as mais caras. — Nate sorriu pro irmão, só para demonstrar confiança.

— Vocês podem me seguir. — Crystal deu meia volta e começou a andar pelo corredor da esquerda.

Ela apresentou as melhores e mais caras roupas da loja, sabia que aqueles dois podiam lidar com qualquer preço. Porém, quando Alex e Nate conseguiram se situar, ela foi dispensada com um sorriso falso que dizia claramente que não tinha conseguido conquistar o irmão promíscuo.

Alex preferiu ignorar as atitudes de Nate para concentrar-se nas roupas. Elas não pareciam ser tão ruins como imaginava, mas ainda faziam o estilo de Jensen e Justin. Isso acabaria com qualquer excitação ao renovar seu guarda-roupa. Se tinha algo que ele fazia questão, era de ser diferente de todos os garotos milionários daquela região. Será que poderia conseguir isso comprando nas mesmas lojas? Ele teria, porque o irmão iria obriga-lo.

Entre uma prova e outra, finalmente Nate encontrou sua preferida: uma jaqueta de couro marrom com dois bolsos laterais e uma gola escura. Ela ressaltava os músculos de Alex e lhe deixava com um aspecto natural, como o novo rico humilde que ele estava tentando ser.

As provas só terminaram quando Alex colocou os olhos numa camisa xadrez. Era leve, simples e fazia seu estilo, pelo menos até ver o preço na etiqueta.

— Essa camisa custa tudo isso? — Ele arregalou os olhos. — Não podemos levar.

— Alex, se Simon quiser ele compra essa loja inteira. E como você é o filho preferido, pode levar o que quiser. — Nate olhou pra jaqueta marrom pendurada na porta do provador. — Aquela é a sua cara.

— Não, é a sua cara.

— Que é a mesma que a sua. — Nate não resistiu, precisou caminhar até a jaqueta. Num movimento rápido ele arremessou para Alex. — Agora experimenta. Se eu estiver errado, você não compra. Pode levar a xadrez também.

— Tudo bem. — Alex suspirou, derrotado. Pegou a jaqueta junto da camisa xadrez e caminhou até o provador.

Nate seguiu o irmão até lá, pegando algumas peças aleatórias no caminho. Em frente ao provador havia duas poltronas cor de vinho para que os clientes esperassem. Um homem de terno e gravata tinha acabado de se levantar de uma delas e seguir pelo outro corredor quando Nate sentou-se. Pela maneira como se olharam durante três segundos enquanto o homem partia, alguma coisa poderia ter acontecido.

Logo depois que ele desapareceu da vista de Nate, Crystal dobrou o corredor com um bule prateado nas mãos e aquele sorriso exagerado no rosto. O que Nate precisava fazer pra ser deixado em paz?

— Café, senhor?

— Não, obrigado.

— Alguma outra coisa? Um lanche?

— Sim. — Nate assentiu com um sorriso falso. — Um bem caprichado, então pode demorar o quanto quiser.

— É claro. — Crystal sorriu e se retirou. Nem tinha entendido que sua tarefa era apenas deixa-lo em paz pelo máximo de tempo possível até que saíssem da loja.

— E aí, Alex? Gostou? — Perguntou Nate enquanto manuseava as revistas da mesinha ao lado.

— Não sei! — Gritou Alex de dentro do provador. — Eu achei meio estranho...

— Você se acostuma. — Nate revirou uma página da revista que pegara. Como assim ele não estava na capa? Era com certeza uma velha edição, neste caso.

— Não gostei da xadrez. Mas a jaqueta é legal.

— Tenho mais roupas aqui comigo. Pode continuar.

— Hey... — Alex colocou a cabeça pra fora da cortina, chamando a atenção de Nate. — Pode me passar as roupas?

— Vem pegar, bonitão. Tem vergonha do seu corpo perfeito? — Nate sorriu.

— Nate, apenas me passe as outras roupas.

— Por quê? Vista as roupas com que veio e venha pegar.

— Ah... — Alex abaixou a cabeça, envergonhado. — Acho que você meio que tinha razão a respeito das minhas roupas...

— O que? — Nate jogou a revista pro lado. De repente estava interessado no assunto.

— Minha camisa meio que... Rasgou. E eu não posso ir até ai vestindo uma das roupas que peguei, são da loja.

— O que? — Nate gargalhou. — Como você rasgou, sua baleia?

— Eu puxei de mal jeito, achei que sairia mais rápido...

— Ok. — Nate se levantou. Ele pegou as roupas que estavam ao seu lado e entregou ao irmão. — Você entendeu agora?

— Sim...

— Que bom, porque você não vai sair daqui enquanto não se vestir como um Strauss.

— Nate...?

— Eu sou o melhor irmão do mundo, eu sei. — Nate piscou.

Mas não foi tão fácil convencer Alex de que precisava de roupas novas. Eles demoraram muito escolhendo peças e calculando preços. Nate tinha começado a ficar impaciente com a vendedora, que aparecia sempre na hora errada com uma desculpa esfarrapada.

No fim, Alex acabou tendo que sair de lá com as roupas que Nate sugeriu e logo aproveitou para usar a jaqueta marrom. Nate estava certo, tinha ficado ótima, mas ainda era estranho. Nem ela e a calça jeans preta com que estava combinavam com seu estilo, mas ele precisava confessar que a Bloomingdales tinha acabado de melhorar sua autoestima.

Já na calçada, Alex caminhou com suas sacolas até a limusine, mas Nate estava indo em outra direção.

— Você não vem?

— Sabe aquele lugar que eu preciso ir? Pois é, fica aqui perto, eu já venho. — Nate deu meia volta.

— Espera, eu vou com você.

— Você pode ficar se quiser. Conhece um tal de livre arbítrio?

— Não, conheço um tal de “Não me deixe sozinho numa cidade que eu não conheço”. — Alex jogou as sacolas de compras no banco de trás da limusine e fechou a porta. — Então eu vou com você.

— Tudo bem, se você curte esse lance de siamês. — Nate deu de ombros.

Alex quase sorriu. Andou até o irmão e depois caminharam lado a lado. Alex colocou as mãos no bolso da nova calça Jeans enquanto os olhos pairavam na calçada suja. Havia jornais rasgados, embrulhos de presentes e avisos antes pregados nas paredes, mas agora sendo levados na direção contrária pelo vento.

— Aonde você vai? — Ele perguntou.

— Visitar um velho amigo, Maestro Kempper. Não nos vemos há alguns anos. — Nate quase riu da própria piada. Maestro Kempper seu amigo? Ele nem sabia o que significava ser Maestro e com certeza não precisava de amigos.

— Então, é uma visita amigável?

— Não é como se todos os dias eu fosse machucar alguém, Alex.

— Certo. — Alex balançou a cabeça para afastar os pensamentos pessimistas. Confiar no irmão era a melhor coisa que poderia fazer. — Besteira minha, não ligue.

— Irmãos Strauss. — Disse Thayer, assim que apareceu na frente deles para impedir que continuassem. — Aposentaram a limusine?

— Não, ela está ali parada ao lado do seu jegue. — Nate sorriu, mais falso impossível.

— O que vocês fazem aqui?

— Nós... — Alex começou a falar, mesmo sabendo que o garoto incrivelmente branco na sua frente era mais um na lista negro do irmão.

— Nós estávamos fazendo algo que não é da sua conta. Agora se nos der licença... — Nate tentou avançar, mas Thayer colocou-se na frente deles novamente.

— Pra que a pressa? Somos amigos, lembra? Vamos tomar alguma coisa pelos velhos tempos.

— É, não vai rolar, Aquamarine. Mas eu aprecio sua educação. — Nate passou por ele, quase furioso.

Alex e Thayer fitaram-se por alguns instantes, ambos curiosos com o que estavam vendo. Alex não fazia ideia de quem ele era, mas sabia que Nate o odiava. Então, isso significava que eles não poderiam se falar? E se estivesse certo sobre a relação de ambos, por que Thayer não estava no diário?

— Desculpe. — Alex não resistiu, ele tinha que fazer isso.

Thayer apenas assentiu, com um sorriso enquanto Alex corria pra alcançar o irmão. Ele mal sabia que Thayer ainda estava observando.

— O que foi isso? — Perguntou Alex.

— Algo em que você também não pode se meter.

— Ok. Pode me dizer pelo menos por que nós o odiamos?

— Só, Você sabe... Eu estava abandonado, ele arrancou minha virgindade e depois desapareceu. O de sempre...

— Arrancou, tipo... Estuprou? — Alex estava preparado para ficar chocado. Ele tinha certeza que podia esperar qualquer coisa dos moradores dos Hamptons.

Nate parou de andar e olhou para ele com um sorriso. Alex não entendeu muito bem, não sabia porque ele estava fazendo aquilo.

— Você é mesmo inocente, né? — Nate olhou para o lado. Eles estavam em frente ao local onde Nate queria estar. — Chegamos.

Alex tentou perguntar o que aquilo significava, mas desistiu assim que percebeu que Nate não iria responder. Ele olhou para trás, Thayer ainda estava parado há alguns metros dele, apenas observando com um sorriso. Ele achou aquilo muito estranho, mas estava longe de ser assustador. Pelo que já conhece do irmão, é mais fácil ele estuprar alguém do que ser estuprado. E se algum dia for, ele vai gostar, então a história com o até então garoto misterioso vai ficar mal contada até Nate decidir abrir a boca.

Alex só percebeu que deveria passar pela porte de vidro quando ouviu o irmão gritando seu nome lá de dentro.

A primeira vista aquela casa parecia uma escola de musica, Alex percebeu isso por causa das inúmeras pinturas envolvendo esta arte, que estavam espalhadas por todas as paredes marrons. No fim daquela bonita sala havia uma recepcionista oriental, ela sorriu imediatamente pra ambos.

— Oi, estou aqui para ver o Maestro Kempper. — Disse Nate.

— Você tem hora marcada?

— Não, mas eu sou Nathaniel Strauss. Pode dizer isso a ele, sim?

— Ok. — A recepcionista parou de sorrir. Se Nate ponderava daquela maneira com as pessoas, deveria ser apenas mais um riquinho metido com quem ela lida todos os dias.

Nate olhou para Alex quando ela se retirou, o garoto estava observando tudo como um alienígena que não entendia nada do que estava vendo. Nate tinha certeza que ele só tinha querido ir com ele pra ficar mais perto, como se gêmeos precisassem ficar perto para que sejam próximos.

— Gosta de musica?

— Eu? Bastante. — Alex assentiu ainda olhando pras paredes. — Sei tocar violão.

— Sério? Já compôs alguma música?

— Eu? — Alex olhou para ele um pouco confuso. Se dissesse que sim ele pediria para vê-lo tocar, mas isso era algo pessoal demais, até mesmo pro seu irmão gêmeo. — Não exatamente...

— Ok. — Nate tinha achado estranho. Fez uma careta, mas não insistiu.

Naquele momento a recepcionista estava voltando ao balcão. Nate olhou para ela, continuava com aquela expressão mal humorada que tinha adquirido desde quando ele começara a falar.

— Ele vai vê-lo agora. — Informou ela. — A sala é...

— Eu sei onde fica, obrigado. — Nate sorriu com desdém. Logo depois virou para Alex. — Fique aqui, eu volto rápido.

— Ok. — Alex assentiu.

Nate sorriu novamente pra recepcionista e depois caminhou até a sala. Ele nem bateu, apenas girou a maçaneta e entrou. O maestro Kempper estava sentado em sua cadeira de couro marrom, segurando um pequeno copo de whisky. Pela sua expressão, ele não estava dando a mínima para a chegada de Nate, mas ele sabia que tudo o que aquele garoto tocava virava um escândalo, então, precisava saber o motivo de sua visita.

Assim que Nate fechou a porta, sentou-se na cadeira de frente pra mesa. Pelo olhar do Maestro, não tinha gostado nada de vê-lo sentar-se em sua cadeira em sem um convite.

— Sente-se. — Disse ele para provocar. — Então. A que devo esta discutível honra?

— Guarde a sua arrogância de idoso solitário para si mesmo, pois ela não me convence. Você é de longe a pessoa mais frustrada que já conheci, e olha que eu não tenho um bom passado.

— Você acha que seu vocabulário de quinta categoria me intimida? — Kempper balançou seu copo de whisky e deu um meio sorriso.

— Desculpe, não posso controlar, é igual a sua homossexualidade reprimida. Teve que casar com uma mulher só para ser aceito na sociedade, mas vive pulando a cerca com os garotos de programa. Até Ricky Martin teve mais coragem que você.

O sorriso de Kempper se desfez no exato momento em que sua ferida foi tocada. Como Nate poderia ter aquela informação? Como era possível alguém saber quando passou vinte anos vivendo desse jeito e ninguém nunca suspeitou? Ele só podia tê-lo seguido depois de sua aula para que algum dia estivesse ali, sentado em sua cadeira, fazendo uma das muitas coisas em que ele é bom: Chantagem.

— Não me olhe assim. Acho que poderíamos idealizar algum tipo de chantagem saudável, se isso lhe parece satisfatório.

Kempper suspirou. Colocou seu copo em cima da mesa e fitou o chão, completamente consumido pela vergonha. Ele sabia que este dia iria chegar, o dia em que alguém o veria pelo que realmente é e arruinaria sua vida. A não ser que ele fizesse exatamente o que lhe é mandado.

— O que você quer?

— Se Kerr Foster estiver fora do concerto amanhã, seu segredo será guardado.

— Kerr... Foster? — O olhar de Kempper estava cheio de dúvidas. O que Kerr Foster, um de seus alunos mais promissores, tinha a ver com tudo aquilo?

— Sim. Chame um substituto ou cancele o concerto. Tenho certeza que sua reputação vale muito mais. — Nate se levantou. Tirou uma foto do bolso e jogou em cima da mesa. — E não, você não tem escolha.

Kempper olhou pra foto. Ela mostrava claramente o momento em que ele entrava num motel barato com um dos gigolôs que contratara semana passada. E não havia nada para contestar, aquela foto era verídica. Talvez até não fosse a única, pois logo depois da chegada que a câmera captou, eles se beijaram na frente do quarto. Foi ali mesmo que tudo começou.

— Posso contar com você, Maestro Kempper?

— Sim. — Kempper deu um grande suspiro, realmente não havia saída. — Kerr não estará no concerto de amanhã, eu prometo.

Next...
1x11:All Eyes On Us (02 de Novembro)
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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. Impressão minha ou os capítulos estão ficando mais curtos?

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  2. Muito daora!

    Veja minha Websérie

    http://criticandonamadruga.blogspot.com.br/2013/11/webserie-crazy-life-1x02-back-to-past.html

    ResponderExcluir
  3. Trama cada vez mais esquentando. Esse Thayer parece ser interessante, tem muito ainda a acrescentar (eu acho).
    Esse capítulo teve só partes dos gêmeos e do Kher. Quero que os outros também apareçam.
    P.S.: Tyler Posey kkkkkk e a vendedora Crystal = Teen Wolf TOTAL

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