terça-feira, 4 de dezembro de 2012

[Livro] My Last Lie - Capítulo 20: Love the Way You Lie - Part 2

Never. Lie. Again.

Dawson arregalou os olhos quando viu a figura de Owen parada a sua frente, era a ultima coisa que estava esperando. Ele deveria estar saindo da cidade com sua moto para evitar que fosse morto, como haviam combinado. Parecia até que não estava com medo do perigo.

- Owen... – Dawson jogou o cinto no chão e sorriu – Que prazer em vê-lo.

- Eu queria poder dizer o mesmo, mas não teria sentido já que estou prestes a te matar.

- Faz quanto tempo? Uns dezesseis anos? Lembro de você pequeno, pedindo pra eu ensiná-lo a dirigir porque sua mãe estava muito ocupada fazendo malabarismo naquele circo ridículo. Eram bons tempos, não acha? – Dawson sorriu, vangloriando-se da postura e de seu tom de voz natural. Era um psicopata usando mais uma de suas máscaras.

- Owen, me desamarre! – Pediu Lola, num grito, mas foi ignorada.

- Eu deveria saber que tinha um dedo seu no meio disso tudo – Owen sorriu com desdém – Os desaparecimentos, as coisas estranhas logo depois da morte de Charlie. Só não achei que chegaria a tanto.

- Tanto? Você gostou quando todas elas condenaram seu irmão e o fizeram enlouquecer? Gostou de saber que ele tinha morrido por causa delas?

- Os únicos responsáveis por isso são Charlotte Ridell e Matthew Ridell. As outras garotas não tiveram nada a ver com isso.

- Não diga besteira! – Dawson gritou, mas Owen estava seguro demais para estremecer, ou demonstrar qualquer fraqueza – Você sabe que não é desse jeito? Effy sabia, Matt contou a ela, mas não quis voltar atrás.

- É mentira! – Defendeu Effy.

- Não, não é. Eu queria que fosse, porque eu sempre tive Effy como uma filha mesmo sabendo o que a mãe dela tinha feito. Não sou um homem mau, Owen, eu prezo respeito, justiça e fidelidade, e prezo tanto que sou capaz de ir até onde ninguém se atreve a chegar. Sempre que você tenta fazer o certo vem um monte de pseudo-intelectuais falando de ética e moral só para que as pessoas não façam o que é certo. Sabe como isso se chama? Hipocrisia. Essas garotas destruíram a vida de um homem – Dawson hesitou, não era isso que tinha em mente – Não, essas garotas tiraram a vida do meu filho, do seu irmão! E foram capazes de deixar o verdadeiro culpado a solta. Você leu as manchetes? Matt viajava pra fora do estado três vezes por ano só pra continuar sua chacina. Você acha isso certo? Você acha que eu devo me sentar e assistir os ricos estúpidos e egocêntricos dessa cidade fazerem o que bem entendem com as pessoas que não tiveram sorte de nascer com um rostinho bonito e uma conta bancária bem gorda? Você não percebe?  - Dawson deu dois passos na direção de Owen, que por sua vez, não se moveu um só centímetro - Não somos os vilões aqui, somos aqueles que tiveram coragem o suficiente pra fazer justiça, mesmo que tivessem que quebrar algumas regras. Estamos fazendo isso pelo Charlie.

- E pela Violet – Concluiu Dean – Ela talvez fosse uma vadia sem coração, mas não merecia morrer por causa disso.

- Owen, agora você entende? – Dawson se aproximou mais ainda, estava tentando coagi-lo – Só estou fazendo-as pagar não só pela morte do seu irmão, como também, pelas coisas que ele passou naquela prisão. Você sabia que ele tinha um colega de quarto chamado Kirk e que ele era estuprado sempre que os guardas se descuidavam? Meu filho, passando por tudo aquilo, meu Deus... Será que você não vê quem é o vilão nessa história?

- Pare! – Ordenou Owen, num grito. Ele temia que Dawson pudesse fazê-lo acreditar em suas palavras – Cala a boca!

- Por favor, seja coerente. Nos deixe terminar o que começamos e vamos sair daqui. Peguei as senhas da conta dos Ridell, tem treze milhões esperando pela gente. Você nunca mais vai precisar trabalhar como mecânico ou ser humilhado. Vou tratar você como se fosse meu filho e te tirar dessa vida de merda. Era o que Charlie iria querer.

- Você acha que Charlie iria querer tudo isso? Charlie era bom! Ele tinha um bom coração!

- Tão bom que quando percebeu que seria condenado a cadeira elétrica fugiu e tentou matar todas elas. Ele começou isso tudo, e agora temos que terminar.

- Eu não vou deixar!

- Sério? Então atire – Dawson se aproximou ainda mais, o suficiente para Owen ficar temeroso. Suas pernas tremiam, assim como sua mão, ele tinha medo de não conseguir apertar o gatilho – Anda, atira. Atira no único homem que teve coragem de fazer justiça em nome do seu irmão e que vai te dar uma vida de rei. Atira!

Owen quase puxou o gatilho, mas se o fizesse, seria um assassino. Assim como Charlie, assim como Dawson, assim como sua mãe. Era apenas isso que o impedia de estourar a cabeça de seu ex padrasto. Preferia mil vezes ser morto ao ver a si mesmo se transformando naquilo que estava bem na sua frente.

Mas sua hesitação acabou fazendo Dawson ter tempo para lhe atacar. Ele pulou encima da arma e na briga que se formou para a posse do objeto, Owen demonstrou ser o mais fraco. Dawson conseguiu tirar a arma de sua mão após um disparo na barriga de Owen, e depois o socou no rosto para que caísse.

- E agora quem é que vai impedir quem? – Dawson deu dois passos pro lado – Mas veja por este lado: Pelo menos eu não estava mentindo pra você.

Owen apenas caiu no chão fraco demais para fazer qualquer esforço. Quando olhou para Dawson, viu o momento em que um sorriso malicioso brotava em seus lábios, e soube que algo iria acontecer. Mas nunca poderia imaginar que os planos de Dawson fossem outros.

Em fração de segundos, Dawson disparou dois tiros no ombro de Dean a queima roupa, fazendo-o cair no chão junto de Effy. Owen permaneceu estático, estava assustado demais pra fazer qualquer coisa. Dawson tinha acabado de atirar no próprio parceiro, que lhe ajudou em todos os seus crimes, sem sentir pena ou remorso. Era um completo monstro. Falava tanto de honra, mas era o primeiro a ser desleal.

- A minha mira ainda está boa, quem diria... – Debochou ele – Enfim, temos que continuar com o show. Já tivemos empecilhos demais. Mas antes... – Dawson mirou na perna esquerda de Effy e disparou. Fez uma careta quando ela gritou com a dor, achava que todo aquele drama era desnecessário – Você não vai a lugar algum, porque depois dela é a sua vez.

Ele olhou para Lola no canto da sala. Ela tinha aproveitado aquela distração pra tentar se levantar, e estava quase conseguindo. Mas Dawson nunca a deixaria escapar.

- Onde você pensa que vai? Agora é a sua vez de morrer – Ele caminhou até ela e mirou nas suas pernas. Acertou um tiro no joelho direito, e a fez cair – Você também não vai a lugar algum. Você não sabe o quanto esperei por este momento – Ele a puxou pelo cabelo e a levou até o centro do ginásio. Segurou seu corpo bem forte para que ficasse em pé, com o rosto bem próximo do seu – Por mais que te matar queimada me deixe excitado, não temos tempo. Mas isso não quer dizer que você não vai sofrer um pouquinho.

Effy viu o momento em que Dawson retirou uma faca da sua cintura. Não teve como salvar Lola. Ele lhe deu duas facadas na barriga, e sorriu.

- Agora você morre.

Assim que terminou de falar, Dawson ouviu um barulho estrondoso. Parecia que algo estava sendo demolido, ou havia explodido, e demorou pra entender o que era. Paige havia invadido o ginásio com o carro que Lola usara para chegar, na parte esquerda. Girou o volante para alcançar seu alvo, e atropelou Dawson e Lola de uma só vez.

Eles foram arrastados pelo carro até a arquibancada, perto de onde havia uma trave velha de futebol. Lola caiu perto dos ferros, já inconsciente, enquanto Dawson, próximo aos cacos de vidro da janela. Ele estava completamente vulnerável, e longe o suficiente de Lola para que Paige planejasse seu próximo movimento.

Ela deu a ré no carro e olhou pra ele uma ultima vez. Estava de quatro no chão colocando sangue pela boca, com um olhar estrábico por causa da pancada na cabeça. Era a chance que tinha para matá-lo. Tinha visto pela janela do lado de fora como ele era cruel. Matou o próprio parceiro, surrou a própria filha e atirou em Owen. Agora tinha certeza que ter ido embora seria uma péssima ideia. Se tivesse ido, Effy e Lola provavelmente estariam mortas.

- Desgraçado, morra! – Gritou ela, pisando no acelerador, mas não conseguiu acertá-lo. Dawson se jogou pro lado e deixou Paige acertar as arquibancadas.

Ela ficou inconsciente subitamente, com a cabeça encima do volante enquanto respirava a fumaça formada pela queda das estruturas de cimento. Foi um prato cheio para que Dawson a atacasse. Ele a retirou do carro puxando-a pelo cabelo e gritando insultos. Iria enforcar a garota que se atrevera a lhe machucar e interromper seu momento sagrado.

Só não contava que Effy ainda tivesse forças para entrar na brigar e salvar a amiga. Ela pulou encima dele, e ficou suspensa em suas costas.

- Paige, corre! – Ordenou ela a amiga, e era exatamente a única cosia que Paige não poderia fazer. Nunca abandonaria Effy, mesmo que morresse.

Ela viu o momento em que Effy era arremessada no chão e decidiu lhe ajudar. Pegou uma pedra e correu na direção dele, mas teve o braço segurado. Ele o entortou, olhando nos olhos dela.

- Gosta disso, vadia? – Dawson entortou tanto que acabou quebrando seu braço.

Era uma dor inimaginável. Por pouco o osso não apareceu na superfície. Não tinha mais como lutar, era o fim. Mas o interesse de Dawson era em outra garota. Por isso jogou Paige contra o carro e a deixou agonizando no chão, segurando o braço.

Ele se virou para Effy, estava encima dos escombros tentando fugir pelo lado da arquibancada.

- Você não vai a lugar algum! – Disse ele, e correu atrás dela mancando.

Só Deus sabia o quanto era difícil movimentar-se com aquela perna ferida. Isso lhe fez perder tempo, e ser alcançada por Dawson. Ele puxou seu pé esquerdo e tentou jogá-la, mas ela se segurou na arquibancada e tentou fazer com que ele soltasse.

- Me solta! – Ela gritava.

- Eu vou matar você!

Por estar fraca demais, Effy acabou perdendo. Ele conseguiu puxá-la para mais perto e lhe arremessou arquibancada abaixo. Ela caiu perto do carro, e ele caminhou na sua direção com um sorriso sádico no rosto.

Effy não teve tempo de se levantar ou se defender, foi agarrada novamente e depois jogada perto no metal que dividia o ginásio da arquibancada. Ela sabia que ele estava apenas brincando. Ele poderia ter tido seus baixos, mas ainda era um jogo. Ainda sentia prazer em ver as pessoas sofrerem antes de matá-las, por isso assustou todas elas primeiro para depois acabar com suas vidas. Ainda se deu ao trabalho de deixar pro final apenas aquelas que tinham um segredo, só pra ter como chantageá-las se quisesse levar o jogo a outro nível. Seria o fim, ou Effy poderia tirar proveito de que não iria matá-la logo?

De qualquer modo, ela tinha certeza que iria morrer. Lola e Owen estavam feridos, Paige estava agonizando por causa do braço perto do carro, e não havia mais ninguém que poderia salvá-la.

- Está gostando? – Perguntou ele, aproximando-se novamente. Effy estava rastejando no chão, tentando se afastar – O que foi, já está cansada? Eu não!

- Não! Por favor!

- Isso é pelo meu filho! – Dawson pulou encima dela, e lhe virou de peito pra cima para que pudesse agarrar seu pescoço.

Eles ficaram cara a cara, Effy tinha certeza que nunca tinha visto tanto ódio no olhar de alguém como estava vendo nos seus. Mas também, ela notou uma debilitação. Ele estava fraco porque tinha sido atropelado, ainda botava sangue do nariz e mantinha a perna numa estranha posição. Parecia estar machucada.

- Está gostando disso? Hein? – Gritou ele, apertando seu pescoço.

Effy tentou se debater para se salvar, mas não conseguiu. Se ele estava debilitado, ela estava mais ainda. Não tinha jeito. Em poucos segundos ela morreria e não havia anda que podia fazer.

- E agora quem vai te salvar? O irmãozinho pródigo? A Rainha do Baile? Hein? Quem vai te salvar?

Em fração de segundos, as palavras de Dawson tornaram-se a mais fiel das ironias. A ultima coisa que ouviu foi o grito histérico de Paige antes de receber uma machadada nas costas. Apenas com isso já havia perdido as forças, e parou de forçar a garganta de Effy. Porém, Paige não parou. Lhe deu outra machada, que iniciou uma série de ataques, sempre com dificuldade por estar usando apenas uma mão para se defender.

E parecia que nada poderia lhe fazer parar. Não importava que ele estava encima de Effy e que ela estava tomando um banho de sangue, Paige estava incontrolável. Tinha acertado machadas em toda sua costa e na cabeça, ele já estava morto.

- Paige, para! – Pediu Effy num grito, mas Paige só parou quando não teve mais forças.

Estava tão cansada que caiu assim que terminou. E então, logo veio o choro. Estava feliz, mas ainda assim se sentindo suja. Tinha acabado de matar alguém com as próprias mãos e terminado com toda aquela história. Tinha salvado a vida da melhor amiga, porém, por um preço alto.

Effy percebeu o modo como ela estava sentada no chão e correu para lhe abraçar, logo depois de tirar o corpo de Dawson de cima de si. Nenhuma delas se importou com todo aquele sangue, finalmente tinha terminado e elas conseguiram sobreviver.

Era um abraço de vitória, de angústia, e que finalmente significava que elas estavam em paz. Não haveria mais ninguém lhes perseguindo, ninguém mais iria morrer, e elas não precisariam mais mentir. A felicidade era tão grande que chegava a doer no peito, e acabava soando como um verdadeiro desespero, que todas elas uma vez conheceram.

- Acabou – Disse Effy no ouvido da amiga, mas ela não parava de chorar – Paige, acabou... – Por cima do ombro de Paige, Effy olhou para os corpos de Dean e Owen. Não sabia se Dean estava vivo, mas Owen se mexia, estava tentando levantar a cabeça. Era um alívio.  Por causa dele e de Paige ela estava viva, e seria eternamente grata.

- Acabou... – Repetiu Paige. Era tão surreal que precisava se esforçar para acreditar. Era como acordar de um pesadelo, e ter a certeza que ele nunca mais iria lhe atormentar.

- Hey – Effy segurou seu rosto com as duas mãos cheias de sangue e olhou em seus olhos – Vai ficar tudo bem, eu prometo...

- Eu sei... – Paige enxugou suas lágrimas.

Mas a paz não durou muito tempo. Do outro lado do ginásio elas ouviram um barulho, e olharam no mesmo instante com o susto. Era Lola tentando se levantar com a ajuda do ferro da divisória, mas falhou e caiu novamente no chão.

- Ela está viva... – Sussurrou Paige.

E isso soava como uma decepção para Effy. Ela não tinha esquecido tudo o que Lola tinha feito. Ela era a culpada por tudo, e esta era a única coisa em que Dawson tinha razão. Por isso, só havia um jeito de fazê-la pagar. Effy pegou o machado caído ao lado e se levantou, fazendo a curiosidade de Paige ser despertada.

- O que você vai fazer? – Perguntou ela, mas foi ignorada.

Effy não queria dizer mais nada, ou sequer pensar. Caminhou na direção de Lola com a expressão cansada, porém, cheia de raiva. Lola soube o que ela iria fazer no momento em que viu o machado em suas mãos.

- Por favor... – Implorou Lola com um gemido – Me ajude... Estou morrendo...

Effy não disse nada, esperava que seu olhar de desprezo e decepção falasse por si só. Ela podia ver a falsidade nos olhos de Lola, ela só estava fingindo para se salvar, como sempre fizera. Era injusto que ainda estivesse respirando quando pessoas inocentes tinham morrido por causa de sua mentira.

Foi a primeira vez em que Effy sentiu ódio, ela tinha certeza. Era um ódio tão grande que sua respiração ficou incontrolável aos poucos, ainda mais depois que percebeu que não teria coragem para fazer aquilo. Não valia a pena se tornar uma assassina por causa de Lola, não por um ser tão desprezível que já estava encontrando seu fim. Já tinha perdido sangue demais por causa das facadas, não tinha como sobreviver.

- Não vale a pena... – Effy jogou o machado pro lado e deu dois passos para trás. Olhou para Lola novamente com desprezo, mas estremeceu assim que a ouviu usar suas ultimas forças para dar uma risada.

- Você sempre foi fraca... – Cuspiu Lola – Por isso todos que você ama estão mortos...

- E agora é a sua vez...

Lola tossiu uma ultima vez, e acabou soltando sangue. Cravou as unhas no chão por causa da dor que estava sentindo, sabia que seu fim estava próximo. Mas antes que fosse, ela olhou para Effy mais uma vez só para deixar claro que a desprezava. Era incrível como nem no momento de sua morte ela aprecia arrependida.

- Uh... – Gemeu ela, cravando as unhas no chão novamente.

Aos poucos, sua respiração foi perdendo a força e os sentidos pararam, até que finalmente estivesse morta. Seus olhos continuaram abertos, e deles ainda escorriam suas ultimas lágrimas.

Effy suspirou. Era o máximo que poderia fazer naquela situação. Não estava sentindo pena, ou remorso, ou repassando na cabeça as boas memórias para se sentir menos culpada por ter achado aquilo certo. Lola estava morta, e isso era um alívio. Porque agora sim, estava tudo acabado.

--

Enquanto Effy ajudava Owen a caminhar para fora do The Purple, Paige girava as chaves do carro. A chuva já havia cessado, por sorte, e estrada estaria mais limpa para quando eles fossem sair. Mas ainda havia outro desafio. Se Owen não fosse levado as pressas para o hospital, sangraria até a morte.

- Aqui – Paige abriu a porta do carro para os dois assim que chegaram.

Com a ajuda de Effy, ela conseguiu fazer com que Owen se sentasse. Ele gemeu com a dor, e isso fez Paige se policiar para tomar mais cuidado.

Ao ajudá-lo a colocar o cinto, Effy notou um objeto brilhante encima do porta luvas. Era um isqueiro prateado com as iniciais do acompanhante de Lola gravadas. Sua imaginação começou a fluir, e de repente, ela tinha outros assuntos para tratar naquele lugar. Pegou o isqueiro rapidamente e fechou a porta.

- Agora vão, ele precisa de um hospital.

- Você não vem? – Paige olhou para ela, perplexa.

- Não posso. Preciso resolver uma coisa.

- Effy, não! Você também está ferida! Entre no carro!

- Eu vou ficar bem. Agora vá, Owen está ferido.

Paige ficou olhando pra ela, não tinha como convencê-la a ir junto. Ela era Elizabeth Wheeler, nunca desistia, e nunca mudava de ideia.

- Você tem certeza?

- Sim – Effy assentiu – Confie em mim.

Desse jeito, Paige realmente não tinha outra escolha. Esperou Effy se afastar mais do veículo para pisar no acelerador. Só esperava que ela ficasse bem e não fizesse nenhuma besteira. Mas ela não faria. Não de acordo com seus princípios, não depois de tudo o que tinha sofrido.

Ela esperou o carro desaparecer no horizonte para voltar ao The Purple. Entrou pelo enorme buraco criado por Paige quando invadiu o local. E tudo estava do mesmo jeito. Dean caído no chão, ensanguentado. Lola cheia de sangue do outro lado. E Dawson, o desgraçado, completamente estraçalhado perto da divisória da arquibancada. Mas ainda não era o bastante. Toda aquela história tinha terminado com a morte de Lola, mas ela precisava de um ponto final para si mesma. E não via como fazer isso se não destruindo aquele lugar.

Ela correu até os galões de gasolina próximos ao corpo de Penn e os abriu. Esvaziou os dois pelo ginásio inteiro, ou melhor, pelo que mais importava. Jogou gasolina nas paredes, nos corpos de todos eles e por cima de todas aquelas ferramentas que Dawson usara.

Estava tudo preparado pro seu ponto final. Effy correu para perto do enorme buraco e acendeu o isqueiro. Olhou pra tudo por uma ultima vez, só para que aquilo ficasse na sua memória para sempre. Foi ali que renasceu, e conseguiu se desprender de tudo o que lhe atrasava, de tudo o que lhe fazia mal. Foi ali que sua culpa morreu e que as portas foram abertas para que finalmente fosse feliz. E era exatamente disso que queria lembrar.

E foi com essa pensamento que ela iniciou o incêndio. Jogou o isqueiro na poça de gasolina no chão e ficou observando as chamas por alguns segundos, o suficiente para olhar o corpo de Dean sendo carbonizando enquanto arremessava longe o colar que lhe dera.

Depois, correu pro lado de fora, e parou quando chegou perto das árvores só para que pudesse olhar o fim do The Purple. Ela ficou em êxtase quando viu o fogaréu, quase hipnotizada, como se estivesse em choque demais para ter uma expressão.

Aos poucos o fogo ia se alastrando e o prédio ia desabando. O fogo iluminou os arredores daquele local, e acabou tirando toda a atenção do céu estrelado. Era uma linda noite para queimar toda aquela loucura e seguir em frente. A história de Charlie Abram, morria ali.

--

 - Tudo bem senhora, vamos averiguar, o delegado já está ciente da sua situação – Disse a secretária Starla ao telefone. Esperou a moça do outro lado da linha terminar o que estava dizendo para se pronunciar novamente – Ok senhora, mas tente manter a calma. Uma viatura já está chegando à sua casa. Tudo bem? – Ela hesitou para ouvir a resposta – Ok senhora. Espero que dê tudo certo.

Então, a chamada foi encerrada. Ela tomou um gole do seu café ao lado e continuou mexendo no computador. A noite não estava lhe deixando relaxar, era a terceira chamada em quinze minutos. E pro seu azar, o telefone tinha acabado de tocar novamente.

- Delegacia de polícia, boa noite – Disse ela, e esperou uma resposta. Mas só o que ouviu foi uma respiração ofegante – Alô? Tem alguém na linha? Alô?

- Meu... – Sussurrou Effy.

- Senhora? Fale mais alto, por favor.

- Meu... – Sussurrou Effy novamente, com a voz sem vida – Meu pai tentou me matar... Estão todos mortos.

- Senhora? Quem está morto? Senhora?

- Siga o incêndio...

E então, a chamada foi encerrada, sem dar mais explicações.

--

Effy estava aparentemente bem. Sua pele estava limpa, e seu cabelo, de volta ao lugar. As cicatrizes no rosto eram as únicas marcas que provavam que a noite passada havia acontecido, e se não fossem por elas, ela teria achado ter sido apenas um pesadelo.

Ela passara a noite no hospital explicando a polícia o que havia acontecido e tratando de seus ferimentos, e não teve tempo para dormir. Preferiu cuidar de si mesma com um belo banho para tirar todos os traços da noite passada e refletir sobre tudo o que tinha acontecido. A maioria das pessoas se sentiria imperecivelmente traumatizada, mas ela, sentia-se limpa, quase renovada.

Esperou o sol nascer para sair de seu quarto e visitar os amigos. Afinal, a noite passada não se resumiu apenas nela, e Paige e Owen saíram com ferimentos bem mais graves.

De acordo com a enfermeira, Paige estava no quarto trinta e nove, e Owen, no vinte e dois. Por estar mais próxima do quarto de Owen e já ter planejado na noite passada algo para lhe dizer, Effy decidiu vê-lo primeiro, e teve uma surpresa quando viu ele e uma senhora de idade conversando lá dentro.

- Hey... – Sussurrou Effy – Desculpem, não queria interromper. Eu volto outra hora...

- Não, tudo bem – Disse Owen - Você pode entrar.

Effy olhou para a senhora novamente. Ela tinha cabelos ruivos e lisos, e uma tatuagem no pescoço. Vestia-se como uma garota mais nova, e isso acabava lhe deixando mais jovial também.

- É – Disse ela – Eu já estava de saída – Ela olhou para Owen e pegou na sua mão encima da cama. Seus olhos brilharam quando encontraram os dele – Eu venho te ver mais tarde, tudo bem?

- Ok – Owen assentiu.

Effy não sabia quem ela era, mas eles pareciam ser bem íntimos. Tão íntimos que ela se inclinou para beijar sua testa, e até fechou os olhos.

- Se cuida – Disse ela, e começou a andar.

- Tchau mãe – Disse Owen, e Effy ficou paralisada. Ela observou a senhora caminhar até a porta lhe lançando um sorriso simpático, cheia de duvidas na cabeça. Ela era a mãe de Charlie, a mãe de Owen, e ex amante de seu pai. Era a única que poderia lhe esclarecer as duvidas que ainda faltavam. Mas primeiro, ela precisava falar com Owen.

Quando ela saiu, Effy e Owen se olharam. Então, eram apenas eles ali dentro, e qualquer que fosse o assunto que ela parecia querer tratar. Mas era difícil. Ela não se sentia íntima de Owen, ou conectada de alguma forma. Nem mesmo terem passado por tudo aquilo juntos poderia fazê-la sentir-se mais próxima dele.

 - Você parece bem – Disse Owen. Estava se referindo a aparência de Effy. Estava usando suas roupas cotidianas, nem parecia ter levado um tiro na noite anterior – Está indo pra casa?

- Não, só fugi por alguns minutos. Ainda estou em observação.

- A perna ainda dói?

- Só quando respiro – Effy sorriu, e lhe roubou um sorriso também.

Eles ficaram se olhando por alguns momentos, até ficar constrangedor o suficiente para que Effy se prostrasse a falar.

- Ok – Ela suspirou – Acho que a ultima coisa da qual você quer falar é sobre ontem a noite, mas...

- Você não precisa se desculpar... Não foi sua culpa. Nada disso foi.

- Eu não deveria ter deixado Lola me manipular... Eu deveria saber...

- Não, não deveria. Não teria como. E isso já passou.

Effy assentiu, mordendo o lábio. Só estava querendo impedir um soluço de choro. Era incrível como Owen via a situação. Era tão ético e bom, que parecia um anjo. O anjo que chegou na hora certeza para salvá-las. O anjo que libertou Paige para que pudesse fazer a diferença mais tarde. E alguém que soube o tempo inteiro da injustiça que havia sido cometida contra seu irmão e se calou. Pelo menos o cabelo loiro e os olhos azuis ele já tinha.

- Eu queria poder entender... Se Dawson sabia de tudo, por que não tirou Charlie da prisão? Não faz sentido... Por que ele não ficou com Charlie?

- Dawson só descobriu que Charlie era seu filho há pouco tempo. Então começou a fazer de tudo pra tirá-lo de lá. Ele me pediu pra participar da fuga que ele estava planejando – Owen deu um ar de risos – Ele era doente... Por isso eu nunca disse o que tinha acontecido.

- Como ele descobriu?

- Eu não sei. Mas acho que já era tarde demais... – Owen fungou. Estava na cara que não queria mais falar sobre aquilo, então tratou de mudar de assunto – E o que vai acontecer com você? Eles vão te culpar pelo incêndio no hospital?

- Eu não sei... – Effy deu de ombros, de maneira depressiva – Eu espero que sim... Eu machuquei pessoas, e vou ter que pagar por isso.

Owen ficou olhando pra ela, como se tentasse decifrá-la. Ela logo sentiu um grande incômodo. Tinha superado o fato de Dawson não ser seu pai e ser um serial killer que perseguia e matava suas amigas junto de seu namorado, mas não tinha superado a timidez quando ela e um garoto faziam contato visual.

- O que foi? – Perguntou ela, colocando as mãos no bolso.

- Só estou feliz que nada tenha acontecido com você...

 - Obrigada – Effy assentiu, mesmo não tendo entendido seu tom de voz e seu olhar misterioso – Preciso falar com Paige. Espero que você fique melhor...

- Valeu.

Effy assentiu mais uma vez, e então, se retirou. Ficou do lado de fora encostada na porta, olhando as pessoas passando. Nem se importava que alguma enfermeira lhe reconhecesse, ou que pudesse encontrar seu médico. Ali parecia um ótimo refúgio para pensar sem ter que ficar tecnicamente sozinha.

E ela pensou. Pensou tanto, que chorou. Colocou a mão na boca e impediu que um grito saísse. Não era tristeza, angústia, ou qualquer outra coisa parecida. Era apenas felicidade. Uma felicidade tão grande que ela soltou uma risada no meio do choro. Obviamente, sentiu-se uma idiota por ter feito aquilo, mas era altamente necessário, porque era exatamente o jeito como ela estava se sentindo por dentro. Ela tinha sobrevivido, e era o suficiente.

Ao limpar as lágrimas que escorriam pelo rosto, Effy olhou para o lado, como num reflexo, e viu uma moça vestida de preto e de óculos escuro com as mesmas feições de Lola. Ela estava lhe observando com bastante atenção, como se quisesse lhe dizer alguma coisa.

A primeira coisa em que Effy pensou foi em estar vendo Lola. Cerrou os olhos e deu dois passos para frente pra ter certeza, não poderia ser, Lola tinha morrido, ela mesma viu. E então, uma cortina de rodinhas que transportava um paciente passou na frente da garota e explicou todo aquele acontecimento. Lola desapareceu subitamente, e Effy ficou preocupada.

Não poderia dizer a si mesma que tinha sido apenas uma alucinação, porque alucinações nunca são uma boa notícia. Mas vê-la desaparecer de um modo sobrenatural do mesmo jeito com que aparecera, era no mínimo reconfortante.

- Effy – Disse sua mãe, assustando-a por trás.

Effy deu um pulo e um pequeno grito, havia assustado a mãe também.

- Deus – Mary Beth colocou a mão no peito – Você está bem?

- Não... – Effy olhou para onde a imagem de Lola tinha aparecido. Nenhum sinal dela – Mas vou ficar...

--

O The Purple tinha sido completamente destruído. Não havia restado nada, apenas cinzas, e madeiras queimadas, que os policiais de Ridgefield insistiam em averiguar.

Eles andavam pela floresta inteira procurando os corpos que Effy Wheeler dissera que haviam lá, ou qualquer outra pista que pudesse ajudar. Cada detalhe era importante, e ajudaria na identificação das vítimas carbonizadas.

O policial David era o que estava mais perto das madeiras queimadas. Seus parceiros estavam se aventurando pelos arredores da floresta, chegando bem perto do local onde as garotas estavam enterradas. Mas ele, preferiu ver de perto o estrago que havia se formado por causa de uma das sobreviventes.

Foi averiguando os arredores que ele encontrou algo inusitado. Há uns dois metros de onde havia várias madeiras carbonizadas, ele viu um salto alto preto. Estranhou por estar vendo um objeto inusitado naquela cena, e decidiu se aproximar para ter certeza. Não só havia um salto jogado no meio da lama, como também, várias pegadas que levavam até o interior da floresta.

A princípio nenhuma conclusão podia ser tirada, a não ser que alguém que estava lá dentro havia corrido pra fora antes de tudo desabar. E a única que estava usando saltos ali dentro, era Lola Ridell.

- Hey David – Chamou o Policial Kurt num grito, estava perto das árvores. David se virou pra olhar, ainda com o salto nas mãos – Encontrou alguma coisa?

- Não – Respondeu David, e olhou para o salto novamente – Ainda não...

E então, deixou o objeto no mesmo lugar. Se o que foi dito sobre Lola Ridell era verdade, ela já estava longe. E se já estava longe, era melhor que assim ficasse. Para seu próprio bem, e pelo bem dos moradores de Ridgefield.
Fim...?
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Comentários
10 Comentários

Comentário(s)

10 comentários:

  1. Final Perfeito, a melhor história que voce escreveu *_* Parabéns e aparentemente terá uma continuação, espero que sim :DD

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  2. Joao, demore o tempo que precisar, pra trazer a próxima historia ou continuação, porque você tem uma mente divina.

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  3. Ai meu Deus que final perfeito,Por favor My Last Lie 2 já!!!!! essa foi com toda a certeza a história mais foda que voce ja escreveu, Effy e Owen precisam ficar juntos,SERA QUE A Lola sobreviveu? espero que sim,Lola precisa voltar e ter um Bitch Fight com a Effy no proximo livro,nossa valeu a pena esperar,o final mais perfeito que eu ja vi.

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  4. Não posso negar que fiquei muito feliz por essa ponta, Lola viva *-* Que final maravilhoso, Owen e Effy precisam ficar juntos porque a tensão sexual deles no hospital foi muito forte, Paige subiu no meu conceito, e Lola é simplesmente foda, personagem preferida, quero My Last Lie2, vai ter né João, responda por favor.

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  5. Final 100% PERFEITO!!,espero que a Lola esteja mesmo viva assim é garantido uma continuação,quero que Effy fique com o Owen já que o Penn morreu,coitado do Charlie por tudo que ele passou é de se esperar que ele tenha surtado,esperando ansiosa e paciente My Last Lie 2.

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  6. A melhor historia, pena que ficou muito grande.

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  7. Pena que ficou muito grande, a faça um favor e va ler chapeuzinho vermelho "Anônimo". - ÓTIMO JOÃO, MEU DEUS, ESPERANDO ANSIOSAMENTE A CONTINUAÇÃO QUE ACHO QUE VAI TER, NÉ?

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  8. Uau perfeito eu fiquei sem palavras com cafa frase que eu lia
    Dawson muito foda com todas as suas falas
    effy e owen precisam ficar juntos eles formam um belo casal
    Paige sobreviveu e ainda foi a heroina do dia muito obrigado joão por deixar ela viva
    agora a personagem mais vaca Lola estava mais diva do que nunca ate na hora da sua quase morte tomara que ela sobreviva para ter uma perte dois com as três

    Mas eu queria perguntar algo, voces ja tem planos para algum outro livro ou um hell yes 2 ?

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  9. Obrigado mais uma vez pessoal, vocês são os melhores, já disse isso né? *---*
    E Desculpem a demora pra responder. Tava esperando os outros 3 leitores terminarem de ler, mas parece que vão demorar, então aqui estou KKKKK.
    Então gente, a sequencia de My Last Lie vai acontecer, mas vai demorar bastante. Porque agora temos o Concurso EA, uma história do Nefferson pra postar e A Punhalada 3, que precisam vir primeiro.
    Mas essa sequencia não vai trazer nenhum dos personagens antigos de volta. Vai ser uma história completamente diferente, sobre mentiras, é claro, e talvez com um grupo formado apenas por garotos ou misturado. Os outros personagens serão apenas mencionados, só pra deixar claro o que aconteceu com cada um, se Effy ficou com Owen, se Paige foi condenada pela morte do garotinho que atropelou e etc...
    Ah, e anônimo, provavelmente meu próximo livro vai ser A Punhalada 3. Quanto a Hell Yes 2 e Destino Final 2, apenas no futuro, e ainda não sei se realmente vão acontecer. =D

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  10. o atrasado de novo, comentei no capitulo acid skye a situação sobre a categoria de livros e vi que vc ja posto aki separadinho.
    bom ja li a punhalada e preciso de uma continuação este livro foi realmente incrivel e tambem merece uma continuação, parabéns pelo seu trabalho.

    Obs: para mim o verbo fitar esta para punhalada assim como sibilar esta para my last lie, sempre que ouvir as palavras irei lembrar na hora das historia, só acho dificil alguem as usa-la mas emfim.

    até a próxima.

    Felipe

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