terça-feira, 16 de outubro de 2012

[Livro] My Last Lie - Capítulo 13: Pandora's Box

Don't  Be Curious.

Effy olhou para o palco assim que ouviu o publico bater palmas. Estava sentada no jardim do colégio junto do resto da cidade. Pais, amigos, professores e trabalhadores que ajudaram na formação de caráter e disciplina de todos os alunos presentes naquela formatura.

A oradora tinha acabado de subir ao placo, com a beca preta e o chapéu com detalhes azuis, exatamente como o logotipo do colégio. As garotas – sentadas na primeira fileira lado a lado – não tinham coragem nem mesmo de sorrir para que tudo parecesse estar bem. Era difícil sorrir quando só do que lembravam era de ter enterrado seus amigos na noite passada.

- Quando eu era uma criança, me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Eu disse “eu não sei, mas com certeza não quero estudar para conseguir”. – Disse a oradora, fazendo a plateia soltar uma risada - Porque desde criança sempre soube que quando chegasse a hora eu teria certeza do que quero. Mas se hoje alguém me perguntar quem eu quero ser... Eu simplesmente vou lhe dar a mesma resposta. Não por não saber quem eu quero ser, mas por saber quem eu não quero ser. Não quero ser mais uma na multidão. Não quero ser aquela que precisa parar o mundo quando partem seu coração. Também não quero ser aquela que espera algo cair do céu quando pode conseguir com o próprio esforço. Devemos amar, beijar, chorar, cair, levantar, ser nós mesmos, porque no fim, é a única coisa que podemos prometer. Obrigada.

Ao terminar, o público ficou de pé para aplaudir. A garota apenas sorriu e os assistiu dando gritos de emoção. Nem percebeu – no meio de tanta gente feliz – que no começo da fileira da esquerda havia quatro garotas que não tinham vontade alguma de comemorar.

Mas, a tortura estava prestes a terminar. Ela subiram ao palco para pegar os diplomas e posar para algumas fotos. Apenas um sorriso forçado e uma conversa educada bastou para que cada uma fizesse suas obrigações. Logo a formatura acabaria e elas poderiam voltar a realidade.

Vinte minutos depois da cerimônia, os alunos todos já tinham se aglomerado na outra parte do jardim. O Senhor Barry Singleton, Prefeito da cidade, estava propondo um brinde ao filho e ao futuro que tinha lhe reservado, junto de Billy Ridell e todas as amigas de sua filha.

- Olha! – Gritou Dean, ao sacar a rolha do champanhe.

Logo veio uma série de gritos que fez Effy se encolher. Todos ergueram as taças para que Dean as enchesse, mas quando chegou a vez de Lola, ele acabou fazendo sua taça transbordar.

- Uow, Desculpa.

- Ta tudo bem – Disse Lola, colocando a taça na mão esquerda para que pudesse sacudir a direita, onde o champanhe havia caído.

- Então, ultimo ano – Disse Barry – Acho que todos vocês merecem os parabéns.

- Bom, Obrigada – Respondeu Lola, levantando a taça.

- Você é uma garota inteligente, Lola – Barry apontou pra ela com o indicador – Princeton terá sorte em recebê-la.

- Não tanta sorte como Harvard terá em receber seu filho.

- Bom, vocês sabem como dizem... – Dean passou o braço pelo ombro de Effy – Você não escolhe Harvard. É Harvard que escolhe você – Ele tomou um gole de seu champanhe pela boca da garrafa, e logo recebeu um olhar de desprezo da parte de Lola.

- Exatamente – Concordou seu pai.

Effy olhou para Paige ao lado de Lola, a amiga estava revirando os olhos por causa de toda aquela conversa enquanto Courtney dava uma risadinha. Viu quando ela quase surtou ao notar o olhar de Barry encima dela, ele parecia interessado demais naquela desconhecida e melhor amiga da namorada do seu filho.

- E quem é esta jovem moça aqui atrás? – Ele se aproximou e pegou em sua mão para beijá-la.

- Paige Lawless.

- Lawless? Por que seu sobrenome me é familiar?

- Cidade pequena, eu acho. – Paige deu um meio sorriso.

- Pois bem. Você me parece ter um grande talento. Já pensou em entrar pra política?

- Na verdade, quero ser uma atriz – Paige assentiu, com um sorriso.

- Uma atriz? – Barry olhou para Billy, ele estava utilizando novamente aquela sua expressão de “nada mal” – Bom, estou certo de que Hollywood vai ter sorte em tê-la – Barry olhou para Effy e Dean, estava ajeitando o paletó – Bom, estou de saída. Teremos a honra da presença da futura senhora Singleton em nossa festa hoje a tarde?

- A honra é minha, senhor – Respondeu Effy, sem graça. Lola deu um ar de risos por causa de sua postura, tinha esquecido o quanto ela era antissocial.

- Ok então. Até mais – Barry passou por Dean, tocando levemente seu ombro – Com licença, vou roubar meu filho por um minuto.

- À vontade, senhor – Effy olhou para Lola, arregalando os olhos de deboche.

Dean e Barry deram quatro passos na direção das árvores, era o suficiente para que ninguém naquele círculo os ouvissem.

- O que foi pai?

- Não falarei isso duas vezes – Sussurrou Barry – Já dei tempo demais para que você cuidasse dessa garota. Isso não é um jogo, é a minha carreira, e eu estou há um triz de ganhar as eleições novamente, sabia disso?

- Sim senhor – Dean abaixou a cabeça e assentiu, estava completamente submisso, como sempre.

- Então não estrague tudo por causa de uma paixonite adolescente. Se quiser que ela compareça a nossa festa, mande ela tirar aquelas pulseiras de molambos e aquela maquiagem pesada no rosto. Também mande ela colocar o vestido que minha secretária comprou e os salto altos de sua irmã. Espero que nenhum de vocês me decepcione.

- Tudo bem, pai.

- Assim que eu gosto – Barry tocou o rosto do filho, e forçou mesmo vendo-o- recuar. Se não tivesse pulso firme, achava que mais cedo ou mais tarde o filho acabaria com sua carreira. E era melhor fazê-lo temer o pai do que viver na miséria novamente por causa de seus caprichos – Agora vamos, precisamos comprar algo pra sua mãe.

- Hey Effy – Gritou Dean. Ele olhou pra namorada, ela estava fazendo uma careta por causa do sol – Estou indo. Você vai ficar bem?

- Sim, é claro – Effy assentiu. Logo após, observou Dean partir com o pai. Tinha notado sua expressão cabisbaixa e tinha certeza que o pai mais uma vez o estava intimidando. Era sempre assim. Barry nunca ligava pras vitórias do filho. Se não tivesse sido avisado pela secretária que hoje era a formatura, nem teria ido vê-lo.

- Então – Billy olhou pras garotas – Quem quer uma carona pra casa?

- Estamos bem, pai. Vamos ver alguns vestidos pro baile de amanhã, então... Não se preocupe.

- Ok – Billy deu um beijo na testa da filha antes de se retirar – Te amo.

Lola observou o pai indo embora, Billy estava passando pelo gramado pra chegar até seu carro. Ele acenou pra filha uma ultima vez antes de dar a partida.

- Vocês acham que ele sabe? – Perguntou Effy.

- Não tem como – Lola olhou pro carro do seu pai desaparecendo na estrada. Saber que não iria mais fingir que estava tudo bem pras pessoas não conseguia ser motivo de alívio – Venham comigo.

As garotas foram até o banheiro do colégio, onde aproveitaram pra tirar a beca e ficar com as roupas que usavam por baixo. Paige foi a ultima a se trocar, estava dentro de uma das cabines enquanto as garotas trocavam ideias na frente dela.

- E o que você disse pro padrasto da Tessa? – Lola olhou para Courtney, assim como as outras garotas.

- Disse que ela e Corbin fugiram da cidade e vão passar uns dias fora. Não sei se acreditaram.

- Ok, temos que dar um jeito nisso, mas agora vamos focar em Edgar. Precisamos encontrá-lo.

- Não posso ir para Georgetown agora, tenho a festa do Senhor Singleton, Dean me mataria – Effy se escorou na pia de mármore.

- Bom, você não teria muitas festas pra ir se antes de agirmos ele decida continuar a matança.

- Nem sabemos se ele é um “ele” – Courtney cruzou os braços.

- Não, é definitivamente um “ele”. Quem me atacou na academia não poderia ser mulher, derrubou uma porta muito fácil. – Effy puxou na cabeça alguns flashes do dia anterior. Não estava tudo muito claro pelo que aconteceu depois, mas conseguiu lembrar perfeitamente da força que tinha o assassino e do físico. Era com certeza um homem.

- Não posso ir para Georgetown – Paige puxou a descarga. As garotas observaram quando estava saindo, ainda ajeitava a manga da blusa – Preciso ficar com meu pai, não posso deixar que nada aconteça com ele.

- Bom, acho que eu e vocês temos uma definição diferente pra expressão “ficar juntas” – Sibilou Lola, e não era apenas uma provocação.

Elas precisavam ficar juntas não apenas porque mentiram juntas, mas porque era mais seguro. Eram quatro, e se ele fosse atacar, teriam mais chance de sobreviver juntas. Muito mais do que se estivessem sozinhas.

- Você pode ir com Courtney – Sugeriu Effy – Eu e Paige ficamos aqui. Temos que ver o lance daquela caixa, de qualquer jeito.

- A caixa... – Lola caminhou até a pequena janela no fundo do banheiro, com seus saltos fazendo barulho na lajota. Depois cruzou os braços e virou pras amigas. Tinha uma opinião diferente quanto a teoria de Effy sobre a caixa de Violet – Acho que todos concordam que a pista com Edgar parece ser muito mais importante.

- Não, Owen falou com todas as letras “Quando a caixa de segredos é aberta, amigos se tornam inimigos”. Violet tinha uma caixa.

- Eu já ouvi algo sobre isso – Courtney olhou para Lola.

- Bom, talvez ele só goste de se fazer de poeta. Quem sabe? Ele mora num trailer e ainda é um de nossos suspeitos. Aliás, você pretende invadir a casa dela?

- Claro que não. A senhora Hills está fazendo um bazar com suas coisas hoje, seus pertences estão todos espalhados pelo jardim, precisaria mesmo de uma ajuda. E temos que ser rápidas, porque ela pode vender.

- Ainda acho que você está delirando...

- Não, tem algo errado – Effy olhou pro lado com a expressão cautelosa – Eu sinto...

- Ok então, vamos atirar pros dois lados – Lola se aproximou, já com aquela expressão de quem estava prestes a dar ordens – Você e Paige ficam aqui e procurem a bendita caixa. Eu e Courtney vamos a Georgetown atrás de Edgar. Ligaremos de meia em meia hora para informar nosso progresso e perguntar se vocês conseguiram – Lola olhou pro lado, Courtney pareceu se assustar quando percebeu que estava olhando pra ela – Toma, você dirige – Ela tirou as chaves do bolso e jogou no peito de Courtney ao passar por ela.

- Por que eu?

- Minha perna ainda dói e eu sou uma kamikaze no volante. Agora vem.

- Levem algumas armas! – Gritou Effy.

- Estão no porta malas, não se preocupe – Garantiu Courtney antes de sair.

Quando elas se foram, nada restou além do silencio. Nem Effy e nem Paige estavam dispostas a se pronunciar, o silencio parecia reconfortar seus corações de um jeito que não sabiam explicar. Estavam pensando na mesma coisa, e provavelmente sabiam disso.

- Então, vamos agora? – Perguntou Effy – Podemos passar no hospital depois com seu pai, se você quiser.

- Normalmente eu me faria de forte e pediria pra você não se preocupar, mas acho que eu estou mesmo precisando de ajuda...

- Ok, Então temos que ser rápidas. Vamos – Effy tomou à frente e abriu a porta.

- Hey Effy...

- O que foi?

- Obrigada... Por tudo... – Paige engoliu em seco. Não eram essas as palavras que queria lhe dizer, mas ainda não estava preparada pra tocar numa ferida tão antiga quanto a do dia em que foram atacadas no estábulo. Um dia, se conseguissem sobreviver a tudo aquilo, lhe pediria desculpas, mesmo sabendo que não merecia.

- Amigas são pra isso – Effy deu um meio sorriso, estimulando o mesmo de Paige – Vamos.

A viagem até a casa de Violet não demorou nem vinte minutos. Do outro lado da rua, de dentro do carro, podiam ver perfeitamente a aglomeração de pessoas na porta da casa, em meio a todos aqueles objetos cheios de histórias, mas que estavam sendo vendidos a preços baratos.

Como a flauta que Paige dera a Violet na quinta série quando ela estava tentando conquistar um garoto da banda. Estava encima do criado mudo marrom onde toda a semana Paige encontrava a maquiagem da amiga e coloria seu rosto com todos aqueles tons só pra parecer mais adulta e conseguir que seu vizinho de dezessete anos lhe notasse. Eram tantas lembranças que ela quase não se atrevia a participar de uma coisa que botava em questão a amizade que ela e Violet tiveram por anos, e que desmerecesse uma pessoa que foi muito importante na sua vida.

- Parece estar tudo ali... – Disse Effy num sussurrou, mas o silencio fez com que sua voz soasse gritante – Toda a vida dela resumida num amontoado de coisas que logo vai fazer parte da vida de outra pessoa... Seria horrível se não significasse seguir em frente...

- É a mãe dela – Paige apontou com a cabeça.

A senhora Hills estava ao lado de seu pequeno filho Paul conversando com alguns vizinhos. Mesmo de longe, Paige e Effy podiam ver seus olhos vermelhos e sua triste expressão. Ela também parecia diferente. O cabelo loiro estava mais escuro e a franja que cobria a testa inteira já não existia mais.

- Não acho que eu posso fazer isso...

- Paige – Effy pegou em seu braço, Paige virou na hora - Eu não quero enterrar mais nenhuma amiga minha. Eu quero ficar bem.

- Tarde demais, Effy – Paige fungou, e de repente, seus olhos se encheram de lágrimas – Não tem como esquecer tudo que já aconteceu, mesmo que a gente sobreviva, mesmo que a gente saia impune... Não tem mais jeito das coisas serem o que eram antes...

- Eu sei. Elas podem ser melhores. E nós vamos conseguir... Confie em mim – Effy tocou a mão da amiga deitada sobre a perna dela. Apertou com força enquanto ambas assentiram. Paige já estava se sentindo mais segura – Vamos. Você procura a caixa no bazar e eu vou no andar de cima ver se deixaram alguma coisa pra trás. Não deixe ninguém subir.

- Ok – Paige enxugou as lágrimas e fungou uma ultima vez.

As duas saíram do carro e bateram a porta quase no mesmo instante. Olharam pros dois lados antes de atravessar a rua, e desviaram de uma bicicleta no meio da pista.

Ao chegar mais perto das coisas de Violet, o nervosismo só aumentou. As pessoas que lá estavam as encararam sem dó e piedade, com direito a cochichos e olhares tortos. Já tinham esquecido a sensação de fazer parte das sete garotas e de como tudo aquilo as afetava. Bela ainda estava desaparecida, de acordo com a mídia, Skye e os pais tinham viajado de acordo com o bilhete deixado na porta da casa, e Tessa e Corbin sumiram bem no dia da formatura e não atendem o celular. Todos sabiam que alguma coisa estava acontecendo, só não contavam que a história fosse tão bizarra.

Em qualquer outro momento, Effy lidaria com os olhares da forma mais agressiva possível. Começaria a gritar, xingar, chamar a atenção do quarteirão inteiro até que as pessoas parassem de encarar. Mas naquele momento, ela mal conseguia se mexer. O que eram olhares acusadores quando tinha acabado de enterrar as melhores amigas?

- Paige, Effy – Murmurou a senhora Abby Hills. Ela estava se aproximando com seu pequeno Paul e um sorriso de orelha a orelha. Pelo menos dela as garotas podiam esperar boas reações – Que surpresa maravilhosa.

- Oi – Disseram as duas ao mesmo tempo.

- Acho que faz anos que não nos vemos. Meu Deus, como vocês cresceram – Abby se afastou para que pudesse olhá-las de cima à baixo, estava maravilhada com todas aquelas mudanças – Estão lindas. Olhe pra você Paige, parece uma princesa.

- Obrigada – Paige sorriu sem graça.

- Então... Vocês estão procurando alguma coisa no bazar?

Effy apenas abriu a boca pra falar, mas nada saiu. Antes que pudesse, o pequeno Paul avançou pra cima dela e lhe agarrou, juntando seus braços em suas costas. Era um abraço no melhor estilo, que chegou junto também de belas palavras.

- Eu gosto de você...

- Ow – Effy olhou para Paige, desconcertada – Ele não sabe o que está falando...

- Ele fala de você às vezes, sabia? – Abby olhava para o filho maravilhava, como se aquela atitude fosse a coisa mais linda do mundo – Ele pergunta onde está a moça de preto e porque ela não vem com as amigas pros seus aniversários...

- Ow... – Effy olhou pra ele, era tão pequeno e frágil que tinha medo de quebrá-lo. Por isso demorou a abraçá-lo de volta e tirar todo aquele constrangimento do rosto – Eu também gosto de você...

- Ok querido – Abby se aproximou e puxou o filho bem devagar – Por que você não vai pegar um pouco de suco pras garotas na geladeira?

- Ok mãe – Paul saiu correndo pra dentro da casa, sendo observado pelas três mulheres que havia acabado de deixar boquiabertas. O olhar orgulhoso da mãe dizia tudo, e o de Effy, ainda com vergonha, quase fez Paige dar um sorriso.

- Vocês vão adorar este suco, é minha nova empregada que faz, ela veio da Argentina. Meu Deus, ela tem mãos de anjos.

- Na verdade, estava pensando em ir ao banheiro. Posso? – Effy fez um sinal com o polegar pra trás, na direção da porta.

- É claro, você sabe onde fica né?

- Sei sim – Effy assentiu, depois começou a andar. Olhou pra Paige uma ultima vez só pra sussurrar que ela deveria fazer logo o combinado.

Quando entrou na casa, ela não se preocupou em ter pressa. Queria ver o que tinha mudado e o que não tinha, enquanto várias lembranças brincavam com seu cérebro. Ela caminhou até a cozinha, só pra checar se havia mais alguém ali dentro. Só o que viu foi o pequeno Paul colocando os sucos dentro dos copos e resmungando um xingamento infantil ao derramar um pouco encima da mesa.

Fora ele, não havia mais ninguém por perto. Foi aí que notou uma musica no fundo, que parecia ter começado a tocar naquele instante. Era um piano, e vinha do jardim, exatamente para onde Effy não deveria ir. No entanto, seu estado de quase hipnose pela melodia a fez seguir o ritmo até o jardim, só para contemplar mais de perto o som mais bonito que já ouvira na vida.

Lá ela viu Meg Hills, a prima mais velha de Violet e também uma de suas maiores confidentes na infância. A garota era quem estava tocando no piano, e fazia isso com tanta leveza que nem parecia estar concentrada . Seu rosto sereno e o sorriso nos lábios mostravam que ela estava feliz, e que de alguma forma, fazer aquele bazar estava lhe fazendo bem. Mesmo que a prima estivesse morta, mesmo que fosse uma musica melancólica, era bom tocar em sua homenagem. E foi pensando nisso que Effy parou.

Era uma homenagem a alguém que estava fazendo falta, mas de quem ela estava desconfiando naquele momento. Por um segundo, continuar com seu plano não fez mais o menor sentido. Mas e se essa fosse a chance de descobrir quem está por trás de tudo aquilo e acabar de vez com todo aquele sofrimento. Isso era bem mais importante que respeitar a memória de alguém que n]ao estava mais entre elas.

Ao balançar a cabeça, ela conseguiu tirar toda aquela sensação que lhe prendia naquele jardim para fazer o que tinha ido fazer. Correu até as escadas e olhou pra porta, todos ainda estavam distraídos com o bazar, seria fácil subir.

O segundo andar se encontrava vazio, e entre caixas espalhadas pelo corredor e paredes mudadas de lugar, ela conseguiu encontrar o antigo quarto de Violet. Estava da mesma cor de antes, com o mesmo cheiro de antes, porém totalmente desmobiliado. Só havia uma cama, um tapete vermelho e várias caixas espalhadas pelo piso para lembrar o que antes era um santuário.

Effy não teve tempo de pensar em como aquilo lhe deixava triste, e logo começou a vasculhar. Primeiro dentro das caixas. Só encontrou brinquedos, cadernos velhos e presentes que Violet ganhara, mas que odiara o suficiente pra deixar no fundo de um baú. Nada da bendita caixa, até então.

Ela correu até a cama, mas nada havia embaixo dela também, nem mesmo dentro do colchão. O closet também estava vazio, com apenas algumas coisas aleatórias espalhadas por lá, que não queriam dizer nada. Nenhum fundo falso, ou esconderijo, nada. Encarar aquele quarto cheio de tralha parecia completamente inútil. Então, o tapete parecia ser a única coisa ainda não explorada. Ao levantá-lo, uma tempestade de poeira se formou e Effy foi obrigada a fechar os olhos.

- Merda! – Resmungou ela quando viu que nada havia ali também.

Então, ela parou pra pensar. Só tinha duas opções. Ou continuava acreditando que Violet pode ter algum podre e esperava Paige encontrar a caixa, ou confessava pra si mesma que Lola estava certa e o que Owen dissera realmente não significava nada. A segunda opção lhe pareceu bem mais atraente, no fim da contas.

Antes de sair, ela observou o quarto mais uma vez por precaução, e acabou notando algo que tinha deixado passar. Na parede onde costumava ter um criado mudo, havia um coração com as iniciais “V e E” feitas a faca, que antes eram tapadas pelo móvel. Mas quem era E? Porque V com certeza era de Violet. Poderia ser de seu namorado que viajou pra Austrália, Emett, ou ela estava enganada?

Quando desistiu de olhar e se virou, ela acabou dando de encontro com Paige. Pensou que fosse alguém da casa lhe flagrando, e por sorte, tinha conseguido prender o grito.

O impacto acabou fazendo a caixa cair das mãos de Paige e um enorme barulho no chão ecoar. Só quando olhou pra baixo que Effy foi perceber o que tinha caído. Ela nem acreditou no que estava vendo. Era a caixa, ela lembrava perfeitamente, e estava em perfeito estado de conservação. Sem nenhum arranhão, ou sujeira, e ainda com seu lacre.

- Calma – Paige se abaixou e pegou a caixa – Não faça escândalo, eu encontrei.

- Ai caramba, é essa mesma... – Effy tomou das mãos dela pra olhar mais de perto – Onde estava?

- Numa das caixas lá embaixo. Abby me deixou pegar de graça. Ela não tem as chaves.

- Mas eu tenho ferramentas – Effy olhou mais uma vez pra caixa, parecia que estava se sentindo conectada a ela – Isso pode salvar nossas vidas.

- Vamos descobrir. 
--

Matt fechou os olhos, decidiu apenas sentir o que estava acontecendo. Judy estava encima dele, gemendo alto o suficiente para ser ouvida na casa do vizinho e com suas lindas botas pretas que iam até os joelhos. Ela passava as mãos pelo próprio corpo enquanto Matt alisava suas costas e deixava marcas com suas unhas.

O celular tocando ao lado pareceu servir como um despertador no momento em que haviam terminado. Judy rolou pro lado e fitou o teto enquanto Matt ia checar quem poderia estar ligando numa hora como aquelas.

Era Lola, tinha deixado sete mensagens de voz e quatorze SMS’s, mesmo sabendo que eles já conversaram tudo o que tinham pra conversar. Assim, Matt apenas deixou o celular no criado mudo ao lado da arma e voltou a se deitar.

- Quem era? – Perguntou Judy enquanto tirava suas botas e as jogava pro lado.

- Lola. De novo.

- Ela ainda pensa que é sua dona? – Judy colocou o cotovelo no colchão e apoiou a cabeça com a mão. E então, olhou pro namorado esperando uma resposta.

Matt apenas fitava o teto com a respiração ofegante, e o pensamento longe. Não gostava de brigar com Lola, ainda mais agora que ela tinha se machucado. Mas como iria lidar com alguém que parece estar lhe escondendo alguma coisa?

- O tempo inteiro. Ela tem esses problemas com as amigas, quer que eu ajude sem saber do que se trata.

- Meio difícil, né?

- Totalmente – Matt virou pra ela e pegou em sua mão – Não quero falar sobre a Lola.

- Então o que você quer fazer? – Judy sorriu com malícia.

- Eu quero sentar naquele sofá e dormir assistindo filme com a minha namorada... Ou round dois – Matt se aproximou, ambos deram sorrisos entre o beijo molhado.

- Podemos fazer tudo...

- Tudo é?

- Sim – Judy o empurrou – Mas só depois do meu banho.

- Ah não...

- Ah sim... – Judy se levantou. Enrolou-se no lençol e depois virou pro namorado. Ele já estava deitado no meio da cama com as duas mãos embaixo da cabeça, totalmente relaxado – Você aguenta, eu sei. Deus, da próxima vez você usa as botas, sinto que não tenho mais pés – Ela fez uma careta.

- Ok, vou pensar – Matt sorriu. Entortou a cabeça pro lado pra assistir a namorada saindo do quarto. E mais uma vez, o toque do celular estava estragando todo o clima.

- Diz pra sua irmã arrumar um namorado! – Gritou Judy do banheiro, podia ouvir de lá o celular tocando.

Mas a implicância com a cunhada era apenas uma brincadeira. Costumavam sair juntas, conversar, fazer compras, até que de repente Charlie Abrams voltou a ser o foco e agora ela só tem tempo pras amigas. E pelo que parece, também pro irmão.

Quando entrou no Box, o lençol voou até o chão e a porta foi fechada. Judy sentiu a água quente do chuveiro cair sobre seu corpo, e com os olhos fechados, apenas desfrutou. Passava o sabonete pelo corpo com uma leveza incrível, como se estivesse num comercial onde sua beleza era o foco e ser sensual era a regra.

Ao terminar de lavar o cabelo, notou um barulho estranho do lado de fora, e sua distração fez o sabonete cair de suas mãos. Pelo vidro embaçado do Box não podia ver nada além do que via normalmente, Matt não tinha entrado e nada estava fora do lugar. Teria deixado isso pra lá se o mesmo barulho não tivesse voltado a se repetir.

- Matt? Você está aí? – Judy esperou por uma resposta, e o único som que ouvia era a água do chuveiro caindo no chão – Matt para, sei que você quer me assustar.

A primeira coisa em que pensou foi nas matérias que estava fazendo pro jornal. Sobre Charlie Abrams, as garotas mortas, o desaparecimento de Bela Desmond, era impossível não ficar com medo numa cidade onde as pessoas costumam matar as outras. Mas, parecia um medo infundado quando nada estava provado. O único jeito era ignorar e colocar a culpa em qualquer coisa que não iria lhe fazer mal.

Mas o barulho se repetiu pela terceira vez, e Judy se sentiu obrigada a abrir a porta do Box pra olhar. A janela estava aberta, mas não balançava, então não poderia ser o vento.

- Matt, eu vou te matar – Resmungou ela, fechando a porta.

Travou uma batalha contra a própria mente pra esquecer aquele medo bobo e continuar seu banho. Por estar com os olhos fechados tomando água no rosto, nem percebeu quando a porta se abriu e uma figura vestida de preta se formou em meio ao embaço da porta do Box. Ele se aproximou cada vez mais , até ficar perto o suficiente para vê-la de perto.

Ele permaneceu parado por alguns instantes, e então, decidiu agir. A porta foi aberta de maneira brusca e Judy virou imediatamente. Só depois de quase ter morrido do coração que ela foi perceber que se tratava do namorado. Ele estava sorrindo com a expressão mais cretina e cafajeste de todo o mundo. E se não amasse aquele sorriso, ela teria ficado furiosa.

- Matt, que susto!

- Hey, calma, só vim saber o que você vai querer pro jantar.

- Sério? – Judy suspirou – Estava pensando em pedir comida chinesa.

- Mas a geladeira está cheia.

- Bom, sou uma jornalista, não uma cozinheira.

- Vou me lembrar disso antes de te pedir em casamento – Matt sorriu.

- Ah ta – Judy sorriu fechando os olhos. Todo aquele pequeno traço de raiva que tinha começado a sentir pelo susto já tinha desaparecido – Apenas ligue pro numero pregado na geladeira.

- Ok, eu te amo – Matt se aproximou e lhe deu um beijo rápido – Pode continuar seu banho.

- Eu te amo – Judy esperou Matt bater a porta para que pudesse voltar ao banho.

Antes de se colocar embaixo do chuveiro novamente, deu um leve suspiro por estar tão realizada em sua vida a ponto de não conseguir desejar mais nada.

Enquanto isso, Matt chegava até o quarto, procurando pelos sapatos que não lembrava onde estavam. Ele acabou achando-os perto da janela, e os calçou em fração de segundos. Depois foi até o celular encima do criado mudo e saiu com ele do quarto. Nem percebeu que a arma que antes estava lá, já não estava mais.

Na cozinha, ele observou os números pregados na geladeira. O do restaurante Chinês estava mais embaixo, perto do número do encanador. O logotipo com um japonês dançando era tão engraçado que enquanto discava, soltava uma risadinha.

- China House, boa noite.

- Hey, queria fazer um pedido... – Matt abriu a geladeira pra vero que tinha.

- Pois não, senhor.

- Eu quero dois Wontons de Frango e... – Matt hesitou, estava tentando tirar uma fatia de queijo no fim da geladeira – Um Stir-Fry de legumes sem gengibre, com bastante pimenta.

- Anotado senhor. Qual o endereço?

- Angel Town, Edifício Silver, apartamento 31 no terceiro andar – Além do queijo, Matt tinha acabado de tirar uma maçã. Ele completou a frase no celular dando uma mordida.

- Meia hora para entrega, senhor. Caso o prazo não seja cumprido, a encomenda sai de graça. Angelina, China House, tenha uma boa noite.

Matt olhou pro celular quando a chamada foi finalizada. Apertou o botão end, como de costume, e o jogou encima da mesa de centro. Caminhou até o armário em busca de biscoitos, entretanto, só o que encontrou foram sacos vazios que já deveriam ter sido jogados no lixo.

Deixando a maçã encima da mesa, ele caminhou de volta pro quarto. Só percebeu que a água do banheiro estava transbordando quando sentiu que estava pisando no tapete molhado. Ainda não havia alagado muita coisa, mas se continuasse daquele jeito, não demoraria muito.

- Judy! – Matt bateu na porta – Está transbordando, você precisa desligar a torneira - Quando Matt olhou pra baixo, viu os pés sendo cobertos por toda aquela água – Meu Deus... Judy, você está me ouvindo?

Como não obteve resposta, Matt forçou a maçaneta da porta para entrar. Ela estava trancada, pra sua surpresa, então havia algo errado. Judy nunca trancava a porta, nem mesmo quando os primos enxeridos que não sabem bater vinham passar o fim de semana, ou quando o namorado de sua colega de quarto está presente. E quanto mais o tempo passava, mais água saia por debaixo da porta.

- Judy, abra a porta! – Matt bateu novamente, e logo depois forçou a maçaneta – Judy! O que está acontecendo? Você está bem? Meu Deus, Judy! – Matt olhou pra baixo novamente, o corredor inteiro já estava cheio de água.

Ele tentou bater mais uma vez e chamar seu nome, já preocupado com o que podia ter acontecido. Pensou que ela poderia ter se afogado, de algum jeito, ou caído e batido a cabeça como acontecera uma vez. Se ela não abrisse, seria o jeito arrombar.

Quando olhou novamente pra água nos pés, não viu mais apenas água. Agora estava saindo água com sangue, que cobria seus pés e aos poucos ia se alastrando na pequena poça formada em frente ao banheiro. Foi o bastante para Matt se desesperar e arrombar a porta.

Na primeira tentativa fracassou, mas na segunda, derrubou a porta e entrou no banheiro quase escorregando por causa da água. Ele viu Judy deitada na banheira coberta do sangue que saia pelo corte horizontal no pescoço. Os olhos ainda estavam abertos e a cabeça escorada na banheira.

Matt demorou para raciocinar, e tinha cogitado a possibilidade de ser apenas uma brincadeira. Mas não era, Judy estava morta na sua frente e quem quer que tivesse feito aquilo, ainda estava naquele apartamento.

Ele foi atacado por trás, e teve o braço ferido de raspão pelo machado do assassino. Só tinha conseguido desviar a tempo de um golpe certeiro por causa do barulho de passos que ouvira na água.

Com o impacto e o susto, ele caiu no chão, mas não esperou para reagir. Se levantou com a ajuda da pia e recebeu um soco antes de completar seu ataque. Acabou caindo na banheira e quebrando o vidro do Box em sua queda. Agora, estava cara a cara com sua namorada morta e com as mãos e o rosto na água cheia de sangue. Foi só abrir os olhos que assistiu de camarote o corpo dela afundar devagar. Sabia em seu coração que seria a ultima vez que a veria. Só não podia desistir e morrer ali ao lado dela.

Aproveitou um dos enormes cacos de vidro que se formaram na destruição da porta do Box e atacou o assassino. Conseguiu furar sua coxa e fazê-lo cair de joelhos no chão. Aquela visão era horrível, sua fantasia lhe causava arrepios, e ele jurava já ter visto o dono do único olho pra fora em algum outro lugar. Mas não ficaria ali pra contar história. Acertou um soco no rosto dele e o fez cair próximo da pia.

Matt estava com um machucado na testa e por causa dele, tonto demais. Enquanto corria pra fora do banheiro precisava se segurar nas paredes para manter o equilíbrio, ou então, iria desabar.

Ele conseguiu chegar até a porta, estava trancada, e mesmo que forçasse a maçaneta ela não iria abrir.

- Não! – Gritou ele, com os olhos azuis cheios de lágrimas.

E logo atrás estava o assassino, já recomposto, e disposto a fazê-lo sofrer em dobro por ter lhe machucado. Mirou o vaso de flores que tinha nas mãos e acertou a cabeça de Matt, em cheio. Ele caiu, ainda consciente, mas fraco demais pra fazer mais do que respirar.

A fraqueza e a vista embaçada pelo baque diminuíram o medo e a dor que estava sentindo, e até mesmo a ciência de que iria morrer. Não viu quando o assassino se aproximou, só ouviu os passos por alguns segundos, e então, já estava fitando o homem com a máscara preta cheia de costuras olhando dentro de seus olhos.

- Por favor... – Ele pediu.

Em seguida foi decapitado por uma machadada cheia de fúria e dor, que fez seu corpo estremecer por dois segundos após a cabeça estar fora do corpo. Seu ultimo pedido, infelizmente, se dissipou nas mãos de alguém querendo vingança. E que tem um significado mais sanguinário pra palavra “justiça”.

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Comentários
8 Comentários

Comentário(s)

8 comentários:

  1. Ok, muito bom, Matt =( foda... parabéns joão, conseguiu deixar a minha vida mais triste um pouquinho. Falando sério, essa ultima cena foi tudo, você devia publicar um livro, eu compraria com certeza, e eu gosto muito dos temas que você aborda tipo terror e suspense. EU JÁ SOU SEU FÃ!

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  2. Ameiii, doida pra saber o que tem na caixa da Violet.

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  3. http://2.bp.blogspot.com/-iixkmpgkBYM/UH8o32IBdgI/AAAAAAAAADU/OYF679Rovk4/s1600/My+last+lie.jpg

    Poster fã made, e cast dos meus sonhos baseada nas descrições de cada personagens

    Lola: Megan Fox

    Effie: Alexandra Daddario

    Page: Kirsten Prout

    Courtney: Aeriel Miranda

    Skye: Emma Stone

    Tessa:AnnaLynne McCord

    Bela: Holland Roden

    Violet: Britanny Snow.

    Espero que gostem

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  4. Amei esse capitulo,a cena da morte do Matt foi muito tensa(eu gostava dele),estou curiossíssima para saber o que tem na Caixa do Futuro da Violet,o Anonymous tem uma ótima forma mesmo sendo ferido DUAS vezes(e as duas na coxa) ele consegue terminar o serviço e até agora ninguém aparaceu mancando.

    PS:Angel muito lindo o seu pôster gostei muito,acho que vc escolheu as atrizes certas :D

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  5. Angel, que foda seu poster *--*. A maioria não se importa com as características das garotas e você escolheu ótimas atrizes. E realmente, você acertou em cheio na Kirsten Prout, ela é a minha Paige <3. Sabe como é, não dá pra ver My Super Psycho Sweet 16 sem sair amando essa garota.

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  6. Vai ter alguma história especial de Halloween ? do tipo Haunted Date João?

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  7. Ai que bom que você gostou João,não consegui pensar em melhores atrizes para os papéis e a Kirsten arrasa mesmo kkkkk, não tem como não ler suas histórias e não desejar que tudo fosse um filme de verdade.

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  8. Geedes, esse ano não fizemos nenhum conto pro Halloween ou pro natal, mas estamos preparando um para o ano novo +D

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