quarta-feira, 14 de outubro de 2015

[Crítica] A Entidade


Direção: Scott Derrickson
Ano: 2012
País: EUA
Duração: 110 minutos
Título original: Sinister

Crítica:

Uma vez que você vê-lo, nada poderá te salvar.

Eu sempre critico os títulos nacionais quando os filmes são lançados por aqui. Não pode ser tão difícil traduzir literalmente, certo? Mas tenho que reconhecer que em alguns casos, um novo título é bem-vindo. Um exemplo interessante é este filme, que, no título original, se chama Sinistro, algo totalmente clichê e sem o menor impacto. A Paris Filmes optou por traduzir como A Entidade, que apesar de não ser genial, é melhor que o original e até se encaixa mais na trama. Isso serve de exemplo para as pessoas que gostam de falar mal apenas dos títulos nacionais. Lá fora, as coisas também são tensas, com muitos títulos bobos e repetidos.

A história gira em torno de uma família que se muda para uma casa onde um crime horrível aconteceu. Mas a mudança não ocorreu por acaso, já que o patriarca estava contando com essa experiência de perto para escrever o seu mais novo livro de suspense investigativo. Tentando descobrir detalhes do crime, Ellison Oswalt, o escritor, entra de cabeça em um mistério sinistro que envolve uma entidade que aparece em algumas filmagens de mortes encontradas no sótão. Mas não demora muito para ele perceber que a entidade é uma maldição e, enquanto ele perdeu tempo solucionando o mistério, a entidade estava selecionando os membros de sua família. Agora, Ellison terá que correr contra o tempo para impedir um desfecho trágico, que jamais parará de acontecer.

Em um mar de produções focando o sobrenatural, temos aqui um dos filmes mais interessantes lançados nos últimos anos. Fugindo do subgênero "assombração", temos aqui um roteiro que traz uma proposta original, que poderia facilmente sustentar sua própria franquia. Some uma mitologia bem construída com uma execução tensa e temos um terror que consegue superar nossas expectativas. A Entidade consegue ficar acima da média porque consegue desenvolver sua própria identidade, afastando-se de outras produções semelhantes do gênero. Há diversas características que fizeram este filme se destacar, dentre elas: o seu vilão Bughuul e os chocantes vídeos caseiros.

Apesar da trama original sendo desenvolvida no decorrer do filme, existem alguns momentos clássicos envolvendo assombrações do Bughuul que são bastante eficientes - e que poderiam estar presentes em qualquer outro filme sobrenatural. O primeiro é quando o personagem principal coloca uma foto na direção da janela e, quando a abaixa, é revelada a entidade no meio do mato. E o segundo momento é quando a entidade toma vida e olha para o personagem da tela do computador. Foram cenas simples, porém bem executadas. Sem contar que o diretor soube deixar os espectadores apreensivos, com longos momentos de silêncio, fazendo com que nos assustemos com as cenas mesmo que já estejamos preparados para elas. É o bom e velho "Sabia que ia me assustar... E me assustei". O diretor sempre demora um tempo a mais do que estamos preparados, fazendo-nos baixar nossa guarda.

Algumas subtramas só estão presentes no filme para confundir os seus espectadores, como o distúrbio do sono do filho do protagonista. Não há nenhum propósito em torno desse problema além de causar algumas cenas tensas na escuridão da noite. O personagem do deputado "fulano de tal" também não mostra muita relevância, mas sua introdução veio a se justificar na sequência - na qual ele é um dos protagonistas. Por fim, o vilão é assustador e foi muito bem caracterizado, mas o roteiro erra mais uma vez ao praticamente descartá-lo no terceiro ato - logo quando ele seria fundamental para o desfecho do filme. Seria mais interessante se o Bughuul tivesse um papel mais ativo no final da história, ao invés de observar o trabalho alheio das sombras.

Aliás, o desfecho pode não agradar a todos (de fato não agradou a mim na primeira vez que assisti). É diferente dos rotineiros finais felizes, mas o filme não teria o mesmo impacto caso terminasse de uma forma diferente. O enredo desenvolve sua mitologia e não tem medo de colocá-la em prática. Testemunhamos o inevitável desfecho de uma linha temporal condenada a se repetir, o que além de mostrar a força da história, também a amarra corretamente. Considero este filme tenso, muito acima da média. Se não te conquistar da primeira vez, talvez uma segunda conferida amplie os seus conceitos - principalmente agora que a segunda parte já foi lançada. Quem tem medo do bicho-papão?


Trailer Legendado:

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Comentários
1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários:

  1. vanessa vasconcelos reznor1 de dezembro de 2012 22:32

    achei esse filme fraco ,mas não achei ruim não,mas é difício eu me assustar com filmes assim, até dormi assistindo ele,pois assisti em casa,acho que se eu tivesse assistido no cinema o efeito teria sido outro,mas agora é tarde.eu já tinha colocado minha opinião sobre esse filme em outro site,mas dá pra assisti-lo numa boa,só não tem muito impacto.

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