sexta-feira, 31 de maio de 2013

[Crítica] Bad Kids Go to Hell


Direção: Matthew Spradlin
Ano: 2012
País: EUA
Duração: 91 minutos
Título Original: Bad Kids Go to Hell

Crítica:

O dinheiro do papai não pode salvá-los agora.

Jovens que merecem morrer povoam os filmes de terror. Eles são as principais vítimas na maioria dos filmes envolvendo seriais killers e qualquer outra coisa com objetivo de matar alguém. Sempre temos os personagens principais - principalmente a mocinha - que tentam agir corretamente para que despertem a simpatia dos espectadores (falhando miseravelmente em diversos casos). E, não podemos esquecer dos outros, que estão ali apenas para morrer e serem os mais estúpidos possíveis, porque nada vai dar certo mesmo, então o mínimo que eles farão é dificultar a vida daqueles que viverão um pouco mais. Agora tentem imaginar um filme onde todos os personagens se encaixam nesse segundo grupo.

A história gira em torno de seis alunos de uma escola do ensino médio são presos numa detenção por mal comportamento numa tarde terrivelmente escura e tempestuosa. Durante a detenção, porém, cada um começa a sofrer horrendos acidentes. Agora, o grupo de alunos riquinhos e mimados vão ter que se virar para sobreviverem a um festival de reviravoltas frenéticas em sua detenção, e o dinheiro do papai não pode salvá-los das consequências de seus atos.

Esse filme é uma adaptação da HQ cult de mesmo nome, que claramente foi inspirada no clássico Clube dos Cinco. Nesses dois filmes, jovens ficam presos na detenção, mas Bad Kids Go to Hell apresenta um cenário de terror, com direito a mortes, reviravoltas e jovens mimados recebendo exatamente o que merecem. Pode parecer empolgante, mas, na verdade, não é. A ideia é interessante, porque assistir jovens morrendo por causa de seus próprios atos nunca é entediante, mas a execução do filme é falha. Antes de me aprofundar nos pontos positivos e negativos, já adianto que nunca li a HQ, então não será possíveis fazer comparações entre as duas mídias.

Como já adiantei, todos os personagens são antipáticos. E, diferente do clássico dos anos 80, não passamos vê-los com uma nova perspectiva conforme o enredo vai avançando. Eles começam chatos e superficiais e terminam do mesmo modo, por isso não há qualquer expectativa em torno do perigo que os cerca. Tentando manter uma linha narrativa fora do clichê, a história tornou seus personagens ainda mais insuportáveis. Os flashbacks - que poderiam mostrar algo interessante - optam por vilanizar os protagonistas, tornando impossível a simpatia por eles.

Os efeitos visuais são péssimos e o diretor insiste em usá-los em diversas cenas. E o pior de tudo é que metade delas são completamente desnecessárias. Há vários momentos em que baratas computadorizadas aparecem em cena e elas são tão falsas que nem os personagens parecem se importar muito (e não há qualquer finalidade especifica para introduzi-las). Tomadas mostrando o lado de fora do prédio - com uma falsa chuva feita por computador - também são dispensáveis. Por fim, não posso deixar de mencionar os momentos em que o diretor tenta criar uma atmosfera mais sobrenatural, tentando atingir um nível que o orçamento claramente não conseguiu cobrir.

A única coisa que salva é o desfecho, que é carregado com diversas reviravoltas intensas. A primeira cena do filme é justamente o final, porém, o roteiro se encarrega de distorcer tudo o que o espectador pensa ter visto, apresentando uma nova versão para os acontecimentos. Apesar de ser interessante, não consegue se manter acima da média. É realmente uma pena, porque o enredo tinha um ótimo potencial, que foi completamente desperdiçado por uma direção fraca e um desenvolvimento equivocado.


Trailer:

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