segunda-feira, 18 de março de 2013

[EA] Eliminação #3

Atrasados, mas aqui estamos, lindos como sempre e mais cruel que antigamente, HAHAHA! Aliás, hoje é um dia especial, porque é a primeira vez desde a estreia da segunda fase do EA que teremos uma batalha na Morte Súbita. Nas duas semanas anteriores os candidatos desistiram, então, creio que só agora é que a competição ta começando de verdade.

O tema da semana foi escolhido pelo autor Luiz Lamenha, a Bitch que faz Reviews de Pretty Little Liars. Será que nossos participantes vão se sair bem trabalhando com Drama? Vamos descobrir agora.


Participante: Diogo Ferreira
Tema: Drama Familiar.

                William nasceu numa família rica, mas logo cedo descobriu que na vida existem problemas maiores que o dinheiro.

                Ainda bem novo, se tornou muito apegado à mãe. Não que tivesse tido escolha: o pai estava sempre fora e quase sempre ausente. Não sabia o que ele fazia, nem porque é que tanto viajava.  Sempre o perguntava, mas ele nunca respondia. Talvez ele se esforçasse a seu próprio modo, mas William achava que ele não o entendia: quando voltava para casa, sempre trazia qualquer coisa de presente, enquanto ele ficaria mais satisfeito com uma estória.

                Tinha de tudo: carrinhos de brinquedo, bolas autografadas, guitarra em miniatura... Mas o que mais gostava mesmo era um presente que ganhara da mãe, ainda muito novo.

                - Willy, Willy! Venha ver o que a mamãe trouxe pra você!

                O garoto desceu as escadas correndo.

                - Veja! – Ele suspendeu sobre o ar um cordão dourado. Tinha a forma de um coração.

                - Que bonito, mamãe!

                - E vai ficar ainda mais bonito! Veja só! – Ela tomou o coração nas mãos e, de repente, ele se abriu em dois. Dentro de uma das metades tinha um foto dele, ainda bebê. Na outra tinha um foto dela sorrindo. O garoto achou aquilo mágico.

                - Uau! Tem nós dois dentro do coração, mamãe! – Estendeu a mão para pegá-lo.

                - Tem sim, Willy! Eu também tenho um, está vendo? – Entrou o presente a ele e suspendeu um cordão que usava no pescoço. Era igual. Tomou-o nas mãos e abriu-o também. Lá dentro estavam as mesmas fotos de novo. – São como os nossos corações. Uma representação deles.

                - Uma representação?

                - Sim! Quer dizer que tem amor igualzinho aos nossos corações. Você viu uma foto sua, dentro dele?

            O menino anuiu com a cabeça.

– É porque a mamãe te ama e te guarda dentro do coração dela. Esse coração é como o que a gente tem aqui dentro – apontou para o peito dele - só que fica do lado de fora. – Colocou o cordão no pescoço do menino – Está vendo?

                - Estou sim! É muito legal, mamãe! É meu Coração Dourado!

                - Isso! É seu Coração Dourado! Guarde-o sempre com você, está bem?

                ----------x--------

- Afonso, está tudo pronto pra hoje?

William raramente ouvia a mãe usar o telefone, mas naquele dia algo diferente devia estar acontecendo. Ela passou o dia inteiro agitada, recendo ligações e fazendo chamadas.

- Não! Não! Tem de ser hoje, está me ouvindo? Não aguento mais viver desse jeito! Preciso sair daqui hoje! Preciso tirar o meu filho daqui!

(...)

- Perfeito! Sairemos às oito então!

  Ouviu o clique do telefone sendo desligado e os passos dela subindo a escada.

- Querido, ainda está acordado? – William se remecheu na cama, esfregando os olhos.

- Unh?

Acariciou o rosto dele.

- Hoje a gente precisa pra outro lugar.

- Outro lugar? A gente vai viajar, como o papai?

- Não, não, querido! Nada como o seu pai! A gente vai pra um outro lugar, está bem? Um lugar bom para nós dois. Está bem?

O menino não entendeu bem, mas anuiu com a cabeça.

- Só quero que esteja pronto quando eu te chamar mais tarde. Agora pode voltar a dormir. Quando chegar a hora eu volto. Tudo bem?

Ele fechou os olhos de novo, enquanto a mãe lhe dava um beijo tenro sobre o rosto.
 
---------------x---------------

Ele acordou com um barulho alto. Um grito. Levantou-se e correu até a sala.

Sua mãe estava lá, estirada sobre o chão. Ao lado dela estavam duas malas de viagem e sobre o carpete escorria sangue vermelho.

- Mamãe, mamãe!

 Enquanto se ajoelhava ao lado dela, viu de relance alguns homens vestidos de preto, que deixavam a sala apressados.

- Acorde, mamãe! – ele gritava mas ela não se mexia. Colocou a mão sobre o seu Coração Dourado, procurando algum conforto invisível. Então estendeu a mão para tocar o rosto dela e percebeu que o colar dela não estava ali.

Caiu em prantos.

 ---------x------------

                Não sabia quanto tempo tinha ficado ali, deitado ao lado dela. Mas suas lágrimas já tinham secado e já era bem tarde. Ouviu o barulho da chave girando na porta.

                - William? Mas o que?! – O pai deixou o embrulho de presente cair no chão e se pôs ao lado do corpo também. – O que é que aconteceu aqui William?

                O menino correu e abraçou o pai.

                - Eu... Eu não sei, pai! – Começou a soluçar de novo e sua voz se tornou um lamento – Eu vi... Alguns homens... Mamãe e...

                - Acalme-se rapaz – o pai parecia bem calmo, como sempre estava. Localizou o buraco da bala com um olhar frio e voltou-se mais uma vez para o menino. Ainda não parecia alterado quando colocou a mão sobre o ombro dele. – Ela se foi, mas você continua aqui. E você tem de ser forte, meu filho.

                William olhou para o rosto do pai por um instante. Viu que ele tinha na mão o Coração Dourada da mãe.

- Seja forte, William. Seja forte como o seu pai. Não há tempo para luto na máfia.

Opiniões:

Nefferson:
Os mentores dos candidatos que estiverem na Morte Súbita permanecerão com a opinião nula.

Ricardo: 
Sabia que esse tema iria complicar sua vida, Diogo. Você é um ótimo escritor, mas infelizmente não serve pra escrever Drama. Espero que os outros autores levem isso em consideração na hora de votar, porque não quero ver você saindo sem mostrar do que é capaz.

Luiz: 
Bom Diogo, achei seu conto fraco. Poderia ter explorado bem mais os personagens, a princípio pensei que você iria acrescentar um complexo de Édipo entre mãe e filho, mas as coisas ocorreram tão rápido que eu fiquei imaginando desfechos alternativos pra história.
João: Teve algo no seu texto que não me desceu. Não me entenda mal, você escreve bem e é por isso que passou pra Segunda Fase, mas eu achei seu conto simples demais pra você. Nem parece o garoto que nos apresentou o conto "Até que os Mortos se Levantem", que por acaso, eu aplaudo de pé. Acho que foi tudo culpa do tema, porque obviamente drama familiar não é pra você.

Participante: Marco Vinícius
Tema: Drama Familiar.

Ponto de Conforto

Prólogo 
Érico Guerreiro afogou-se em bebida a noite inteira. Os olhos atentos ao céu escuro e cheio de pequenos pontos brilhantes. Em algum momento, um sorriso bobo se abriu em seu rosto. Seus músculos ficaram contraídos ao extremo, retesados. O sorriso involuntário escondia sua dor. Uma dor sufocante, que lhe arrancava lágrimas diariamente, sempre antes de dormir. Declarou-se ateu depois do acidente de sua mulher, Jaciara. Mulher forte, persistente e sonhadora.

Jaciara nunca se interessou no dinheiro de Érico, veio de uma família pobre que vendia os peixes frescos perto do porto. Quando se casaram, ela nunca sequer revelou-lhe uma aspiração ou pediu por algo, continuou trabalhando com seus pais e conquistando seu dinheiro. É verdade que Érico sempre mandava cinco ou oito clientes até lá para comprar os peixes e dar-lhe uma alta quantia como pagamento. Nas primeiras vezes, os pais de Jaci sempre arregalavam os olhos e abriam um sorriso satisfeito. Em seguida, desarmavam a barraca e iam pra casa contando o dinheiro junto com sua filha. Mas depois, Jaci acabou percebendo o truque e fez Érico jurar que nunca mais faria isso.

E ele nunca fez isso. Nunca cumpriu sua promessa. De um jeito ou de outro, Érico queria ajudar-lhe. E um capricho do destino arrancou Jaci dos braços super protetores de Érico numa guinada cretina de sua vida, deixando seu precioso mundo de cabeça para baixo. Infelizmente, Érico não poderia culpar ninguém. Não poderia culpar o mecânico de seu carro, por não identificar o problema com o freio, pois não havia nenhum problema com o freio. Não poderia culpar o gato que apareceu no meio da ponte, pois o pobre do gato acabou morto afogado de qualquer maneira. Não poderia culpar um ser que ele achava ser inexistente por que... Bom, porque ele era inexistente. Mas havia um ser que ele poderia culpar com toda convicção e certeza de que não estava fazendo uma falsa acusação.

E esse ser era ele mesmo.

Ele não estava com ela no momento da queda, ele a deixou morrer sozinha, bebendo água e sentindo-se incapaz de respirar — morte por afogamento é um dos piores destinos de qualquer ser humano.

Érico então tentou se afogar, tentou tirar a própria vida para encontrar seu amor do outro lado. Mas não conseguiu, a sensação agonizante de tentar encontrar oxigênio e não conseguir deixou-lhe num estado de completo pânico. Depois dessa tentativa falha, ele desfaleceu. Ele provou das mesmas sensações que sua mulher provou antes de morrer por insuficiência respiratória. Ele soube o que a mulher que ele amou, sentiu. Todo pânico, dor, agonia, desespero e até mesmo a esperança de sobreviver. E o último citado talvez seja o pior deles... Esperança.

Algo que fode completamente com sua vida. Esperança cria expectativas, expectativas criam sonhos, e sonhos criam desastre e decepção.

Mas uma lição Érico aprendeu de tudo isso: gatos trazem má sorte, fim. Agora, ele tinha completa e total aversão a gatos e a quaisquer felinos que fossem. Era capaz de jogar pedra em qualquer gato vagabundo que visse na rua. Quando leu o conto de Edgar Allan Poe, “Black Cat” torceu fervorosamente para que o antagonista torcesse o pescoço daquele gato miserável. Começou a ver Tom e Jerry para ver Tom sofrer e que pudesse rir de prazer.

Naquela noite, enquanto lia um livro qualquer, sentiu-se sozinho na enorme sala de estar de seu falecido pai. Onde morava somente ele e a sua empregada, Zezé. E naquela noite, Zezé lhe pediu para ir visitar alguns parentes na cidade vizinha. Resolveu ir para um bar próximo e se afogar em álcool. E ele tomou essa decisão cinco horas atrás, e ainda está cumprindo-a. Tomou outro copo de vodca goela abaixo e piscou os olhos tentando recuperar o foco da visão.

Encarou a lua e sorriu para sua beleza e fulgor prateado. Quando começou a amanhecer, o dono do bar praticamente o chutou de lá com indiretas sutis. Depois de algumas ameaças descomedidas, Érico entrou no seu carro. Tomou o caminho de terra até sua casa, que era nos limites da cidade, mas desistiu. Não queria voltar para aquela imensidão isolada. Queria algum lugar diferente. Ele deu contornou em algum ponto e dirigiu em direção à cabana.

A estrada estava vazia, somente a névoa pairando sobre o solo e espiralando sinuosamente. Ele acelerava sem prestar a devida atenção ao velocímetro. Mas em algum ponto, percebeu que estava indo rápido demais. Ao invés de reduzir a velocidade, ele pisou ainda mais fundo. E então a ponte se aproximou. Parecia estar lhe desafiando, como uma velha inimiga lhe chamando para brigar.

Érico pisou o pé ainda mais fundo e semicerrou os olhos. E foi nesse momento que a névoa se afastou revelando uma silhueta pequena e esbelta em meio à opacidade da bruma dançante.

Ele pisou repentinamente no freio se lançando contra o volante e batendo a cabeça no painel. O air-bag foi acionado e lhe empurrou contra o banco. Os pneus cantaram no asfalto e o carro parou de lado balançando. Depois de alguns segundos, imóvel e incapaz de se mover, Érico resolveu tomar uma atitude.

Abriu a porta do carro e cambaleou para fora, grogue e desorientado. A silhueta na névoa estava se aproximando cada vez mais até que as luzes dos faróis lhe iluminaram. Era uma garotinha. De aproximadamente cinco anos. Parecia mais com um anjo. Tinha cabelo curto e encaracolado, caindo como molas e emoldurando o rosto. Olhos de um azul profundo e hipnotizantes. O lábio inferior formando uma curvatura bem feita. Pele clara e quase translúcida. Havia lágrimas escorrendo de seus belos e enormes olhos azulados.

Sem saber o que falar, Érico somente tentou se endireitar e não parecer um maluco.

— Hm... Ahn... Ér... Você está bem?  — questiona ele tentando se esticar.

O álcool lhe deixava um pouco moroso e desnorteado.

A garotinha assentiu lentamente e recuou alguns passos, estava prestes a se virar e disparar quando Érico lhe interrompeu.

— Espere... Espere. Qual seu nome, queridinha?

— Meu nome... Meu nome é Beatriz, mas elas me chamavam de Bia.

— Tá, certo. Elas quem?

— As freiras do meu orfanato.

Érico passou a mão pelo cabelo e mancou até ela. Ele sentiu que cada átomo do corpo da garota parecia dizer-lhe para que ela se afastasse, mas ela permaneceu firme e irredutível. O rosto uma máscara indefinida. Para uma criança, ela sabia quem disfarçar suas emoções.

 — E você fugiu de lá?

— Não.

— Então como você veio parar aqui?

— Fugi da casa dos meus pais adotivos.

— E por que você fez isso, querida?

Uma lágrima desceu pelo rosto angelical da garota. E isso foi como se o coração de Érico fosse partido em milhões de estilhaços. Ele interrompeu a lágrima com o dedo indicador. Ela virou o rosto, tentando desviar o olhar. Com a mão no seu queixo, Érico virou-a e encarou. Não de modo ameaçador, mas de modo complacente. De modo paterno.

— Pode me contar. — afirmou ele puxando-a para mais próximo de si.

Surpreendentemente, ela fechou seus bracinhos curtos em volta de sua cintura e começou a choramingar.

— Por que o jardineiro fazia coisas más comigo.

— Que coisas más? — questionou Érico, e quando soube a resposta tardiamente, arrependeu-se com todas as fibras de seu ser de ter feito essa pergunta.

— Ele disse que era segredo. — afirma ela limpando as lágrimas com o ombro. A voz embargada.

— Mas pode me contar, eu guardo segredo também. Shhh... — brinca Érico colocando o dedo indicador sobre os lábios.

— Ele me levava até a caverna, tirava a roupa, deitava na cama e me pedia para se sentar no meu colo e começar a cantarolar, mesmo que doesse, por que se eu agüentasse por mais de uma hora, ele ia me dar uma bala e ler uma história para mim. — sussurrou afastando-se em seguida.

Érico ficou boquiaberto e entorpecido por alguns segundos recebendo o peso insustentável daquela informação. Sem pestanejar, Érico colocou a garotinha no colo e começou a andar em direção ao carro sussurrando-lhe as seguintes palavras:

— Tudo vai ficar bem, eu prometo. Confie em mim, Bia. 

Enredo 
Um ano se passou desde aquele evento em que Érico encontrou Beatriz. E a partir daquele dia, a vida dos dois nunca mais foi a mesma. Érico denunciou o jardineiro que praticou aquelas barbaridades com a garota e com argumentos criveis e um pouco de ajuda da herança do bom velinho — e falecido pai — ele conseguiu convencer os pais adotivos da garota e lhe transferir os documentos devidos para a posse da criança.

 E desde então, Érico nunca precisou ir num bar fétido e beber para se sentir bem. Bastava sentar-se ao lado de Bia e ler alguma história. Dar-lhe um beijo na bochecha e desligar a luz encarando seu peito inflar e desinflar. Era reconfortante, dar carinho aquela pequena criaturinha e receber carinho. Todo o amor que ele poderia ter oferecido a sua filha com Jaciara, ele agora oferecia a Bianca.

Naquela noite, ele se lembra de ter ficado seriamente preocupado com ela.  Enquanto lia com ela, ela pediu para que ele diminuísse o ar-condicionado. Ele fez o que ela pediu. E ela continuou pedindo, até que ele achou melhor desligar. Mesmo depois disso, a garota continuou tremendo e tendo calafrios. Quando pôs a mão na lateral do rosto dela, recuou. A pele da garota parecia estar em chamas.

— Oh, amor. Você está com febre.

— Pai, faz parar. Minha pele tá coçando.

Ela estava coçando seu braço freneticamente sobre o pano e ele estranhou. Quando puxou a manga do pijama, encontrou feridas avermelhadas manchando a pele.  Ele arregalou os olhos e deslizou o dedo indicador superficialmente sobre as feridas.

— Tenho que te levar pro hospital. — murmurou para si mesmo pegando um casaco para ela no armário e agasalhando-a.

Em seguida, a pegou em seus braços e saiu da casa sem deixar nenhum bilhete para Zezé. Entrou no carro e dirigiu até o melhor e mais sofisticado hospital da cidade, onde ela poderia ser bem tratada.

Érico sentou-se na sala de espera e aguardou por notícias. Ele viu uma mulher do outro lado da sala de espera com um terço de madeira nas mãos. Seus lábios se moviam, mas nenhuma palavra era proferida. A mulher tinha o cabelo enegrecido e liso, as madeixas delineando o rosto. Os seus olhos estavam fechados. A pele era morena avermelhada. Era um pouco parecida com Jaciara, somente um pouco mais baixa. Ele isolou esse pensamento e desviou o olhar os quando ela disse um sonoro “Amém” em voz alta.

 Érico revirou os olhos e teve vontade de rir, mas conseguiu se segurar. Nesse exato momento, uma enfermeira chegou e lhe acompanhou até o quarto onde Bia estava.

A garota estava deitada na maca de hospital com o cabelo criando um leque no travesseiro. Os olhos arregalados encarando o teto e com um ursinho de pelúcia nos braços. O sorriso involuntário estampado no rosto.

— Olá, meu amor! — cumprimentou ele abrindo os braços.

Ela libertou o ursinho do seu abraço inescapável e abriu um sorriso enorme e convidativo ao qual Érico não resistiu. Ele correu até ela e lhe deu um abraço forte. Os dois ficaram ali colados por alguns segundos, emanando emoções a flor da pele por tempo o bastante para que o médico pigarrear-se incomodado com tal situação. Érico ficou ali por mais alguns segundos até que a libertou do seu abraço esmagador. Em seguida, sentou-se com ela na maca.

O médico respirou fundo e encarou Érico como se estivesse prestes a lhe dar uma má notícia. Ao pensar isso, o coração de Érico pesou em seu coração. Ele prendeu a respiração e sentiu falta de algo em que pudesse se apoiar, algo em que pudesse buscar qualquer tipo de apoio.

— Sua filha está com leucemia linfóide aguda, Érico.

Depois dessa notícia, Érico ficou sem chão. Sem qualquer resguardo no qual ele pudesse se isolar. Ele trocou olhares silenciosos, mas significativos com sua filha. E ela lhe abraçou.

— Obrigado por claramente usar eufemismos. — reclamou Érico lhe encarando com sangue nos olhos.

Depois de um longo processo de uso de quimioterapia e radioterapia, Bia lhe implorou para que o tratamento fosse encerrado e que Deus pudesse cumprir seu objetivo na vida dela. Se ela devesse morrer, ela deveria. Isso foi um desafio para Érico, foi devastador, foi horrível. Quebrou seu coração em milhões de pedaços, mas ele teve que fazer. Teve que ceder para sua filha. Sua única filha.

No leito de morte da garota, ele serviu como sua eutanásia. Se ele não poderia ter um porto seguro, ele seria o dela. E naquelas últimas horas, ele sentiu-se completamente sem chão.

Mesmo sem seu lindo e brilhante cabelo encaracolado, Bia continuava a mesma de sempre. Linda, deslumbrante. Érico estava deitado na maca, com Bia se apoiando em seu peitoral.

A luz da lua invadia o quarto e iluminava o chão marmóreo. A lua cheia lembrou a Bia o dia em que ela foi encontrada vagando sozinha na estrada, sem ter aonde ir. E logo, lembrou-a do dia em que sua vida sofreu a guinada que marcou para sempre sua existência.

— Foi numa noite como essa que eu te encontrei. — lembrou ele.

Ela sorriu.

— Você lembrou também.

— Sim, lembrei. Como eu poderia esquecer? Foi nesse dia que eu conheci o Meu Anjo, a minha garotinha. Bia, você foi a luz no fim do túnel para mim. Eu estava desolado, completamente. E quando eu te conheci, um buraco no meu peito foi preenchido.

Ela tossiu e se contorceu nos seus braços.

— Me abrace. — pede.

Érico fechou seus braços em torno dela e encostou sua cabeça na dela. Depois de alguns segundos de completo silêncio, somente observando a lua, finalmente Bia quebrou aquele silêncio insuportável.

— Sabe, Érico... Cof cof... Você teria sido um bom pai. Assim como foi para mim. Eu nunca irei me esquecer de você, meu salvador, aquele que me estendeu a mãe. Eu te amo muito. — confessou ela. A voz fraca e aguda.

Érico abriu um sorriso satisfeito enquanto uma lágrima salgada umedecia seus lábios.

— Eu também te amo.

Não houve resposta.
 
Érico sentou-se na maca e tentou animar Bia. Quando percebeu que os olhos dela estava fechados — para sempre —, ele soltou um grito gutural e agonizante, que ecoou pelos corredores vazios daquele hospital.

Epílogo 
Depois de uma noite turbulenta e de chorar sua vida para fora, Érico entrou na banheira de seu quarto e posicionou seu canivete lateralmente no seu pulso. Prendeu a respiração e num impulso, pensou em enfiar a lâmina. Mas algo dentro do seu ser afirmou que ele não conseguiria fazer isso.

Então, algo lhe passou pela cabeça. Sem pestanejar, ele deixou seus músculos relaxaram e ficou submerso na água. Dessa vez não foi agonizante, não lhe provocou pânico. Mas sim, paz. O oxigênio que lhe fora tão preciso, agora não era nada comparado a vontade de vê-las.

E quando finalmente ele conseguiu o que queria, se viu levantando-se da banheira e encarando suas mulheres a sua frentes. Ambas lhe abriram um sorriso, entreolharam-se e estenderam sua mão.
Opiniões:

Nefferson: Os mentores dos candidatos que estiverem na Morte Súbita permanecerão com a opinião nula.

Ricardo: Estou sem palavras pro que acabei de ler. Marco, você é muito talentoso, com certeza vai longe. Acho até que essa Morte Súbita já foi definida, né produção?

Luiz: Vinícius, gostei do seu conto. A princípio achei que você fosse fugir do tema proposto, mas aos poucos foi entrando nele e criou um ótimo drama com um desfecho emocionante. Gostei muito da sua história, parabéns.

João: Marco, seu conto partiu meu coração em mil pedaços. Não pensei que uma história sobre Leucemia pudesse me deixar tão emocionado agora que se tornou um drama quase universal, mas deixou. Sim, você emocionou o Hitler da competição, pode se achar por isso, mas não muito, Haha. Parabéns!

Mateus: Chegou a hora do veredicto. Quem sai, quem fica? São os juízes que decidem. Não se esqueçam que eles vão votar para eliminar e não para permanência.

Ricardo: Quando vi o resultado da votação pensei que seria difícil eliminar um dos dois, mas aqui estamos, votando sem pensar duas vezes. Diogo, você e o Marco são meus preferidos na competição e eu já disse isso pra quem quisesse ouvir. Mas precisamos ser honestos, ele apresentou um texto melhor estruturado que o seu. Por isso eu elimino você.

Luiz: Bom, não foi difícil escolher o melhor entre os dois contos. Por ter feito um drama sutil e comovente, acho que o Vinícius ganhou a MS dessa semana. O Diogo tinha tudo pra fazer uma história boa, mas deixou muito a desejar. Então, eu elimino o Diogo.

João: Vou ser muito sincero com você, Diogo. O que você preparou nem chegou aos pés do drama do Marco. Como já foi dito, você não tem intimidade com o Drama e isso acabou lhe prejudicando. Então é você quem eu elimino. Foi mal Diogo, tudo de bom pra você.

Nefferson: Não há dúvidas de que ambos são excelente autores. Mas nessa batalha dramática, o Marco foi aquele que mais se destacou. Não me leve a mal, Diogo. Seu texto foi ótimo, mas infelizmente um de vocês têm que sair, e eu voto em você.

Mateus: Dioguito, você recebeu quatro votos então está oficialmente eliminado do Escritor Alternativo. Sinta-se a vontade para postar quaisquer considerações nos comentários deste post. Mas vou logo dizendo, foi um enorme prazer ter você ao nosso lado.

E aí geit, curtiram o EA de hoje? Eu achei super lindo. Daqui a pouco vou postar o link da votação, então fiquem ligados.

Bêj.

PS: Mais tarde tem a surpresa da semana.

Agora o Marco ta igual a B on C,
sambando na cara do recalque:


       



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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Ótimo texto Marco! Torço agora por vc. Diogo, esperava mais poxa!

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  2. Diogo, não importa se você foi eliminado, procure algum blog ou site pra divulgar o seu conto "Até que os mortos se levantem", e depois nos passe, porque eu quero muito ler aquela história.

    Ótimo, realmente foi muito justo a eliminação do Diogo, e até que enfim um embate entre os competidores, confesso que estava esperando outra vez algum desistir, mas não foi o que aconteceu. Ótimo conto Marco, ótimo mesmo.

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