sábado, 12 de outubro de 2013

[Livro] The Double Me - 1x08: That Boy is a God Damn Problem [+18]



“Não importa aonde vão, o amor e ódio sempre serão como irmãos.”

A porta da limusine dos Strauss foi aberta. O tapete vermelho já estava esperando por eles, cheio de paparazzi e fãs que nunca teriam uma chance de chegar perto de seus ídolos.

Lá de dentro saiu Simon e Judit, impecáveis como um verdadeiro exemplo de casamento feliz e bem sucedido. Gwen saiu logo depois, fazendo pose para que todos os flashes lhe pegassem, mesmo que sua mãe estivesse louca para pular aquela parte do evento.

Os três caminharam pelo tapete vermelho, sorrindo pra multidão e pras câmeras. Assim que entraram no hotel, Justin começou a empurrar as pessoas na sua frente para que pudesse alcançar Gwen. Ele tinha chegado às vinte horas e desde então, ficara próximo a porta apenas esperando o momento em que sua melhor amiga e cúmplice chegaria.

— Eu preciso falar com você. — Ele disse, interrompendo a pose de Gwen para os paparazzi.

— Não dava pra esperar?

— E tem como esperar quando se trata do T?

Gwen Precisava admitir, não tinha como esperar quando se tratava do T. E numa era onde Nate era capaz de destruir todos eles, T realmente precisava ser prioridade. Só assim o jogo viraria. Apenas ao lado de T eles poderiam se defender.

— Eu volto já. — Ela disse aos seus pais antes de seguir Justin pela esquerda.

Eles caminharam até o corredor onde ficava os banheiros, sendo observados por Andy, o espião mais discreto daquela festa. Ente um gole e outro de seu conhaque importado, ele tentava interpretar as ações de cada pessoa naquela festa, além, é claro, de tentar prender a enorme gargalhada sempre que Kerr aparecia diante de sua vista com um olhar cabisbaixo. Realmente ajudar Nate em suas tramoias estava valendo a pena.

Justin e Gwen só pararam de andar quando chegaram no limite do corredor. Havia uma porta cinza a frente deles por onde os empregados passavam com bandejas vazias, mas que não sabiam até onde levava. Eles tiveram que esperar as garçonetes e os garçons passarem pra poder começar a falar, ou então, alguém poderia ouvir o que não devia.

— E aí, alguma novidade? — Perguntou Gwen.

— Ele deve estar no aeroporto agora mesmo, antecipou a viagem.

— Ele não perde um escândalo, não é? — Gwen deu um ar de risos.

— Nem me diga. Agora você só precisa ir buscá-lo para que venha direto até a festa.

— Por que eu? É a festa do aniversário da empresa do meu pai, ele não vai me perdoar se eu sair daqui.

— É, mas eu preciso cumprimentar uns cem ricaços idosos ou então meu pai vai ter um infarto.

Gwen assentiu, mas não estava acreditando em uma só palavra que saia de sua boca. Justin era fútil, mimado e manipulador. Sempre fez o que quis e nunca iria se submeter aos caprichos do pai dessa maneira. Então, havia outro motivo para que quisesse estar naquela festa. Um motivo que Gwen precisava jogar verde para descobrir.

— T conhece Nova York, pode se virar. E você pode ficar aí vigiando seu namorado, mas vai ser perda de tempo, Alex não vai vir. Ele é tipo antissocial e tem horror a riqueza.

— Você tem uma imaginação muito fértil. Boa sorte sendo o fantoche do Thayer. — Justin sorriu e deu meia volta.

Gwen caminhou na mesma direção, mas parou quando viu Justin petrificado no meio do salão. Era tudo por causa de Alex, que tinha acabado de passar pelo tapete vermelho com roupas baratas e o cabelo novamente bagunçado. A imagem, apesar de deprimente, fez um sorriso malicioso brotar nos lábios de Gwen.

— Se eu fosse você, faria alguma coisa. — Instigou Gwen.

— Eu irei. — Justin engoliu em seco. Fez uma cara firme e caminhou na direção do salão de jantar enquanto Gwen continuava sorrindo.

Alex, de acordo com o que Gwen havia percebido, estava procurando por alguém. Ela pensou que fossem seus pais, já que não via Alex caindo nas garras de Jensen assim tão fácil e nem imaginava que a essa altura pudesse saber toda a verdade. Mas Alex estava mesmo a procura de Jensen para esclarecer as coisas antes de falar com seu irmão. Ele não conseguiu enxergá-lo entre os ricos e famosos que marcavam presença no evento, mas seus olhos encontraram os de seus pais.

Assim que Alex se aproximou, Judit parou de dar atenção ao senador e sua mulher para lançar um enorme sorriso na direção do filho.

— Alex, você veio! — Disse ela. — Isso é ótimo!

— É sim, filho. — Completou Simon.

— Então, este é o famoso Alex Benett? — Perguntou o senador. — Você é realmente idêntico ao seu irmão, é um prazer conhecê-lo. — Ele estendeu a mão. Alex a segurou firme por alguns segundos.

— Obrigado.

— Com licença. — Pediu o senador para que pudesse retirar-se junto de sua esposa.

Alex esqueceu que seus pais estavam ali e continuou a procurar Jensen entre a multidão. Judit estranhou a atitude do filho, mas não fazia ideia do que estava acontecendo.

— Algum problema, filho?

— Hã? — Alex olhou para ela e hesitou. — Nada. — Ele continuou procurando. — Nate não está aqui...

— Eu soube que vocês fizeram as pazes...

— É, mais ou menos. — Alex olhou pra ela. — Só precisamos conversar um pouco mais...

— Isso é bom. — Judit tomou um gole de seu champanhe só pra esconder o seu rosto de discórdia com o que Alex dissera.

O que Alex não sabia era que ele não podia vê-lo, mas Jensen já estava na festa, aproveitando os prazeres que o sexo com Billy Toch poderia oferecer num dos quartos vazios do segundo andar.

Eles já tinham terminado de fazer sexo, mas decidiram ficar por lá, até pelo menos o momento do discurso onde seu pai faria questão que ele estivesse presente.

Os lábios de Billy tocaram os seus mais uma vez de um jeito bastante delicado. Ele mal sabia que aquela também seria a ultima vez que faria aquilo com Jensen, tudo culpa de sua sensibilidade deprimente que sempre tomava conta de si após o sexo. Para Jensen, não havia mania pior que esta quando estava praticando sexo casual.

— Preciso descer. — Informou ele.

— Posso te ligar amanhã?

— É claro. — Jensen assentiu. Não precisava terminar com o garoto no mesmo instante quando podia simplesmente ignorar suas ligações.

Não demorou muito pra ele vestir sua roupa, pegar a garrafa de champanhe que estava em cima do criado mudo e descer pra festa onde sua presença estava sendo requerida tanto por seu pai quando pelo gêmeo do bem em busca de respostas.



Nate abriu a porta do camarim, sendo observado por Amber através do espelho. Ela estava definitivamente horrível. Nem a maquiagem perfeita conseguia esconder as olheiras, o cansaço e a palidez por ter vomitado tanto. Sentia que se não estivesse apoiada em qualquer coisa ao seu redor, iria simplesmente desabar inconsciente no chão. Aquilo sim era uma grande vingança, que por pura ignorância, ela achava que Nate não compreendia.

— Tenho uma surpresa pra você. — Disse ele, revelando que tinha outra caixa azul de cupcakes nas mãos.

Amber quase vomitou só de olhar para aquela caixa, não iria aguentar mais se tivesse que fazer aquele discurso.

— Qual é? Não faz essa cara. — Ele fechou a porta e se aproximou dela. — Você sabe que você quer. — Próxima a ela, ele abriu a caixa novamente... — Só tem dois aqui dentro. Vai ser fácil ingerir antes do discurso.

— Eu não acho que vou conseguir. — Ela sussurrou. — Estou fraca demais...

— Você entende a importância de fazer tudo o que eu digo, não é? — Nate olhou em seus olhos através do espelho.

Amber sentiu uma enorme vontade de chorar, mas preferiu prender suas lágrimas, ou então faria Nate sentir-se o vitorioso novamente. Ela apenas pegou um dos cupcakes da caixa e começou a comê-lo. Do mesmo jeito que sentia repulsa, ela parecia estar morrendo de fome.

— Boa garota. O show já vai começar. — Disse Nate, olhando pra porta. Ele chegou a esta conclusão assim que a musica cessou e ele pôde ouvir uma salva de palmas de dentro do salão. Os discursos finalmente iam começar.

Amber revirou os olhos, torcendo para que aquela noite acabasse. Se ela fizesse o discurso, estaria livre de Nate, ou pelo menos era isso que seu bilhete dizia.

— Quantas pessoas você acha que tem lá? — Perguntou Nate, olhando para ela novamente através do espelho. — Umas duzentas? Trezentas? Gwen vai morrer quando você começar a falar...

— Nate... — Ela engoliu o ultimo pedaço do cupcake e hesitou para continuar a falar — Aquilo que eu disse pra você... Era verdade. Eu sinto muito. Por tudo...

— Acredito na veracidade dos seus sentimentos. Principalmente quando vieram à tona só depois que eu comecei a chantageá-la.

— Não... Eu sempre senti muito... — Ela tossiu. — O que a gente fez... O que eu fiz...

Nate a fitou com um olhar sério. Sua mente não estava disposta a criar frases de efeito ou comentários sarcásticos, não quando estava diante do primeiro pedido de desculpas da primeira pessoa de sua lista de vingança. Os olhos cansados e cheios de olheiras da garota pareciam estar dizendo a verdade, mas compaixão era uma coisa que Nate fora ensinado a não sentir por ninguém, muito menos pela garota que contribuiu para que se tornasse uma pessoa tão fria.

— Me perdoa. — Ela disse, por fim.

— Não. — Disse Nate. E por mais que não parecesse, ele estava dizendo a verdade. — Não vai rolar. E se eu bem me lembro, você tem um discurso para fazer agora. È melhor se recompor. E tomar um sal de frutas. — Ele deu meia volta e saiu.

Assim que fechou a porta, os olhos de Alex finalmente o encontraram. Nate deu um sorriso malicioso em sua direção. Ele sabia que Alex estava ali por causa de seu diário e a verdade sobre os adolescentes dos Hamptons.

Alex pediu licença aos seus pais e correu até o irmão, tomando cuidado para não esbarrar na multidão. Seus pais não ligaram muito, já que estavam mais preocupados em olhar para o palco e ouvir o discurso do melhor amigo da família, assim como todos naquela festa.

— Eu preciso falar com você. — Disse Alex, quase num sussurro.

— Claro que precisa, mas é melhor ser depois da festa. Eu tenho planos.

— O que você vai fazer?

— Me vingar. E se você leu mesmo o meu diário, você não vai tentar me impedir.

Alex apenas assentiu, sentindo-se um grande inútil. Ele ainda achava errado Nate se vingar, ou qualquer pessoa praticar este ato, mas não poderia impedi-lo, não quando ele tinha todos os motivos pra fazer o que queria.

— Com licença. — Nate caminhou na direção da multidão, deixando o garoto fitando o horizonte por alguns segundos.

— Alex? — Chamou Justin, atrás dele. Alex virou-se imediatamente. — Hey, lembra de mim?

— Justin Priestly, é claro.

— Que bom. Agora você só precisa sair do meu caminho.

— Como é? — Alex estava confuso, realmente não fazia ideia do que ele estava falando.

— Não adianta se fazer de desentendido. Você pode ser um Strauss, pode parecer um fisicamente e pode ser herdeiro de bilhões de dólares, mas nunca será um de nós. Então fique longe do nosso mundo. Apenas olhando para você percebe-se que não pertence a ele. — Justin passou por ele, batendo seus ombros.

Alex olhou pra trás, sem saber se deveria importar-se com aquilo ou focar-se no que realmente tinha ido fazer. Provavelmente Justin já sabia sobre o beijo e estava com ciúmes, mas poderia lidar com isso depois.

Ele olhou pro lado direto do salão, onde Kerr havia se instalado para embebedar-se sem ser perturbado pelos outros convidados. Depois, Alex fitou o palco. Amber tinha acabado de sair do camarim enxugando suas lágrimas, pela mesma porta que vira Nate há poucos minutos. Estava óbvio que algo aconteceu ali dentro e que Amber era seu primeiro alvo.

Nate, que já estava ao lado de Quentin próximo ao controle do data show, apenas observava a multidão enquanto esperava chegar a vez de Amber de fazer um discurso.

— O CD está pronto? — Ele perguntou.

— Já o coloquei, mas não entendo porque você o criou. Não era pra Amber fazer o discurso?

— Claro que não, isso destruiria Gwen e eu quero deixá-la por ultimo. — Nate cruzou os braços. — Se tudo der certo, Amber vai ficar com medo, proteger sua única amiga e eu poderei liberar seus vídeos pro mundo inteiro.

— Vídeos? — Perguntou Quentin. Até onde lhe constava, só havia um video, aquele onde Amber estava beijando seu professor.

— Edição é uma vadia, eu sei. — Nate sorriu sem mostrar os dentes, não via a hora de Amber subir naquele palco.

E quando anunciaram seu nome, seu coração disparou. Ela começou a subir no palco já sendo aplaudida enquanto Alex tentava encontrar o irmão por entre a multidão. Ele estava com um mal pressentimento a respeito daquele discurso.

Andy, que ainda estava no bar, tratou de terminar seu conhaque para infiltrar-se na multidão. O show estava prestes a começar.

Assim que Amber subiu ao palco, abriu a folha contendo seu discurso e caminhou na direção do pedestal de vidro. Apenas relendo as palavras ela já sentia suas náuseas voltando, como se machucar a única amiga que tinha pudesse lhe causar danos físicos. Ela mal sabia que a amiga que não queria ver machucada estava no meio da plateia amaldiçoando-a por conseguir fazer um discurso quando nem mesmo ela, a filha do bilionário, havia conseguido.

Amber não sabia se Gwen pensava da mesma forma, mas elas não eram apenas amigas ricas ou parceiras de balé, elas eram como irmãs. Se pudessem separar a futilidade e os erros que cometeram juntas, todos veriam que se amavam de verdade e que uma precisava da outra. Era difícil destruir a vida de Gwen apenas para salvar a sua. Então, Amber precisava tomar uma decisão.

Enquanto a plateia esperava a garota começar seu pronunciamento, Alex corria até Jensen por entre a multidão para confrontá-lo.

— Eu sei o que você fez. — Disse o garoto, num tom acusador.

— O que?

— Alguma coisa me dizia que eu tinha que me afastar de você e eu estava certo. Eu não posso ficar perto de ninguém que tenha tido a coragem de fazer uma coisa daquelas com o meu irmão.

Apesar dos sussurros, Kerr notou de longe que Alex e Jensen estavam apreensivos e tendo uma conversa enfadonha. Andy também olhava pros dois, sorrindo, aquilo era um combo que viria junto da humilhação publica de Amber como Nate prometera.

A plateia ficou apreensiva quando percebeu que a garota estava demorando a falar, e ficou mais ainda quando Amber deu sinais de que estava prestes a desmaiar. Judit olhou para Simon e perguntou aos sussurros o que estava acontecendo, mas o marido não sabia, nem passava pela sua cabeça que o filho estava por trás de tudo aquilo.

Amber dobrou seu discurso numa bolinha de papel e se aproximou do microfone. Finalmente tinha tomado uma decisão.

— Eu não posso... — Ela sussurrou.

Assim que parou de falar, todas as luzes se apagaram. Os convidados começaram a cochichar e a olhar pra todos os lados, perguntando-se o que poderia ter acontecido. Alex e Jensen tiveram que parar de discutir pra fazer o mesmo.

A luz do data show foi a única coisa que iluminou o local. Amber olhou pro telão atrás dela assim que uma montagem de vídeos começou a ser exibida. O título era “A insignificante existência de Amber Foster” e mostrava a história de sua vida com uma narração histriônica.

Primeiro o video dela com Sergei foi apresentado, e logo depois, ela já estava forçando o vômito na telona com a legenda “Vadias bulímicas atrasam nosso país”. Por ultimo, foi mostrada a carta de despedida que Nate mandara Donato dizer que escreveu. Agora sua falsa homossexualidade estava sendo exposta para Nova York inteira, tudo enquanto Nate comemorava seu feito na parte de trás do salão.

— Ai meu Deus. — Alex sussurrou.

Lágrimas caíram do rosto de Amber antes dela apagar e cair violentamente no chão. As luzes se acenderam e alguns convidados correram para socorrê-la, incluindo Gwen, que estava mais preocupada com a saúde da amiga do que com o show cujo responsável ela conhecia muito bem.

— Você não estava defendendo seu irmão? — Gritou Jensen. — Foi ele quem fez isso!

— Só porque vocês tiraram tudo dele antes! — Contra atacou Alex, no momento em que Nate estava chegando.

— Gostaram do show, não é? Infelizmente vocês não podem provar que fui eu.

— Isso foi errado, Nate! — Alex disse a ele, não sabia mais quem estava com mais razão.

Nate não teve tempo de dizer nada, de repente foi acertado no rosto com um soco de Kerr. Ele caiu no chão, já limpando o sangue que escorria de sua boca.

— Ela é minha irmã, seu idiota! — Gritou Kerr.

A aquela altura a festa toda já tinha voltado a atenção para eles enquanto alguns homens carregavam levavam Amber pro lado de fora.

— Por que você não some de novo? — Kerr continuou gritando.

— Por que vocês não dão um jeito nisso como fizeram da ultima vez? — Nate sorriu.

Kerr não teve tempo de falar mais nada, quando percebeu, já estava beijando o chão sujo graças a um soco de Quentin. Mas a vingança em nome de Nate não pararia por aí. Quentin montou em cima do garoto e começou a lhe dar uma sequencia de murros com todas as suas forças.

Nate se levantou do chão e sorriu quando viu aquela cena. Jensen e Andy correram pra separar os dois enquanto Simon ia chamar os seguranças. Se não tirassem Quentin de cima de Kerr imediatamente, pode acontecer uma desgraça.

— Não acredito que você está gostando disso. — Disse Alex ao irmão.

— Pois acredite. — Nate deu meia volta e com uma poker face de dar inveja, caminhou na direção da entrada. Mas antes de passar pela porta, sentiu-se obrigado a roubar uma garrafa de champanhe de dentro de um balde com gelo que estava no balcão do bar. Agora sim ele estava pronto pra dizer adeus àquele lugar.

Jensen e Andy só conseguiram salvar Kerr das garras de Quentin quando os seguranças chegaram pra ajudar. Foi preciso três deles para separá-los, mas ainda assim, o garoto parecia alucinado. Era o preço que Kerr teve que pagar por machucar o amor da vida de alguém que obviamente tinha problemas com autocontrole.

— Alguém chama uma ambulância! — Gritou Jensen, já estava ajoelhado no chão ao lado do amigo. Os ferimentos não pareciam graves, mas por estar inconsciente, Jensen acabou achando que o amigo poderia ter sofrido um traumatismo craniano — E tirem esse monstro daqui!

Os seguranças arrastaram Quentin até a porta, ele estava fora de si. Parecia que queria livrar-se deles só para continuar espancando Kerr, mesmo sabendo que ele já estava bastante ferido e inconsciente no chão.

Lá fora, Nate deu uma ultima olhada no hotel antes de decidir pegar um táxi. Ele viu Quentin lutando na recepção para livrar-se de três seguranças gigantescos e deu um suspiro. Infelizmente não poderia ajudar seu parceiro, já que tinha convites para ir a uma boate gay exclusiva, mas estava torcendo para que ele não fosse punido severamente por bater em um Foster. Bem, caso isso acontecesse, não havia nada que seus bilhões não pudessem resolver.

Como não havia encontrado nenhum táxi vazio, Nate resolveu caminhar por alguns quarteirões, talvez tivesse mais sorte na próxima rua. Mas antes de chegar a extremidade do hotel, foi abordado por alguém chamando seu nome. Era uma voz grossa, apaixonante e poderosa, que ele sabia muito bem a quem pertencia.

— Thayer Van Der Wall. — Ele disse, ainda de costas. Mas depois sentiu-se obrigado a olhá-lo nos olhos, só pra ter certeza que aquele reencontro estava mesmo acontecendo.

Thayer estava há dois metros dele, com aquele sorriso perfeito e os olhos azuis mais bonitos que os Hamptons já viram na direção do garoto. O cabelo continuava o mesmo, sendo penteado para permanecer espetado e com um topete sexy na frente, enquanto a pele. — de dar inveja até mesmo nas mulheres. — parecia estar ainda mais branca e pálida do que antes. E juntando isso a todos os músculos que a natação lhe presenteou, tínhamos o garoto perfeito, capaz de superar até mesmo o garoto de ouro Jensen McPhee.

— Da ultima vez que soube, você estava ganhando uma medalha de ouro pro nosso país em Guadalajara. — Disse Nate. — Você é o orgulho da Nação.

— E você está diferente, diga-se de passagem.

— Acho que podemos colocar dessa maneira.

— Eu vi o que você fez lá dentro. — Thayer deu dois passos a frente. — Então você já sabe como dar espetáculos?

— Me inspirei em você. — Nate também deu dois passos a frente. Antes de viajar pelo mundo ganhando medalhas de ouro, Thayer Van Der Wall era o rei dos espetáculos.

— Eu não perdi a prática, e posso te provar isso. Mas apenas se você não se importar com uma pequena competição. — Thayer deu mais dois passos, ele e Nate já estavam próximos demais.

— Sabe o que acontece, Thayer? — Nate deu os passos que faltavam para eles ficarem cara a cara. — Uma competição seria dar as mesmas chances aos dois lados de ganhar, mas você já deve saber que isso seria impossível.

— Tanto ressentimento só porque eu tirei a virgindade do seu ex namorado?

— Não, foi porque você tirou a minha. Mas você sabe o que dizem. O que acontece em Paris, permanece em Paris.

— Aparentemente, não. — Thayer sorriu.

— Você vai descobrir. — Nate deu meia volta e saiu andando.

Thayer virou o rosto pro lado com um sorriso e logo depois Nate já estava entrando em um táxi. Ele sentou no banco de trás e ficou olhando para ele pela janela, era o jogo de quem pararia de encarar primeiro, até que o táxi finalmente dobrasse a esquina.

Nate recostou a cabeça no banco de trás e olhou pela janela, não conseguia tirar Thayer da cabeça exatamente por ser a única pessoa que pode estragar seus planos. Tê-lo de volta aos Hamptons seria um grande problema, a não ser que conseguisse tirá-lo do seu caminho antes de fazer o primeiro ataque. Então, a guerra estava oficialmente declarada.



Nate abriu a porta da mansão bem devagar para não fazer barulho. As luzes estavam desligadas, então, todos já tinham ido dormir e ele não corria risco de se escorraçado. Seria melhor enfrentar os pais na manhã do dia seguinte quando provavelmente estariam mais calmos, podendo assim convencê-los com mais facilidade em sua versão dos fatos.

Ele andou na ponta dos pés e subiu as escadas silenciosamente. Caminhou pelo corredor com destino ao seu quarto, mas parou assim que notou as luzes do quarto de Alex acesas. Ele passou pela porta e viu o irmão sentado em sua cama, recostado na cabeceira. Alex estava terminando de criar uma playlist em seu celular quando notou Nate em sua porta.

— Hey. — Disse ele.

— Hey. — Respondeu Alex, tirando os fones das orelhas — Eu estava prestes a dormir, então...

— Não se preocupe, eu não vou demorar. — Começou ele, já tomando a liberdade de entrar no quarto. — Só queria dizer que eu sei o que você quer. Você quer um irmão, alguém pra conversar, alguém pra passar o tempo, alguém pra te apoiar, mas eu não sei se eu posso ser essa pessoa.

— É esse o problema. Você pode ser essa pessoa.

— Não, não posso. — Nate sentou na cama, de frente para ele. — Não tente encontrar justificativas pros meus atos, porque você não vai encontrar. Não quero que você concorde com as coisas que eu faço ou que eu digo, mas esse é meu jeito de lidar com tudo o que aconteceu. Esse é o meu jeito de ser forte.

— Eu sei. — Alex engoliu em seco. —Problema com drogas, os traficantes, a prostituição, as tentativas de suicido... É muita coisa pra aguentar.

— Então você leu tudo...?

Alex apenas assentiu. Eles trocaram um olhar desconcertado por algum tempo, até Nate tomar coragem de perguntar:

— Você gosta do Jensen?

— Eu não sei. — Respondeu Alex de imediato. — Não posso dizer que não senti nada quando ele me beijou, mas eu nunca... Nunca tinha beijado um garoto antes.

— Você não pode ficar com ele, Alex. Ele é como uma bomba relógio e eu não quero você machucado como eu.

— Eu não vou ficar. Eu estou do seu lado. — Alex não tinha certeza, mas disse o que estava pensando mesmo assim.

— Nós somos irmãos gêmeos, isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. A gente tem que ficar juntos se quer sobreviver nesse mundo. — Nate estendeu a mão para ele, queria que Alex tocasse nela se concordasse.

Alex, apesar de hesitar em tocá-la, estava feliz por finalmente haver uma trégua entre os dois. Ele não sabia se poderia confiar na palavra do irmão, mas tinha algo em seus olhos que lhe instigavam a ficar do seu lado apesar de tudo. E como seguir seus instintos nunca lhe causou problemas, não havia mais o que pensar.

— Juntos. — Disse Alex, ao tocar na mão de Nate.

— Acho que agora você já pode saber de alguns segredos de família. — Nate se levantou da cama. — Isso vai precisar de sorvete e um filme pra quebrar a tensão. Você topa?

— Acho que você não precisa me dizer nada. Eu e Lydia conversamos e ela me esclareceu tudo, desde o meu sequestro até os dias atuais...

— Lydia te contou tudo? — Perguntou Nate, incrédulo.

— Sim, por quê? — Alex percebeu sua desconfiança, tinha começado a ficar confuso.

— Ela contou que Judit estava grávida de trigêmeos e não de dois?


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1x09: How to Deal With Terrible Parents (19 de Outubro)

Como o número de comentários e views não para de crescer, venho aqui informar que a 2ª Temporada de The Double Me está confirmadíssima para 2014. Parece que Nate e Alex vão continuar aqui por algum tempo, e tudo graças a vocês. Thank You, guys!
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