quarta-feira, 1 de maio de 2013

[Crítica] As Senhoras de Salem


Direção: Rob Zombie
Ano: 2012
País: EUA
Duração: 101 minutos
Título Original: The Lords of Salem

» Ainda sem lançamento oficial em DVD no Brasil, o filme tem sido exibido na TV por assinatura com o título As Senhoras de Salem. Não é exatamente a tradução literal - o que teria ficado muito melhor. Caso o filme seja lançado no mercado de vídeo apropriadamente, é provável que receba outro nome.

Crítica:

Nós estivemos esperando... Estivemos sempre esperando.

Amando ou odiando, Rob Zombie é um nome conhecido entre os fãs do gênero terror. Os fóruns a respeito de seus filmes são completamente divididos, porque suas obras são sempre impactantes e não tem como ficar no meio termo - na maioria das vezes. Se você já assistiu algum filme dele e detestou tudo a respeito, provavelmente irá detestar todos os outros que ele comandou. Zombie tem um estilo totalmente próprio e consegue passar isso em todos os seus projetos. É por isso que ele foi destruído pela crítica com o ousado remake de Halloween. Pessoalmente, seus filmes não são meus favoritos, mas reconheço que o cara tem coragem e é isso que falta em muitos filmes de terror atualmente.

A história gira em torno de uma radialista, Heidi, que recebe um som bizarro de autoria dos "Lords". Erroneamente, ela libera a música desconhecida ao vivo e desperta uma maldição infernal na cidade. 300 anos antes, nas mesmas ruas de Salem em que os moradores caminham atualmente, pessoas foram retiradas de suas casas, acusadas de bruxaria e sentenciadas à morte. Os “Senhores de Salem” corriam pela cidade com um punho de ferro, enquanto quatro bruxas que foram torturadas e mortas prometeram em sigilo que um dia voltariam para se vingar. Agora, com o despertar da maldição, as últimas palavras da bruxa estão prestes a se cumprir e Heidi tem um lugar bem mais específico nisso tudo do que pensava...

Vocês sabem quando um diretor tem um estilo específico e inconfundível? Os fãs dos trabalhos de Tim Burton certamente dirão de sim. Porém, os admiradores (e haters) sabem que Rob Zombie consegue transportar qualquer história para o seu mundo distorcido - até mesmo um grande clássico. Em seus filmes, os personagens estão sempre com roupas pesadas, assim como muita maquiagem e cabelos e barbas compridas; muitos cenários escuros e com aparência suja; e, principalmente, com muitas cenas violentas. Zombie certamente tem uma mão pesada para a violência e nunca pouca o espectador de cenas completamente bizarras, que são marcas registradas de seus filmes.

Como já disse, não sou grande fã do cara, assim como também não o repudio. Em comparação, gostei bastante de Rejeitados pelo Diabo, mas detestei A Casa dos 1000 Corpos. Sua refilmagem e sequência para o clássico Halloween são casos à parte e só devem ser aprofundados em suas devidas críticas. O importante é que, depois de tantas polêmicas, eu esperava assistir um projeto original. E, para minha surpresa, sua história envolvia bruxaria e adoração ao diabo. Com um tema tão curioso e nefasto, esperava que ele apresentasse um dos seus melhores trabalhos, uma vez que estaria desenvolvendo uma história nova, sem quaisquer restrições.

Infelizmente, The Lords of Salem é uma completa decepção. Não estou dizendo que ele é péssimo, mas poderia ter sido bem melhor. A história sai dos trilhos a partir da segunda metade e parece que estamos apenas testemunhando um enorme e diabólico pesadelo. O terceiro ato é o mais frustrante de todos. Além de cortar totalmente com o desenvolvimento da história - ignorando personagens e seus plots -, o diretor deixa a evolução da trama de lado e nos apresenta fortes distrações visuais envolvendo adoração ao diabo e rituais de bruxaria. São tantos cenários e ilusões diferentes que o espectador não terá sequer pista do que está acontecendo e quando você começar a se perguntar quando tudo fará sentido, os créditos finais aparecem.

O desfecho foi um dos mais decepcionantes dentre os filmes que assisti recentemente. Zombie tinha conduzido uma história interessante, com plots adequados e trabalhando as alucinações/assombrações de uma forma gradual. Por um segundo eu pensei que ele faria algo diferente e surpreenderia a todos, mas acabou entregando mais do mesmo, com diversas cenas de impacto visual. Porém, a fotografia é muito bonita, principalmente o contraste de diferentes cores entre as cenas entrelaçadas no final. Enfim, poderia ser ótimo, mas se tornou apenas mais um filme que poderia se tornar bem mais do que realmente foi. Se não gosta do Rob Zombie, corra para as colinas.


Trailer Legendado:

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1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários:

  1. Minha mãe estava assistindo na HBO, acabei por ver somente o final por ter me interessado, mas quando acabou fui procurar por críticas e comentários para ter certeza que eu não era a única a ficar completamente confusa. As cenas ao final são impactantes e bem elaboradas, porém é como se não fizesse sentido algum. Enfim, pretendo assistir novamente desde o início para desenvolver uma opinião sobre a obra.

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