quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

[EA] Ainda Não Estou Morta (De Matheus Coelho)

Depois de um pequeno atraso, aqui estamos para apresentar o terceiro texto da semana. Acontece que o autor estava pulando carnaval fora da cidade e por isso não pôde enviar seus dados HAHAHA. Mas enfim, agora vamos ao texto. O baby de hoje se chama Matheus, com o h que eu adoro.

João, faça as honras da casa, porque a vadia ainda não está morta.

Matheus Coelho, tem 18 anos e mora em João Pessoa/PB.

João Lindley: Por que você decidiu participar do concurso?
- Eu decidi participar principalmente porque eu queria muito que meus textos fossem avaliados por outras pessoas, além dos meus amigos. E também, claro, porque seria muito bom fazer parte do blog.

João Lindley: Você acha que pode ser o grande vencedor?
- Sinceramente acho um pouco difícil, já que algumas pessoas enviaram textos muito bons, mas acho que tenho uma boa chance sim, vamos ver.

João Lindley: Quais suas expectativas a respeito da opinião dos jurados?
- Bom, eu vi que os jurados não tem nem um pouco de dó para julgar os competidores (e estão certos), mas eu acredito que meu texto não teve muitos erros e mesmo com uma estória meio clichê eu acho que eles não vão achar o texto tão ruim assim  .

João Lindley: HAHAHA! Não temos dó mesmo. Mas desejo a você boa sorte, Matheus.




Sinopse: Após a morte de seus pais no meio de uma pandemia, a jovem Cate Harris terá que iniciar uma busca desesperada por sua irmã mais nova, Rachel e enfrentar perigosas criaturas.


Ainda Não Estou Morta
Capítulo 1
Cate abriu os olhos devagar ao sentir uma gota d’água cair sobre sua testa. Seus olhos cor-de-canela mal conseguiam enxergar a luz do sol por trás das nuvens cinzentas.

Ela quis vomitar ao lembrar-se do gosto amargo de sangue em sua boca. Sua cabeça latejava. Na verdade, todo seu corpo doía.

Cate apertou a grama úmida e fez força para sentar-se. Além dos diversos arranhões em seu rosto havia também o sangue em sua cabeça que já secara há algum tempo e agora era somente uma horrível mancha escura que se estendia até o pescoço.

Ela arrastou-se um pouco para trás, gemendo baixo, e encostou-se ao tronco da árvore. Um trovão soou fraco ao longe no mesmo momento em que começou a chuviscar.

Cate sentiu uma rajada de calafrios ao lembrar-se da noite anterior. Ela sabia o que estava ao seu lado, mas não tinha coragem de se virar. Não queria acreditar.

A autoestrada estava logo à sua frente, após a subida de um pequeno barranco. Ela permaneceu encostada na árvore daquele vasto campo verde, quase sem sentir a chuva em seu corpo.

Cate Harris não aparentava ter os 16 anos que tinha. Seu corpo atlético e suas feições de uma mulher feita sempre enganavam os que chutavam sua idade. Ela tinha os mesmos cabelos castanho-claros do pai e os traços delicados da mãe.

Alguns minutos se passaram quando Cate entendeu que precisa levantar.

Ela começou a se erguer, ainda sentindo muita dor e finalmente dando-se conta que sua sapatilha esquerda sumira. Estava aliviada por não ter quebrado nenhum osso.

Cate mancou em direção aos destroços do carro. A explosão deixara o Jeep Grand Cherokee, modelo 2011, irreconhecível. O utilitário esportivo estava capotado e batido em uma árvore.

A primeira lágrima escorreu pelo rosto de Cate ao contornar o carro e ver o corpo de sua mãe, Anne. Ela estava de bruços, poucos metros ao lado e com as roupas imundas e rasgadas. A chuva aumentou consideravelmente.

Cate tentou engolir o choro, mas não conseguiu. Ela sentiu sua perna ficar bamba e mesmo sem perceber se ajoelhou no chão ao lado da mãe.

Ela olhou para o rosto envelhecido de Anne, agora branco como gesso e manchado de sangue e lembrou-se de uma abóbora apodrecida.

Cate se contorceu diante da forte onda de tristeza que invadiu seu corpo. Ela nunca havia sentido algo como aquilo antes. Era terrível. Sua mãe e seu pai se foram e a única pessoa que lhe restara era sua irmã mais nova, que nem tinha certeza se estava viva. Ela não conseguia parar de pensar que agora podia estar sozinha no mundo. Ainda mais num mundo como aquele.

Cate alisou o rosto de Anne com suas mãos trêmulas. Gostava de sentir o calor daquele rosto. Mas esse calor não existia mais.

Os olhos de Anne se abriram subitamente ao som de um trovão. As pupilas ficaram brancas como pus.

Cate caiu para trás assustada e se pôs a recuar, ao ver com pavor sua mãe rosnar e cravar os dentes na sua única sapatilha. Ela começou a chutá-la histericamente, ao mesmo tempo em que a sapatilha escapa do pé esquerdo. Cate levantou-se rápido e olhou para mãe, que esticava inutilmente seus braços esqueléticos.

Cate sabia que aquela não era mais sua mãe. Sua mãe tinha virado uma daquelas “coisas” desde a noite anterior. Ela que provocara o acidente de carro ao atacar seu pai de repente quando eles tentavam fugir da cidade. Mas como ela foi infectada? Não foi mordida nem nada. Jack Harris, seu pai, tinha sido mordido há vários dias, mas não havia se transformado. Seria ele imune?

Cate fungou o nariz e pegou uma parte das ferragens do carro destroçado. Esfregou os olhos e voltou a aproximar-se da mãe. A coisa que um dia foi Anne arrastava-se grunhindo como um cão raivoso na terra úmida, enquanto a chuva aumentava mais. Ela não conseguia se levantar, provavelmente quebrara vários ossos no acidente.

Cate levantou o ferro tremendo e por um segundo disse a si mesma para acabar logo com aquilo. O que perturbava mais sua alma era o fato de que sua mãe não conseguia reconhecê-la. Vê-la daquele jeito provocava uma angústia extrema. Ela sabia o que tinha que fazer, mas sua mente gritava: Não consigo! Não consigo! Não consigo!

Os olhos de Cate queimavam de tanta agonia. Não podia acabar com a vida da própria mãe. Mesmo uma vida como aquela. O vento soprava seus cabelos molhados. Aquela chuva parecia que não ia ter fim.

Cate finalmente soltou o ferro e foi sentar no chão, encostando-se no carro. Ela começou a soluçar a plenos pulmões e apertou a terra com força. Fechou os olhos e pensou que deveria rezar nesse momento, mas não o fez.

Ela percebeu uma foto no chão e a apanhou. Era a foto que havia pegado do porta-retratos da sala, estava amassada e chamuscada e nela encontrava-se toda a família Harris reunida: Cate, Anne, Jack e Rachel, sua irmã de 12 anos. Todos sorriam alegres, enquanto Jack beijava Anne no rosto. Então, Cate lembrou do beijo apaixonado que Jack dera em Anne antes do acidente. Teria Anne sido infectada assim? De alguma forma Jack era um portador da doença que não apresentava sintomas. Mas como?

Os pensamentos de Cate foram interrompidos por mais um trovão e os rosnados intermináveis de sua mãe. Ela levantou tirando os longos cabelos do meio dos olhos, dobrou a foto e guardou no bolso. Queria sair dali. Tinha que sair.

Cate Harris pegou o ferro novamente e começou a subir o barranco em direção à estrada, desviando do rastro de vidro e metal. Ao passar pela proteção de alumínio destruída e pôr os pés no asfalto, olhou para a mãe uma última vez. Ela babava e rosnava enquanto continuava arrastando-se sem rumo.

Cate mancou até o centro da estrada e olhou para a cidade que estava há pouco mais de dois quilômetros. Os arranha-céus erguiam-se como túmulos silenciosos. Grossas colunas de fumaça se elevavam em diversos pontos da cidade. Parecia uma cidade fantasma. E era.

A menina que perdeu os pais precisava voltar. Estava imunda e ferida no meio daquela chuva, armada apenas com uma barra de ferro, mas precisava voltar. Precisava sozinha, iniciar uma busca por sua irmã. E era isso que ia fazer.

OBS: Não houve edição na postagem deste texto.

Nefferson: Gostei da forma como você escreve, precisa melhorar em alguns pontos, mas é o suficiente por enquanto. No entanto, você deveria tomar cuidado com suas metáforas. Por exemplo, em um momento super dramático e triste, você compara a cabeça de uma mulher com uma abóbora (oi?). A parte dos olhos brancos como pus também foi desnecessária, ainda mais considerando que pus é amarelado. Enfim, são apenas detalhes bobos que podem fazer a diferença. Mesmo assim, hoje é SIM

Ricardo: Eu, desde o começo, gostei bastante da ideia de ao invés de fazermos uma repescagem onde rostos já conhecidos tentariam de novo, darmos a chance pra pessoas novas  concorrerrem. O resultado dessa decisão está aí. Não tenho certeza que alguns dos candidatos que já tiveram oportunidade, seriam capazes de escrever um texto tão bom quanto esse. A narrativa é direta, o autor consegue criar um ambiente que praticamente nos coloca no meio da história, temos uma riqueza de detalhes – que são relevantes pra criação da trama – que faz parecer que estou diante de um filme e a personagem principal me lembrou uma das minhas protagonistas favoritas, a Effy de “Amanhã” . Sem falar que eu estou super curioso pra ler o resto dessa história. Com certeza é SIM. Se dependesse só de mim, já poderia se considerar na competição. 

Luiz: Definitivamente SIM! Adorei seu texto desde o início. Narrativa perfeita, cena perfeita e trama envolvente. Você entrou em um tema que eu gosto muito e soube trabalha-lo. Estou ansioso por mais. Where is Rachel? Preciso saber, tipo, NOW!

João: Achei a narrativa um pouco repetitiva, mas ta valendo, né gente? Em poucas páginas você conseguiu fazer o que muitos autores não conseguem em um livro inteiro. Com certeza sua estória já é uma das minhas favoritas. Parabéns! Meu voto é SIM. E cadê a vadia da Rachel? Apareça, minha filha, mesmo que esteja zumbificada igual a Sophia de The Walking Dead.

Mateus: Matheus, gato, ainda bem que você não foi desclassificado hein! HAHAHA! Parabéns pelos 4 Sim's, vejo você na próxima fase.

E aí? Curtiram a loucura? Querem mais? Estão doidos pra saber onde está Baby Rachel? É só votar na próxima enquete sobre as histórias que podem ser continuadas, então fiquem ligados.

Boa semanada pra nós, leiam muito, escrevam muito, e chega de putaria, bora estudar pois há um canudo nos aguardando. E pra alguns, o final do ensino médio, ou fundamental, e por aí vai HAHAHA.

Bêj.

Adivinha o que Infectadaney Spears achou do texto?
L-I-N-D-O d+. Autografa meus seios!11








               
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Comentários
1 Comentários

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1 comentários:

  1. Adorei a história,quero ler a continuação e saber aonde se enfiou a Little Rachel.Parabéns pelos 4 sim's :D.

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