quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

[EA] Por que Está Tão Sério, Querido? (De Marcos Vinicius)

Ainda tão aí ou já dormiram? Espero que continuem bem acordados porque essa é nossa ultima avaliação. Sim, a primeira fase termina aqui, e logo nossos aprovados vão estar nas mãos de vocês. É só entrar na página, votar naquele que curtiu e torcer pra ele não ser eliminado.

Mas enfim, vamos deixar isso pra depois. Agora vamos corrê e lê.



Marco Vinicius dos Santos Santana, tem 16 anos e mora em Retirolândia/BA. Sim, é mais um candidato que descobriu nosso concurso por causa do Mateus Antony, haha.

João Lindley: Então Marco, fale um pouco sobre você. O que você gosta, o que te trouxe aqui... Mas não vale mentir Hahaha.
– O que me trouxe a essa competição foi o incentivo de Mateus, que disse que eu deveria dar um tiro pro alto e mandar um dos meus contos. Mas esse conto é novo, foi escrito na madrugada antes do envio. Por isso, peço desculpa por qualquer erro de concordância ou gramatical. Pessoa grogue é pior que Mateus de ressaca, não que esse ser cristão já tenha feito isso. Kkkkkk Bom, se a pergunta se referir a isso, eu diria que gosto de filmes, curto alguns seriados e alguns estilos de música. Sou bem eclético nesse setor. Minha linha de filmes preferidos é o do Batman e O Homem de Ferro. Desde Batman e o Cavaleiro das Trevas até os antigos, feitos por Tim Burton, e o meu favorito dos antigos é Batman o Retorno. Michelle Pfeiffer estavam maravilhosa naquele filme como a mulher gato. Eu tenho um tipo de amor pelo personagem Coringa que beira as raias da idolatria. E Heathcliff Ledger (R.I.P) deu vida majestosamente aquele personagem, Jack Nicholson que me desculpe. A risada, o jeito de andar, o jeito de portar uma arma... Tudo! Sou viciado em HQs da Marvel. Escuto rock, pop, reggae e música gospel. Sou fissurado em The Walking Dead. É tanto que este conto seria sobre zumbis, mas não achei que seria legal amenizar a ideia que tive em poucas linhas, seria insuficiente para passar o que eu queria. Meu sonho é dirigir a Batpod, de preferência com a Mulher Gato na garupa dirigindo em direção ao pôr-do-sol... Ou quiçá Ibiza.

João Lindley: Você está confiante quanto a passar pra próxima fase?
- Estou com um pé atrás. Não conheço muito bem o sistema de análise dos jurados, o que eles olham na história, se dão atenção aos erros mínimos e outros detalhes e por isso, estou incerto sobre meu futuro. Mas tenho fé de que posso conseguir passar para a última fase. Concerteza irei confiar em Deus (desculpe-me Daniel Gaspazinho, não aguentei kkkkkkkkkkk)

João Lindley: KKKKKKKKKKKKKKK. Ok, piadas a parte, o que você pode adiantar pra gente sobre sua história?
- Essa história surgiu num momento de completa insanidade. Eu estava assistindo alguns filmes e percebi que os vilões, normalmente sempre se sobressaem na trama de algum jeito. Claro que existem exceções. Tony Stark é o astro do filme, mas em Batman O Cavaleiro das Trevas, Coringa é o astro. Com seu jeito cínico, risonho e maluco, ele lhe deixa apreensivo esperando pelo seu próximo e brilhante golpe. Mas em nenhum momento, torci para que o Batman ganhasse. Pra mim, Heath vivia o protagonista ali e fim. A frase dele que mais me marcou foi “O que não nos mata, só nos deixa... Estranhos.” Por isso, eu criei o Duque Hilarious, que é um personagem que é o centro da história, ele é cômico, misterioso e no melhor sentido da palavra, maníaco. Eu escrevia cada frase do Duque Hilarious pensando comigo mesmo no Ledger interpretando-o. E se os leitores fizerem o mesmo, afirmo que a leitura será muito mais gostosa.

João Lindley: Ok Marco, vamos ver o que acontece. Mas te desejo boa sorte, e que você honre nossa "Season Finale" Haha.

Por que Está Tão Sério, Querido?
 Prólogo 
 A lua iluminava o céu brilhando intensamente. As estrelas estavam apagadas pro causa da luz dos postes e outros fatores que não favoreciam seu fulgor hipnotizante. O prédio abandonado estava em ruínas, assim como o resto das moradias que foram engolidas pelas chamas do Desastre de 1998 que acometera aquela pequena cidade, o que claramente foi um escândalo. Vinte pessoas morreram queimadas e outras cinco ficaram com queimaduras graves. O fogo foi apagado antes que se alastrasse por todo o quarteirão criando prejuízos alarmantes para a comunidade.


Mas mesmo assim, ali estavam os policias, prestes a entrar no prédio abandonado. Um dos policias deu alguns passos à frente e deu um chute no portão enferrujado que rangeu e caiu com um baque metálico no mármore sujo de fuligem.

Os órgãos ligados aquele patrimônio histórico fizeram um acordo visando à renovação e restauração do prédio. O prédio era protegido por todas as esferas municipais, estaduais e federativas do país. Todavia, lá estava o prédio prestes a ir de encontro ao chão. Outrora fora um lugar de apreciação da cultura brasileira, e neste momento servia do epicentro de outra catástrofe.  

A visão daquele prédio em chamas fora aterrorizante. As faíscas espiralando no ar como dançarinas inoportunas sinalizando o pior. Alguns juravam ter visto um rosto formado na fumaça das chamas, um rosto sorridente. Aqueles cristãos de pé fincados afirmavam que era um presságio, que Deus estava ameaçando aquela terra. Outros diziam que Deus não interviria em negócios humanos tão tarde depois de anos inativo.  E existiam aqueles que riam dessas teorias ridículas, mas lógico que eles não eram a maioria. Esses eram os ateus, que eram crucifixados por aquelas velhas e resmungonas cristãs pentecostais fanáticas.

As paredes estavam carbonizadas e negras, as colunas de madeira estavam retorcidas e enegrecidas. Todos os quadros e mobílias que decoravam as paredes e os cantos foram retirados com a esperança de recuperação, porém várias tapeçarias e quadros foram perdidos. O papel de parede colante agora estava descascado e queimado expondo a parede.

Estava frio ali dentro, as respirações dos policiais formavam massas de fumaça branca no ar. Todos estavam nervosos, tremendo. Caminhavam com cautela, o estômago num nó duvidoso. Sempre que a madeira enegrecida rangia, eles prendiam a respiração e olhavam em volta. Os focos das várias lanternas eram diferentes, mas todas corriam por todo o prédio, iluminando os cadáveres de ratos amontoados num canto. O cheiro de putrefação impregnava o ar.

O capitão — aparentemente era aquele que estava no comando — pegou seu walkie-talkie e apertou o botão.

— Está vendo alguma coisa daí? — silêncio, somente o ruído do outro lado — Alô, responda... Oficial, me responda. Está me escutando?

— As vítimas estão no último andar. — respondeu o outro oficial em meios aos ruídos.

— Quantos reféns? Há algum individuo com arma de fogo?

— Sete reféns. Há cinco sequestradores armados com metralhadoras. Sugiro que ataque pelo canto sul. Todos os sequestradores estão concentrados na área norte... E é estranho, eles estão vagando como se estivessem cegos.

— Deixe-me interado dos fatos. — ao responder ele guarda novamente o walkie-talkie e tira a arma do coldre. Nervoso, ajeita o quepe e gesticula para que os outros o siga.

Silenciosamente ele dá a volta até chegar ao canto sul do prédio. Quando ouvia algum resmungo ou qualquer ruído vindo de trás ele os repreendia com xingamentos. Estava nervoso, suando, o coração palpitando e acima de tudo, com medo. Mas mesmo assim, se aproximou da porta e se preparou para chutar. 

Narrativa  
E o interrogatório começou.

Elias Carvalho não aguentava mais aquele lengalenga desgraçado e penoso pelo qual estava passando. Observava a máscara cuidadosamente composta que enfeitava o rosto daquele maníaco tentando decifrá-la. Mas era incrível, nem um traço de sorriso ou de insatisfação nos lábios, somente uma linha reta. Adentrou na sala de interrogatório e verificou se os sensores estavam ajustados ao corpo do homem. Ajeitou o tubo ao redor do tórax comprimindo-o ainda mais.

O nome daquele maníaco era desconhecido, mesmo que suas digitais fossem compatíveis as do falecido Antonio Ledger.  Mas isso era impossível, Antonio fora assassinado anos atrás. E o crime que foi cometido pelo assassino até hoje desconhecido fora magistral. Nenhum vestígio, sequer. Quiçá, em seus mais loucos devaneios, Elias não estivesse certo de que viu Antonio saindo intacto das chamas? Quiçá todas as noites mal dormidas não tenham sido desmerecidas? Vá saber.

Disseram-lhe que tentaram tirar a maquiagem do rosto daquele maníaco e não conseguiram, que simplesmente a tintura não saia de seu rosto. Fato curioso, decerto. Mas não essencial. Aquele maníaco atendia pelo nome de Duque Hilarious.  

 — Qual seu nome? — pergunta Elias se sentando na cadeira e cruzando as pernas, apoiando seus cotovelos na mesa.

O homem mais parecia um palhaço fantasiado do que apropriadamente um ser humano. A pele era branca e pálida, esticada sobre os ossos proeminentes do rosto. As sobrancelhas eram grossas e angulosas. Os lábios, finos e retos. Os olhos, castanhos e profundos, como se pudessem sondar a alma de Elias. O cabelo ralo e avermelhado, caindo sobre a testa e os olhos, deixando alguns fios desorganizados. Os dentes, amofinados e brilhantes. Dedos longos e finos, que tamborilavam na mesa. Alto e esbelto, com os músculos bem definidos abaixo de seu traje de palhaço. Sua boca se contorcia enquanto mascava o chiclete, fazendo com que as curiosas cicatrizes que descreviam uma linha do canto de seus lábios até sua orelha balançassem, como se a carne estivesse pendurada.  As cicatrizes eram dos dois lados do rosto, um enorme sorriso, por assim dizer.

— Sabe, deixe-me lhe contar uma coisa... Um dia sonhei que eu estava em casa, era uma criancinha, apenas. E ganhei um gatinho de aniversário. Nossa, ele era lindo. Pelo branquinho... — ele afinou a voz e sorriu para Elias — Olhos azuis enormes, esbugalhados e brilhantes! — ele puxou as pálpebras de seus olhos e alargou ainda mais o sorriso. Elias sentiu o gosto de bílis na boca quando viu a carne rasgada no rosto do Duque Hilarious se contorcer. — E um dia, eu estava brincando com ele. Estava brincando de casinha. E eu quis alisar ele, só que ele arranhou minha pele. E eu observei o líquido vermelho escorrer por minha mão. Não resisti, levei o líquido aos lábios. E saboreei o seu sabor. Depois, o sangue foi amenizando e eu quis ver como era o sangue de um gato. Pensei que pudesse ser azul, ou verde, ou até mesmo roxo. Quão lindo seria? — ele reprimiu o riso e encarou Elias com sangue nos olhos — Então eu fui lá e lhe acorrentei. Com delicadeza, afundei meus dentes em sua cabeça. Você devia ver o som que os ossos fizeram quanto foram triturados por meus molares. Foi tipo um crack... Crack... Crack...

E ele continuou repetindo aquele som que repercutiu pela mente de Elias.

— Eu vou repetir minha pergunta, qual seu nome?

— Eu tô com fome. Sua mulher tá no cardápio?

Elias o ignorou sabiamente.

— Que maluco iria pintar seu rosto com pinta permanente? — questiona Elias franzindo a sobrancelha e encarando o outro incrédulo.

— Eu! Eu! Eu, professora! — grita o Duque Hilarious levantando a mão entusiasmadamente e acenando. Ao ver a reação de Elias, ele explodiu em uma gargalhada alta e sonora. — Se quer saber isso sabichão, eu posso lhe contar. Eu não pintei meu rosto, afinal não sou maluco. — ele fez outra pausa para rir.

Sua risada era estrídula e parecia ferir os tímpanos de Elias. Era um tipo de tortura para ele estar ali, mas sua busca desvairada por respostas lhe levara até aquele maníaco. Aquele homem fora pego no flagra na casa dos velhos Barbosas, fazendo maldades com os velhos. Forçou a Sra. Barbosa a dançar funk e descer até o chão ao som de MC Beyoncé. A pobrezinha ficou com a coluna toda atrofiada.

E ainda fora acusado do atentado que aterrorizou todo o Brasil. Pegara uma família de bahianos e pôs a mulher no carro e o homem noutro, ambos recheados de explosivos. Deu o controle da bomba para criança do casal, com apenas cinco anos. Largara e menina a beira da estrada e dissera que ela poderia escolher qual veículo explodir. Aquele com sua mãe dentro, ou com seu pai. Quando a criança apertara um dos botões, ambos os veículos explodiram e ainda rolaram precipício abaixo.

Outro atentado no qual foi reconhecido foi chamado como A Tragédia do Século. Adentrou facilmente dentro de um dos presídios de segurança máxima de São Paulo e colocou a chave da cela dentro do estômago de um dos presidiários. Mas para dificultar, todos eles engoliram algo enquanto estavam adormecidos. Fosse um clipe, uma bolinha de borracha ou qualquer outra coisa. E quando chegou a hora, foi um massacre. Um deles teve as estranhas expostas pela selvageria dos colegas de cela.

E inúmeros outros crimes atrozes, como quando colocou um capanga seu dentro de um transatlântico e anunciou no interfone que um daqueles comuns, ricos e soberbos cidadãos estava com um botão que poderia explodir toda a embarcação. No quinto dia de viagem — quando finalmente encontraram o barco vagando pelo Oceano Índico — ele sumiu num helicóptero junto com seus capangas dando paz aos corações aflitos daqueles que estavam no barco. Quando finalmente a embarcação ancorou no primeiro sinal de terra, ele explodiu o transatlântico dando sentido à frase “A esperança é a última que morre.”

— Eu acho que você não entende a dimensão do quanto você está fodido aqui, ou entende? — Elias abriu uma pasta amarela com uma série de arquivos que trazia debaixo do braço e começou a lê-los. — Você está sendo acusado de fraude, homicídio culposo, roubo, formação de quadrilha, atentado violento ao pudor, chantagem, violência, difamação, estelionato e... — Elias pausa para beber um pouco de água e aproveita para analisar a expressão do homem através de sua imagem refratada no copo. Suas sobrancelhas estavam arqueadas e o canto de seu lábio deformado estava levemente repuxado — E outros mil, aproximadamente. Mas não podemos passar o resto do dia aqui, como você sabe. Então trate de ir me falando tudo.

— Do começo? — questiona sustentando os cotovelos em cima da mesa e apoiando o queixo nos dedos entrelaçados.

— Sim.

Ele estala os dedos e começa sua história.

— Era uma vez, meus pais. Meu pai era um baita filho da puta alcoólatra e minha mãe era cristã pentecostal sofredora que tolerava dos ataques do marido diariamente. E esse casal teve um filho, um garoto lindo e maravilhoso, que encantava qualquer um. — afirmou com um sorriso no rosto enquanto brincava com uma mecha de seu cabelo vermelho chocante — Só que esse filho também sofrera dos ataques do pai, e chegou a um ponto que não aguentou mais. Simplesmente enfiou uma faca na mão do pai e fugiu, convidou sua mãe para vir com ele, mas ela preferiu ficar com o homem que lhe deixara com o corpo coberto por hematomas. Vá saber, mulheres são burras pra caralho!

— O que está me dizendo é irrelevante.

— Se quer saber o que aconteceu, terá que ouvir tudo isso. Vejo sue olhar, está me julgando. Mas não as emoções que são refletidas em suas íris, mas sim as emoções que são refletidas em sua alma. Todos vocês! — ele aponta para o vidro fumê — Nada é o que parece. Hoje vocês irão aprender isso. — ele falou a última frase sussurrando.

— Que seja, continue então. — pede Elias tentando voltar ao fio da meada.

— Hm, que bom saber que está curioso... — antes que Elias pudesse responder ele continuou — Eu fugi e fui para São Paulo. Lá, terminei meus estudos e fiz uma faculdade. Tive amigos e assim, uma família. E então, veio a ditadura militar e eu fui demitido. Vê se pode. E então, alguns criminosos planejaram uma invasão a Indústria Química onde eu trabalhava, e eu aceitei. E durante o assalto, os policiais chegaram ao local e eu fui perseguido. Com medo de ser morto, pulei da plataforma até um tanque de resíduos e substâncias químicas altamente tóxicas. E naquela década, fiquei conhecido como o Homem Ácido.

— Oh... Eu... Recordo-me disso. — afirma Elias boquiaberto.

O Duque Hilarious continuou sem dar-lhe atenção.

— Eu nadei naquele tanque e consegui encontrar a saída para uma tubulação de esgotos. Eu consegui sair do esgoto por um bueiro e corri até meu apartamento. Mas quando passei por uma vitrine, vi meu rosto sujo de lama e borbulhando, como se minha pele estivesse em chamas. E realmente estava, meu rosto estava queimando. Esgueirei-me pelas sombras e consegui chegar até minha casa. Tomei um bom banho. Eu pensava estar bem, mas como eu já disse...

— Nada é o que parece. — repetiu Elias com o tom monótono.

— À noite, meu rosto começou a desfalecer, a descascar. E minha nova pele era branca, pálida, marmórea. E tão dura quanto pedra. Meus lábios estavam petrificados em linha reta. Meu cabelo estava vermelho como fogo e liso, outrora encaracolado. Os meus músculos estavam fortificados e meus dentes mais pareciam ser feitos de marfim. Claramente, aquela mudança de aparência fora resultado de uma reação química. Tornei-me silencioso e apático. Desempregado e com medo de sair de casa, virei um ser humano confinado dentro de sua própria casa. Saía à noite para fazer pequenos furtos, para me alimentar e ter papel para limpar a bunda, mas nunca conseguia dinheiro o suficiente e o aluguel estava atrasado. Até que um circo chegou à cidade, feliz, aproveitei-me de minha aparência medonha e fui até lá como palhaço. Mas ninguém ria de minhas piadas, ninguém ria das pobres piadas do Sorrisinho. Cheguei em casa naquela noite, me olhei no espelho e uma voz gritou dentro de mim, mas forte e alta até que meus próprios pensamentos: “Por que está tão sério, querido?

Elias prendeu a respiração e controlou a tremedeira. Estava nervoso, estava sentindo-se exposto.

— Tentei sorrir, mas meus músculos rangeram e ficaram doloridos com o esforço. E então, peguei uma faca e rasguei minhas bochechas. O sangue espirrou no espelho e quando eu tentei sorrir, eu consegui. Estava feliz, inesperadamente feliz. Não costurei os machucados, somente limpei o sangue que transbordava e sujava o chão e meu terno. Depois de uns meses, os ferimentos foram cicatrizados. E eu voltei para esta cidade imunda, queria ver meus pais. E encontrei meu pai com uma bíblia debaixo do braço e aos beijos com minha mãe, com um bebê nos braços. Oh, que coisa linda! — gritou surpreendendo Elias e levantando-se da cadeira, rapidamente o policial levou sua mão à arma que descansava no coldre. Os olhos dele estavam esbugalhados refletindo seu ódio. — Mas aquela alegria não durou. — sentou-se novamente, e Elias relaxou — Entrei na casa e com um sorriso estampado no rosto rasguei o rosto de meu pai, desfigurando sua face e fazendo-o engolir páginas da bíblia amassadas goela a baixo, fazendo minha mãe assistir. Persegui aquela mulher pela casa inteira e ela fincou uma faca no meu peito, verdade que a faca atravessou minha pele, mas verdade também que quando ela golpeou novamente, a faca se partiu em duas. Minha pele era dura, e quando ela tentou arranhar meu rosto protestando a escolha da morte, mas parecia que estava acariciando-me. E então, caminhei até o bebê, liguei uma boca do fogão, enchi a panela de feijoada com água fervente e...

— Chega! Diga-me o que eu quero saber ou...

Elias se levantou bruscamente empurrando a mesa. A mesa imprensou o maníaco contra a parede.

O Duque Hilarious empurrou a mesa contra Elias e ele caiu de traseiro no chão. Uma risada alta e escandalosa ecoou pela sala.

— Senão o que? Vai me matar. Ui, estou tremendo na base. Por favor, use esses seus miolos de policial inútil. Se eu desse valor a minha vida, não estaria aqui agora com você. — retrucou — Pensei que rosquinhas deixassem a pessoa mais inteligente, mesmo que não esteja fora da forma. É um velinho atraente, Elias.

Elias se levantou com um salto e gesticulou para os observadores que assistiam a cena do outro lado do vidro fumê. O Duque Hilarious continuava mascando seu chiclete.

— Você realmente acha suas piadas engraçadas?

— Ah não. Não acho isso engraçado. Eu dou risada por se estou com isto na cara mesmo. Achei que tinha prestado atenção na história, me senti ofendido agora. — gesticulou para suas cicatrizes — Do que adianta ficar andando com essa cara de puta mal comida na rua? — ele apontou para Elias — Isso foi uma indireta querido, só que não tenho facebook. Então, tive que dar uma improvisada aqui.

— Conte-me o que eu quero saber e você pode sair daqui. Diretamente pra cela.

— Desde que sua mulher esteja lá. Se tiver uma filhinha, eu adoraria também. Quando mais nova, melhor. Bem que minha irmã sabia, por que antes de jogá-la na água fervente e assistir...

Elias não se controlou, desferiu um soco no rosto do homem. Seus dedos estalaram e começaram a sangrar. Ele apertou o punho e sentiu o líquido escarlate escorrendo pelo punho. Antes que alguém pudesse entrar no interrogatório ele pegou sua cadeira de ferro e colocou posicionada na porta, impedindo a passagem de quem quer que fosse. E exatamente no momento em que se afastou, se chocaram contra a porta. Ele ignorou os protestos dos outros oficiais e foi até o Duque Hilarious.

— Você pode até se manter calmo diante do polígrafo, mas vamos ver se me engana. — dizendo isso puxou a cadeira e deu um chute nas costas do homem que tombou em cima da mesa.

— Abra essa porta homem! Seremos forçados a arrombar! — gritavam freneticamente do outro lado da porta. Elias os ignorou, era policial a mais de dez anos e iria lhe dar com as consequências de seus atos se isso significava mandar aquele insano desgraçado para o inferno. — Espero que esteja pronto para suportar as consequências de seus atos!

— Acha que vai arrancar algo de mim? Apodreça no inferno, bastardo. — brada o Duque com os olhos arregalados.

Elias lhe acertou outro soco bem no meio da cara. O Duque Hilarious se recuperou e o encarou rindo. Quando Elias ia acertar-lhe outro soco recebeu um chute no estômago que lhe lançou até a parede.

— Venha! — grita o maníaco descendo a mesa — Vamos ver quem ganha essa luta.

Elias piscou os olhos tentando recuperar o foco da visão, e quando conseguiu avançou em direção ao seu inimigo. Elias se atracou com o homem e caiu no chão. Seus dedos se fecharam em torno da garganta do Duque Hilarious. O mesmo lhe cuspiu na face e de modo errôneo, Elias afrouxou a forca que fazia em torno do inimigo. Sem desperdiçar a chance, o Duque revidou.

— Por que está tão sério? — questionou quando ficou por cima de Elias prendendo os braços do policial com os joelhos — Vamos abrir um sorriso nesse seu rosto. — falando isso ele pegou a arma que estava no coldre de Elias e posicionou ao lado da bochecha do homem. O Duque puxou o gatilho e abriu o maior sorriso que Elias já vira. — Tchau, tchau!

Nesse momento a porta foi de encontro ao chão e os policiais entraram no interrogatório. Antes que o Duque pudesse disparar, Elias de acertou um soco no rosto dele quando conseguiu se libertar.

Os policias pegaram o Duque pelos braços e o algemou. Só foi um deles cometer um deslize breve que o Duque se soltou e correu até que Elias que ainda jazia no chão e sussurrou algo em seu ouvido.

— Você é Gustavo Ledger! Filho de Antonio! — descobrira Elias absorto — Você... Você pôs fogo na casa dos Ledger e matou a filha recém-nascida do casal. Então foi você quem eu vi saindo das chamas, mesmo deste jeito horrendo, você ainda possui os mesmos traços de seu pai... Agora além de todos aqueles crimes, está sendo acusado de fratricídio.  

Todos os presentes naquele recinto olharam para o Duque Hilarious, agora recém nomeado como Gustavo Antonio Ledger, o assassino de seus pais e de mais centenas de pessoas.

— Essa é sua primeira lição de hoje. Lembre-se, nada é como parece. Aqueles que parecem vítimas, na verdade são os assassinos.

Quando a compreensão tomou o rosto de Elias, ele ficou boquiaberto.

— Por que está tão sério? — berrou o maníaco enquanto era levado dali pelos policiais. 

Epílogo 
Já mais nada fazia sentido. Assim que o policial arrombou a porta e adentrou na sala, deu-se inicio ao tiroteio. Foi uma chuva de balas, mas os sequestradores nem sequer revidaram. Mantiveram-se imóveis e caíram ao chão, os cadáveres produzindo um baque surdo no chão. Quando os policias trataram de ajudar as vítimas, essas se soltaram das cordas que as amarravam e agarraram as armas que foram jogadas no chão correndo em direção aos policiais.

Tardiamente eles perceberam que aquilo era uma armadilha. Aqueles que jaziam no chão eram os reféns, com as armas amarradas ao pulso e com os olhos cobertos pelos gorros de lã, impossibilitando assim a visão. Os pés acorrentados. E aqueles que estavam com sacos na cabeça no centro do recinto, eram os sequestradores. Apenas aguardando a polícia para mandar bala. E foi isso que aconteceu. E todos os policiais foram mortos. Os gritos ecoaram pela avenida que a pouco fora evacuada e ninguém pôde ajudar.

Aquele policial que estava no comando de arrastou pelo recinto buscando. Estava sangrando, e suas mãos estavam sujas de sangue, o que dificultava seu caminho árduo. Um dos sequestradores andou até ele e pôs seu coturno em cima do corpo do policial virando-o para cima. O assassino olhou bem no olho daquele policial e atirou. O grito daquele homem solitário ecoou pela rua, dando sentido a frase “Nada é o que parece."
  
OBS: Não houve edição na postagem deste texto.

Nefferson: Gostei muito da forma que você escreve, principalmente a forma como conduz os diálogos. Sendo o Coringa um personagem forte, seria muito fácil alguém entregar um texto bem abaixo do esperado. Hoje é SIM, e fico na expectativa se você conseguiria se sair tão bem em uma história original

Ricardo: A história me ganhou quando fala dos crimes cometidos pelo Duque Hilarious, como se obrigar alguém a ouvir Funk já não fosse algo cruel o suficiente, ainda tem a história de que ele faz com que uma menina de sete anos exploda os pais, me pergunto quão perturbada essa criança vai ser quando crescer. Adoro ver que os psicopatas e serial killers estão voltando a moda, e o Marco faz um belíssimo trabalho contando sua história. As reviravoltas sutis na trama são inteligentes, os personagens ainda mais interessantes e confesso que já quero mais do Duque Hilarious. Não vou fingir que o vilão não lembra o Coringa, porque sim, lembra, mas acho que isso acabou se tornando um mero detalhe. Lógico, temos alguns errinhos aqui e ali, mas nada que possa ser diagnosticado como analfabetismo (como o caso do garoto que falou “concerteza”). PRA MIM É ABSOLUTAMENTE SIM!

Luiz: Eu estava comentando com o João que esse seria um SIM com gosto assim que comecei seu texto. Está na cara que você é fã de Batman, e várias coisas vieram do filme, a cena com os reféns por exemplo. Mas muito cuidado com o que você faz com o serial killer. Colocar velhinha pra dançar funk? Serious? Chega a ser cômico quando deveria ser trágico. Mas nada que não possa ser consertado, você escreve bem, para mim é SIM.

João: Acho que você fala muito, mas escreve super bem, Hahahaha. Aliás, não sei o que dá em vocês da Bahia, parece que nascem todos talentosos e vieram aqui só pra nos deixar de boca aberta, como a Ana Beatriz, nossa little diva. Bem, falando do texto em si, só me incomodei com o fato de ser praticamente uma fanfic sobre o Coringa criado pelo Christopher Nolan. Queria algo mais original, que tivesse referências ao personagem, é claro, mas que fugisse dos padrões ao mesmo tempo. Enfim, se você ainda tem alguma dúvida, meu voto é SIM. Parabéns. 

Mateus: Alô, alô, agora estamos indo pra segunda fase, graças a Deus! Só pra lembrar que o anônimo que disse ter nos enviado uma Review ficou de enviar novamente com as provas, mas até agora o email não chegou, nem na nossa caixa de entrada nem da do Nefferson. Portanto, não poderemos avaliá-lo. Caso esteja lendo isso, Anony, aconselhamos você a trocar de email, porque essa falha não é comum, bebê.

Enfim, caros leitores. Eu e minha família do MMA gostaríamos de dizer Muito Obrigado por ter nos acompanhado até aqui, mas também aproveitar pra pedir que Não Sumam, HAHAHA. Este é o término de apenas uma fase do EA, então, contamos com os votos de vocês pra decidir quem vai ganhar essa bagaceira linda.

Luv U, Bêj <3

Demi e Neide estão comemorando a vitória:

Parabéns com classe. 2bjos
Vai que é tua, CORINGÃO! Não, pera...





 














               
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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Amei o conto. Muito bom mesmo. E a reviravolta do final só nos deixou ainda mais apaixonados pela história. Duque Hilarious poderia ser primo de Coringa HAHAHHAHA

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  2. Como assim "É só entrar na página, votar naquele que curtiu e torcer pra ele não ser eliminado"? Não entendi. Aliás, ótimo conto! O autor está de parabéns! Se tornou meu favorito, antes era Até que os Mortos se Levantem, do Diogo. Espero ver mais do D. H. Mc Beyoncé KKKKKKKKKKKKKKKKK A-DO-REI!

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