sábado, 28 de setembro de 2013

[Livro] The Double Me - 1x06: Baby, Don't Get Hooked On Me [+18]


“Para a perdição, existe apenas um beijo no caminho.


Alex! Qual é? — Jensen estava há poucos metros de distância de Alex, que andava pelas ruas escuras a beira da praia sem saber para onde ir. — Você não conhece Nova York, vai se perder.

— Não vou. — Respondeu Alex, num tom desinteressado. — Talvez eu siga o caminho das estrelas. — Ele enfiou as mãos no bolso da camisa social de Travis para protegê-las do frio.

Jensen suspirou, aquilo estava começando a ficar cansativo. Ele vinha seguindo Alex desde que o vira passando pelos portões da mansão dos Van Der Wall rumo a lugar algum, mesmo sabendo que a raiva e o orgulho do garoto nunca o deixariam se aproximar. Ao que tudo indicava, ele estava disposto a passar a noite inteira tentando achar o caminho de casa se não tivesse mais que lidar com Jensen.

— Eu posso te dar uma carona, não estamos tão longe da casa do Travis.

— Andar vai me fazer bem. — Respondeu Alex.

— Eu sei que você está perdido, Alex.

— Não estou perdido. Devem ter trocado as ruas de lugar.

Aquele era o máximo que Jensen poderia aguentar. Não iria desistir de levar Alex pra casa e se desculpar pelo que tinha feito, mas também não continuaria naquele jogo de respostas inteligentes.

Ele correu na direção do garoto e segurou seu braço direito. Alex não viu necessidade de impedi-lo, e logo, estavam cara a cara novamente.

— Eu já pedi desculpas e disse que não vou mais fazer. Agora será que eu posso te levar pra casa antes que você morra nessa estrada e eu seja condenado por homicídio culposo?

— Por que você acha que eu não sei me cuidar?

— Porque se soubesse, não estaria perdido. Anda, eu te levo pra casa.

Alex não disse nada, estava com medo de abrir a boca até para respirar, pois sabia que estava prestes a ceder. Ele só queria chegar em casa o mais rápido possível, tomar um banho e deitar em sua cama, talvez usando os fones de ouvido para eliminar seu estresse. Era um plano bastante satisfatório já que a noite havia sido transformada num desastre. Mas então, o que ele faria a respeito do beijo? Ainda podia sentir os lábios de Jensen grudados nos seus como uma lembrança vívida, capaz de fazê-lo questionar até onde não havia gostado. E se ficasse perto de Jensen, poderia acabar descobrindo.

— Você pode me dar um soco se quiser, mas tem que ser do lado esquerdo, é o mais feio de toda a área global do meu rosto. — Jensen virou a face para que Alex pudesse acertá-lo, mas só o que conseguiu foi contribuir para que Alex achasse-o mais idiota.

— Cala a boca. — Alex passou por ele, que entendeu o retorno do garoto como um “sim” a sua proposta.

Jensen apressou os passos para que ficassem lado a lado, enquanto Alex fazia questão de manter sua expressão indiferente. Depois de virar a direta nas próximas duas ruas, eles avistaram a mansão dos Van Der Wall, cheia de luzes e pessoas perambulando em frente ao portão. Alguns convidados estavam deixando a festa rumo a algo mais grandioso em qualquer boate de Nova York enquanto outros apenas aproveitavam a lua cheia pra levar a diversão ao lado de fora.

Assim que o silencio começou a lhe incomodar, Alex olhou para Jensen. O garoto parecia bastante disposto a caminhar na direção da mansão sem dizer uma só palavra, justamente para que Alex não lhe respondesse de maneira atravessada. Mas o silencio era a ultima coisa que Alex estava querendo. Ele precisava de respostas para todas as suas perguntas, e acima de tudo, precisava entender a história que lhes levou àquela situação. Porque algo lhe dizia que Jensen já estava acostumado a viver daquela maneira.

— Então. Você é gay? — Perguntou ele. Estava com tanto receio de suas palavras que acabou nem deixando Jensen responder para continuar — Isso é... Legal.

— Não é uma coisa que se diga, Alex. Se alguém souber disso serei banido dos Hamptons, e provavelmente de Nova York.

— É assim que funciona?

— O que? — Jensen chutou uma pedra. Ela desceu a pequena serra onde eles estavam até a areia da praia, há dez metros de distância.

— Você não pode ser diferente ou então perde tudo?

— Não tem espaço pras pessoas como eu nessa geração, Alex. — Jensen fitou o horizonte, pensativo — Talvez nem na próxima...

De repente, Alex soltou uma risada. Ele olhou pro lado enquanto Jensen lançava um olhar cauteloso em sua direção. Afinal, o que tinha sido tão engraçado?

— Algo errado?

— Sei lá. — Alex ainda estava sorrindo. — Você pode ser tudo, menos gay. Quer dizer, olha pra você. A Vogue sempre diz que você tem as mulheres aos seus pés.

— Então você já me conhecia pela Vogue?

— Já li algumas coisas, como aquele escândalo envolvendo prostitutas. Que agora eu acho que só aconteceu para esconder a real situação. — Alex lançou um olhar irônico para Jensen, que respondeu com um sorriso.

— Isso é constrangedor, sabia? Geralmente quando tento beijar algum riquinho dos Hamptons eles não recuam. Mas acho que deveria saber que você não é igual aos outros. Me desculpe.

Alex avaliou seu olhar, Jensen com certeza estava sendo sincero. Mas nada do que dissera conseguia esclarecer suas intenções. Ele havia lhe beijado porque estava atrás de sexo casual ou porque realmente gostava dele? Alex nunca teria coragem de perguntar.

Mas gora ele tinha certeza que pelo menos Nate estava dizendo a verdade. Ele e Jensen tiveram um caso alguns anos atrás, e isso explicaria porque Nate precisou mudar-se pra França de acordo com o ponto de vista de Jensen, já que os garotos gays que vivem nos Hamptons precisam sumir pra evitar um escândalo. O único problema desta teoria é que não explicava o motivo de Nate estar se empenhando tanto para atingi-los, e essa sim era uma pergunta que Alex estava disposto a fazer.

— Então. O que você fez pro Nate?

Jensen o fitou novamente, com sérias dúvidas na expressão. Alex percebeu que havia tocado numa grande ferida, então, optou por desacelerar.

— Judit disse que vocês eram amigos. — Ele disse, fazendo Jensen ficar confortável novamente.

— Às vezes fazemos coisas sem pensar nas consequências.

— Hmm. — Alex assentiu — Você já tentou dizer que sente muito?

— Acho que não tenho esse direito, entende? — Jensen olhou para ele.

— Sim. — Alex assentiu novamente — Não vou mais me meter.

— Não, tudo bem, você tem dúvidas, eu entendo. Aliás, na sua posição de gêmeo bastardo, você sempre vai ter duvidas. Sem ofensas, é claro.

— Não me ofendi. — Alex deu um meio sorriso. Hesitou um pouco até pensar na coisa certa para perguntar. — É por isso que Nate odeia você e os outros?

— Sim. — Respondeu Jensen, numa voz seca. — E ninguém pode culpá-lo por isso.


— Ai! — Gritou Amber numa voz de choro. Nate estava apertando seu braço com força demais.

Ele tinha acabado de levá-la para o jardim da casa, onde existe uma estufa cheia de plantas. Os olhos de Amber transpareciam dor e medo, mas não era pra menos. Nate era alto, forte e estava com um olhar impaciente no rosto. Ela temia que ele pudesse fazer alguma besteira.

— Você quer, por favor, calar essa sua maldita boca? — Ele soltou Amber. — Meu Deus! Eu não vou bater em você. Mas não posso prometer que não ficará psicologicamente abalada também.

— O que você quer? — Amber começou a massagear o braço, ele estava ardendo. Se pudesse fazer alguma coisa para impedir que fosse tratada daquela maneira, já teria feito. Mas estava completamente nas mãos de Nathaniel Strauss.

— Eu quero muitas coisas, Amber. Mas por agora, quero que você cale a boca antes que alguém nos veja e eu seja obrigado a revelar seu segredo. — Nate se aproximou. — Agora preste atenção, sua estúpida. Eu não tenho pena de você. Posso muito bem colocar esse video na internet apenas porque não gostei da roupa que você escolheu pra vir a essa festa. Então não brinque comigo. Você vai fazer tudo o que eu mandar, sem hesitar, sem reclamar, ou então é adeus vida pra você. Entendeu?

— Sim...

— Eu quero que você pegue esta folha de papel. — Nate a tirou do bolso e levantou a frente dos dois. — E como uma cachorrinha obediente, leia tudo o que está escrito nela durante o discurso do evento de amanhã.

— Eu não faço o discurso de aniversário dos hotéis Strauss. — Amber fungou.

— Amanhã a noite você fará, eu darei um jeito. Agora pegue.

Amber pegou a folha de papel das mãos de Nate, após hesitar por alguns segundos. Ela leu o que estava escrito, e logo deixou as lágrimas caíram. Aquele não era qualquer discurso, mas assim aquele que acabaria para sempre com a reputação de Gwen.

— Meu Deus. — Ela colocou uma das mãos na boca, estava em choque.

— Ah, qual é? — Nate revirou os olhos. — Pare de fazer a vadia dramática, você sabia que esse dia iria chegar.

— Eu não posso. — Amber soluçou. — Eu não posso...

— É claro que pode. Você não quer ver seu vídeo ganhando a metade de visualizações do meu e arruinando sua vida do mesmo jeito, não é? Foi um prazer negociar com você, Amber Foster. — Nate sorriu soberbamente antes de dar meia volta e sair da estufa.

Foi só colocar os pés pra fora que seu celular apitou. Era uma mensagem de Quentin, que dizia “Terminei o serviço, venha para o flat dos Foster, agora”.

Nate suspirou e guardou novamente o celular. Não sabia se estava preparado para aquilo, mas os Foster precisam ser destruídos.

— Chegamos. — Disse Jensen, assim que parou sua BMW em frente aos portões da mansão dos Strauss.

Alex fitou a mansão, ainda se sentia incrédulo pelo fato de seus pais biológicos serem podre de ricos. Ele nunca imaginou que um dia estaria morando numa casa como aquela onde era servido por empregados, e onde receberia o carinho de uma mulher cujo único laço que tem com ele é o do nascimento. Mas no fim, o único motivo para estar repassando pensamentos dramáticos em sua cabeça era o fato de estar ao lado de Jensen, o garoto que acabara de lhe beijar.

— Chegamos. — Disse Jensen novamente, percebendo que Alex parecia estar em transe opcional.

— Eu sei. — Disse Alex, seguido de um suspiro.

— Se quiser dar um tempo, por mim tudo bem.

— Não, é só... — Alex olhou para suas mãos, estavam pálidas de tanto frio. — Acho que eu tenho que me desculpar com você.

— Por quê? — Jensen sorriu, incrédulo.

— Você foi legal comigo a noite inteira e eu pirei por causa de um beijo.

— Tudo bem, Alex. Você não curte esses lances, um dia eu teria que lidar com algo desse tipo.

— Então... — Ele olhou para Jensen. — Está tudo bem entre a gente?

— Claro, perfeitamente.

— Me desculpa de novo. Olha, eu não tenho preconceito e...

— Relaxa. — Jensen sorriu. — Você se desculpa demais, sabia?

— Só quando eu acho necessário.

— Tenho certeza que agora não é necessário.

Jensen deu um meio sorriso e penetrou nos olhos de Alex enquanto ambos lembravam do beijo. Pela forma como tudo aconteceu, Jensen estava certo de que havia algo errado com Alex. Ele recuou, disse que não queria, mas olhava pra ele como se estivesse prendendo a vontade de fazer tudo de novo. Talvez porque era novo naquilo tudo, e fosse tímido demais para ter intimidades com qualquer pessoa.

— Valeu pela carona. — Agradeceu Alex, abrindo a porta.

— Hey, Alex. — Chamou Jensen, fazendo ele se virar.

Alex não pôde fazer nada. Quando percebeu, Jensen já estava segurando seu rosto com a mão direita e os lábios colados nos dele.

Apesar de mais uma vez ter se sentido ofendido com aquela atitude precipitada, ele preferiu não resistir. Não havia motivo para pânico ou discórdia quando nem havia decidido se o beijo era bom. Ele só sabia que não estava mais achando aquela noite um completo desastre, e que a conversa que acabara de ter dentro do carro de Jensen, talvez fosse a grande culpada por isso.

Quando seus lábios se separaram, Alex e Jensen ficaram a sete centímetros um do outro, revezando os olhares entre suas bocas e seus olhos. Mas antes que pudessem aproveitar o momento, Alex sentiu-se obrigado a recuar. Foi como estar livre de um transe, agora podendo perceber o quanto seu coração permanecia acelerado aparentemente por motivo algum.

— Você não sabe que quer... — Sussurrou Jensen. — Mas eu estou disposto a esperar.

Alex não disse nada. Ele abriu sua boca para tentar empurrar as palavras pra fora, mas não conseguiu organizar as ideias devido ao turbilhão de pensamentos.

Se Jensen estava certo, então isso significava que ele também era gay. Ou, pra ser menos direto, algo bem próximo a bissexual. Mas não era possível, não quando Alex tinha um longo histórico de paixonite pela garota mais popular do colégio, além de ter quase namorado uma garota há dois anos quando enfim decidiu dizer o que sentia.

Mas então o que explicava aquela sensação? Era como ter fogos de artifício estourando do lado de foras e borboletas travando uma batalha no lado de dentro. Isso nunca tinha acontecido com nenhuma garota que beijara antes, e não se igualava a nada do que já tinha vivido. Talvez se Jensen não tivesse deixado claro que sabia de tudo, Alex pudesse lidar com isso de uma maneira mais natural.

Fora isso, a única coisa que lhe preocupava era o que iriam dizer se descobrissem o que aconteceu. E se Judit quisesse mandá-lo pra longe como fez com Nate? E se sua mãe adotiva ficasse magoada? Isso era o suficiente pra fazê-lo repensar no que estava fazendo antes que se permitisse querer de novo.

— Eu preciso ir. — Alex desceu do carro e bateu a porta.

Jensen sorriu, vitorioso, sabia que não existia uma maneira dele ser rejeitado por alguém.

Alex caminhou até o portão e colocou as mãos no bolso. Só passou para o lado de dentro quando o porteiro Greg liberou a entrada. Ainda deu tempo de olhar uma ultima vez para Jensen antes do garoto arrancar com sua BMW, mas Alex não se permitiu passar disso. Já tinha feito demais por uma noite, então, não precisava continuar repassando tudo o que aconteceu em sua cabeça e cobrar uma resposta de si mesmo.

Ele rapidamente passou pelo chafariz e chegou até a enorme porta da mansão. Ao entrar, fitou as empregadas subindo as escadas diretamente para seus quartos como sempre faziam no fim de cada expediente. Elas nem notaram sua presença, apenas continuaram seu trajeto sem saber que no andar de baixo estava o filho do patrão, cheio de duvidas, cheio de angustia e cheio de lembranças, que faziam seu estômago revirar de tanta ansiedade.

Seus batimentos cardíacos eram tão fortes que pareciam não poder ser medidos, como se ele fosse ter um ataque cardíaco. Mas não podia dar trela pra isso, tinha que comer alguma coisa, tomar um banho, ir dormir e esquecer que tudo aquilo tinha acontecido, porque assim era melhor pra todos.

Ele correu diretamente até a cozinha, onde inesperadamente Lydia estava fazendo um lanche noturno.

— Olá, Alexander. — Ela disse. — Onde está Gwenett?

— Gwenett? — Ele levou um tempo até perceber que ela estava falando de sua irmã. Tinha tanta coisa na cabeça que foi difícil lembrar que Lydia tinha a mania de chamar todos pelo nome completo — Ah sim, Gwen, ela... Ela continuou na festa. — Ele engoliu em seco, como se fosse possível engolir a gagueira.

— Essa menina. Já chamei atenção de Judit por causa dela. — Lydia levantou-se com seu prato nas mãos.

— Por quê?

— Ela não presta, meu filho. Só não é o diabo porque Nathaniel ainda está aqui. — Lydia colocou seu prato na porcelana bege da pia, ao lado de um copo onde tomara seu precioso suco de goiaba.

— Nossa... — Alex não sabia se havia entendido.

— Eu sei que é difícil acreditar. Sou apenas uma velha demente que já não sabe mais a diferença entre produtos de limpeza e amaciante, mas um dia você vai descobrir que estou falando a verdade. — Lydia voltou os olhos para Alex novamente. — Gwen não vai deixar você ficar por muito tempo, espero que você saiba o momento em que ela vai agir.

— O que?

— Meu filho. — Ela caminhou em sua direção, dando passos curtos e duradouros. — Estou do seu lado. Você é de longe a melhor coisa que já aconteceu com esta família. — Ela tocou em seu rosto, era apenas uma forma de carinho. — Você é tão lindo. Seu bisavô era igualzinho.

— Meu... Bisavô?

— Sim, Dalton, você e Nathaniel me lembram ele. — Lydia tirou as mãos do rosto de Alex e sorriu. — Era um bom rapaz. Assim como você.

— Obrigado. Você não sabe o quanto isso significa pra mim.

Lydia apenas sorriu. Ela deu a volta em Alex e andou na direção da porta. Alex abaixou a cabeça, estava pensando se deveria ou não fazer algumas perguntas a ela.

— Lydia? — Ele a chamou, virando-se. Ela fez o mesmo logo em seguida. — Judit e Simon não queriam dois filhos?

— Alexander, é claro que queriam. — Ela deu dois passos em sua direção. — Só Deus sabe o quanto eles sofreram quando perceberam que tinham perdido você.

— Me perdido?

— Não é uma boa história. Mas hoje em dia podemos dizer que teve um final feliz.

— O que aconteceu? — Alex tentava disfarçar, mas a curiosidade estava lhe deixando apreensivo.

— Bom, acho que não tenho direto de falar, mas tenho certeza que Judit vai encarregar-se disso quando chegar a hora certa.

— Por favor. — Alex deu dois passos em sua direção. Achava que suplicando com os olhos e estando bem próximo, seria mais fácil de convencê-la a lhe dizer tudo — Eu preciso saber...

— Alex, Judit não abriu mão do seu bebê. Você foi roubado.




Kerr finalmente deixou a piscina. Ele passou a mão pra tirar a água do cabelo enquanto caminhava com um andar invejável até seu roupão na cadeira de plástico. Em cima dele estava seu celular, já com o número do pai na discagem rápida para avisá-lo que chegaria um pouco mais tarde do combinado.

Seu pai estava na cobertura dos Foster, tomando um vinho caro e assistindo a um jogo de futebol que gravara em sua TV de plasma. Ao lado dele no sofá estava um charuto recém acendido, que ele sempre esquecia de terminar. Foi só ouvir o telefone tocar que pausou o jogo para atender.

— Sou eu. — Disse Kerr. — Amber já está em casa?

— Ela não estava com aquela garota Strauss?

— Tudo bem, talvez esteja mesmo. Vou chegar tarde, avise a mãe.

— Ela está dormindo, mas tudo bem.

Kerr deu um suspiro silencioso, não estava acreditando que sua mãe estava tomando aquelas pílulas de novo para dormir. Essa era a única explicativa para que ela, a rainha da noite, estivesse em casa sonhando ao invés de uma festa em Manhattan.

— Filho, você ta aí?

— Estou, era só isso. — Kerr desligou.

Seu pai, ao ouvir o barulho da ligação encerrada, olhou para o telefone pensando que tinha ocorrido algum problema, até lembrar-se que o filho realmente era um homem de poucas palavras.

Assim que apertou o play no controle remoto para continuar o jogo, ouviu um barulho estranho próximo ao corredor. Ele foi obrigado a pausar o jogo novamente para prestar atenção nos sons, até que o barulho repetiu-se novamente. Era como se alguém estivesse ali dentro empurrando uma garrafa de vidro no chão, de um lado para o outro.

Movido pela curiosidade e pelo instinto, ele pegou um dos tacos de golfe dentro de sua mochila ao lado e o colocou em posição de ataque. O barulho parecia estar vindo do escritório, e quanto mais se aproximava, mais ele era intensificado.

Quando empurrou a porta entreaberta e se preparou pra um ataque, acabou tendo uma surpresa.

Nate estava sentado na poltrona vermelha, balançando uma garrafa de vinho tinto no chão com a sola de seu sapato. Ele fitava Donato Foster com um olhar presunçoso, que não queria dizer nada a um homem que só vira duas vezes em toda sua vida.

Donato ligou a luz no interruptor ao lado para ter certeza se aquilo era mesmo real.

— Nathaniel Strauss? — Ele fez uma careta, ainda não acreditava.

— Surpresa.

— O que você está fazendo aqui?

— Sente-se.

— Vou ligar pro seu pai. — Donato deu dois passos, mas parou assim que ouviu Nate falar.

— E dizer como está fraudando dados e movendo seu dinheiro para o exterior? Vá em frente.

Donato voltou novamente seu olhar para Nate, estava completamente espantado. O garoto continuava no sofá, sorrindo soberbamente, levando a garrafa seca no chão de um lado para o outro e fazendo aquele barulho irritante.

— Não me olhe assim, o criminoso aqui é você. — Nate tirou do bolso de seu casaco todos os documentos que provavam os crimes de Donato. Eles estavam em sua posse graças as artimanhas de Quentin, o futuro homem de negócios que sabia exatamente o que fazer para descobrir uma fraude — Está tudo aqui. E nem queira se dar ao trabalho de destruir as folhas, porque fiz cinco cópias de cada uma. Agora você poderia se sentar?

Ele não teve outra opção a não ser fazer o que Nate estava mandando. Com um olhar triste e preocupado, ele se sentou e fitou a pilha de documentos.

— Bom, eu tenho boas e más notícias. Mas antes, você pode me servir um whisky?

Donato engoliu em seco. Ele fitou Nate com ódio, mas obedeceu. Caminhou por ele e chegou até sua mesa onde havia uma estante de bebidas, só que ele não estava tão interessado nas bebidas. Abriu a ultima gaveta de sua mesa procurando a arma que guardava.

— Não perca tempo procurando sua arma. Já dei um fim nela muito antes de você passar por aquela porta — Disse Nate, jogando quatro balas em cima da mesinha da sala.

Donato fechou os olhos, decepcionado.

— Além disso, eu sei que você não quer adicionar “assassino” a sua ficha criminal. Agora pegue a bebida, por favor.

Donato fechou a gavetinha e tirou uma garrafa de whisky da estante. Tirou também dois copos e os encheu até a borda, quase derramando. Levou um deles até onde Nate estava sentado e o outro manteve consigo, pois iria precisar se aquela conversa fosse continuar.

— Sente-se. — Ordenou Nate, referindo-se a poltrona marrom de frente para ele. Donato obedeceu sem divergir. Estava tentando manter a calma, como um verdadeiro homem poderoso, mas era difícil quanto Nate demonstrava estar completamente seguro de si.

— O que você quer?

— A cabeça dos seus filhos em uma bandeja prateada. — Nate tomou um gole de sua bebida.

— Meus filhos? O que eles têm a ver com tudo isso?

— É por causa deles que Donato Foster vai desaparecer...

— Do que você está falando?

— É simples. Eu quero que você fuja do país, e em troca, não o coloco na cadeia. — Nate ergueu o copo por alguns segundos, estava adorando todo aquele deboche.

— Você está louco.

— Eu prefiro cafajeste, é meu adjetivo preferido. Você está filmando tudo, Quentin? — Nate olhou pra cortina, de lá saiu Quentin com uma filmadora nas mãos. — Donato, esse é o meu amigo Quentin. Sorria, você está sendo destruído.

Donato olhou para a Câmera, sentia uma enorme vontade de pular em Quentin e destruir a máquina, mas não podia, não quando não estava com a faca e o queijo nas mãos.

— Caso você não saiba, essa filmagem está sendo enviada diretamente para três computadores. Então não tente fazer nenhuma gracinha.

— Por favor, minha família... — Implorou Donato.

— Eu também tinha, mas isso foi tirado de mim. Você vai arrumar suas coisas e depois fazer uma longa viagem até o outro lado do planeta. Quentin, mostre a carta.

— Está aqui. — Quentin tirou uma carta do bolso e entregou a Nate, sem tirar o foco da filmagem que estava fazendo.

— Aqui está sua carta de despedida escrita por mim. Nela você assume que é gay e que fugir é o único jeito de viver em paz com seu verdadeiro eu. Ah sim, também está escrito que sua família só lhe traz decepção, sabe? Pra sua filha sofrer um pouquinho mais. A carta ainda vem acompanhada de uma passagem só de ida pra China, mas acho que não precisa de dinheiro, já que desviou milhões de sua empresa pra lá. Se você estiver de acordo, podemos seguir com nossas vidas normalmente. Mas se estiver disposto a passar algumas décadas na cadeia vendo seu império desmoronar, ignore tudo o que eu disse.

— Hmmm. — Donato assentiu, estava juntando forças para não se rebaixar. — Então você quer que eu acredite que você, um adolescente fútil de dezessete anos está destruindo minha vida?

— Não sou eu quem está destruindo, são seus sócios e investidores. Apresentei as provas do seu crime e eles me concederam o privilégio de ser o porta-voz dessa missão. Você sabe, para evitar um escândalo, é melhor que você saia discretamente do país antes que prejudique ainda mais aquela empresa. De nada.

Donato deu um grande suspiro. Era óbvio que Nate não estava blefando, pois foi exatamente o que sua companhia fez com o ultimo homem que tentou lhes passar a perna.

— Nathaniel, eu... — Começou Donato, mas foi imediatamente interrompido por Nate e suas palavras estonteantes.

— Terminamos por aqui. Se até amanhã você não tiver ido embora e esta carta não tenha sido entregue, não poderei ajuda-lo. Nada me daria mais prazer do que ver sua família inteira indo a falência porque você não seguiu meus conselhos. — Nate se levantou. Andou até a porta e então parou novamente para dar o ultimo aviso. — Faça qualquer gracinha e publicamos seu video na internet. Espero que aproveite seu Sushi, senhor Foster.

Nate deu meia volta e saiu pela porta, sendo seguido por seu comparsa até o elevador. Assim que a porta se fechou, ele tirou seu celular do bolso e discou um número.

— Hey, sou eu. Deu tudo certo, o cara quase se borrou de medo. Obrigado por conseguir me fazer entrar na cobertura dos Foster, sem você eu não conseguiria.

— Você sabe que é um prazer ajudar a acabar com esses riquinhos idiotas. — Andy girou sua cadeira, sorrindo. — Então, vamos continuar sendo parceiros?

— Definitivamente. — Nate desligou.

Andy jogou o celular na cama e fitou o enorme quadro de sua família na parede da sala. Só de pensar que há poucos anos eles não eram ninguém e agora são donos de várias fazendas pelo país, ele sentia vontade de gargalhar o mais alto que conseguia. Essa era uma grande prova de que o mundo realmente tem o poder de girar, mas ainda faltava uma coisa. Ele precisava destruir todos aqueles que nasceram em berço de ouro e o rejeitaram por um dia ter sido diferente, e nada melhor que juntar-se a Nathaniel Strauss para finalmente fazer justiça.

O efeito dominó estava apenas começando.

Next...
1x07: Despicable Nate (05 de Outubro)

Semana passada, o primeiro capítulo de The Double Me atingiu mais de 1.200 Views, tornando-se o Web-Livro de maior sucesso do Meu Mundo Alternativo! 
Obrigado, pessoal. É muito mais do que eu imaginei, e devo isso à todos vocês.
Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
4 Comentários

Comentário(s)

4 comentários:

  1. Como não amar tudo isso, agora não sei se quero o jensen com o alex ou nate ! Bem que você poderia postar mais rapido né .

    ResponderExcluir
  2. Primeiramente, parabéns pelas visualizações merecidas, você tem muito talento.

    Esse capítulo foi um choque pra mim realmente, eu tinha certeza que Alex era hétero exatamente pelos mesmos motivos que ele também achava, a menina que ele gostava na escola, etc. Agora eu estou mais achando que ele é bissexual ou aquilo não passava de uma curiosidade de adolescente com os hormônios explodindo. Mesmo assim, muitas revelações sobre Alex e sua vida que me fizeram ter uma empatia com ele, tá ficando mais interessante e não é todo perfeitinho como parecia, isso me faz gostar mesmo dele. Antes eu queria que ele fosse gay mesmo, porém você deu motivos para eu achar que ele não era e agora de repente ele tem sentimentos duvidosos, espero uma explicação satisfatória rsrs. Não se preocupe, confio em você.

    Não vou falar do meu personagem preferido Nate, que tá perfeito como sempre, pois o comentário tá ficando muito grande, já me disseram que isso é chato. Só tô achando ele muito gentil kkkk, quero mais maldades com todos os riquinhos. Jensen não me engana, quero que Nate acabe com ele também. Estou ansiando por um momento fraterno de Alex e Nate, eles se abrindo mesmo e contando tudo um para o outro seria um diálogo interessante.

    Agora é o jeito esperar né? :P

    ResponderExcluir
  3. NOSSA, que capítulo foi esse? Incrível, parabéns!
    A trama só se desenvolve e mostra que tem cada vez mais a acrescentar.
    Acho que sou o único que realmente gosto do Jensen, espero que ele se dê bem.
    Essa história da Alex e Jensen vai dar muito o que falar...
    Andy, como assim? Nossa, muito surpreendente!
    Estou me sentindo em Revenge com um toque de PLL kkk

    ResponderExcluir