sábado, 19 de outubro de 2013

[Livro] The Double Me - 1x09: How to Deal With Terrible Parents [+18]



“Segredos de família dão sempre os melhores escândalos.”


— Trigêmeos? — Perguntou Alex, pela enésima vez.

— Sim. — Respondeu Nate. Já estava próximo a janela do quarto, acomodando-se na poltrona bege que nem mesmo Alex teve a chance de experimentar. — Esperma Strauss, você deveria saber.

— Então os Strauss perderam sessenta e seis por cento dos filhos? Como isso é possível?

— Eu sei lá. — Nate deu de ombros. — Só sei que a história é verídica de acordo com o telefone grampeado da Lydia. Essa velha tem histórias pra contar, viu?

— Eu não entendo. Por que mentiriam pra gente?

— Porque é isso que as famílias fazem, elas mentem para nos proteger, sem saber que isso piora as coisas. Aliás, não deveríamos começar a procurar nossa irmã?

— Era menina? — Os olhos de Alex quase brilharam. Desde sua infância sonhava em ter uma irmã, porém, Tina e Gwen não lhe pareceram ser tão fraternais.

— Graças a Deus, você iria aguentar que existisse no mundo mais alguém com a nossa cara? Não que seja um castigo, mas, onde está a singularidade? Desde que você chegou está difícil ser único.

— Você acha? — Alex foi sarcástico. Olhou pras mãos sem seu colo, sempre fazia isso quando pensava demais.

Para ele, não era uma má ideia correr atrás da irmã perdida, sendo ela uma parte insubstituível para aquela família. Mas é claro, se ele decidisse juntar-se a Nate nessa busca, teria que mentir para todas aquelas pessoas que lhe acolheram com tanto carinho naquela casa. E isso era repulsivo, mesmo que, pro bem ou pro mal, eles tenham mentido primeiro.

O único problema é que a busca poderia acabar lhes levando a lugar algum. E se a criança fosse uma criminosa? E se estivesse morta? E se não quisesse ser encontrada? Era arriscado demais tentar desvendar os segredos de uma família tão poderosa que parecia pagar pelo silencio de muita gente. Mas Alex preferia agarrar-se na esperança de que tudo desse certo. Afinal, entre tantas possibilidades desagradáveis para aquela história terminar, eles poderiam deparar-se com aquela em que uma garota inocente é salva da vida que lhe foi roubada.

— Você disse que a gente estava do mesmo lado. — Insistiu Nate. — Qual é, Alex? É a nossa irmã perdida, se fosse você o perdido eu te procuraria do mesmo jeito.

— Eu não sei. Eu só quero entender tudo primeiro.

— Não me diga que está pensando em perguntar para Judit.

— Eu não poderia mentir pra ela. E talvez ela possa nos contar a verdade.

— Não gosta de mentir pra mulher que mentiu pra você? — Nate deu um ar de risos. — Ela nem se deu ao trabalho de contar o que aconteceu com você naquele hospital. Sem falar que existe um motivo para Lydia também mentir. E se elas estão juntas nisso, com certeza Simon também deve estar.

— Custa chamá-los de pai e mãe?

— Não é hora pra isso, Alex. — Nate se levantou. — Eu quero essa família completa. E agora as únicas pessoas com quem posso contar são meus irmãos. No caso você e a desconhecida que a gente tem que achar.

— Vamos procurar a nossa irmã só porque você é carente?

— Como você sabe? Sensibilidade gêmea?

— Para. — Alex revirou os olhos. Ele colocou os dois joelhos da altura do pescoço e jogou os braços por cima deles, ficando completamente encolhido. — Só acho que vai ser mais fácil encontrá-la se soubermos a verdade.

— E como você pretende fazer isso, 007? — Nate cruzou os braços. — Máquina da mentira? Tortura? Olhar de peixe morto?

— E se, assim como você, Judit também tiver um diário?

— Ela não tem. Vivi com ela até meus 15 anos, lembra? — Nate parou de falar assim que seu celular tocou. Era um numero desconhecido, poderia ser algo importante.

— Pode atender. Quer que eu saia?

— Não faz a Madre Teresa, o quarto é seu, e você pode ouvir minhas conversas já que está do meu lado.

— Posso? — Alex parecia surpreso. Se soubesse que era tão fácil ganhar a confiança do irmão, tinha aceitado ficar do seu lado bem antes.

— É claro. — Assim que atendeu a chamada, Nate apertou o botão esquerdo para acionar o viva voz. Ele jogou o celular na cama e se sentou ao lado de Alex, deixando o celular no meio deles. — Alô?

— Nathaniel Strauss?

— Sim?

— Aqui é Dora Clintter, da agência Calvin Klein. Tomei a liberdade de pegar seu numero para lhe oferecer um trabalho de modelo de cuecas na nossa empresa. Você estará em outdoors, revistas e com certeza com a fama de seus pais, as vendas subirão e seu cachê explodirá.

— Uau. — Sussurrou Alex, tão baixo que Dora não pôde ouvir.

Nate sorriu, finalmente Calvin Klein estava acontecendo. Ele estaria em outdoors, revistas, na parede de lojas e com certeza poderia desfilar em alguma passarela boa o suficiente para estar em Paris. Porém, ser mais um entre centenas de modelos não era o suficiente. Se quisesse se tornar uma lenda no mundo fashion, teria que passar dos limites e ser do mínimo, interessantemente original.

— Conte comigo. O que você acha de um ensaio de gêmeos? — Ele olhou para Alex cheio de segundas intenções. O garoto sentiu a espinha gelar, já estava imaginando na confusão que aquilo iria causar.

— Acho que é exatamente o que estamos procurando.

Mesmo tendo Alex bem a sua frente sussurrando a palavra “Não” e fazendo gestos no ar, Nate continuou conversando com Dora como se nada estivesse acontecendo. Primeiro teria que passar por ela, e depois, com a ajuda de seu olhar de peixe morto ou não, convenceria Alex a fazer as fotos.

— Vai haver uma sessão de fotos daqui a três dias as dezesseis horas. Estejam lá, garotos.

— Nós estaremos. — Nate finalizou a chamada.

— Por que você fez isso? — Alex exaltou a voz. — Eu não vou participar de nenhuma sessão de fotos com você!

— É Calvin Klein. Quando ele quer, você não tem escolha.

— Bom, eu tenho. — Alex se levantou da cama e andou até a porta. — Já basta ter Nova York inteira na minha cola porque sou o filho perdido de Simon Strauss, não quero ser também o gêmeo que saiu descamisado na Calvin Klein.

— Qual é, cara? — Nate caminhou até ele para que ficassem cara a cara. — Vai ser bom pra nós dois. Você precisa elevar sua autoestima e eu preciso posar seminu pro mundo inteiro ver. É só questão de matemática.

— Eu disse não...

— Por favor, Alex. Você está do meu lado e eu do seu, se você fizer isso por mim eu juro que faço o que você quiser a respeito da nossa irmã. Se você quiser eu mesmo pergunto a Judit porque ela escondeu que tinha uma filha perdida.

Alex ficou calado, estava pensando seriamente na proposta. Fazer algumas fotos e estar nos outdoors da Calvin Klein realmente ajudaria a melhorar sua autoestima. Por outro lado, suas dúvidas tinham forças suficientes para impedi-lo de pensar positivamente. Se Nate era perfeito, como todos diziam, e eles eram idênticos, isso significava que Alex também era? Mas então por que era tão difícil sentir-se dessa maneira?

— A gente vai ganhar um bom dinheiro fazendo isso. Na verdade, o nosso dinheiro, ganho por causa do nosso esforço. Eu sei que essa ideia te seduz, então diga logo sim.

— Um bom dinheiro? — Perguntou Alex. Aquilo sim era um bom motivo pra fazer as fotos. Ele poderia comprar tudo o que precisava sem depender do dinheiro dos pais, como sua mãe adotiva lhe ensinara.

— Um dinheirão, e vai ser todo seu. O que acha de comprar um apartamento pra sua mãe adotiva e sua irmã postiça com ele?

— Nesse caso... — Alex deu um meio sorriso. — Acho que estaremos na Calvin Klein.
 

— Nate é o culpado! — Gritou Gwen.

— Já chega, Gwen. — Disse seu pai, foi o que bastou para ela se recolher e abaixar a cabeça.

Simon andava de um lado para o outro na sala de estar enquanto tentava organizar as ideias. Na sua mão direita havia uma taça de whisky importado, que claramente demonstrava sua frustração a respeito do ocorrido na festa de aniversário dos hotéis Strauss. Apesar de todas as evidência apontarem pra Nate, era difícil acreditar que seu pequeno garoto pudesse ser capaz de destruir a vida de uma pessoa como acontecera com Amber. Talvez fosse negação, sua maneira de camuflar a verdade para não se decepcionar mais uma vez. Ou então, pura e simplesmente, estivesse sendo injusto com o filho, como quando descobrira sobre seu envolvimento com Jensen.

— Eu não sei o que pensar. — Disse Judit. Ela estava sentada no sofá ao lado de sua filha, com o rosto abatido e vergonha e preocupação. — Nate arruinou a apresentação da nossa filha...

— Por Deus, Judit. — Simon parou na frente da mulher. Estava achando um absurdo ela colocar a culpa no filho sem saber de verdade o que aconteceu. — Ele tirou a roupa, não arruinou a vida de alguém.

— A não ser a minha apresentação, não é? Isso significa alguma coisa pra você? — Gwen fitou o pai, com discórdia.

— Por que você o defende, Simon? — Perguntou Judit. — Você viu como ele está agora, ele não é mais o nosso Nate.

Sem que pudessem notar, Lydia aproximou-se da porta para escutar a discussão. Nate e Alex estavam descendo as escadas quando ouviram os gritos de seus pais. Assim como sua tia, também pareciam interessados no que a família tinha a dizer. Pela brecha da porta dupla entreaberta eles podiam ver Judit e Gwen de costas no sofá enquanto Simon indagava seu ponto de vista na frente de ambas.

— Judit, eu sou a primeira pessoa a dizer que Nathaniel tornou-se uma pessoa incontrolável, mas... — Simon suspirou e finalmente sua voz acalmou. Ele fitou o nada enquanto lembrava da época em que o carregou no colo, era a melhor lembrança que tinha do filho. — O que aconteceu hoje foi muito além de doentio. Ele está com raiva da gente, apenas isso, não é um doente mental que faria aquilo com Amber sem motivos.

Gwen abaixou a cabeça. Queria poder dizer ao pai que Nate tinha todos os motivos do mundo para humilhar Amber do jeito que fez, mas não podia. Não sem dizer as coisas horríveis que ela e os amigos fizeram com seu irmão para que apenas seu nome constasse no testamento. Era melhor fazer o pai acreditar que um de seus frutos estava podre ao invés de matá-lo de desgosto com a verdade. Mas de qualquer jeito, ele ainda tinha Alex, o único membro de caráter da família Strauss.

— Ele é meu filho. — Disse Judit. — Isso dói tanto em mim quanto dói em você. Mas precisamos ser realistas. Desde que esse garoto voltou a gente não teve paz. Ele é uma desgraça!

Alex engoliu em seco com as palavras da mãe. Como uma mulher que afastou o filho por causa de sua opção sexual podia falar uma coisa como aquelas? Era inadmissível, mesmo que Judit tenha lhe acolhido como uma verdadeira mãe dentro daquela casa. Nate poderia estar errado em muitas coisas, mas as pessoas que lhe fizeram mal deveriam pelo menos assumir a responsabilidade por seus atos e não jogar tudo nas costas da pessoa que mais magoaram.

Foi pensando nisso que Alex invadiu a sala, chamando a atenção de todos que estavam ali.

— Ele não é um monstro. — Defendeu ele.

— Pronto, agora até ele está corrompido. — Disse Gwen, levantando-se do sofá para encarar o irmão.

— Alex... — Chamou Nate. Aquela era uma situação perigosa, principalmente pra ele que estava querendo o afeto daquela família.

— Vocês exilaram o próprio filho do país só porque ele era gay e ainda se sentem no direito de julgá-lo? Vocês nem pediram desculpas, nem se preocuparam em saber como tudo aconteceu. Então não vou deixar que cometam outra injustiça, mesmo que eu tenha que sair desta casa.

Judit engoliu em seco enquanto seu marido permanecia sem palavras. Ela tocou na enorme jóia em seu pescoço e olhou para baixo, sempre fazia isso quando se sentia constrangida.

— Alex... — Ela começou a falar.

— Então é assim que você retribui todo o carinho e atenção que recebeu quando entrou nesta casa? — Gwen levantou-se do sofá. Agora estava de braços cruzados, lançando um olhar acusador ao irmão.

— Gwen, fique fora disso. — Pediu Judit.

— O que? — Apesar de ter acabado de receber uma ordem direta, Gwen abriu espaço para uma discussão. Não era possível que ela estava sendo repreendida quando Alex estava na frente da família inteira defendendo Nate — Você não pode deixar...

— Fique fora disso, Gwen. — A voz firme de Judit foi o bastante pra fazer a filha de calar.

— Tudo bem. — Disse Gwen, antes de lançar um olhar de superioridade pra mãe e passar por Lydia na direção das escadas.

Nate poderia tomar a atitude da irmã como um insulto, mas não conseguia prestar atenção em outra coisa que não fosse sua mãe. Ela estava completamente desconcertada na frente de Alex, como se quisesse dizer que ainda assim tinha tomado a decisão certa a respeito de Nate, mas a vergonha não lhe deixasse. Afinal, como poderia explicar que abrira mão de um filho gay só pra evitar um escândalo? Ela sabia que Alex nunca aceitaria ter uma mãe assim.

— Eu acho que o silencio de vocês disse o suficiente — Alex deu meia volta, mas parou de andar quando ouviu a voz de Judit.

— Eu não quero que você vá...

Alex estava decepcionado demais para que pudesse olhar novamente em seus olhos. Então, preferiu ficar de costas, apenas fitando o nada enquanto ouvia suas palavras.

— Eu posso não ter as melhores justificativas para os meus atos, mas eu sempre fiz o que achei melhor para esta família.

— Vou embora daqui. — Disse Nate, num tom de deboche. — Eu aprecio sua coragem pra me defender, little brow, mas estou cansado dessa merda. Se você decidir ficar, apenas lembre-se de não ser gay, ou pode acabar sem seus pais — Com um sorriso presunçoso, Nate passou pela porta da sala, diretamente a enorme porta que lhe levaria ao lado de fora da mansão.

Alex olhou para Judit e Simon, decepcionado por nenhum deles ter ido atrás de seu irmão. Parece que sua família perfeita acabou de ser dissipada. A não ser por Nate, a única pessoa em quem. — aparentemente. — poderia confiar.

Antes que sua mãe pudesse iniciar um pedido de desculpas, Alex correu pela porta. Nate estava andando fervorosamente até seu carro quando ouviu o irmão chamar seu nome.

— Aonde você vai?

— Preciso fazer uma coisa.

— Que coisa? — Alex apressou os passos, Nate estava andando rápido demais.

— Você disse que não iria se meter nos meus assuntos. — Nate entrou no carro e fechou a porta, deixando Alex batendo na janela.

— Me desculpe por isso. — Pediu ele. — Eu achei que estava ajudando...

— Achou errado. Então por favor, não se meta mais no que não é da sua conta.

— Nate, eu só queria ajudar! Não vou pedir desculpas por ter encarado nossos pais.

— Seus pais. — Cuspiu Nate. — Eles não passam de bosta para mim. — Nate arrancou com o carro, quase levando Alex junto.

Então, não havia mais nada a se fazer. Alex teve que observar o irmão partir enquanto aquela sensação de impotência lhe corroia por dentro. Não havia mais família perfeita. Nem mãe, nem pai, nem irmã, e agora, nem irmão. Será que já era hora de voltar pra casa? Essa era a ideia perfeita para acabar com seus problemas.

Alex ouviu o celular apitar assim que o carro de Nate desapareceu após os portões da mansão. Ele olhou no visor, era uma mensagem de Jensen, que dizia “Quero ver você hoje a noite. Eu escalo sua janela”.

E por um segundo, Alex arrependeu-se de ter pensado em voltar pra casa. Ele não poderia voltar, não quando tinha algo mal resolvido com alguém que poderia lhe ajudar a descobrir mais de si mesmo. Isso se Nate estivesse de acordo.
 

Amber finalmente havia recobrado a consciência. Os olhos ainda estavam embaçados, mas ela podia ver claramente um teto branco impecável acima de sua cabeça. Pelo barulho da máquina ao lado e o cheiro de álcool ela sabia que estava num hospital, só não sabia como tinha chegado até ali.

Logo uma onda de lembranças repentinas embaçou sua mente, fazendo-a notar a fortíssima dor de cabeça que estava sentindo. E também, a fome insaciável que lhe consumia aos poucos. Ela estava disposta a dar um braço por um pouco de comida, mesmo que fosse a sopa grotesca do hospital ou um cupcake de Nate, como se tivesse gostado de ter sido torturada. Porém, era apenas um dos sintomas da bulimia, que ela conhecia mais que qualquer um.

Quando finalmente conseguiu mover a cabeça, ela viu seu irmão Kerr dormindo na poltrona do fim do quarto. Seu rosto estava machucado como se tivesse levado uma surra de alguém, e logo associou a Nate.

— Kerr... — Ela sussurrou, mas não alto o suficiente para que ele pudesse ouvir.

Kerr, ao contrário do que ela pensava, estava sob o efeito de várias medicações que tomara quando também foi levado desacordado até o hospital. Só estava ali porque queria ficar ao lado da irmã, mesmo que não tivesse condições de ajudar nem a si mesmo.

Lágrimas caíram do rosto da garota quando percebeu que seu irmão não estava ouvindo. Estava triste e debilitada, qualquer coisa pareceria o fim do mundo. Porém, próximo a porta de seu quarto, havia alguém que conseguiria fazer isso de maneira mais literal. Este, Nathaniel Strauss, o grande culpado pelo seu estado abatido e seu check in no melhor hospital do estado. O garoto mantinha as mãos no bolso e lhe lançava um olhar indecifrável, que ela temia mais que qualquer coisa.

— Como você está? — Ele perguntou, cruzando os braços.

— Por favor. Sai. — Uma lágrima caiu de seus olhos.

— Não vim aqui pra brigar. — Nate andou até sua para sentar-se, dando um grande suspiro. — Amber, Amber... Se você tivesse sido uma boa garota teria evitado tudo isso...

— Eu já pedi desculpas...

— E eu não aceitei. — Nate piscou. — Por isso essa é a minha deixa. Você pagou por seus pecados, está livre. Se quiser, nunca mais vai me ver na sua vida.

— Antes eu disse... — Ela gaguejou, os aparelhos estavam dificultando a passagem de sua voz. — Antes eu disse que nada do que você fizesse a mim poderia compensar o que fiz com você, mas estava enganada. Você fez bem pior. Eu nem sei se vou conseguir me olhar no espelho de novo. — Outra lágrima caiu dos olhos de Amber.

— Você sabe o que é perder um pai, sabe o que é ser torturada psicologicamente e sabe muito bem como é chegar ao limite. Mas você nunca vai saber como é ser traído pelas pessoas em que mais confiou e nem como é mortal ter que abrir mão de quem você mais ama. Se tiver um pouco de sorte talvez nunca saiba, mas até lá, tome cuidado com suas decisões.

— Jensen te amava. Eu podia ver, foi por isso que Justin e Kerr ficaram malucos. — Amber agarrou sua mão usando a pouca força que tinha. Nate estranhou, mas a deixou continuar. — Ele só amou você.

— Mas não foi o suficiente. — Nate puxou sua mão, eles estavam ficando próximos demais. — Quando sair daqui, se cuide. E avise pro seu irmão que ele é o próximo. — Com delicadeza, Nate aproximou-se da garota e lhe beijou na testa. Não era carinho, era apenas seu passe livre. — Você não me deve mais nada.

Amber tentou controlar as lágrimas, mas não conseguiu. Ela estava feliz por estar vendo Nate passar pela porta após a promessa de liberdade, mas não conseguia evitar a tristeza em saber que precisou chegar ao limite pra se arrepender de tudo o que tinha feito.

Já Nate, caminhava pelos corredores do hospital bastante satisfeito. A primeira de sua lista podia ser riscada, então, já estava na hora de para o próximo. E mesmo que tenha feito um belo discurso para Amber lá dentro, ele se importava com as outras perdas. Seus pais, seus amigos, sua vontade de viver, mas parecia que nada superava a traição do amor da sua vida. Era inaceitável, eles tinham que pagar, mesmo que fosse de um por um.

Nate só não contava que sua próxima vítima já estava um passo a frente. Kerr, ainda na poltrona, finalmente parou de fingir estar dormindo para consolar a irmã. Ele tinha ouvido tudo, cada frase, cada ameaça, cada besteira que saia da boca de seu mais novo inimigo.

— Tudo bem, Am. — Ele disse, levantando-se para sentar-se ao lado da irmã. — Vai dar tudo certo. — Ele acariciou seu cabelo e depois recostou-se na cabeceira, pensativo.

Mesmo não querendo admitir, Kerr estava com medo do que estava por vir. Tanto medo que até fugir da cidade lhe parecia uma escolha sábia no momento. Se Nate fizesse com ele metade do que fez com sua irmã, seria o fim.
 

— Quentin Cavanaugh? — Disse um policial, na porta da cela.

Quentin levantou a cabeça e olhou para ele, queria que aquele chamado significasse que finalmente Nate tinha pago sua fiança. Ele levantou do banco e andou até as grades.

— Hoje é o seu dia de sorte. — O policial lhe lançou um sorriso sarcástico enquanto abria a porta da cela.

— Parece que é. — Ironizou Quentin.

Os dois andaram até a parte da frente da delegacia, de onde Quentin pôde ver Andy olhando pela janela.

— Deus abençoe os comparsas. — Ele sussurrou para si mesmo, não aguentaria ficar mais nenhum minuto ali dentro sem enlouquecer.

Andy virou assim que ouviu os passos do policial e de Quentin se aproximando. Ele sorriu pro seu provável novo amigo, com uma estranha simpatia.

Quentin nem sabia o que dizer, já que era apenas a segunda vez que eles se encontraram. Nate sempre evitou falar com Andy em público para que ninguém suspeitasse, então, tiveram que manter um relacionamento a distância usando o celular para comunicar-se.

— Então, você ta mais calmo? — Perguntou Andy.

— Agora que estou livre, sim. — Quentin coçou a nuca, estava envergonhado.

— Você quase matou um filhinho de papai. Não vai ter tanta sorte da próxima vez. — Andy começou a andar na direção da porta, Quentin estava bem atrás.

Quando saíram pela porta da delegacia, dobraram pra direita e começaram a caminhar lado a lado. Acompanhar o desconhecido que pagou sua fiança era o mínimo que Quentin poderia fazer. E por falar nisso, ele ainda precisava agradecer.

— Hey, obrigado por ter me tirado dali. É sério, você me livrou da pior noite da minha vida.

— Não agradeça a mim. — Andy olhou para ele por alguns segundos e depois voltou a fitar a rua. — Foi Nate quem pagou. Você sabe que a soma do dinheiro que ele tem mais o do pai dele forma uma bolada maior que a do Riquinho Rico, não é?

— Nate pagou? — Quentin parecia impressionado, não achou que Nate se daria ao trabalho com tantas coisas para lidar.

— O próprio. Você pode agradecê-lo depois.

— Certo. — Quentin assentiu. — Então, qual o próximo passo?

— Deixar Beethoven orgulhoso, e fazer Kerr Foster dar um espetáculo.

— E como a gente vai fazer isso?

— É melhor preparar seu paletó, a ópera já vai começar.
 

Enquanto os seguranças da mansão Strauss aproveitavam o tempo livre pra dormir, Jensen pulava o muro lateral cheio de plantas e sujeira para chegar até o quarto de Alex. Sua única preocupação eram os enormes pastores alemães da família que iniciavam um escândalo sempre que alguém se aproximava, mas quando aproximou-se do chafariz, Jensen percebeu que estavam dormindo dentro de sua casinha vermelha como sempre faziam quando ele escalava a janela de Nate.

Pra sua surpresa, alguém havia ligado a luz do hall e estava abrindo a porta da frente. Não deu tempo de se esconder, quando percebeu, já tinha sido pego no flagra. A luz de dentro da mansão não lhe deixou enxergar, mas foi só se aproximar pra perceber que estava salvo. Era Alex quem estava em frente a porta, com o rosto assustado, mas lindo como sempre. Ainda estava usando aquela sua camisa roxa de manga comprida que Jensen tanto adorava, e talvez tenha vestido especialmente porque iria receber uma visita.

— Você veio... — Ele sussurrou.

— Eu disse que viria. — Jensen subiu as pequenas escadas do pátio. Ele sabia que era apenas coisa da sua cabeça, mas de perto Alex conseguia ser ainda mais perfeito. O cabelo bagunçado, os olhos azuis e inocentes, o jeito recatado de sempre, era como se estivesse diante do garoto que sempre pedira a Deus. Agora só faltava descobrir se Alex sentia o mesmo por ele.

— Acho melhor você ir embora. — Alex fechou a porta e depois cruzou os braços por causa do frio.

— Eu já estou aqui. Agora suba e abra sua janela para que eu possa passar.

— Não, Jensen. Isso não é certo. É a casa dos meus pais, que mal me conhecem. Se eles te pegam aqui vou ter o mesmo destino que o Nate.

— Eu só quero conversar. — Jensen suspirou. — Mas tudo bem, já é uma grande vitória você te aceitado falar comigo depois de descobrir tudo. E eu só quero te explicar...

— Eu já entendi tudo, Jensen, eu não sou burro. Você não amava o Nate e depois armou pra ele com os amigos e...

— Não, está tudo errado. Eu amava seu irmão, amava de verdade. Mas eu era apenas um moleque, não sabia o que fazer com o que eu sentia. Sim, eu fui infiel, isso nunca vou negar, mas não tive nada a ver com a armação que veio depois. Eu só... Estava no lugar errado e na hora errada.

— Você fala como se sua traição não fosse tão importante. — Alex olhou nos olhos dele. — Nate confiava em você, e o que você fez? Transou com um garoto que obviamente moveria montanhas pra vê-lo no chão.

— Eu sei. — Jensen olhou pro lado, queria demonstrar arrependimento, mas nunca conseguiria fazer Alex acreditar em sua palavra quando nem mesmo ele acreditava. — Eu errei, mas hoje eu sou outra pessoa. Não é justo que meus erros do passado interfiram entre você e eu. Finalmente eu tenho a chance de fazer a coisa certa pra alguém, de ser uma pessoa melhor, e pode ter certeza que mesmo vendo você dar pra trás, vou fazer de tudo pra te convencer de que mereço uma chance. Posso esperar você ficar pronto pra me beijar, prometo que não escalo mais sua janela, e se não quiser que as pessoas nos vejam juntos, tudo bem por mim. Só preciso que você me diga pelo menos que vai pensar.

Alex abriu a boca para falar, mas nada saiu. Ele precisou fingir um suspiro pra poder fazer Jensen acreditar que aquela declaração não tinha balançado seu coração.

— Eu não...

Jensen, certo de que estava prestes a levar um fora, decidiu ajudar o garoto a fazer sua escolha lhe dando outro beijo roubado, exatamente como o primeiro que ele nunca iria esquecer. Alex sentiu-se impotente assim que os lábios de Jensen tocaram os seus, e por um segundo, ele sentia como se estivesse esperando aquilo sua vida inteira.

Mas algo estava errado. Algo que obrigou Jensen a parar e olhar nos olhos de Alex com sérias dúvidas. Foi quando ambos entenderam o que estava acontecendo. Não precisaram de palavras, gestos ou provas concretas. O olhar entregava todos os segredos junto de uma forte atração que nenhum dos dois estava disposto a ignorar.

Jensen rapidamente colocou a mão em sua nuca e lhe puxou para mais um beijo, tão mais apaixonante que o coração de ambos disparou dentro do peito. Era o suficiente para Alex saber que aquilo estava errado e que precisava afastá-lo.

— Eu preciso entrar. — Ele disse, assim que criou forças para empurrar Jensen. Suas pernas ainda estava bambas e o coração, ele sabia que nunca mais seria o mesmo.

— Ok. — Jensen assentiu... — Eu te vejo amanhã, tudo bem?

— Ok. — Alex mordeu o lábio sem perceber.

Jensen assentiu mais uma vez antes de sair correndo através do gramado. Alex fechou a porta e depois escorou-se nela olhando pro teto, seus pensamentos estavam a todo vapor. Como pôde ter se entregado tão fácil a uma coisa tão forte? E por que sua boca tremia como se tivesse tocado a coisa mais estonteante do mundo? Era uma coisa que nunca iria esquecer.

Como uma bala ele subiu as escadas e correu até seu quarto. Abriu a porta do seu closet e entrou, logo fitando-se no enorme espelho que ali havia. Ele suspirou fundo antes de meter o dedo nos olhos para tirar aquelas lentes azuis. Elas foram colocadas dentro de uma caixinha branca que ficava em um armário secreto atrás do espelho, onde havia fotos de todos os adolescentes dos Hamptons como um altar macabro para a sua vingança. Se tivesse que fingir ser o irmão gêmeo para derrubá-los, então era isso que faria.

O verdadeiro Alex tinha acabado de passar pela porta do quarto a procura de seu irmão. Quando viu o que havia em seu closet, ele hesitou, mas decidiu não falar nada a respeito das fotos e o rosto de Amber riscado com um X vermelho.

— Jensen veio aqui? — Perguntou.

— Não. — Respondeu Nate, fungando. Esperava que sua expressão não entregasse sua mentira, ou então, perderia novamente o irmão. Alex era uma boa pessoa, mas nunca aceitaria que seu irmão se passasse por ele para descobrir se estava mentindo.

— Eu disse que cuidaria dele. — Continuou Nate. — Você não precisa se preocupar.

— Mas isso não é nada do que eu imaginei que seria.

— Vai dar tudo certo, você só precisa ficar de fora. Eu cuido deles.

— Não há nada que eu possa dizer pra você mudar de ideia?

— Desculpe se isso te desaponta. — Nate deu dois passos em sua direção. — Mas eu sou sua família, nunca se esqueça disso.

Apesar da certeza de que Nate estava seguindo o caminho errado, Alex se sentia seguro. Bastava olhar para os olhos verdes do irmão pra saber que o protegeria de qualquer coisa. Mas quem iria proteger Nate de si mesmo? E quem iria protegê-lo quando Nate descobrisse que está se apaixonando aos poucos por Jensen? Era esse o grande problema da nova equação.

— Eu sei... — Alex recuou. Era impossível tentar dialogar. — Eu preciso ir pro quarto, boa noite.

— Boa noite. — Nate assentiu.

Assim que Alex se retirou, Nate fitou novamente o altar de vingança atrás do espelho. Ele olhou para a foto de Jensen, ele estava no topo, e só o que conseguia pensar era na sensação de beijá-lo novamente depois de tanto tempo.

Ele tocou em seus lábios, ainda podia senti-lo como se o beijo ainda estivesse acontecendo. A única coisa que confortava seu coração depois de ter se entregado completamente era a certeza de que Jensen sabia quem estava beijando. Ele sabia que não era Alex, sabia o que Nate estava fazendo, mas ainda assim, continuou a beijá-lo. Se Nate conseguisse admitir pra si mesmo que amava Jensen McPhee com todas as suas forças, talvez a vingança pela primeira vez teria um final feliz.
 
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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. Estou adorando a confusão que essa história tá colocando em minha mente. Acho que estou por dentro, sei qual é a do Alex, Nate e Jensen. Andy ainda me deixa confuso, mas esperemos para ver no que vai dar, mas eita Quentin burro da miséria viu!
    Ao contrário dos outros leitores, eu infelizmente gostei do momento Jate. Mas não tenho muitas esperanças não :(((((((((((((

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  2. Muito daora!

    Veja minha Websérie

    http://criticandonamadruga.blogspot.com.br/2013/11/webserie-crazy-life-1x02-back-to-past.html

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  3. Genial esse capítulo. Os plots estão sendo muito bem construídos, os personagens se tornam cada vez mais interessantes e cada capítulo carrega uma surpresa que te deixa OMG!
    Acho que sou a única pessoa que quero que o Jensen se dê bem, o Nate perceba que a vingança traz um preço alto demais e seja o Alex o responsável pela redenção do irmão.
    Mas até lá, quero que o Nate apronte muito ainda rsrsrs e quero Jensen e Alex.

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