quarta-feira, 24 de julho de 2013

[Crítica] Zumbis: Uma História Viva


Direção: David V. Nicholson
Ano: 2011
País: EUA
Duração: 96 minutos
Título Original: Zombies: A Living History

Crítica:

Se você pensa que os zumbis são um conceito novo... Você está mortalmente enganado.

É indiscutível que os zumbis nunca estiveram tanto em foco quanto agora. Apesar disso, também é impossível dizer que esse é um tema recente. Filmes envolvendo os mortos voltando para comer os vivos existem há diversas décadas, mas é fato que a popularização da série The Walking Dead deu força ao tema. A grande questão é que diversos fãs do gênero esperam e acham possível que zumbis andem pela face da terra algum dia. Visando essa linha de raciocínio, o canal History preparou um documentário muito especial sobre os zumbis e as possibilidades deles serem enfrentados no futuro.

Muitos podem se confundir a respeito do objetivo desse documentário. Há poucas menções a respeito das produções cinematográficas e suas influências na sociedade. Apenas Romero – considerado pai dos zumbis – é citado, assim como o seu primeiro filme sobre o assunto, A Noite dos Mortos-Vivos. Seu nome só é levantando porque Romero realmente revolucionou o cinema e apresentou o que os estudiosos denominam “Zumbis Modernos”. Vocês realmente pensaram que ele é o começo de um mito? Nem perto disso. Ele só é responsável pela reformulação, que acabou sendo copiada nos filmes posteriores.

É por esse motivo que, logo no começo, o documentário apresenta os diversos tipos de “zumbis” reconhecidos pelas mais diversas civilizações. Há muitos seres que, depois de mortos, levantam para comer os vivos. Apesar dos mesmos fins, suas origens são completamente diferentes. Os estudiosos apontam espíritos vingativos, demônios e pessoas condenadas depois de uma vida de pecados. Diferente dos zumbis modernos, a maioria desses mitos está fortemente ligada com a ideia da morte, excluindo um apocalipse global. Esses seres voltam por um motivo específico e não apresentam uma fome insaciável como a apresentada nos filmes.

Um dos pontos mais interessantes do documentário gira em torno da representação da morte, tanto para os vivos quanto para os mortos. Estudiosos explicam sobre os ritos de passagem e suas finalidades. Basicamente, tudo gira em torno da superstição do ser humano, que carrega um medo primitivo que os mortos possam voltar à vida para devorá-los. O mais surpreendente, porém, é perceber que alguns desses “ritos” são mantidos até hoje, por exemplo, o caixão, que é pregado. O narrador aponta que não há a menor necessidade disso, mas é algo passado pelo tempo, que garante que os mortos permanecerão em seu local de descanso.

Muitas pessoas realmente desejam que um apocalipse zumbi aconteça, mas o documentário alerta que é preciso muito mais do que um facão para sobreviver aos mortos-vivos. Esse é um ponto legal de ser trabalhado, já que emite um alerta as pessoas que pensam que seria legal atirar na cabeça de outras pessoas, mas, na realidade, não conseguiriam durar nem uma semana. Zumbis podem ser lentos, mas, além de serem implacáveis, eles tendem a formar hordas. Vencer apenas um zumbi é muito fácil, mas não podemos dizer o mesmo de um grande grupo. Concluindo essa linha de pensamento, o estudo alerta que é essencial construir uma comunidade para sobreviver a um possível apocalipse.

O documentário também questiona os meios que poderão levar para um possível apocalipse. Além de estabelecer um excelente paralelo com Prometeu, os estudos apontam que a tecnologia pode se tornar nossa inimiga. Quando o ser humano brinca de Deus, ele é punido de alguma forma, assim como no conto grego. Entre outros dos melhores momentos, também há a comparação de um apocalipse zumbi com outras pragas que devastaram o planeta em outros séculos, como a peste negra e a febre bubônica. Isso nos leva a considerar se, daqui a alguns anos, aparecerá outra doença mortal com a capacidade de exterminar a raça humana. E o pior? Se nós mesmos criarmos essa doença no laboratório?

Enfim, esse é um excelente documentário. Eu achei maravilhosa a forma como eles estruturaram os tópicos e procuraram os exemplos na história da humanidade. Além do que eu citei acima, o documentário também estabelece conexões com religião e guerras. Engloba um assunto muito maior do que os zumbis. É um passo para o conhecimento histórico e um grande presente aos fãs do gênero. Quem gosta de zumbis e se interessa por fatos interessantes da história, certamente não deve deixar de assistir.

Trailer:

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