quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

[EA] COLYN-S95 - A Garota que Alimentava os Pombos (De Renan Carlos)

Depois de uma reprovação lindíssima no post anterior, será que dessa vez vamos dar sorte? O candidato da vez é o Renan Carlos que vai contar a história de uma provável diabinha que gosta de alimentar as pombagiras. Oops, os pombos.

João, apresente nossa próxima vítima HAHAHA.

Renan Carlos, tem 26 anos e mora em Belo Horizonte/MG.

João Lindley: Então, 26 anos de experiência. Acha que isso pode ser uma vantagem na competição?
- Não. Eu não pratico a escrita com a frequência que eu gostaria, sinceramente eu gosto de criar as coisas mas meu forte nunca foi escrevê-las. Eu escrevo sempre que uma estória não sai da minha cabeça, após escrevê-la eu paro de pensar nela com tanta intensidade e me sinto bem, como se a missão estivesse cumprida, mesmo que apenas eu considere dessa forma. É como se eu tivesse desabafado de alguma maneira, por isso não acho que minha idade influêncie a ponto de me colocar em vantagem. Como meu professor de concreto armado sempre dizia: Sempre existem pessoas que sabem mais do que você, aprenda com eles.

João Lindley: Você se vê ganhando a competição ou colocar nas mãos do público pode ser um problema?
- Não me vejo ganhando de forma alguma, conheço minhas deficiências quanto a escrita e minha profissão não me ajuda a saná-las, além disso, eu sempre imaginei essa estória podendo ser dividida em três livros onde este resumo seria correspondente ao primeiro livro. Mas diante da oportunidade de ter minha idéia lida por pessoas que realmente gostam e levam a sério a escrita e a criatividade como um todo eu fiz este resumo. Esse tipo de competição eu nunca vi na internet, parabéns para a equipe pela iniciativa e obrigado.

João Lindley: Ok Renan, Boa sorte.




COLYN-S95 - A Garota que
Alimentava os Pombos 
 
1ª Parte do Resumo 
 
Eu o olhei bem enquanto o segurava com as duas mãos, meio amassado, sujo, eu havia esquecido no meu bolso esquerdo. Um bombardeio de dúvidas e apreensões não pode ser contido. Por que eu ? Por que diante da vida incrédula que gozava veio até mim tamanho poder? Das prostitutas e drogas que eu experimentei, desperdícios, a faculdade que já estou quase terminando em Belo horizonte. Sinceramente não sei se quero, não mereço, não tem propósito, o que farei com tudo isso aqui? Ok cara, fica frio, a primeira coisa é pensar no que fazer para ter certeza antes de agir.

Fiquei um mês miserável reformulando planos naquele banco do parque municipal, eu escolhi esse lugar porque o cotidiano monótono dos transeuntes me faz pensar em melhorar, me força a planejar ser um bom homem, nunca funcionou na prática mas foi o mais perto que cheguei. Ainda não sabia  o que fazer, sem amigos nessa fase da vida, 26 anos sem bagagem social saudável, exceto minha irmã que é minha família.     
            
A uma semana começou a aparecer ali aquela figura, uma loira que ia dar comida aos pombos, sério, igual a uma velha sem ter o que fazer, não era atraente no puro sentido da palavra, de longe como eu a observava parecia inclusive ter um parafuso a menos, acho que ela conversava com os animais, sei lá. Fiz contato visual umas cinco vezes no passar dos dias, nada demais eu acho. Ela me desconcentrava, eu ia ali para pensar no próximo passo da minha vida, uma loira de uns 25 anos dando comida a pombos e conversando com eles me incomodava. O dia em que eu cheguei no parque e a vi no banco em que eu costumava me sentar, não hesitei e me sentei ao seu lado, não queria que ela pensasse que eu mudaria de lugar devido a sua presença, eu não dava a mínima pra isso. Mesmo assim não resisti, de perto como estávamos ela era muito mais charme do que esquisitice, muito mais beleza do que meus olhos exigentes haviam sacado de longe e curiosamente ela usava luvas brancas nas mãos.

_Você gosta de animais hein?

_Não to muito afim de papo, pode ficar aqui mas se vai dizer algo peço que seja pelo menos algo útil.

Eu fiquei meio mudo, fria demais, gostei dela,garota difícil hein, mas ela me colocou no muro, talvez pensasse que eu ia desistir ou me calar, eu liguei o "fodas" como dizem por aí.

_Ok loira, a única coisa útil que eu ia dizer depois de falar várias coisas supérfluas é se você que sair comigo.

Não esperava nada depois disso, ela olhou pra mim e todo aquele mel nos olhos quase me matou, ela era mesmo bem mais bonita de perto sem dúvida.

_ Claro que aceito, mas só se eu escolher onde vamos e você tem de fazer tudo que eu pedir, sob estes termos eu saio com você senhor...???

_ Cássio, tudo bem eu aceito seu desafio, se eu passar no final do encontro eu ganho???

_ Talvez eu saia com você de novo tá bom? (risos).

A risada dela era para ser odiada mas eu gostei automaticamente, estava tão curioso pra ver  o que ela ia planejar para nós, então combinamos tudo naquele mesmo dia. Será que vou fazer esportes radicais com ela? Ou então invadir uma casa a noite para roubar? Ou qualquer coisa maluca que trás adrenalina da melhor qualidade , estava muito empolgado!

Era um dia de sol  e podíamos fazer qualquer coisa, uma sexta-feira de férias em Belo Horizonte.

_ A primeira coisa é doar sangue.

Ela entrou no centro de doações, ok, nunca doei nada na minha vida, não tenho medo, eu odeio agulhas, olhei para figura dela atravessando a porta e me resolvi. Mas mesmo assim tudo que eu pensei não ia acontecer, o de sempre, sentia cheiro de um programa de índio chegando.

Não doeu nada se comparado a dor imaginária que eu criei e foi até rápido. Ela não doou mas me acompanhou, aqueles olhos meigos me observando, eu pensava em como ela seria na cama, que curiosidade feroz, ela usava um vestido branco que não chamava a atenção mas deixava discretamente você namorar as curvas do seu corpo, o nome dela era Raquel.

_ Ok agora que você doou sangue vamos ver pra onde vai o seu sangue.

As coisas começaram a ficar feias pra mim quando entramos no pronto socorro João XXIII, eu sabia que havia naquele hospital uma ala dedicada a queimaduras, mas nem em sonho pensei em entrar lá, ela parece ter agendado tudo, provavelmente conhecia alguém de dentro. Nós entramos.

_Então agora escolha um paciente pra conversar.

_Hã???????? Conversar  sobre ??? Não acho que possa fazer eles felizes, estão deformados você não ta vendo.

Ela se aproximou dos meus ouvidos calmamente e sussurrou:

_ Ainda existe alma neles sabia? Me diz... É aqui que você vai cair bonitão?

_Não... Eu já escolhi.

Eu não queria ceder de forma alguma, me aproximei do leito próximo a uma das janelas, tinha uma garota de uns 8 anos, ela olhou pra mim, o rosto e o ombro esquerdo estavam queimados pra valer, não sabia  o que dizer, a vida dela acabou, não? Eu a julgava como se disparasse uma 9mm contra ela friamente, não gostava nada do que se passava na minha própria mente, aquela menina ali era um espelho e eu me enxergava todo sujo e podre através dela, sou durão mas ela me afetou profundamente, eu me sentia todo errado ali. Me lembrei de uma estória que minha mãe contava para mim na hora de dormir, que coisa clichê, mas são coisas minhas, meus clichês, coisas  que eu não queria lembrar e aquela menina me fez repensar tudo aquilo, então eu me sentei próximo da cama e comecei a contar, ela começou a ouvir até o final.

_ Que história legal moço! Brigada tá.

Aquilo ali estava acabando comigo, começou a surgir lágrimas nos meus olhos e eu tentava reprimi-las com força mas se soltavam como se vencessem um cabo de guerra com meu ego.

_ O senhor ta "tiste"? Minha mãe diz que um abraço ajuda sempre.

Ò deus eu queria muito abraçar ela, Raquel havia acabado comigo, eu abracei a garotinha e chorei lentamente segurando firme para não desabar de vez.Há muitos anos não me sentia assim, um cara legal.  Ao sair vi que Raquel me esperava na porta, ela olhou bem dentro dos meus olhos, provavelmente viu que estavam avermelhados, prendendo os cabelos loiros em um rabo de cavalo e sorrindo satisfeita ela disse:

_ Você fica bem melhor assim.

Não sei se ela caçoou de mim ou me parabenizou, eu só sei que eu queria mantê-la na minha vida a partir daquele momento, ela começou a ser uma luz totalmente diferente das outras luzes que passaram antes, uma escolha positiva pois eu não queria admitir para mim mesmo que estava completamente perdido na vida.

Começamos a sair, ela me impressionava sempre, eu ia esquecendo de como ser um chato, crítico e sem objetivo. Ela disse que havia sofrido um acidente que cicatrizou suas mãos, por isso usava luvas, na nossa primeira noite juntos eu pude ver as cicatrizes, de fato parecia que ela tinha atravessado uma janela grossa de vidro apenas com as mãos. Minha irmã adorou Raquel. O universo parece ter consentido de todas as formas, então eu  a pedi em namoro depois de um mês excelente juntos.

Uma noite estávamos dormindo no apartamento que ela tinha alugado para ficar em Belo Horizonte, eu me levantei por volta de 3:00 horas da manhã para beber água, quando voltei fiquei observando ela dormindo profundamente.

_ Estou exausta, preciso comer carne humana de novo, eu nadei demais, foi isso, toda energia foi embora e deixou meu corpo. Não entendo onde estou, vagando agora por instinto na mata, eu preciso comer, eu não quero mais ter que matar ninguém, essa dor não passa, a agonia continua sempre.

Havia um carro parado no encostamento do que parecia ser uma rodovia, por volta de 2:30 da manhã, um rapaz estava urinando a 10 metros do seu veículo, olhou pro lado e ficou imobilizado ao ver uma garota de branco caminhando em sua direção com os pés descalços.

_Ei moça, você está bem? Precisa de ajuda?

Eu não posso agüentar eu preciso de carne, eu corro, o garoto se assusta, eu enfio minhas unhas na sua garganta abrindo caminho para meus dedos até alcançar sua traquéia, seguro firme apertando-a enquanto ele se debate, ele acertou uma cotovelada na minha boca, doeu um pouco, apertei mais enquanto tampava seu rosto evitando que ele gritasse, ele demorou pouco mais de um minuto para morrer, me alimentei de pedaços do seu braço, bochecha, orelha e órgãos pequenos por 3 dias e pude continuar na direção que fazia doer mais, preciso encontrar a fonte da minha agonia. A dor agora ficava mais intensa.

_ Não!!!Não!!!! Não!!! Eu não quero me lembrar disso!!!!

_Calma Raquel foi um sonho, foi só um pesadelo!!! Calma Amor!!!

Começou assim um ciclo de pesadelos, havia semanas em que ela não tinha nenhum, mas em outras ela sonhava três ou quatro noites seguidas, sempre gritando as mesmas coisas, negando tudo, arrependida, eu nem sei direito o que pensar. O pior de tudo é que  ela não queria me contar sobre o que sonhava, muito menos ir a um psicólogo.

Para piorar mais ainda em seis meses de namoro fomos assaltados três vezes, em uma das ocasiões tomei um tiro de raspão quando tentava protegê-la, ao que tudo indica um dos assaltantes queria acertar Raquel a todo custo, depois do disparo o seu parceiro que dirigia a moto de fuga brigou com ele, o xingou de louco e tudo em quanto é palavrão conhecido, depois sumiram em alta velocidade. Comecei  a pensar se a mulher que eu amo não havia  se envolvido com criminosos antes, mas descartei isso pois ela estava muito abalada e tínhamos muita paz, exceto nestes momentos horríveis. Eu não sabia de onde vinha tanto azar, em toda minha vida fui assaltado uma única vez, com Raquel já foram três e ainda tomei um tiro.

As únicas fotos que eu tinha dela eram as que eu tirei enquanto ela dormia, ela odiava mortalmente fotografias, diferente de todas as mulheres  que eu já conheci, não que fosse muito esquisito, mas sim diferente do habitual.

Logicamente brigamos algumas vezes mas voltamos, um ano se passou e eu só sentia que amava ela mais e mais, tudo era excelente, que companhia maravilhosa, eu não tinha do que reclamar, ela era fantástica com as pessoas, devotada, era uma artista plástica talentosa. Seus pais haviam morrido em uma acidente quando ela tinha 12 anos mas ela não gostava de falar sobre isso e demorou um bom tempo para ela me contar o fato sem qualquer detalhe específico.

 Eu decidi então, colocando minha conta em risco, noivar com ela, fodas, eu sempre quis achar uma mulher como ela, não quero deixar ela escapar da minha vida, ela tinha um coração capaz de por um "porra-loca" como eu na linha.

Carreguei o anel no bolso um tempo sem saber a hora certa de pedir, decidi pedir em uma noite que marcamos de jantar,  eu estava terminando minha monografia naquele tempo, estava em uma sala no 4º andar da escola de engenharia, eram quase 22:00 horas,  ela estava lá comigo esperando eu terminar para podermos sair. De forma clássica eu  a levaria para jantar e pediria a mão dela, sempre funciona nos filmes, preferi não inventar nada par anão me arrepender depois. Ela olhava uma das minhas lapiseiras com cautela, parecia observar detalhes, eu parei de escrever minha anotações e olhei para ela com ar de riso, ela estava sentada em uma das carteiras entretida com o objeto.

_ Você gostou mesmo da lapiseira hein.

_Provavelmente eu vou roubar ela de você. (risos)

Ela levantou-se e me devolveu o objeto, sentou-se mais perto, apoiou o rosto delicado nas mãos e seu olhar cheio de tédio contaminava meu trabalho.

_Você vai demorar muito ainda?

_ Só uns minutos e agente já vai.

Me concentrei e olhei só pro caderno, pois  ia acabar fazendo besteira, a essa hora o bloco de engenharia estava um deserto e ficava tentador fazer coisas obscenas escondidas, me distrai por cerca de dez minutos, quando olhei par ao lado, Raquel estava adormecida com a face esparramada na carteira, ela tremeu de repente enquanto dormia, eu comecei a desejar que não fosse um de seus pesadelos.
 
[Continua]

OBS: Não houve edição na postagem deste texto. 

Nefferson: Seu texto me empolgou em alguns pontos, mas em geral deixou a desejar. Além de erros grotescos que deveriam ter sido previamente corrigidos, a sua narração é muito informal. Não parece que você está escrevendo uma história, mas sim, conversando comigo. Em determinado momento você bota "(risos)" como estivesse participando de uma conversa de internet. Enfim, você não é ruim, mas precisa de atenção aos detalhes, porque são eles que determinam se você vai conseguir ou não. E, infelizmente, hoje é NÃO.

Ricardo: Há muito não me sinto com tanta incerteza no EA, ultimamente, ou já quero dar um “Não” de cara, ou então é o “Sim” que vem fácil. Mas esse autor parece ter bastante potencial, a trama é bastante diferente do habitual e foi algo que me atraiu. Dessa vez, o autor parecia saber do que estava fazendo quando escolheu narrar do ponto de vista dos personagens. Mas confesso que faltou um pouco de aprofundação no personagem masculino principal, que do meu ponto de vista, em alguns momentos tem algumas falas e pensamentos um tanto quanto superficiais pra uma pessoa de 26 anos. Lógico que a discreta reviravolta do final deixou tudo ainda mais interessante. Por isso meu voto é SIM. 

Luiz: Olha Renan, seu texto me deixou em dúvida. Ele tem alguns erros, a narrativa precisa ser melhorada, as transições para os sonhos da garota, por exemplo. Mas sua história me deixou curioso, você criou uma história boa, só precisa aprofundá-la e estrutura-la melhor. Você vai ganhar um SIM de confiança, não sei o que deu em mim hoje, mas estou mais razoável que o costume.

João: Não achei seu texto péssimo, mas também não achei excelente. Sua informalidade me incomoda um pouco, apesar de aprovar um pouco de descontração pra uma história em primeira pessoa ficar mais pessoal. Estou como o Ricardo e o Luiz, sem saber qual será meu voto. Cara, se vocês acham difícil ser avaliados por nós, imaginem como é receber o papel de estragar sonhos de alguém e ficar aqui na dúvida se devemos ou não dar uma chance a uma pessoa que um dia nós fomos. Isso é... Problemático. Mas ok, eu sei o que preciso fazer. Me sinto obrigado a dizer SIM por ter me identificado com algumas passagens, então parabéns, e não me decepcione na segunda fase. 

Mateus: Olha só o Lindley todo educadinho, HAHAHA! To até estranhando, mas enfim. Você recebeu 1 Não e 3 Sim's, Renan, já está na próxima fase com certeza.

E você não sai daí, que o EA de hoje ainda não terminou. Essa Season Finale ta ou não ta bombando? HAHAHA!

Pombagiraney Spears já formou sua opinião:
Nada mau, hein. Porém continuo Divididaney.








         

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