domingo, 17 de fevereiro de 2013

[EA] Sussurros (De Ana Beatriz Moreira)

Boa noite. Noite que evoca o som, som do amor, som de palmas e som da vitória. Som do peixe, peixe campeão. Peixe - bola. Bola - trave. Trave - ovo. Ovo - galinha. Galinha do amor que vem e vai, Como se te vais, Como se te fois.

Está começando mais um dia de repescagem quentíssimo pra nossa competição. E dessa vez temos uma garota concorrendo. Mas não qualquer garota, ela é a única da competição, que precisa arrasar e mostrar que o sexo feminino não é o sexo frágil. Vamos ler então?

João, é com você.

Anna Beatriz Moreira da Silva Maciel, tem 12 aninhos (novinha na parada) e mora em Retirolândia/BA,  onde de acordo com ela, Sereias como Íris Valverde cantam. Pra quem não sabe, ela é irmã de um concorrente que foi aprovado, Mateus Antony e descobriu o concurso através dele.

João Lindley: Então, Ana, essa é sua primeira história ou você já escreveu outras coisas antes?
- Oficialmente, é minha primeira história. Escrevi alguns contos que não passavam de duas páginas. Eu comecei a escrever por que meu irmão o fazia, e eu queria ter a mesma sensação que ele tinha. Então, comecei a ler alguns livros, como Deslembrança, da fofa Cat Patrick e comecei a observar como ela escrevia, quais suas técnicas, e tentei aplicar. Depois de algum tempo, comecei a me interessar pelas obras de Meg Cabot e Sarah Shepard. Quando li alguns trechos da saga Pretty Little Liars, eu gostei. Achei interessante. Quando vi o último episódio da 2ª temporada... Fiquei completamente broxada com aquilo. Sério que Mona? Aff, o fim da picada. Pensei pacas sobre isso e comecei a inventar um novo final pra 2ª temporada. E logo surgiu a ideia do Círculo. Que é o título da provável saga que planejo escrever — todos têm sonhos, morram. Que é bem semelhante em alguns traços de Pretty Little Liars, e um pouco mais agitado. Não sei se os jurados irão gostar, mas espero que analisem com os olhos de garotinhas espinhentas e desoladas em busca de um livrinho que deixe sua tarde mais divertida, ai sim posso conseguir o sinal verde. Kkkkkk.

João Lindley: Você sabe que como única mulher na competição tem que fazer bonito, né? Hahaha!
- Pra fazer a coisa bonita basta ser eu, que tudo ficar mais belo, rosa e cheio de arco-íris. KKKKKKKK Lógico que irei honrar meu sexo feminino. Sexo frágil é a merda, devo avisar. Mas se os jurados quiserem ser verdadeiros cavalheiros do século XIX, fiquem a vontade, por favor u.u

João Lindley: Agora me diz, por que você gostaria de ser a grande vencedora?
- Eu ainda não pensei nisso. Uma coisa de cada vez. Mas acho que é principalmente para passar pelo teste dos jurados e saber se eu devo persistir nessa coisa de escrita.

João Lindley: Ok Bia, - apelido carinhoso - Boa sorte.

Sussurros
 
Sinopse:
Sempre existe aquele tipo de garota esnobe e egocêntrica, com longos cabelos loiros, corpo escultural e o mais importante, grandes e hipnotizantes olhos azuis. E em Summerfell não era diferente. Melanie Weatherbbie era desse tipo de garota, uma costumeira Queen Bee, se assim preferirem chamá-la. Ah, mas ela não se formou e se casou com um homem rico que a sustentou pelo resto de sua vida. Não... Foi diferente. Ela desapareceu misteriosamente numa festa de halloween há dois anos e sua irmã, Ashley, foi a última a vê-la e não se lembra de nada daquela noite. Paralelamente, Cornélia Sisley, filha do diretor do colégio High School Royalty desaparece também. Será que esses dois fatos estão conectados? Hm, eu sei a resposta. Mas não posso contar! Esse é um segredo que terei de guardar. E ninguém melhor sabe guardar segredos do que essas cinco garotas — Abbie, Alana, Amanda, Ashley e Vanessa — Elas eram parte de um Grupo Secreto que tinha a cidade na palma de sua mão, usando os segredos mais escabrosos que você possa imaginar contra seus possuidores. Enganando-os, chantageando-os. Mas quando Melanie morreu, o grupo se dividiu e Ashley acabou sobrando. Ashley aka a traidora. Mas quando um indivíduo anônimo conhecido como “Olhos Azuis” brota do inferno conhecendo todos seus segredos e usando-os contra elas, as garotas provam de seu próprio veneno, e odeiam isso.


1
Abbie Bermanelli 
O silêncio da noite tomava conta da Runways of the Flawless. Todas as luzes das casas estavam apagadas, menos de uma, a dos Bermanelli, em frente à dos Weatherbbie e ao lado da mansão dos Malccovich. No seu quarto, Abbie se debruçava sobre o livro que estava lendo ultimamente, A Cor Púrpura de Alice Walker. Um dos romances sugeridos por seu colégio, o High School Royalty. Abbie simplesmente não conseguia se concentrar nas páginas do romance, conectar as letras e formar palavras. Sua mente flutuava sobre as nuvens, alternando entre o sumiço de Cornélia Sisley e de Melanie Weatherbbie.

O desaparecimento de Cornélia não teve tanta repercussão. Porém, o sumiço da Rainha de Summerfell abalou a pequena cidade e as cidades contíguas. Melanie estava no topo da cadeia alimentar, ela mandava e aqueles que estavam nos primeiros degraus da escada obedeciam como cachorrinhos. As coisas são assim... Ou costumavam ser, alguns anos atrás.

Summerfell é uma cidadezinha insulada no Condado de Los Angeles, Califórnia. Perfeita e tranquila, com moradores podres de ricos e incompreensíveis. Os olhos de Abbie olharam teimosamente pela janela de seu quarto até o quarto de Melanie, vizinho ao de Ashley. Ela suspirou, confessava para si mesma que sentia saudades daquela época. Quando todas andavam juntas, lado ao lado no corredor do colégio, que parecia amplo demais, espaçoso demais. Agora parecia pequeno e inóspito, perdera o glamour.

Agora, o grupo separou-se. Ainda existe uma aliança entre Alana, Amanda, Vanessa e ela. Mais são laços superficiais, que podem ser quebrados facilmente. Ninguém nesse grupo confia totalmente no outro. O Círculo era sim um grupo unido, com as mesmas pessoas, mas com uma Rainha diferente. E claro, falta uma integrante...

Ashley antes tão popular, andava agora somente com uma tal de Kate Sparks, uma ninguém no colégio e na cidade. Até onde sabia o pai de Kate era dono de uma pequena loja de doces Dale Candy Bar, vizinha ao White Castle, um restaurante famoso em Summerfell, o favorito de sua mãe e seu pai.

Mas isso não vinha ao caso.

Balançando sua cabeça negativamente, ela se voltou para o livro e tentou conectar as palavras, mas nada fazia sentido em sua cabeça. Os flashes daquela noite fatídica de Halloween voltavam a atormentá-la, a garota gemeu e sentiu uma lágrima quente escorrer sobre sua bochecha e cair sobre o livro. Ela fechou o romance e colocou debaixo do travesseiro sentando-se sobre sua cama queen size. Respirou fundo, mantendo o ar por alguns segundos no peito. Pegou seu celular pantech matrix e o abriu verticalmente fazendo a tela se iluminar, ela observou o horário, eram duas horas da manhã.

Precisava dormir, não queria ficar como Donatella Versace depois da sua octogésima aplicação de botox. Ela se levantou e foi até a janela, fechando as persianas. Ela pode perceber um movimento no canto do seu olho. Um vulto, alto e delgado se embrenhando nas sombras do seu jardim. O vulto correu de um arbusto até outro e ficou paralisado nas sombras. Seu coração errou uma batida e se estorvou, ela abriu parcialmente as persianas e observou o gramado em frente a sua casa. Seu olhar minucioso percorreu o jardim detalhadamente. Cada grama, cada folha seca, cada arbusto, cada galho. Nada. Devia ter sido somente sua impressão... Ou não.

Bam! O piso vibrou sobre os pés da garota. Ela olhou para trás assustada e correu até o interruptor, desligando a luz do seu quarto. Sua respiração estava irregular. Tapou a boca esperando abafar o som de sua respiração descompassada. Alguém havia entrado na casa. Seria um ladrão, um assassino? Respirando fundo ela tirou a mão da boca e esperou seu coração diminuir o ritmo maçante e frenético. Abriu a porta com um “nhem” quase inaudível. As luzes da sala de estar e da cozinha estavam desligadas, mas ela podia ouvir sussurros vindos do andar de baixo. Tremendo ela foi até o gradil de madeira da escada e observou os cômodos da casa para tentar captar algum movimento.

Nada. Esperançosa ela desceu a escada cuidadosamente, com medo de quem quer que estivesse ali a escutasse e atacasse. Cada vez que a escada rangia, ela ficava parada com os olhos fechados com força, rezando para Deus — pela primeira vez desde os dez anos —, para que lhe protegesse de todo o mal. Assim que pisou sobre o último de madeira polida, ela se sentiu insegura, estava longe do seu quarto e do quarto de seus pais. Thamisy — sua insuportável irmã mais velha — devia estar dormindo uma hora dessas. Respirando fundo ela andou até a cozinha.

Foi nesse momento que a forma encapuzada entrou no seu campo de visão iluminado pela luz prateada da lua cheia. Ele estava atrás da mesa de mármore, pegando algo da adega de madeira de seu pai, onde ele guardava as bebidas alcoólicas. A única reação que Abbie teve foi gritar, e seu grito foi alto o suficiente para acordar seus pais no andar de cima. A forma encapuzada deixou o objeto cair no chão com um estalo vítreo.

Mesmo assustada Abbie não tomou uma decisão de menininha como imagina que Amanda ou Alana tomariam. Abbie era capaz de matar para se proteger e proteger seus familiares e amigos, o mundo a ensinara a ser individualista, de pensar primeiro na sua sobrevivência e no seu bem estar. Se não fizesse, quem faria? Seus pais só tinham tempo para Thamisy. Para os problemas amorosos de Thamisy.

Pensando nisso ela estendeu-se sobre a mesa de mármore e alcançou o porta facas segunda com força o cabo de madeira da faca de carne.

Tirando a faca de carne ela apontou a sua arma para o invasor com a mão tremendo. O homem a sua frente se virou para trás e correu até a janela, abriu rapidamente e pulou. Ela ficou paralisada encarando-o. Logo os alarmes soaram repercutindo pela rua inteira, os irrigadores ligaram e começaram a rodar, esguichando água no invasor. Abbie respirou fundo e afrouxou os dedos deixando a faca cair no chão com um baque metálico, somente nesse momento ela percebeu que um líquido vermelho chegava até seus pés e manchava a bainha de sua calça de algodão.

Ela tinha certeza que não conseguiria ferir aquele homem. No fundo do seu coração, ela sabia que tinha medo. Mas a adrenalina ainda corria por seu corpo, fazia que seus sentidos funcionassem a mil. Logo ela percebeu uma presença atrás de si. A luz da cozinha foi ligada e quando Abbie olhou pro chão, encontrou uma sombra posicionada atrás dela.

Abbie se virou bruscamente prendendo a respiração e encontrou o rosto de Thamisy a centímetros do seu.

— Sua vagabunda desgraçada! Ele ia dormir aqui em casa... Você tinha que estragar tudo não é? — perguntou Thamisy cuspindo as palavras sobre sua irmã. — Aff, pelo amor de Deus. Apodreça no inferno, vaca.

Abbie continuou imóvel, perplexa. Ela olhou para a janela escancarada e sentiu uma brisa passar por ela. Aos poucos sua mente brilhante foi encaixando os fatos e tirando suas próprias conclusões.

— Peraê, peraê! Quem era aquele? — questionou mesmo que soubesse da resposta.

— Dãa! O Sean, lógico. Íamos dormir juntos.

— Sean? Sean Birk? O seu namorado...

— Sim. Quem você achou que seria? Mais você o espantou, estava tudo dando tão certo! Eu esperei os coroas dormirem, esperei você dormir...

— Eu estava lendo.

— Você sempre estraga tudo! — reclamou a irmã com lágrimas descendo dos olhos. — Você é uma vadia mal-amada e insuportável que não consegue me ver feliz nem por um segundo. Você deveria sentir pena de si mesma, sabia?

— Ah querida, o que eu sinto por mim é amor próprio. Como não me amar? Por favor, confesse.

Abbie riu, mas por dentro estava perplexa. Completamente estupefata que com seu jeito doce, sua irmã tivesse lhe conquistado quando lhe afirmou que não se encontraria mais com Sean Birk.

Sean Birk era um garoto mau caráter com fama de criminoso na cidade por quem Thamisy dizia estar perdidamente apaixonada. Até Abbie compreendia que naquela idade não se podia amar tão perdidamente. Até por que a própria Abbie não sabia direito sobre esse conceito, amor. Os casamentos de Summerfell eram praticamente arranjados como na Era Vitoriana, um tipo de acordo entre as famílias. Assim como os Malccovich estavam prestes a selar uma aliança com os Weatherbbie por meio de Ashley e Dylan.

E Thamisy não estava prometida a ninguém, pois desde os quinze anos ela só tinha olhos pro Sean. Um relacionamento com tantos altos e baixos quanto batimentos cardíacos. Abbie observava a irmã, ela vestia um baby doll dreamgirl charmeuse e estava com suas pantufas. Os olhos dourados ressaltados sobre o delineador e o lápis de olho. A pele branca e lisa, resplandecente como porcelana. As madeixas encaracoladas do cabelo ruivo caindo sobre os ombros.

Thamisy roubara parte da beleza e do poder da irmã mais nova que ainda nem havia nascido, Abbie pensava ser as sobras do que restara de sua família, um resquício da beleza inegável dos Bermanelli.

Abbie é alta e magra, como uma modelo. A cintura fina e os ossos do rosto protuberantes. Olhos dourados como ouro líquido e exalando inteligência e magnetismo. A pele branca e morna, lisa e delicada como a de um bebê. Lábios finos e rosados. Rosto em forma de coração com o cabelo ruivo encaracolado circundando suas feições de querubim. Uma garota linda e emanando de astúcia e charme.

— Hey, o que esta acontecendo aqui? — perguntou Mr. Willow Bermanelli descendo os degraus da escada com os cabelos desgrenhados e marcas de batom no peitoral e ao longo da lateral do pescoço. Provavelmente demoraram tanto por que foram desligar o sistema de segurança para que não acordasse os vizinhos. Abbie tinha certeza que eles não a ouviram gritar... Isso se chama ironia. Caso meus queridos leitores não tenham percebido.

Abbie quis rir, mas segurou a risada.

Leah estava atrás do marido com as mãos repousando sobre os amplos ombros do homem. Os dois encaravam as duas filhas com a perplexidade estampada no rosto. Abbie olhou para o chão e encontrou o vinho pinot noir derramado sobre o chão, envolvendo a faca de carne.

Thamisy encarou Abbie com um olhar maléfico e enigmático, como um puma mirando a jugular da presa antes de atacar de modo certeiro... E fatal.

— Eu estava em meu quarto quando ouvi um baque vindo daqui de baixo, vim até aqui conferir e encontrei Abbie com a garrafa de vinhos nas mãos. Aí do nada, ela pegou uma faca de carne e apontou para mim. Os irrigadores dispararam e a janela estava escancarada, provavelmente algum gato correu pelo gramado. Já sobre a janela, não sei explicar.

— Mentirosa! — acusou Abbie elevando o tom de voz.

— Epa! — interrompeu mediando a situação — Garotas, onde estão seus modos? Abbie, você queria roubar a garrafa de vinho? Sabe que só é pedir, não precisa pegar escondida — explicou Leah.

— Mãe! Ela esta mentindo, é tão difícil de acreditar que ela trouxe Sean pra cá e ele causou toda essa confusão? — pergunta Abbie perplexa apontando para o chão.

Willow tomou a palavra.

— É sim, Misy me prometeu que não iria mais namorar com aquele vagabundo, maltrapilho...

— Pai. Obrigado por confiar em mim — comenta Thamisy (que apelido horroroso) carinhosamente, se colocando ao lado do pai.

— Mãe... — implorou Abbie.

Leah abaixou a cabeça. Sabendo que era sua última chance de mentir para se proteger antes que insistisse na verdade e acabasse se dando mal. Isso pode parecer esquisito, mais na casa dos Bermanelli, Thamisy tinha a voz mais alta e a mais impactante, mesmo nos últimos tempos, quando ficara rebelde. Era sempre Thamisy isso, Thamisy aquilo... Thamisy sempre. Se Abbie insistisse na idéia de que Sean estava ali, iria ter um castigo maior, principalmente por acusar sua irmã. Tinha que inventar uma mentira. E rápido!

— Vocês estavam dormindo, — começou ela, sempre achou que mentira muito mal, muito mesmo — Eu não queria acordar vocês e desci para beber alguma coisa. Bebi um pouco de água e percebi que um vinho estava fora da ordem alfabética, e vocês sabem que eu tenho essa mania... E sério, isso estava me incomodando. Eu arrumei ontem, lembra? Esse fato deve ser saído despercebido. Aí eu fui até a adega e fui ajeitar o vinho, me assustei quando vi Misy —, falou cinicamente encarando a irmã com um sorriso no rosto, enquanto percebia que aquele sorriso grande e luminoso agora se esvaia do rosto da irmã — E deixei a garrafa cair. Sinto muito pai! Peguei a faca com medo, quando percebi o que tinha feito e que o vinho já manchava a bainha de minha calça eu fui até a janela e abri para o cheiro forte do vinho não impregnar os móveis.

Silêncio.

Abbie sentiu um prazer imenso em fitar a irmã boquiaberta, completamente abismada. O seu pai se espreguiçou e sua mãe suspirou.

— Eu sabia que você tinha problemas... — esclareceu Leah fazendo Abbie sorrir discretamente.

Ela não mentia tão mal assim, afinal — era somente uma questão de necessidade. Maliciosamente, Abbie sibilou entre lábios “Foi mal”. Nesse momento bateram a porta, o coração de Abbie saltou, ela definitivamente estava tensa. Leah massageou sua nuca e foi até a porta ajeitando a camisola no caminho. Respirou fundo e abriu a porta.

Christian Malccovich estava à porta junto com sua esposa, a graciosa Sophie Malccovich, aparentemente e fisicamente tão jovem quanto à própria filha, Sarah. Dylan tinha traços do pai, o rosto belo e angelical. Atrás dos Malccovich estavam os Weatherbbie, Lamonier, Fellevac, Fontineli, Portinai, Bonn e Beeson. Praticamente toda a vizinhança da Runways of the Flawless viera socorrer os Bermanelli. Abbie procurou freneticamente por alguma das meninas, mais não as viu em meio a tantos rostos. Pode ver a luz do quarto de Ashley ligada.

O Mr. Malccovich tomou a palavra.

— Nós ouvimos os alarmes e achamos que tinha acontecido alguma coisa. Ficamos preocupados e viemos verificar, o que houve? — o fingimento de preocupação estava estampado em seu rosto de modo óbvio.

Willow se posicionou ao lado de Leah, junto com suas duas filhas atrás de si.

— Não, já nos foi explicado tudo. Foi tudo um mal entendido... Mas é bom saber que quando precisarmos de nossos vizinhos podemos contar com vocês — esclareceu Willow.

— Claro. Vocês não estão precisando de nada mesmo? Ouvi sua garota gritar. — insiste Marcus Weatherbbie.

— Temos certeza sim. Como meu marido falou, foi tudo um mal entendido... — Leah não recuou, continuou firme apoiando seu marido.

Com olhares enigmáticos e julgadores os vizinhos se distanciaram. Os irrigadores deixaram a grama brilhante sobre a luz da lua e as rosas vermelhas fantasmagóricas e sangrentas. Suspirando, Willow fecha a porta e encara suas filhas.

— Vão dormir, sem comentários, por favor.

As garotas se entreolharam e subiram as escadas em compasso, quando chegaram ao primeiro andar cada uma se direcionou para a seu quarto. As portas fecharam-se com um estrondo violento. Abbie foi até sua cama e caiu sobre ela, rindo ao mesmo tempo em que as lágrimas desciam pelo seu rosto. Estava tensa, não sabia o que dizer. Só conseguia pensar na genialidade maléfica da irmã mais velha. Como seus pais falavam, irmãs com tão poucos anos de diferença deveriam ser melhores amigas, mais as duas Bermanelli não se batiam. Como fogo e água, como sal e açúcar, gato e rato, doce e azedo, elogio e crítica, jogadores de futebol e nerds, patricinhas e garotas castas... Enfim. Eram completamente diferentes, no sentido geral.

Enquanto pensava sobre isso o mesmo assunto que pensara mais cedo vinha a sua cabeça. Elas deviam ser como as Weatherbbie são. Ashley e Melanie. Na verdade, como elas eram, já que Melanie continua desaparecida, o que deixa Shelby Weatherbbie, ainda mais paranóica na procura por sua filha, que depois de quase dois anos ainda não deu em nada. Pensou se Leah faria o mesmo por ela.

Xingando ela se deitou sobre a cama socando o travesseiro e encostando sua cabeça sobre ele. Depois de alguns minutos percebeu uma deformação no seu travesseiro, o levantou e avistou o romance. Com raiva pegou o livro e jogou contra sua janela com violência, o vidro ribombou e estalou.

Ainda com medo, Abbie foi até a porta e a trancou, em seguida tirou a chave e colocando em cima de sua mesa de cabeceira. Somente depois de se sentir superficialmente segura conseguiu dormir, sem saber que naquele exatamente estava sendo observada por ninguém mais ninguém menos que seu futuro pior inimigo.

O ser encapuzado se virou e correu pela avenida sobre a luz dos postes até adentrar no bosque se perdendo no breu e correndo para contar para seus comparsas as novidades do dia. Não poderiam esperar para pôr em prática seus mirabolantes planos. Dividir e conquistar, como diria Melanie Weatherbbie... Ou não. Eis a questão.

Cuidado, pode haver Olhos Azuis lhe encarando naquele cantinho escuro do seu quarto imediatamente. E mais cedo ou mais tarde, a verdade virá a torna. E seus enormes e brilhantes olhos azuis estarão aí. Seja para te julgar ou para... Julgar-te mesmo. É só isso que se pode esperar de pessoas possuidoras de olhos como esses.

Possuidoras de Olhos Azuis.

OBS: Não houve edição na postagem deste texto.
 
Nefferson: Excelente texto. Fiquei até surpreso ao saber que foi uma garota de 12 anos que escreveu, porque está bem superior ao que muitas crianças nessa idade poderiam escrever. A única coisa que não me agradou mesmo foi o tema escolhido, mas isso é só um detalhe quando temos uma segunda fase inteira pra ela melhorar. Definitivamente SIM.
 
Ricardo: Até que enfim, uma história que dá um exemplo de originalidade...E Isso se chama ironia. Caso meus queridos leitores não tenham percebido. Gente, foi um bom texto, com poucos erros gramaticais mas com algumas palavras “engolidas” pela autora, só que até aí nada alarmante. Só que assim, adolescentes cheias de segredos que são perseguidas por um grupo de desocupados, já está virando um clichê tão grande quanto vampiros. Até parece que em todo grupo de adolescentes, uma das integrantes desaparece e as outras começam a ser seguidas por outras pessoas que sequer têm um motivo realmente convincente pra fazer o que fazem. Não estou querendo insinuar nada, mas qualquer pessoa que assista Pretty Little Liars, pode ter notado certas semelhanças entre ambas as tramas. E isso me incomodou bastante, porque já que é pra usar essa história, a autora podia ao menos tentar criar outros tipos de personagens, ao invés, de vir com remodelações de personagens que já conhecemos. Mas enfim, deixando minhas considerações de lado, como escritora, ela tem potencial, por isso meu voto vai ser SIM.
 
Luiz: SIM! Quando João me falou que você era a única menina na competição já queria lhe dar sim. Sua história é algo que todos nós já estamos acostumados a ver em PLL, com umas poucas diferenças, mas o que me surpreendeu mesmo foi seu nível de escrita aos 12 anos. Você escreve muito bem e tem grande potencial, além do mais esse tema envolvendo meninas e segredos me atrai muito. Então garota, você já tem minha aprovação. Estou ansioso por mais.
 
João: Como autor de um Livro onde garotas de uma cidade pequena são perseguidas por alguém querendo vingança, não posso criticar o tema escolhido. Mas ainda não entendo essa obsessão das pessoas quererem escrever sua própria versão de Pretty Little Liars quando existem várias outras maneiras de narrar essa história com sua própria personalidade. Vide Pacto Secreto, onde também há um grupo de garotas sendo perseguidas, mas pouca coisa lembra a série de ouro da ABC Family. Bem, apesar disso, é inegável que você tem o dom da escrita e merece o SIM de todos os autores desse Blog. Só queria que você tomasse cuidado ao elaborar personagens. Eles ainda são bastante superficiais, e dizem coisas que realmente apenas uma garota de 12 anos diria. Enfim, meu voto é SIM. Parabéns, e que você consiga melhorar na próxima fase.
 
Mateus: Bia, sua linda, você recebeu 4 Sim's! Já está na próxima fase, então, sinta-se em casa.

Agora é hora da nossa primeira despedida. Mas fiquem ligados porque daqui a pouco tem mais.

Bêj. 

Perseguidaney Spears já está comemorando a vitória:
Apenas sambado na cara do sexo frágil. #ThePowerOfThePussy
 
 
 
 






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Comentários
7 Comentários

Comentário(s)

7 comentários:

  1. parabéns!!!!!! Perseguidaney Spears rsrsrsrsrs

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  2. Representando as mulheres! Ta linda! Tem muito talento, Team Anna. (h)

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  3. Isso sim dá prazer de ler. A menina é muito nova e também muito talentosa! Fiquei surpreso. Eu to em dúvida se torço pro Valdir, pro Lucas Chaves ou pra essa garotas, que são os perceptivelmente mais talentosos. Como vai ser a 2ª fase agora?

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    Respostas
    1. Anony, só vai adiantar que "loucura" define essa segunda fase. Se prepare.

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  4. História muito massa! Eu pensei que só eu no mundo tinha lido Cat Patrick. Só por isso já torço pra ela! KKKKKKKKKKKKKKK

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  5. Adorei a história,quero ler a continuação,vc é muito talentosa Team Anna.Parabéns pelos 4 sim's :D!!

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