segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

[EA] Até que os Mortos se Levantem (De Diogo Ferreira)

O domingo está quente. E aqui também, os ânimos para aprovar um novo escritor pro blog está a todo vapor. E vocês, preparados pra mais um dia de competição? Aposto que o Diogo Ferreira está.

João Levindley, é com você.


Diogo Ferreira do Nascimento, tem 22 anos e mora em Belo Horizonte/MG

João Lindley: Você escreve há muito tempo?
- Bom, acho que todo mundo começa a escrever bem cedo. Mas, se eu fosse dizer a quanto tempo eu realmente comecei a me dedicar bastante, foi mais de um ano pra cá.
Comecei a me concentrar em escrever quase que por acaso. Um dos meus hobbies desde cedo foi a música e sempre gostei da arte como forma de expressão. Sempre me fez me sentir mais realizado, completo. Então houve uma época em que eu estava viajando e não tinha acesso a um violão. Decidi me usar da escrita naquele dia e tive retornos muito positivos. Também recebi elogios pelo que eu estava fazendo e acabei embarcando nessa. Hoje, prefiro à escrita à qualquer outra forma de expressão.

João Lindley: Em quais autores você se inspira?
-Eu curto muita coisa, as principais são drama (eu até fiquei um pouco receoso antes de mandar meu texto na verdade, porque eu raramente aprecio histórias de horror, e vi que a galera aqui curte bastante) e obras que dão grande destaque ao psicológico. Pra deixar exemplos mais concretos: gosto bastante de George R. R. Martin, do Malcolm Gladwell, do Rubem Alves, entre muito outros. Apesar de não gostar tanto de horror, também tem uns contos do Lovecraft que eu acho bem legais.Além disso, também me inspiro muito em outros campos da arte, como cinema, fotografia e música.
 
João Lindley: Você está confiante quanto a sua aprovação no concurso?
- Da primeira fase, eu acho que sim. Eu tenho acompanhado o site e li os todos os textos publicados para o EA. Tem alguns bem legais, e outros um pouco desleixados. Mas o que eu acho importante, e tenho certeza que esses que receberam os sim's também, é se aplicar com seriedade nesse nosso hobbie/paixão de escrever. Eu também fiz um trabalho com seriedade, revisei direitinho antes de mandar, refinei o texto até ficar bacana. Pelo menos eu gostei do texto, espero que gostem também. Dá segunda fase é algo pra gente ver no futuro! De todo o jeito, tenho certeza que vai ser divertido ^^!

João Lindley:Ok Diogo, boa sorte.

Não é para falar de reis

nem de espadas ou castelos

ou mesmo de feitiços poderosos

É pra falar das pessoas de agora

que, como no passado foram,

assim, também agora, o são.

Até que os Mortos se Levantem
 Os soldados entraram numa casa velha e suja. Marcus só queria acabar logo com aquilo e voltar a Enzo. Todo aquele cheiro de sangue, peixe e mofo o deixava enjoado. 

                - Capitão, acho que estes são os últimos – dizia-lhe Houston, um de seus subordinados, enquanto apontava pra dois sujeitos esfarrapados e encolhidos num dos cantos do casebre. 

                Marcus deu passos lentos na direção dos dois sobreviventes enquanto pensava em tudo aquilo. Mal se lembrava das palavras da profecia, mas conseguia se lembrar do nome de cada cidade que massacrara em nome do rei. Nos últimos tempos todo mundo parecia ter alguma ligação com coisas mágicas e sobrenaturais. Se assim o era, ele não sabia dizer. Não cabia a ele dizer. 

                - Esta é a ordem do rei – quando chegou perto o suficiente pode ver que se tratavam de um adulto e de uma criança – que seja eliminado todo aquele que experimentar das artes ocultas e tiver a ousadia de se julgar merecedor da profecia. Triska tem sido uma grande fonte de decepção para o reinado e o vilarejo de Tepulia agora o é, por oferecer refúgio aos aprendizes. Em nome do rei Enzo, eu os sentencio à morte. 

                O general desembainhou sua espada. O bom aço cintilava de azul ao refletir os últimos raios de sol que penetravam pelas rachaduras do teto. 

                -Por favor, senhor, misericórdia. Vocês já encontraram o seu mago. Por favor, juro que eu e meu filho nunca tivemos nada a ver com ele ou qualquer uma de suas artes negras – falava o homem com uma voz inconstante e falhada. O menino tremia e choramingava enquanto agarrava-se fortemente ao pai. 

                -Ah, este garoto é seu filho, anh? – disse enquanto apontava o garoto com a ponta da espada – Sabe qual foi a primeira coisa que eu vi morrer? – ele encarava a criança com um olhar severo, enquanto ele fazia que não com a cabeça. 

                “Meu pai era um grande mercador de vinhos. Eu costumava ajudá-lo como eu podia. Veja, eu era muito pequeno pra desempenhar qualquer coisa importante, então tudo que eu fazia era ajudar no descarregamento de carga. Basicamente, eu rolava os barris dos navios até a loja do meu pai próxima do cais. 

                “Claro, algumas vezes aconteciam acidentes. Eu dava um empurrão, por vezes fortes demais, e o barril saia rolando rua abaixo, como um cavalo correndo descontroladamente, inconsciente de sua capacidade de esmagar o que estava em seu caminho. Normalmente ele se rachava no encontro com alguma parede, e nos o prejuízo de algumas moedas. Algumas vezes se chocava contra uma pessoa que caia ou se machucava, mas o barril continua inteiro e nos não tínhamos prejuízo nenhum. 

                “Mas, uma vez em particular, algo diferente aconteceu. Tinha esse gato atravessando a rua e o barril saiu do meu controle justo a tempo de apanhá-lo na sua travessia. É difícil descrever uma morte por um esmagamento passageiro. Você já viu uma? Bom, a daquele gato foi dolorosa e um tanto quanto lenta. Eu consigo me lembrar de cada segundo que ele passou se contorcendo. Eu pensei que ele estava tentando se levantar, mas o barril provavelmente tinha esmagado a maior parte de seus ossos e alguns miolos também. Na verdade, ele estava agonizando em convulsões. Não foi uma coisa bonita de se ver.” 

                Então o cavaleiro levantou sua espada para brandi-la num golpe rápido contra o garoto. A lâmina fez um corte que varou seu tronco, fazendo o sangue jorrar. Ele não morreu instantaneamente, mas com certeza morreria dentro de alguns segundos. 

                O pai do menino deu um grito desesperado, enquanto se levantava numa frenesi para tentar atacar o cavaleiro com suas mãos magras e nuas. Marcus nem ao menos sentiu a pressão do golpe através de sua armadura, e refreou o reflexo de contra atacá-lo com a espada que tinha na mão direita. Em vez disso usou sua mão esquerda para empurrá-lo novamente ao chão. E, quando o homem tocou o chão, foi como se nunca tivesse se levantado, pois quaisquer que fossem os pensamentos de vingança dentro dele, esses também pareciam ter caído por terra. E agora ele não parecia mais do que um gatinho assustado. 

                - Mas sabe o que mais me marcou daquele dia? Um outro gato que veio parar ao lado do companheiro morto. Parece que ele pensava, como eu, que ele estava só tentando se levantar depois de um grande infortúnio. A diferença é que eu desisti daquela ideia depois que o bichano parou de se mover. Ele não. E ficou lá parado, até que eu retirasse o defunto do meio da rua. E todas as minhas tentativas de afugentá-lo para fazê-lo entender foram inúteis. 

               “Até que eu desisti e me retirei para deixá-lo sozinho com seus próprios pensamentos. E, quando penso sobre ele, ele ainda está lá, ao lado do companheiro morto, esperando que ele se levante. Eu deveria tê-lo matado também, seria como concedê-lo misericórdia. Acho que algumas coisas são complicadas demais para a cabeça de um gato. 

                “Mas não se preocupe. Eu te darei misericórdia.” – E enfiou a espada cabeça do homem.

OBS: Não houve edição na postagem deste texto.



Nefferson: Quando eu comecei a ler, fiquei em duvida se o texto teria um desfecho amarrado, mas não poderia ter sido melhor. A narração é excelente, assim como a história criada. Foi surpreendente e cruel, o que acabou me lembrando de Game of Thrones. Enfim, eu adorei o seu texto e já é um dos meus preferidos da competição. SIM, definitivamente.

Ricardo: Simples e excelente. Sem exageros, sem rodopios em uma trama tediosa e em plots que não vão levar a nada, só posso dizer que o autor fez uma escolha acertada quando optou por uma trama direta que a escrita me fez lembrar daquelas já esquecidas lendas urbanas. Sem falar que em poucas linhas o autor conseguiu montar uma trama consistente, mesmo sendo rápida, e criou um personagem detestavél. E tem autores que sequer conseguem criar um bom personagem em 400 páginas (oi Stephenie Meyer), meu voto é SIM.

Mateus: Eu compraria seu livro. mesmo ele sendo adolescente total e com os errinhos irritantes, que claro, sempre aparecem. mas eu curti sua ideia. dava pra levar adiante, o início do texto me seduziu e isso é bom. meu voto é SIM, super sim. vamos ver essa espada desembainhada na próxima etapa. HAHAHAHA!

João: Nem tenho palavras pra descrever o quanto fiquei satisfeito com seu texto. É sério, eu estava preparado pra não gostar, mas essa foi uma das coisas mais interessantes que eu já tive a oportunidade de ler em um escritor amador. Então, será um prazer tê-lo conosco na próxima fase, independente do mentor que você escolher. Meu voto é SIM. Parabéns.

Mateus: Diogo, você simplesmente arrasou! Parabéns pelos 4 Sim's, vemos você na segunda fase, bebê!

E vocês, o que acharam? Já sabem o que fazer, né?

Então, Boa semana pra nós leitores, e um

Bêj.

Princess Demi também tem algo a dizer:
O-M-G Amei!










               
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Comentários
4 Comentários

Comentário(s)

4 comentários:

  1. WoW!! Excelente texto.. e excelente personagem.. Deixou com vontade de ler toda a história, principalmente para os fãs de fantasia (como eu). Enfim: parabéns..

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  2. Um perguntinha: Tem alguma mulher no concurso? x.x '

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  3. Parabéns Diogo,gostei da história espero que vc possa publicar o resto.

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