segunda-feira, 16 de junho de 2014

[Crítica] Orange is the New Black - 1ª Temporada


Status: Renovada
Duração: 60 minutos
Nº de episódios: 13 episódios
Exibição: 2013
Emissora: Netflix

Cada sentença é uma história.

Crítica:
Spoilers Leves Abaixo!


Nossa, não sei nem como começar! A série é tão simples e tão revolucionária ao mesmo tempo que gera certa instabilidade sobre o que falar, ainda mais porque vou comentar treze episódios em um único post. Então vamos começar pelo início. Resolvi assistir a série porque, além de ser um tema que me interessa muito (já cheguei a frequentar e realizar uma pesquisa em um presídio feminino daqui da minha cidade), ela era bastante elogiada pelos meus amigos. Em razão disso, eu quis conferir como os produtores apresentariam essa trama, principalmente por ela ser baseada em uma história real.

O resultado? Surpreendente. Sim, Piper Kerman é uma mulher de classe média que vai pro presídio cumprir pena por associação ao tráfico de drogas, mas ela não é somente isso. Sua história não é estática, não se trata somente de uma "patricinha" (acho que esse termo não resume a personagem) tentando se adequar ao universo prisional. A história mostra mulheres humanas. Mulheres que, ainda que criminosas, não são somente isso.

Piper teve um relacionamento lésbico, que não deu muito certo, sendo justamente essa relação que a introduziu ao tráfico de drogas. Mas é somente dez anos depois que as consequências de seus atos criminosos emergem. Ela foi denunciada pela ex-namorada, e teve que negociar com a justiça, sendo condenada a 15 meses de prisão. Ocorre que essa condenação aconteceu quando Piper estava reconstruindo sua vida, e ela vai ter que lidar com todos os dramas daí decorrentes: o fato de estar sendo presa, da sócia grávida, das incertezas sobre o futuro profissional do noivo, e o reencontro com a Alex, sua ex-namorada, no presídio. Mas, engana-se quem pensa que a série exagera no drama. Muito pelo contrário, eu ri muito mais do que chorei. Há momentos que são simplesmente fantásticos, cheios humor ácido, e muito bem construídos. A personagem Suzanne (ou, no popular, Crazy Eyes), tão bem interpretada por Uzo Aduba, tem alguns dos momentos mais engraçados da história.

Mas não é apenas de através da Piper que a trama de Orange is the New Black se desenvolve. Temos figuras asquerosas, como o policial Mendez e a diretora do presídio, que fazem de tudo pra manter o poder e os lucros decorrentes de uma administração fraudulenta. É interessante notar com eles o jogo de poder. Dentre as detentas também existe uma espécie de hierarquia - como, por exemplo, a Red -, servindo como uma espécie de poder máximo para os diversos grupos de prisioneiras. Porém, nem mesmo as presas mais respeitadas conseguem evitar de serem humilhadas pelos guardas, que são controlados pela diretoria, o que cria um ciclo vicioso de poder. Outra coisa interessante é quando o enredo da série mostra como o Estado tenta transformar as mulheres, fazendo com que elas percam suas personalidades, como nas cenas em que o diretor ensina uma policial recém-contratada, dizendo que ela deve chamar as mulheres de detentas, e não pelo nome, porque isso as diminuiria, faria com que elas se sentissem comuns, um nada - o que, segundo ele, é o que elas realmente são.

Outro fator interessante é a individualização das personagens. Inicialmente, os roteiristas nos apresentam o que as mulheres presas se tornaram, e, com o decorrer dos episódios, acompanhamos como eram suas vidas antes da prisão - como elas se tornaram o que são. Além de desenvolver de forma eficiente suas personagens, este método de flashbacks usado pelo enredo é excelente para acompanharmos a história de vida de cada uma delas, sem a necessidade da trama estar presa na protagonista o tempo inteiro. A diversidade enche os olhos, e certamente dá uma maior mobilidade à trama para se desenvolver da melhor maneira possível.

Taystee, que cuida da biblioteca, é uma das personagens mais divertidas, e consegue o que todas elas estão esperando: sua liberdade. Apesar de ter parecido uma perda, sua despedida encontrou o equilíbrio certo entre emocionante e engraçado. É claro que não demora muito para ela retornar ao presídio. Esta jogada do roteiro reflete muito mais do que o retorno de uma personagem querida, porque retrata como a vida dessas mulheres, que cumpriram suas penas, são marcadas para a vida inteira. O preconceito da sociedade contra ex-detentos é exposto de uma forma crível pela série, trazendo os mesmos motivos que muitos outros condenados retornam para a prisão depois de serem liberados.

Outra coisa bem abordada é a carência das mulheres, que buscam buscam por medidas "desesperadas" (Chave de fenda? Alguém?) para manter suas necessidades. Outro ponto que deve ser destacado é a divisão dos grupos na prisão. Isso é mais presente nas prisões americanas, que tem uma clara divisão - especialmente entre etnias. E o mais legal é que, apesar dessas rodas fechadas, o enredo força situações em que elas têm que se unir, apoiando umas as outras, independente da raça. Enfim, a série é excelente! Com certeza uma das melhores estreias dos últimos anos. Consegue mesclar com perfeição os mais diferentes gêneros na trama, sem perder o controle e a credibilidade.
Muitos pontos interessantes foram deixados como gancho para a próxima temporada.

Dentre um dos mais importantes, temos o destino da Pennsatucky - uma das melhores e mais loucas personagens apresentadas neste primeiro ano -, que terminou a Season Finale em uma situação tensa. Isso obviamente repercutirá na pena da Piper. A grande questão é: quanto? Dentre outras considerações, espero que a Red volta poderosa e rainha no próximo ano. Adoro a personagem! E que o destino da Alex seja satisfatório, considerando que ela não será mais fixa na trama, participando apenas de alguns episódios. A atriz revelou que seu afastamento se deu por conflitos em sua agenda, mas que retornará como elenco fixo no terceiro ano.

Bem, acho que na série podemos constatar que os "criminosos" não tem apenas um lado mal, mas também um lado humano, igual a todos nós, o que nos leva a pensar se não estamos combatendo o inimigo errado. Não só merece ser assistida como deve ser!
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