quinta-feira, 1 de agosto de 2013

[Crítica] Beneath


Direção: Larry Fessenden
Ano: 2013
País: EUA
Duração: 89 minutos
Título Original: Beneath

Crítica:

Eles são amigos apenas na superfície.

Eu sinceramente gosto muito desses filmes de animais assassinos. Não estou falando sobre aqueles filmes chatos produzidos pela SyFy, com efeitos visuais risíveis. É por isso que é raro sair algo digno dentro desse subgênero. Geralmente, esses tipos de filmes não recebem grande atenção, o que resulta em baixo orçamento. Tendo isso em vista, os diretores, atualmente, optam por acrescentar CGI mal feito em todas as cenas possíveis, o que torna o resultado final degradante. É por isso que eu gostei bastante quando assisti ao trailer desse filme, porque apesar do orçamento limitado, a direção parecia querer explorar outros pontos para o desenvolvimento.

A história gira em torno de um grupo de amigos que decidem fazer algo especial para comemorar a formatura. Eles decidem pegar um barco a remo para atravessar um lago e acampar. Querendo se divertir, alguns deles se jogam na água para se distrair, porém, essa ideia se torna um pesadelo quando um enorme peixe carnívoro emerge das profundezas. Agora, os sobreviventes terão que encontrar um jeito de chegar até a superfície. Logo irão perceber que nem todos irão conseguir sobreviver e, para que alguns consigam chegar até a terra, outros terão que fazer um sacrifício. No meio de uma série de manipulações, a amizade do grupo começa a ser testada, a medida que a quantidade de sobreviventes começa a diminuir...

Logo de cara, uma das principais diferenças entre esse e muitos outros filmes do mesmo estilo, é que o enredo de Beneath usa o peixe carnívoro apenas como plano de fundo. A ideia é mostrar a degradação dos personagens diante de uma morte iminente. Todos começam o filme felizes e amigos, mas esse sentimento vai se transformando quando o instinto básico de sobrevivência passa a dar um alerta. É aquela velha história sobre o caráter do ser humano. Quando estamos sobre pressão, fazemos de tudo para sobreviver, mesmo que isso implique na morte de outros. Eu não me canso de acompanhar histórias que usam essa premissa e confesso que o enredo desse filme conseguiu desenvolver muito bem esse plot.

Infelizmente, os méritos da produção não vão muito além do que isso. O próprio enredo, que se concentra tanto nos conflitos, peca em diversos pontos. Os personagens, por exemplo, se tornam cada vez mais odiáveis com o passar dos minutos. Sendo assim, não há como torcer pela sobrevivência de qualquer um deles. No meio de tantas discussões, alguns conflitos importantes são deixados de lado. Um dos personagens, conhecendo o perigo, leva os outros até o rio. Mas nunca fica realmente claro quais foram suas intenções. Seria muito mais interessante se o roteiro trabalhasse em cima desse plot ao invés da convencional história de amor/traição.

O animal assassino em questão carrega alguns pontos positivos e negativos. É muito bom acompanhar uma história onde o diretor sabe o limite da produção e descarta o uso de uma criatura totalmente fabricada em CGI. Porém, ao invés de mostrar a criatura apenas de relance, dando prioridade para o suspense, o diretor insiste em focar no peixe. A cada nova tomada, o espectador percebe o quanto a criatura é falsa e mal feita. Na maioria das vezes nós sabemos exatamente onde o peixe está, eliminando completamente o suspense de um possível ataque surpresa. Além disso, esperando algum tipo de reviravolta (talvez existissem mais criaturas semelhantes no lago?), mas isso não aconteceu.

Enfim, a ideia até que foi interessante, mas juntando os erros do roteiro com os da direção, temos um filme abaixo da média que poderia ter se saído bem melhor. O final consegue afundar (com o perdão do trocadilho) de vez a produção. Enfim, achei decepcionante. E olha que eu adoro quando um filme consegue me surpreender com a ordem das mortes, mas não quando isso afeta diretamente o desfecho do filme, que não pode ser outro a não ser péssimo (e merecido, diga-se de passagem). Agora a decisão está nas mãos de vocês. Irão subir nesse barco ou deixá-lo afundar?


Trailer:

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Comentários
1 Comentários

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1 comentários:

  1. Me lembrou de um dos contos de Stephen King, praticamente só o monstro do lago que é diferente

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