quarta-feira, 26 de setembro de 2012

[Livro] My Last Lie - Capítulo 10: The Brother

Don't Snoop.

- Não acredito nisso... – Courtney sentou na poltrona azul, dando um enorme suspiro – Isso é demais pra mim... – Ela levou as duas mãos a testa. O olhar não negava a preocupação, muito menos o medo.

- Não sei se você percebeu, mas eu sou aquela que quase teve a perna triturada – Disse Lola, tentando se mexer na cama para que ficasse confortável.

Mas parecia impossível ter algum conforto naquela cama de hospital e usando aquele traje azul claro ao invés de uma de suas grifes. A única coisa boa era que sua perna já não doía mais. Ela estava estirada na cama, completamente enfaixada. Lola precisava admitir que foi sorte não tê-la quebrado.

- Não podemos ir à polícia – Disse Paige, com a voz linfática – Ele saberia.

- O que você disse à eles? – Courtney olhou para Lola.

- Eles pensam que algum caçador idiota deixou uma armadilha por lá. Disseram que não devíamos voltar ao The Purple porque era um prédio condenado e havia ursos. Como se eu cogitasse a possibilidade de voltar àquele lugar...

 - Então o que faremos? – Perguntou Paige – Vamos simplesmente aceitar tudo isso?

- Não é como se tivéssemos escolha. Colocar cobras sem veneno numa casa e fingir enterrar uma garota podem até passar dos limites, mas usar uma armadilha de urso é tentativa de homicídio. Ele não está brincando.

Courtney e Paige ficaram em silencio. Por mais que fosse assustador admitir, Lola estava certa. Paige não conseguia parar de pensar que poderia ser ela ali, com a perna enfaixada. A armadilha estava camuflada em frente a porta do motorista, e naquela noite, era ela quem estava dirigindo. Se Lola não tivesse tomado a frente, talvez ela tivesse sido a vítima.

- Nem sabemos quem ele é – Sibilou Courtney - Ele pode usar o nome de Charlie e ter uma conta de email no nome do Charlie, mas Charlie está morto.

- Tem que ter alguma coisa que a gente possa fazer – Paige cruzou os braços – Skye descobriu o remetente do email, talvez possamos rastreá-lo pra saber de onde ele veio. Matt não pode ajudar?

- Não sem prestar uma bela queixa em nosso nome – Respondeu Lola – Ele não ficaria calado, muito menos quando a irmã foi ferida.

- Então... Não temos nada.

- Nós temos Owen. É o nosso principal suspeito. O único que se importaria o suficiente pra vingar o irmão. Vocês precisam encontrá-lo.

- Tipo, bater na porta do seu trailer e perguntar sobre Charlie?

- Eu não sei, Paige – Lola forçou a garganta pra voz sair com autoridade – Pense. Se eu não estivesse de cama acham que estaria pedindo a ajuda de vocês?

- Ok – Courtney passou a mão pelo cabelo,er um tique nervoso – Deixa eu ver se entendi. Você quer que a gente vá até Owen, nosso principal suspeito? Não sei como ele poderia ajudar.

- Talvez tenha algo no trailer dele – Paige voltou-se a Courtney – Se ele for o assassino podemos achar armas. E se não for, podemos encontrar alguma pista sobre quem seja. Deve ter alguma coisa lá que ajude.

- Então... – Courtney hesitou, queria olhar para Paige e Lola pra saber se estavam em sintonia antes de continuar – O que fazemos?

- É muito arriscado – Paige engoliu em seco. Depois olhou para Lola, ela parecia comandar toda a operação, e com certeza, teria a ultima palavra – Não podemos ir sozinhas.

- Não podem ir sozinhas? – Debochou Lola – Eu não sei se você percebeu, mas estamos sozinhas. Não podemos ir à policia ou contar isso pra alguém, nossa única vantagem é sermos mais que uma. Então, por que não começamos a usar nosso cérebro a partir de agora?

- Lola? – Gritou Matt do outro lado da porta. Ele deu duas batidas e ficou esperando uma resposta.

As garotas olharam em sua direção, ele tinha colocado apenas a cabeça pra dentro do quarto. Parecia que aquela conversa não seria mais continuada, e que a vontade de Lola iria prevalecer.

- Posso entrar?

- Vão – Ordenou Lola, fazendo sinais com as mãos.

Paige e Courtney apenas assentiram. Matt abriu a porta para que pudessem passar, e antes de saírem deram um sorriso sem graça. Era o melhor cumprimento que podiam dar a alguém com tudo aquilo que tinham na cabeça.

- Elas estão bem? – Matt apontou pra trás com o polegar, estava referindo-se ao modo estranho como Paige e Courtney tinham se portado. Pareciam estar escondendo alguma coisa, ou até mesmo com medo.

- Estão, elas não seriam garotas sem a famosa bipolaridade, né?

- É – Matt sorriu – Eu acho – Ele caminhou até a cama de Lola e sentou na beira, já começando a lhe lançar o olhar de irmão preocupado que ela tanto odiava.

- Então, quando eu vou sair dessa espelunca?

- Amanhã. O médico queria deixar você por mais dois dias, mas nosso pai conseguiu convencê-lo que pode pagar os melhores enfermeiros do estado pra cuidar da sua princesa em sua própria casa.

- Ele disse quando vou poder andar?

- Disse, mas não posso te dizer, ou então você sairia andando agora mesmo – Matt sorriu, acabou roubando também um sorriso da irmã, a pessoa com menos senso de humor que conhecia. E isso soava como uma vitória.

Quando os risos terminaram, só o que sobrou foi o silencio e uma troca de olhar constrangedora. Se conheciam tanto que podiam ler a mente um do outro, mas de início, nenhum dos dois parecia disposto a falar.

- Ok, o que você tem? – Perguntou Lola.

- Tem algo que você queira me dizer?

- Além que seu cabelo está horrível? Acho que não.

- Tem certeza? Não tem nada acontecendo?

- Não que eu saiba... – Lola colocou o cabelo atrás da orelha e olhou sério nos olhos do irmão só para que tivesse certeza que ela não estava mentindo – Por que a pergunta?

- Tem algumas coisas acontecendo, não sei se elas têm ligação. Primeiro colocam cobras sem veneno na residência dos Lawless e depois dois coveiros informam a policia que havia uma garota dentro de um caixão, e agora você aparece ferida... E nem vou mencionar o desaparecimento de uma das suas amigas...

- O que você quer dizer?

- Quero dizer que se vocês estão sendo intimidadas de algum jeito, não deveriam esconder isso de...

- Não está acontecendo nada. – Respondeu Lola, de imediato – Não estamos sendo intimidadas.

- Mas Effy me disse que vocês estavam recebendo algumas mensagens...

- Effy é uma completa exagerada. Confunde pequenas brincadeiras com coisas sérias, é uma medrosa. Se alguma coisa estivesse acontecendo eu contaria a você, você sabe. Deve ser coisa da sua cabeça...

- Hmm – Matt assentiu, olhando pra baixo. Pegou a mão de Lola e novamente encontrou seu olhar – Posso confiar em você?

- Totalmente... – Lola apertou a mão dele, queria que acreditasse plenamente – Sempre vai poder confiar. Não se esqueça de tudo o que eu já fiz por você...

- Quer saber? – Matt largou sua mão, parecia descontraído – Você tem toda razão, deve ser mesmo coisa da minha cabeça.

- É, nem me fale... – Lola tentou sorrir, mas não conseguiu.

Devagar, Matt se aproximou dela e lhe beijou na testa. Lola fechou os olhos e esperou o irmão se afastar para abri-los. Ele estava com uma expressão serena de irmão protetor, parecia já ter tirado da cabeça todas aquelas ideias sobre alguém estar perseguindo a irmã e suas amigas. Ou pelo menos, era isso que Lola esperava.

- Se cuide. Venho buscar você amanhã.

- Ok – Lola assentiu, mordendo os lábios.

Ela observou Matt sair pela porta, sustentando a expressão de alguém que estava bem e entendia que acidentes às vezes acontecem. Esperou a porta se fechar para que pudesse deixar a farsa de lado. Mentir para Matt era como trair a si mesma, e talvez, até mesmo um erro. Se alguém era capaz de ferir-lhe com uma armadilha de urso e atacar-lhe com um machado, poderia ser capaz de chegar mais longe. Não era uma boa ideia se privar de confiar em alguém, ou era?

No meio de seu devaneio, ela ouviu seu celular apitar. Estava encima do criado mudo da direta, movendo-se por causa do vibracall.  Era quase como um agouro. No momento em que tentava organizar as ideias, Charlie estava enviando mais uma mensagem para bagunçar sua cabeça.
“Eu sei o seu segredo, nunca se esqueça disso” – Charlie.
--

- Hey, Owen! – Gritou Steve, há três metros de distancia.

Mas era impossível ouvir alguma coisa com todo aquele barulho. Owen tinha uma soldadura escandalosa nas mãos, que deixava a oficina quase brilhando por causa do show de faíscas. E mal conseguia ouvir os próprios pensamentos. Steve teve que chamar outra vez para que pudesse ouvir, e por fim, parar o que estava fazendo para lhe dar atenção.

Owen levantou sua máscara de ferro para olhar Steve, revelando o ser humano que havia debaixo de todo aquele traje sujo. Ele com certeza era do tipo que se destacava. Tinha olhos azuis e a pele pálida, os cabelos loiros e espetados, junto de uma barba mal feita e uma cicatriz no queixo. Nem parecia pertencer a aquele lugar, e com certeza, essa era a primeira impressão que causava.

- Hey almofadinha – Gritou Steve novamente – Singer quer falar com você, ele está no escritório.

- Ok. Já vou – Owen cuspiu o chiclete que mastigava pro lado enquanto retirava a máscara. Colocou a soldadura junto com as outras ferramentas no chão e partiu, diretamente até as escadas vermelhas da parte esquerda da oficina.

O escritório de Singer era provisório e ficava depois das escadas, como um segundo andar que não existia. Também era o único local que os mecânicos evitavam, e Owen estava prestes a saber porque.

Ele não hesitou quanto a bater na porta, mesmo que estivesse ouvindo o patrão discutindo pelo telefone.

- Entre – Gritou Singer.

Owen girou a maçaneta e colocou a cabeça pra dentro da sala, como se estivesse checando o território. Viu Singer sentado em sua cadeira no fim da sala, perto de sua mesa. Ele aparentava ter sessenta anos de idade pelo bigode, estilo da roupa e o charuto importado na boca. Provavelmente era mais um Mexicano imigrante profissional na arrogância. E tudo porque achava que até seus animais empalhados valiam mais que seus empregados.

- Justin Bieber... – Disse ele, tentando intimidar Owen com um olhar presunçoso – Feche a porta.

- Ok – Owen obedeceu. Ele virou para Singer, esperando o momento em que os olhares terminariam para que a conversa começasse.

- Eu o convidaria pra sentar se não estivesse tão imundo.

- Eu estou bem – Owen pigarreou – Disseram que o senhor queria falar comigo...

- Exatamente. Não sei se também lhe disseram, mas estou ciente de seus atrasos.

- Foram só três dias, senhor. Meu irmão acabou de falecer, e como sou sua única família, precisei resolver algumas coisas.

- É mesmo, o assassino maluco – Singer tirou o charuto da boca por dois segundos, apenas para soltar a fumaça – Pensei que já estivesse morto.

- Não senhor – Owen abaixou a cabeça. Se olhasse nos olhos de Singer enquanto falasse daquele jeito de seu irmão, poderia fazer alguma besteira.

- Bem, acho que isso não é problema meu. Está despedido.

- O que? – Owen levantou a voz – Mas não foi culpa minha!

- Eu sei, criança. Você está sendo despedido porque não posso ter o irmão de um assassino trabalhando pra mim. Sabe, questão de negócios.

- Mas eu preciso desse emprego, é... – Owen olhou pro lado, não queria dar uma de coitadinho, mas essa era a verdade - É o único que eu tenho...

- E agora não tem mais. Como a vida é engraçada, não acha? – Singer soltou a fumaça novamente, estava sorrindo com desdém porque achava divertido ver aquele traço de ódio no olhar de Owen – Se você trabalhar até o fim do expediente recebe abono e hora extra. Caso contrário, dê o fora da minha oficina.

Owen assentiu devagar, ainda sustentando o olhar furioso. Saiu da sala de Singer sem dizer mais uma só palavra, afinal, não valia a pena.

Quando chegou até o carro onde estava trabalhando, ele gritou um palavrão e chutou a lataria do carro. Ela amassou instantaneamente, e o barulho chamou a atenção dos outros trabalhadores. Era difícil ver Owen naquele estado, então alguma coisa tinha acontecido.

- Merda! – Gritou ele, apoiando-se com os baços no carro e a cabeça baixa. O pior era saber que teria que ficar até o final do dia se quisesse receber seu dinheiro.

Nem tinha notado que do lado de fora da oficina, perto da enorme caixa de lixo azul, estava sendo observado por Paige. Assim que o viu, ela tirou o celular da bolsa e discou o numero de Courtney. Esperou ela atender ainda olhando pra oficina, os amigos de Owen tinham começado a se aproximar pra entender o que estava acontecendo.

- Paige? – Disse Courtney, tirando as mãos do volante do carro.

- Ele está aqui. Estou vendo ele. Onde você está?

- No carro, estacionei entre as árvores há alguns metros do trailer dele.

- Seja rápida, vou estar vigiando.

Quando a ligação foi encerrada, Courtney abaixou o celular e fitou as árvores. Deu um longo suspiro para que o medo passasse, mas de nada adiantou. Ainda estava apavorada por tentar entrar no trailer de um possível assassino, e talvez achar algum corpo. Era tão frustrante que se não saísse daquele carro imediatamente iria acabar dando a volta direto pra casa.

Paige olhou mais uma vez para dentro da oficina. Owen continuava falando com os amigos, e não parecia estar prestes a ir embora dali.

- O que ele disse? – Perguntou Marcus ao tocar o ombro de Owen.

- Estou fora – Respondeu Owen, virando-se – Ele me despediu.

- O que? – Gritou Steve – Vamos falar com ele, ele não pode fazer isso!

- Não tem nada que vocês possam fazer, ele foi claro.

- Esse viciado de merda! – Cuspiu Marcus.

Paige olhou mais uma vez, ainda estavam do mesmo jeito de antes. Se desse tudo certo, Courtney sairia de seu trailer antes que ele até pudesse deixar a oficina.

Mas, ela ainda não havia entrado. Estava na frente dele, olhando a decoração precária e lembrando de Charlie. O trailer estava caindo aos pedaços, com uma janela provisória pregada com madeira e as rodas completamente acabadas. A cor – que antes era branca – estava amarelada, desbotando bem devagar. Ele era grande, porém, estava velho demais para render um bom estilo de vida a alguma pessoa.

Courtney olhou pro celular que estava em sua mão, precisava avisar a Paige seu status. Com as duas mãos, ela digitou uma mensagem, e aguardou pacientemente pela resposta.
“Estou dentro” – Court
Seja rápida” – P.
Courtney suspirou ao ler a mensagem da amiga, estava tomando coragem. Quando girou a maçaneta, a porta se abriu instantaneamente, fazendo um ruído estridente por estar enferrujada. Ela quase sorriu, era sorte que ninguém em Ridgefield trancava suas portas ou então seria obrigada a quebrar uma das janelas de vidro.

Ela subiu as pequenas escadas na frente da porta, parecia que a cada degrau aquilo poderia desabar. Mas talvez fosse apenas coisa de sua cabeça. O Nervosismo sempre lhe pregava essas peças.

No interior do trailer, as coisas conseguiam ser ainda piores. Courtney pôde notar um toque feminino antigo, que não fora mudado de propósito, e uma decoração totalmente anti convidativa. As louças na pia estavam sujas e a cama no fim do trailer completamente desarrumada. Espalhadas pelo chão, as ferramentas de mecânico acabavam deixando o lugar fedendo a graxa, ou então, algo parecido com animais mortos.

Quando ouviu o celular apitar, ela olhou pra ele, era outra mensagem de Paige.
“Ele está conversando com os amigos. Você tem tempo” – P.
- Ok – Sussurrou Courtney para si mesma.

Decidiu agilizar a missão e começar a procura. Foi na direção da primeira coisa que viu, era uma estante onde ficava uma mini TV de quatorze polegadas. Havia tanto papel que ela acabou derrubando a maioria no chão quando tentou tirar alguns deles. Teve que se abaixar para pegá-los e olhá-los um a um, mas de uma maneira rápida.

Quando terminou de procurar na estante, ela olhou ao redor. O próximo lugar era o quarto de Owen, onde estava a cama desarrumada. Ela foi das gavetas até o criado mudo, e depois decidiu se abaixar para ver debaixo da cama. Não havia nada além de sapatos fedorentos e sacolas de ferramentas. Debaixo do cochão também não havia nada que se aproveitasse, apenas revistas para maiores de idade que desde sempre habitavam aquele local estratégico.

Então, só lhe restava o banheiro. Era a pequena porta da direita, como uma suíte. Tão pequeno que Courtney nem imaginava como alguém do tamanho de Owen poderia viver ali. Ela já estava começando a achar que aquilo tinha sido um erro, pois nada daquilo era anormal, não para alguém tão pobre. Era uma coisa que Paige precisava saber, então, em fração de segundos lhe enviou outra mensagem.
 “Nada ainda. Ele parece estar limpo” – Court.
Paige sentiu o celular vibrar em sua mão e olhou pro visor. Leu a mensagem de Courtney e não conseguiu disfarçar a decepção. Estava torcendo para que ela encontrasse alguma coisa e aquela história tivesse fim.
“Continue procurando, ele ainda está aqui” – P.
Courtney guardou o celular no bolso da bermuda assim que leu a mensagem de Paige. Foi direto pro outro lado do trailer, onde ficava a cozinha e a mesa de jantar. Não havia nada além de louças sujas, uma torneira vazando e restos de comida encima da mesa. O enorme armário branco era o ultimo lugar que faltava procurar, e no final, outra decepção.

Mas será mesmo que não havia nada ou ela estava tão nervosa que tinha deixado algo passar? Courtney não confiava em sua busca, e por isso decidiu voltar à sala para ter uma visão completa de todo o trailer. Foi aí que notou uma caixa preta no canto perto da estante, que havia deixado passar da primeira vez por pensar que eram apenas ferramentas. Ela estava com o cadeado, mas ele estava aberto, era sua ultima chance.

Ela correu até a caixa e a abriu. Quase espirrou por causa da quantidade de poeira encima de tudo aquilo. Ao remexer nos papeis, percebeu que todos eles eram sobre Charlie. Seu histórico escolar, as anotações de seu psiquiatra e os certificados dos cursos que fazia.  A vida dele estava toda ali, resumida numa caixa de quarenta centímetros.

Courtney preferiu se focar nas anotações do psiquiatra, pensou que talvez tivesse uma pista. Pegou as que conseguiu e sentou no sofá para lê-las.

Enquanto isso, Paige ainda esperava por uma resposta no canto da oficina. Ficava olhando pro celular de dez em dez segundos pra saber se Courtney daria notícias, até que ele finalmente começou a tocar. Ela atendeu de imediato, tapando o outro lado da orelha com um dos dedos para que pudesse conseguir ouvir a voz de quem estava do outro lado da linha, já que uma moto tinha acabado de passar e as soldaduras da oficina tinham sido ligadas.

- Alô? – Disse ela, fazendo careta – Quem é?

- Effy. Onde você está?

- Não consigo te ouvir – Paige se afastou da lata de lixo, se ficasse mais distante, talvez pudesse ouvir.

- O que você está fazendo?

- Effy? Não posso dizer agora, mas digo assim que terminar. Onde você está?

- Na academia, queria saber se Lola já está melhor...

- Lola? – Paige olhou pro horizonte, o sol de meio dia estava ardendo em sua pele – Está bem, vai sair do hospital amanhã.

- Que bom. Podemos visitá-la?

- Sim, eu estava lá com Courtney ainda pouco, podemos ir depois se quiser.

- Eu não sei... – Effy olhou pra frente, um casal tinha acabado de sair de mãos dadas da academia, pareciam ser os últimos – Acho que eu vou ficar por aqui.

- Ok então – Paige voltou a olhar pra oficina.

- Você conseguiu falar com Skye e Tessa?

Paige parou de falar assim que notou a ausência de Owen dentro da oficina. Tentou prestar mais atenção, só pra ter certeza que ele não era nenhum daqueles outros homens mascarados. Mas, Owen estava usando uma camiseta branca manchada de graxa e uma calça comprida jeans, e nenhum dos outros estava assim.

- Paige? Você está aí? Paige?

- Ah não... – Sussurrou ela quando percebeu o que tinha acontecido. Um homem acabara de passar de moto por ali. Passou tão rápido que ela nem notou que estava usando as mesmas roupas que Owen, e agora ele simplesmente desapareceu – Effy, te ligo depois!

Courtney ainda estava procurando mais folhas dentro da caixa quando ouviu o celular tocar. Demorou uns instantes para perceber, no entanto, estava focada demais naquilo que estava fazendo, se perguntando como a mente de Charlie havia se tornado tão doentia. No momento em que pegou sua certidão de nascimento, tirou o celular do bolso para atender a chamada de Paige.

- Ele foi embora! – Exclamou Paige – Saia daí agora!

- O que? – Courtney olhou pra porta atrás dela assim que ouviu um barulho de motor. Correu até a janela com o celular nas mãos e viu o momento em que Owen estacionava sua moto e colocava o capacete encima dela.

- Meu Deus! – Courtney olhou ao redor, sem saber onde se esconder.

Mas não tinha muitas opções, de qualquer jeito. Owen estava prestes a entrar e o único local que havia era debaixo da cama. O desespero era tanto que ela nem percebeu o porta retratos que derrubou quando sal correndo, parecia que o nervosismo havia lhe deixado cega. E se ele fosse mesmo o perseguidor, o que o impediria de matá-la li mesmo?

De baixo da cama ela pôde ver o momento em que Owen entrara, sujando o chão com suas botas cheias de lama. Ele caminhou de um lado para o outro, e Courtney não fazia ideia do que estava acontecendo. Não conseguia ver nada além de suas botas, que naquele momento, caminhavam até o quarto.

O frio em sua barriga lhe fez tremer enquanto seu instinto lhe mandava gritar. Por isso tapou a boca com a mão esquerda e seguiu os passos de Owen com os olhos. Ouviu quando ele abriu as gavetas do criado mudo e depois jogou alguma coisa encima da cama.

Depois ele voltou até a sala e ficou parado por um tempo, virado pra estante. Courtney não entendeu porque ele estava parado, só estava torcendo para que ele fosse embora e tivesse uma chance de fugir.

Então, ele simplesmente se foi. Abriu a porta e bateu com força ao sair. Courtney fechou os olhos e suspirou com o alívio, mas só se dispôs a sair dali quando ouviu o barulho de sua moto partindo. Era a chance que tinha, e não iria desperdiçar. Ainda estava com a certidão de Charlie nas mãos e era mais do que suficiente.

Ela correu até a entrada, e desceu as escadinhas para pisar no chão de terra e finalmente encarar a luz do sol depois do susto. Suspirou assim que trancou a porta, estava acabado. Seu coração já estava mais aliviado, e tinha conseguido o que queria. Se Owen fosse o perseguidor, sabia esconder isso muito bem, e fazia isso longe de sua casa para evitar suspeitas. E se não fosse, pelo menos já tinha ajudado com alguma coisa.

Quando virou pro lado e se preparou pra correr, foi surpreendida por Owen saindo do lado do trailer com um olhar inexpressivo. Ela pulou com o susto, e logo escondeu a certidão atrás do corpo, era o mais importante. Owen caminhou na sua direção enquanto a intimidava com o olhar. Queria que ela ficasse com medo, pois só assim não faria de novo o que tinha ido fazer.

- Então você costuma invadir a residência dos outros quando não estão?

- Não... – Courtney recuou tanto que acabou sendo imprensada no trailer. Estava há poucos centímetros de Owen, nunca tinha sentido tanto medo – Eu só...

- Eu poderia chamar a polícia, sabia?

Courtney permaneceu quieta, mas o coração batendo freneticamente entregava tudo.

- Não basta todo o sofrimento que vocês já nos causaram agora preciso aturar vocês invadindo minha casa? – Owen deu um soco no trailer, bem ao lado de onde a cabeça de Courtney estava. Ela gemeu com o susto e olhou pro lado. Não poderia se dar ao luxo de fitar seus olhos azuis cheios de raiva sem ter um ataque cardíaco.

 Owen percebeu que estava sendo assustador e se afastou. Era só para que aprendesse uma lição, não precisava exagerar. Se Courtney controlasse a respiração e olhasse diretamente para ele, poderia ver até mesmo um traço de arrependimento pela grosseria.

- Diga para sua amiga na oficina que você está bem, ela deve estar preocupada – Owen passou por ela e entrou no trailer.

Só assim Courtney pôde respirar aliviada. Nunca iria se esquecer daquele momento, e com certeza, nunca mais seguiria as ordens de Lola. Mas ainda tinha algo estranho. De acordo com os papéis que lera, Charlie insistiu por um bom tempo na história sobre seu romance com Violet. Mas por que, se eles nunca haviam se falado?

Com este pensamento na cabeça, ela correu floresta a dentro. Só esperava conseguir as respostas todas as suas duvidas antes que mais alguém se machucasse.

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Comentários
8 Comentários

Comentário(s)

8 comentários:

  1. Ótimo capitulo,a história esta cada vez mais sombria,Owen é um suspeito óbvio demais,por enquanto não suspeito de ninguém,talvez Matt,mas que motivos ele teria? não sei,só sei que estou amando esta história,muito bem escrita e com muito misterio.

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  2. Amei o capitulo,esse Owen sabe como assustar uma pessoa até eu fiquei com medo mais eu o compreendo elas estragaram a vida do Charlie e como consequencia a dele tbm,depois disso tenho certeza de que estou certa eles eram namorados mesmo agora é só esperar a confirmação.

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  3. ai meu Deus quem será que vai morrer no próximo capitulo por favor na mate a Paige
    -D

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  4. Nossa, esse foi o melhor episódio de todos na minha opinião *-* gostei muito mesmo, principalmente porque ninguém morreu, teve suspense e tudo =D Foi ótimo, não quero que nenhuma das 4 morram ;x POR FAVOR?

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  5. Número de Capítulos alterado, AGAIN HASUHSUHSUSAH'.
    Escrevi o ultimo ontem, e ficou bem maior do que eu esperava. Então decidi dividí-lo em duas partes. Teremos 20 Capítulos agora \o

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  6. Uhuuuu! ashuahsuahsuahs 20 capitulos ... ou será 21 ???

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  7. Ótimo,agora teremos 20 capitulos para nos deliciarmos com essa fascinante história :D

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