sábado, 14 de setembro de 2013

[Livro] The Double Me - 1x04: Envy Goes Global [+18]


“A inveja nunca dorme”.


Os celulares não paravam de tocar em Manhattan. As pessoas. — mesmo aquelas que não se davam o luxo de se de importar com fofocas. — não falavam de outra coisa. Nathaniel Strauss tinha se tornado a celebridade do momento, roubando a capa de revistas e jornais da cidade inteira.

Kerr estava na sala de sua casa tocando violino quando o jornal da TV mostrou novamente trechos do video de Nate, que não parecia cansar os telespectadores. Logo um sorriso malicioso brotou em seus lábios, e ele desejou arduamente que tivesse faltado o ensaio na noite passada só para ter tido a chance de contemplar aquele show. Mas se a sua intuição estava certa a respeito da ambição de Nathaniel Strauss, algo bem mais emocionante estava sendo guardado para depois.

Ele só parou de olhar pra TV quando seu celular apitou. Era uma mensagem de Andy, que dizia “dez milhões de views, Nathaniel Strauss é um Deus!”. A mensagem fez Kerr manter seu sorriso, ele não discordava nem um pouco. Ainda mais sabendo que seu showzinho quase particular aumentou o número de reserva nos hotéis Strauss em vinte por cento. Parece que além dos Hamptons terem ganhado uma nova vadia vingativa, a América acabou de ganhar um novo queridinho.

A única pessoa que se atrevia a discordar de tal afirmação estava andando pelas ruas frias de Manhattan, tentando ignorar as fotos de Nate espalhadas por toda e qualquer banca de revistas. Este, Justin Priestly, o grande rival do garoto que a cidade inteira estava idolatrando. Até mesmo ele, involuntariamente, já que este fora o maior escândalo que os Hamptons já teve.

Quando ouviu seu celular apitar, ele o tirou do bolso do casaco imediatamente. Estava desejando que fosse Jensen, seu grande salvador, vindo através da tecnologia lhe fazer esquecer que a cidade inteira havia enlouquecido. Mas ao fitar o visor, viu a foto de Andy ao lado de seu nome.

— Andy, espero que seja um engano. — Disse ele ao atender.

— Adivinha quem tem um video com mais de dez milhões de views no youtube? Começa com Nathaniel e termina com Strauss.

— E você pensou que eu me importaria com isso por que... ?

— Não seja ciumento. — Andy girou a cadeira do computado. Agora fitava seu quarto de paredes azul claras e decoração minimalista — Você é o namorado oficial, não importa quantas vezes Nate consiga tirar a roupa.

— Não tenho tempo pra isso, agora se você me der licença... — Quando Justin afastou o celular da orelha, ouviu Andy chamando de novo, estava pedindo para ele esperar — Pensei que tinha terminado.

— Na verdade, não. Quero que você veja uma coisa primeiro. Compre a primeira Vogue que vir pela frente e abra na página vinte e dois. — Andy olhou pra revista em suas mãos, com um sorriso.

— Não, obrigado. — Justin passou rápido por uma banca de revistas, a frente dela estava repleta de Vogues especiais com Nate na capa. Então ele é pego usando drogas e não estampa a capa da Vogue, mas Nate faz um strip-tease e lançam uma versão especial provavelmente com edição ilimitada? Agora sim Justin estava ofendido. — Você sabe que eu não leio essas porcarias.

— É sobre Jensen, você precisa ver isso, cara.

Justin parou de andar e fitou a calçada cinza, pensando. O que Jensen estaria fazendo numa revista como a Vogue? E por que era tão importante para Andy que ele visse? Mas não haveria discussão, nem mesmo dentro de sua cabeça. Como tratava-se de Jensen, Justin se sentia na obrigação de dar uma olhada. Tudo o que tinha a ver com o namorado era definitivamente de seu interesse.

— Não faça eu me arrepender. — Justin voltou até a banca e retirou uma das revistas.

Andy sorriu, vitorioso, estava desejando poder olhar nos olhos de Justin só pra que tudo ficasse ainda mais divertido. Já Justin, teve que disfarçar sua curiosidade só para não dar um gostinho de vitória a Andy. Ele revirou as páginas até chegar numa onde havia uma foto de Jensen no teatro. Ele estava ao lado de Alex, conversando, os dois estavam sorrindo.

Justin não conseguiu disfarçar o ciúmes, mas não deixou-se ir muito longe. Só estava se perguntando porque Jensen conversaria com o irmão gêmeo do garoto que ele mais odeia. Eles poderiam ser facilmente confundidos se não tivessem caráter totalmente diferentes, era insano estar perto de alguém que lembrava Nate o tempo inteiro, e em sua melhor fase.

— Justin, você está aí? — Perguntou Andy, incomodado com o silencio que se formara.

— Não mais. — Justin desligou, e logo em seguida ligou para Gwen.

Ela estava deitada em sua cama, com seu pijama favorito e sacos de doces ao lado, que lhe ajudaram a dormir noite passada depois que seu irmão declarou guerra. Amber estava sentada na cama ao lado dela, há meia hora tentando convencer a amiga a finalmente sair da cama.

— Gwen, são onze horas, você já deveria ter levantado.

— Não quero levantar. — Resmungou ela, com a cara no travesseiro dourado. — Como vou encarar as pessoas depois de tudo o que aconteceu ontem?

— Eu entendo, eu também estava lá. Mas até as pessoas tristes precisam tomar banho... — Amber fez uma careta, Gwen estava cheirando a cheetos estragados com suco de abóbora.

— Cala a boca, Amber. Me deixe aqui sozinha odiando meu irmão. É só do que eu preciso.

— Gwen... — Amber abaixou a cabeça. Ela sabia que se dissesse o que estava pensando Gwen iria repreendê-la. Será que elas realmente não mereciam o que tinha acontecido? — Você sabe que isso não vai ajudar.

— E o que vai ajudar?

— Dar o troco. Você já o tirou de circulação uma vez, não seria tão difícil fazer isso de novo.

Gwen não teve tempo de dizer nada. Alex bateu na porta do quarto e as duas ficaram em alerta.

— É o Alex. — Ele informou.

— Deus... — Sussurrou Gwen. — Até o jeito que ele bate na porta é irritante!

— Shh! Seja legal...

— Certo. — Gwen ajeitou-se na cama e preparou sua falsa simpatia — Pode entrar.

Alex abriu a porta e meteu sua cabeça pela brecha. Gwen e Amber estavam lançando um sorriso simpático na sua direção, tão convincente que nem parecia apenas atuação.

Então, ele achou que estava sendo bem vindo. Bateu a porta assim que entrou e deu dois passos na direção da cama, colocando as duas mãos dentro do suéter roxo com capuz.

— Você está bem? — Perguntou.

— Não exatamente. — Falou ela. — Mas estou tentando.

— Sinto muito pelo que aconteceu. Mamãe disse... — Ele hesitou. Não sabia se Gwen iria aceitar que chamasse Judit de mãe, então, achou melhor voltar atrás. — Judit disse que você se esforçou muito pela peça.

— Me esforcei muito? Aquela peça era minha vida... — Ela suspirou. Precisou dormir com o diretor pra poder ganhar o papel principal, e então, Nate simplesmente estragou tudo.

— Você sabe por que Nate fez aquilo?

— Ele é o Nate, é isso que ele faz. — Gwen jogou-se na cama e tapou o rosto com as duas mãos por alguns segundos — Deus! Eu não acredito que ele voltou...

— Se você precisar de alguma coisa... Quer dizer, se quiser alguém pra conversar que não seja sua melhor amiga, pode falar comigo.

Amber ficou olhando para Alex, completamente apaixonada. Ele parecia tão perfeito que poderia até mesmo passar por cima da melhor amiga para cometer o crime de tentar levá-lo ao seu apartamento no Upper East Side. A não ser que, geneticamente falando, ele também seja homossexual como seu irmão gêmeo.

— Obrigada. — Disse Gwen.

— Eu vou descer. — Alex andou até a porta — Você quer alguma coisa?

— Você pode pedir a empregada para preparar meu banho? A novata, não a velhota, ela cheira a comida tailandesa e ninguém entende nada do seu espanhol.

— Ok. — Alex fechou a porta enquanto Amber prendia o riso.

— Gwen, como você consegue odiá-lo? Ele é tão fofo!

— Talvez. — Ao levantar-se da cama, Gwen caminhou até o espelho. — Mas não estou pronta pra ver minha herança sendo dividida.

— É. — Amber fitou os lençóis da cama. — Mas ele não tem culpa disso.

— Eu sei, mas... Ele é parecido com Nate. Parecido demais. — Gwen mirou seu reflexo. Bagunça era pouco para descrever como estava se sentindo. E mesmo sabendo que era exatamente o que seu irmão queria, não podia evitar.

— Eu acho ele legal. Se você não me matasse eu juro que...

— Amber... — Gwen fitou a amiga através do espelho. — Não acha que está sonhando alto demais?

— Alto demais? — Amber ficou na defensiva.

— Sim, ele não é pra você. Agora preciso tomar banho, te ligo mais tarde.

Amber suspirou, triste, mas sabia que ignorando ganharia mais. E era melhor fazer isso antes que ela tomasse o que Gwen dissera como indireta para os problemas alimentares que teve há alguns anos.


— Nate. — Sussurrou Quentin, enquanto balançava uma pena de ganso tirada da almofada no nariz de Nate — Acorda...

Apesar das tentativas, — e das caretas que Nate fazia devido ao incômodo no nariz. — o garoto resistia firme e forte, sem desistir de continuar seu sono.

— Acorda, acorda. Tenho uma surpresa.

— Vai pro inferno! — Nate mudou novamente de posição, mas por precaução, cobriu-se todo com o lençol para não haver mais incômodo.

— Tudo bem então, vou levar todas essas revistas com você na capa e o champanhe lá pra baixo...

— O que? — Nate colocou a cabeça pra fora do lençol, estava com um olhar assustado — Você ta falando sério?

—Oito revistas e doze jornais. Você está na capa dos vinte meios de comunicação mais importantes do país.

— Fala sério! — Nate deu um pulo e fitou ao lado da cama uma pilha de revistas e jornais que Quentin fizera questão de comprar. Um lindo sorriso estampou seu rosto, logo quando a euforia começou a lhe dominar. — Fala sério! — Ele deu outro pulo na cama e foi direto onde estava seu tesouro.

— A Vogue já tinha outra coisa preparada pra hoje, mas reformularam tudo graças a você. — Informou Quentin enquanto sacava a rolha do champanhe. Nem se incomodou em estar sendo encharcado com a bebida, pois ela representa a vitória de Nate. E a vitória do garoto que ama também era sua vitória.

— Caramba! — Nate fitou a Vogue em suas mãos como se fosse a coisa mais bonita do mundo. E diante de vários pontos de vista, ele estava completamente certo. — Eles pegaram o meu melhor ângulo!

— Você é incrível de todos os jeitos. — Quentin despejou o champanhe nas duas taças que estavam em cima da cama. Uma para ele, uma para Nate e ambas transbordando. — Vamos comemorar?

— É claro. — Nate pegou a taça de suas mãos e jogou a Vogue de volta na pilha. Era tanta felicidade que ele quase esvaziou o copo no primeiro gole. Sua cabeça ainda estava zonza pela comemoração da noite passada, mas quem se importava? Ele estava na Vogue, poderia ficar sóbrio outro dia.

— Vai com calma. — Pediu Quentin.

— Dá pra acreditar nisso? Vogue, Time, Rolling Stone, e People… Eu vou dominar o mundo.

— É, você vai conseguir. Mas agora conta pra mim, como você se sente sabendo que está vingado?

— Quem disse que eu estou vingado? — Nate tomou mais um gole e recostou-se na cabeceira.

— Ué, eu pensei...

— Pense nisso como meu ritual de iniciação. Nem chega perto do que eu preparei pros meus queridos amigos.

— Sendo uma vingança ou não, você destruiu a carreira da sua irmã no balé. — Quentin tomou um gole e sorriu por entre a taça, estava lembrando-se daquele momento inesquecível em que Nate começara a tirar a roupa. Isso lhe fazia questionar todas aquelas frases medíocres de reflexão sobre apaixonar-se pela pessoa errada. Pois em seu caso, tinha certeza que havia se apaixonado pela pessoa mais incrível do mundo.

— Verdade. Mas e se eu disser que ela não é minha irmã e que vou usar isso pra acabar com a vadia? — Nate levantou uma das sobrancelhas. Era o suficiente para Quentin saber que ele usaria seu trunfo da melhor forma possível.

— Eu te amo. — Disse Quentin, com os olhos quase brilhando de tanta admiração.

— É claro. Mas agora... — Nate se afastou. — Você não tinha uma missão?

— Sobre isso... — Quentin deixou a taça no chão e olhou pro outro lado.

Nate entendeu perfeitamente o que aquilo significava: Quentin estava dando pra trás. Ele era o obediente e leal, mas era covarde demais pra fazer parte de algo tão grandioso quanto o que tinham planejado. Afinal, brincar com homens poderosos não só podia lhe deixar atrás das grades, como também, causar sua morte.

— Não me venha com essa, Quentin. Você nunca foi do tipo que amarela.

— Eu sei. — Quentin suspirou e olhou para ele de novo, como se estivesse tendo náuseas. — Mas roubar nunca foi o meu forte.

— Você é um Cavanaugh. Tem tanto dinheiro que não roubaria nem mesmo se fosse um cleptomaníaco.

— Você entendeu o que eu quis dizer...

— A prioridade não é deixa-lo fazer o que te deixa confortável, e sim que a gente possa seguir com o plano. Acredite, eu preciso de você pra isso.

Quentin olhou para suas mãos em cima da cama, o grande anel de sua família parecia chamar atenção. É claro que ele faria tudo o que Nate pedisse, qualquer coisa, quando quisesse. Se algum dia Nate pedisse para ele se afastar, ele faria de bom grado só para vê-lo sorrir. Então, talvez valesse a pena correr o risco.

— Tudo bem, eu faço. — Quentin assentiu, mas ainda achava que poderia falhar.

— Perfeito. — Nate suspirou, sabia que estava sendo duro demais com ele. Se aproximou dele e tocou em sua mão. — São apenas alguns papeis. Você pega, sai e eu prometo não envolver mais você nesse tipo de trabalho. Beleza?

Quentin apenas assentiu novamente e apertou a mão de Nate, que subitamente sentiu-se incomodado. Era apenas desse jeito que ele poderia fazer com que Quentin ficasse ao seu lado e fizesse tudo o que ele queria. Mas talvez não fosse o bastante. Um dia Quentin iria acordar e perceber que a sua função é apenas técnica e que ele nunca ganhará seu coração, mesmo que mate ou morra por ele. Porque o coração de Nate, mesmo relutante, ainda era de outro.

E foi só chegar nessa conclusão que Nate se aproximou e lhe deu um beijo. Dessa vez não era como eles costumavam se beijar. Não tinha fogo, não era selvagem, seus lábios tocaram-se devagar e permaneceram unidos por alguns instantes, antes de Nate se afastar e lançar seu olhar penetrante pro garoto.

— Agora vá. Nós vamos brincar um pouquinho com os Fosters.


O senhor McPhee tinha acabado de adicionar mais vinho a sua taça importada da Inglaterra quando a empregada colocou o segundo prato. Na mesa ao seu redor, os convidados tagarelavam qualquer besteira para impressioná-lo, mesmo que soubessem lá no fundo que tudo seria em vão. Patrick McPhee era um homem de negócios, sério, responsável e impenetrável. Eram poucas as pessoas em quem podia confiar e ser gentil, sendo os próprios filhos excluídos dessa lista.

Jensen deu uma olhada em todos na mesa, estavam preocupados demais em fingir que estavam tendo um bom jantar. O único que não fingia era Kerr, que lançava aquele seu velho sorriso malicioso para Jensen como se gostasse de toda aquela situação constrangedora. Eles estavam de frente um pro outro, quase não podiam roçar suas pernas por debaixo da mesa.

Sentado ao lado de Kerr estavam o Senador, sua mulher e sua filha de quinze anos Zoe, vestida como uma garota de um orfanato de freiras, cujo olhar dizia claramente o quanto odiava seus pais. Ao fundo. — e já para o lado de Jensen. — estava Donna, uma velha amiga da família, próxima a uma cadeira vazia onde a Senhora McPhee costumava sentar-se. Se puder evitar esse jantar obrigatório semanal, Jensen provavelmente já estaria na festa de Travis, tentando investir em Alex para que saísse de sua bolha.

— Então, Kerr. — Disse Patrick, colocando a garrafa de vinho de volta na mesa. — Por que sua irmã não pôde vir mesmo?

— Ela tinha um ensaio no estúdio de balé, senhor. — Mentiu Kerr, sabia que ela estava comprando vestidos com Gwen pra festa de Travis.

— Não me diga?. Depois do incidente de ontem a noite aquele estúdio ainda está de pé? Estou surpreso.

Jensen prendeu um riso, mas a distração de seu pai com a comida não lhe deixou perceber. Se tivesse visto o comportamento do filho, Jensen teria levado uma bronca na frente dos convidados, como fazia toda semana.

— Zoe, querida, você nem tocou na sua comida. — Disse o senador a filha.

— Não estou com fome. — Ela remexeu o garfo no prato, chamando a atenção de Patrick.

— Eu entendo. — Disse Patrick após tomar um gole de seu vinho. — Na idade dela eu também odiava jantares. Ela deveria ficar com pessoas da sua idade.

— O seu filho, por exemplo? — Sugeriu o senador, com um olhar esperançoso. Uma amizade entre sua filha e o filho do homem que poderia lhe deixar mais rico era tudo que podia querer.

— Ela não tem amigas na sétima série?

Jensen prendeu o riso novamente, ele adorava o jeito que seu pai podia ser rude com as pessoas só porque era cinquenta vezes mais rico que todas elas juntas. Apesar, é claro, de sua arrogância não servir de nada quando seus filhos aprontam alguma coisa.

— Então, senhor McPhee. — Começou Kerr, mas foi interrompido pelo próprio.

— Por favor, me chame de Patrick.

— Certo, Patrick. Como anda sua candidatura?

— Muito bem, obrigado. Na verdade, gostaria de pedir a sua ajuda. Não é todo dia que encontramos alguém com duzentos e trinta de QI, não é?

— Gentileza sua, senhor. — Kerr deu um meio sorriso e tomou um gole de seu vinho.

Jensen lançou um olhar para ele, estava dizendo “parabéns, campeão”, mas Kerr preferiu ignorar.

— E como anda seu concerto? Soube que vocês vão à Paris semana que vem. — Patrick cortou a carne de seu prato. O barulho estridente da faca serrando a porcelana rendeu a Zoe um careta.

— Sim, vamos nos apresentar no Louvre.

— Kerr é um dos melhores com o violino. — Patrick olhou para o senador. — Você precisa vê-lo tocar algum dia.

— Nós adoraríamos. — Respondeu a mulher do senador, sorridente. — Eu soube que seu filho é um dos melhores no tênis, é verdade?

— Apesar das contusões inexplicáveis, acho que ele está se saindo bem. Não acha, filho?

— Sim, pai. — Jensen assentiu, tentando parecer condescendente.

Kerr sentiu-se mal, aquilo estava acontecendo de novo. Sempre que é convidado para jantar na mansão dos McPhee Patrick dá um jeito de demonstrar ódio pelo seu filho, mas sempre ressalta o quanto Kerr é um garoto excelente. Certa vez, quando estava bêbado, ele disse que Kerr era o filho que nunca tivera.

Quando voltou seu olhar para Jensen, Kerr notou que havia alguém atrás de sua cadeira. Era seu irmão, Jake, que com certeza não conseguia passar despercebido. Ele tinha acabado de chegar à sala de jantar, vestindo roupas pretas e acessórios góticos na cor roxa. Seu cabelo era loiro e espetado, muito parecido com o de Andy. E os olhos, da mesma cor que os do irmão. Kerr podia ver que eles eram parecidos, mas isso seu estilo bizarro infelizmente não deixava ninguém perceber.

— Olha só. — Disse Kerr, fazendo um sinal para Jensen com a cabeça.

Jensen olhou pra trás, logo a mesa inteira já estava com os olhos no garoto. Ele parecia sorridente até demais para quem havia sido expulso de casa e proibido de descer para jantar com todos.

— Hey Pai, por que não me avisou que o jantar estava pronto?

Patrick lançou um olhar desprezível pro filho, sem se importar, dessa vez, em manter as aparências perante os convidados. Tinha permitido sua entrada temporária naquela mansão devido a um pedido de Jensen , mas não aceitaria ser desafiado.

— Jacob?

— É Jake pros mais próximos, você sabe. — Jake sentou-se na cadeira vazia perto de Donna. — Então, ouvi que estavam falando novamente sobre tênis. O problema senador, é que papai é muito modesto pra admitir que Jensen é o melhor. Não é pai?

Jensen e Kerr prenderam outro riso. Todos na mesa olharam para Patrick, que permanecia desconfortável em seu lugar.

— Jacob, eu acho melhor você subir. — Patrick cortou sua carne novamente e comeu um pedaço.

— Desculpe, eu estou de castigo? — Jake fingiu estar surpreso. — Porque com você nunca dá pra saber. Da ultima vez que nos vimos você disse que eu era uma vergonha pra esta família, mas decidi levar tudo na brincadeira, como sempre.

— Jake... — Alertou Jensen. Desafiar Patrick era um caminho perigoso, que ninguém deveria seguir.

— Talvez eu realmente deva comer na mesa dos empregados.

— Jacob, já chega! — Gritou Patrick.

Zoe começou a rir, de repente. Aquela era a melhor parte de seu dia, talvez até do seu mês. Todos na mesa olharam pra ela, inclusive Jake, como se a garotinha indelicada fosse um bônus para o pequeno motim que estava começando.

— Tudo bem, eu vou embora. — Jake levantou-se. — Você pode ligar para sua dançarina exótica agora. — Jake caminhou na direção da saída enquanto Patrick fingia o constrangimento que estava sentindo.

— Com licença. — Pediu Jensen ao levantar-se da mesa.

Jake já estava próximo a porta quando Jensen o alcançou. E ao contrário do que seu irmão pensava, Jake não estava furioso. Parecia muito mais calmo do que qualquer pessoa ficaria naquela situação.

— Hey J, espera, aonde você vai?

— Aonde todo mundo vai. — Jake abriu a porta.

— Espera.

Jake parou. Revirou os olhos e depois olhou para o irmão, estava entediado.

— O que foi aquilo? — Jensen sorriu.

— Não gostou?

— Na verdade, foi genial. Melhor que aquela vez em que você disse vestir preto porque nosso pai morria todos os dias pra você.

— Eu disse que eu o matava todos os dias dentro de mim. — Jake quase sorriu quando lembrou desse dia. Por pouco não havia levado uma surra do pai e por menos ainda, não tinha sido deserdado.

— Certo. Cara, eu sinto a sua falta. A gente podia jogar golfe amanhã e azarar umas garotas. O que você acha?

— Cara, você nem gosta de mulher. — Jake sorriu novamente.

Estranhamente, depois de uma briga com o pai, Jensen era o único que podia fazê-lo sorrir novamente. Se não fossem tão diferentes talvez pudessem ser amigos como ele e Kerr, ou ele e Gwen. Mas estava tudo bem, afinal, apenas o veneno consegue aproximar duas pessoas que moram nos Hamptons, e ele com certeza não queria fazer parte daquele mundo.

— Não significa que eu não posso ficar com elas e me divertir, não é?

— Talvez. Olha, a gente se vê depois. — Jake deu meia volta e saiu pela porta.

— Espera! Aonde você vai?

— Te vejo na festa do Travis. — Antes de bater a porta, Jake colocou seu capuz por cima do cabelo loiro espetado.

Jensen apenas assentiu, dando um meio sorriso. É claro que iriam se encontrar na festa do Travis. Todos os jovens das redondezas marcariam presença, até mesmo os do Upper East Side, que só abandonam seus flats milionários para aniversários de revistas. Só que dessa vez muita coisa iria mudar. Nate estava de volta, Alex reencontrou sua mãe, e Gwen precisava alimentar sua sede de vingança para fazer sua própria justiça. A qualquer momento a festa de Travis Van Der Wall pode ir de diversão da elite a um verdadeiro massacre. Não literalmente, é óbvio, mas quem precisa de sangue quando se tem escândalo?


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Comentários
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Comentário(s)

1 comentários:

  1. desculpa não comentar logo, eu acabei de ler os três novos capítulos, estou adorando de verdade. meu personagem preferido é o nate e espero que ele consiga se vingar de todos mesmo. tomara que o chato do alex não consiga atrapalhar em nada, eu não consigo gostar desse menino, ele é muito santinho e clichê. estou com muita pena do quentin, tomara que nate supere jensen e fique com ele, parece ser um cara legal.

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