sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

[Crítica] Magic Mike


Direção: Steven Soderbergh
Ano: 2012
País: EUA
Duração: 110 Minutos

Crítica:

Work all day. Work it all night. 

Hoje em dia é bastante comum ver um filme de qualidade questionável sendo apreciado pelo público. Posso dar o exemplo a Saga Crepúsculo, que é menosprezada pela crítica, mas já conseguiu arrecadar monstruosos bilhões apenas vendendo um amor sobrenatural vampiresco. Ou The Texas Chainsaw 3D, que devastou a mitologia original de um dos maiores ícones do terror da década de 70, mas arrcou o suficiente para garantir algumas sequencias. É óbvio que este tipo de produção possui um valor estético bem abaixo da média em relação aos filmes aclamados, porém, com a ajuda da mídia e o superficialismo oferecido por ela, eles conseguem ganhar o publico, podendo até tornar-se a modinha do momento.

Nesse contexto, o que poderíamos esperar de Magic Mike, o filme cujo único propósito é mostrar a vida libertina dos strippers de Xquisite e esbanjar sensualidade masculina? É claro, nada além de uma diversão momentânea e extremamente exótica, que para muitos, pode nem servir como entretenimento. Porém, o drama conseguiu muitas vezes prevalecer ao conceito estereotipado da perfeição corporal e da premissa cômica, fazendo assim, Magic Mike não ser um completo desperdício de tempo. Ou até mesmo, apenas um show não-gatruito de homens pelados durante 110 minutos.
 
Interpretado por Channing Tatum, – Um ex stripper, diga-se de passagem – Mike é um jovem talentoso que sonha em ser bem sucedido nos negócios, mas enquanto não consegue o capital, trabalha como dançarino exótico num clube exclusivo só para mulheres. Quando Adam – um jovem careta interpretado por Alex Pettyfer – atravessa seu caminho, Mike decide ensiná-lo a fazer parte daquele mundo, onde saber festejar, pegar mulheres e fazer dinheiro fácil são os únicos critérios.

Basicamente, Magic Mike é um drama raso voltado às expectativas de vida de cada um, cuja única diferença as demais produções com a mesma premissa é a ousadia de contar a história, dessa vez, de dentro de um clube de striptease. O desemprego, o primeiro negócio, o preconceito, tudo está no seu devido lugar ocupando a importância necessária para não criar uma história superficial. Porém, o filme cai em contradição muitas vezes, e não sabe se expõe o strip como uma vida fácil cheia de regalias ou um fardo a se carregar, sendo o erotismo – principalmente masculino – algo que infelizmente ainda não é bem visto.

Por sorte, essa parte do roteiro conseguiu ser no mínimo um espetáculo. As apresentações – além de bem elaboradas – eram bastante criativas, sempre inovando nos figurinos e nos passos de dança estonteantes para compor cada ato da “peça erótica”, como poderíamos chamar. Provavelmente alcançar o patamar de Channing Tatum, expert e PHD em striptease, deve ter custado muitas horas de treino a esses atores, mas no final, eles devem no mínimo ter ficado orgulhosos com o resultado. Tenho certeza que se um dia suas carreiras entrarem em declínio, ainda vai lhes restar o palco. Mas aí, a dignidade iria embora também.
 
Do ponto de vista técnico, tivemos uma fotografia despojada com cenas onde havia péssima iluminação, e uma direção mediana, que deu um aspecto de documentário ao filme. Bem, isso porque sou exigente, mas tenho ciência de que nada disso influenciou o longa a estar um pouco abaixo da média. Magic Mike só não emplacou porque esteve ligado demais ao ponto de vista do ator, uma vez que era a história da sua vida sendo contada nas telonas. Talvez com algumas mudanças significativas na estrutura de sua narrativa e a ausência de clichês universais o filme tivesse se saído melhor.

Mas enfim. De qualquer jeito, e mesmo cometendo alguns equívocos, parece que Magic Mike realmente é o melhor filme do gênero até agora. Não existem muitas obras ousadas que abordam o tema de uma maneira tão divertida, então, não é difícil ganhar este título. Só espero que a sequencia que estão planejando repare todos os erros cometidos nessa produção, e que nos apresente uma história finalmente inovadora. Porque, apesar de tudo, consigo ver algo promissor na composição de Magic Mike. E muitos acham que o show tem que continuar.

Trailer Legendado:
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