quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

[Crítica] 50%


Direção: Jonathan Levine
Ano: 2011
País: EUA
Duração: 100 minutos
Título Original: 50/50

Crítica:

É preciso se unir para bater as probabilidades.

Quantos filmes brilhantes abordando o mesmo tema já foram feito, mais especificamente sobre o câncer? Parece óbvio que a totalidade esmagadora irá apontar para o gênero drama, afinal de contas, estamos falando de uma doença trágica que é a causa mais frequente de morte em diversos países. Então é raro retratar a doença em uma produção que não seja focada no drama. É claro que temos algumas exceções, como o excelente terror Evocando Espíritos. Mas será que estender o tema para o gênero comédia é inteligente?

A história gira em torno de Adam, um cara completamente certinho, que respeita todas as regras de segurança, não faz nada de arriscado e leva uma vida comum. Durante uma consulta médica de rotina, ele acaba descobrindo que tem um tipo raro de câncer e que tem apenas 50% de chances de viver. Tendo sua vida mergulhada em uma tristeza sem fim, ele começa a avaliar o que tinha feito com sua vida até aquele momento e percebe que nada valeu a pena. Agora, ele irá levar pelos seus 50% e ter a chance de fazer tudo aquilo a que tinha se privado.

Não esperem que esta seja uma comédia escrachada, pois não é. Está mais para uma comédia dramática, onde elementos engraçados são jogados de uma forma sutil e, quando recebem maior atenção, acabam sendo desnecessários. Confesso que se a intenção dos produtores era mostrar o lado divertido no câncer (como o material de divulgação apontava), eles falharam miseravelmente. As melhores partes envolvem o drama do personagem central e os seus familiares, sendo os alívios cômicos apenas uma pequena parte do desenvolvimento.

O personagem de Seth Rogen, que interpreta o melhor amigo pervertido e engraçadinho do protagonista, pode até ocupar um bom espaço na primeira metade do filme. Porém, sua participação na segunda metade é completamente desnecessária. Ele foi eficiente na hora de trazer as partes engraçadas, mas conforme a trama foi evoluindo para algo mais sério, o personagem simplesmente não conseguiu evoluir junto dela. A carga dramática da história acabou sendo travada pela sua participação no final, o que deixou tudo muito surreal.

As partes positivas ficam por conta do desenvolvimento da história em nos fazer rir com situações improváveis, como na cena em que o protagonista decide raspar a cabeça usando a máquina do amigo. Mas, apesar de parecer uma coisa leve, o tom do filme é bastante melancólico. A vida do protagonista é bastante triste. Ele é infeliz. Não curte a vida, tem uma namorada que não o ama, um amigo que não consegue entender quando parar de ser um idiota e um péssimo relacionamento com os seus pais. Basicamente o personagem apenas vive, sem o prazer que a vida pode fornecer. Além disso, ele está fechado a todos ao seu redor.

É por isso que a introdução de uma jovem psicóloga e confusa é uma escolha perfeita para a evolução da trama. Além de sugerir uma subtrama romântica que vale a pena ser acompanhada, o protagonista ainda pode ter alguém com quem pode se abrir. Enfim, eu gostei bastante deste filme, apesar de alguns problemas óbvios. O maior conselho que eu posso dar a vocês é que não assistam ao trailer, que já começa com um terrível spoiler sobre o destino do protagonista. Para que nomear o filme de 50/50 se eles entregam o resultado tão facilmente? Os que não se importam com spoilers, não irão achar nada demais. Porém, os outros, devem fugir do vídeo como uma bruxa da fogueira.


Trailer Legendado:

Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário