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[Crítica] Cai o Pano


Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Lançamento: 1975
Título Original: Curtain

Crítica:

Este é o último livro do box, e a narra a última aventura de Hercule Poirot. O box não poderia fechar com um título mais perfeito, afinal, para terminar com chave de ouro, temos a chance de acompanhar a última caçada do nosso inteligente detetive belga. É uma pena que não tenhamos o primeiro livro escrito por Agatha com a primeira aventura de Poirot. Seria bom ter tido a oportunidade de ler a primeira e última jornada de investigação dele. Ainda mais, sabendo que estes dois livros têm uma ligação extraordinária. É quase poético! Mas vamos entrar em detalhes mais para frente. Primeiro, vamos a sinopse!

O livro acompanha um Hercule Poirot nos seus últimos dias de vida, vencido pela velhice. Ele não anda mais e tem sofrido diversos ataques cardíacos. Poirot chama o seu velho amigo de investigação, Arthur Hastings, no lugar onde tudo começou, em Styles, uma mansão, que agora fora transformada em pensão. Este foi o lugar chave da primeira investigação desses dois amigos, o que parece lhes trazer grandes lembranças. Mas o chamado de Poirot não foi ao acaso. Ele afirma ter um assassino entre os hóspedes do local e, sem poder se locomover, pede que Hastings seja seus olhos e ouvidos. Poirot ainda afirma que o assassino já matou 5 pessoas anteriormente, mas nunca levara a culpa. Seguindo este pensamento, o detetive tem razões para crer que o assassino tentará seu sexto crime...

Desses três livros do box, este, certamente, foi o mais empolgante. Apesar deu ter começado a ler com menor empolgação que os outros, acabei de surpreendendo, porque a trama deste é muito especial, uma vez que é a grande despedida de um dos maiores detetives da ficção. E nada mais justo do que se despedir com uma história digna, de arrepiar os cabelos e nos fazer vibrar com mais um punhado de pistas aparentemente irregulares, com profundas ligações entre si. Ah, sim, meus caros! Poirot pode estar velho, mas ainda não perdeu o seu gosto por bons casos.

Este livro tem muitas coisas diferentes dos outros. Para começar, a narração acontece em primeira pessoa, pela visão do Hastings, melhor amigo do Poirot. No começo, achei esta mudança curiosa, mas não demorou muito para eu preferi-la. É muito melhor acompanhar a trama sob os olhos de uma pessoa "leiga", assim como nós. Além disso, Hastings tem muito carisma. Carisma este, que falta em Poirot. Por mais que o detetive pequenino seja brilhante, falta-lhe uma personalidade mais carismática, que seja mais associável com o leitor. Neste livro então, ele está pior do que nunca e se mostra, na maioria das ocasiões, um velho rabugento.

Outra coisa diferente neste livro, é o fato do assassino estar livre, leve o solto, pronto para cometer os seus crimes com qualquer personagem, a qualquer momento. A forma como a trama decorre também é curiosa. Poirot sabe quem é o assassino desde o começo! O que ele procura, são as possíveis vítimas que podem acabar despertando o interesse do assassino. Assim como nós, Hastings é mantido as escuras, o que nos faz identificar-nos ainda mais com ele. É interessante esta amizade entre o Poirot e o Hastings, como uma espécie de Sherlock e Watson.

Esta é a história que menos tenta nos enganar. Não estou dizendo que será fácil adivinhar. Para falar a verdade, eu fiquei tão perdido quanto nos outros livros. Mas há menos informação oculta e não há dúvidas de que todos os meios que possamos descobrir a identidade do assassino são mostrados. O terceiro ato é uma bomba atrás da outra. Sem contar que o vilão desta história é muito mais ativo que os outros. Só há uma coisa negativa neste livro: não recomendo para quem ainda não leu a primeira aventura do detetive, porque são reveladas diversas informações sobre o assassino do primeiro livro, O Misterioso Caso de Styles. Mesmo assim, eu achei esta história simplesmente ÉPICA! Não poderia ter tido uma conclusão melhor, eu realmente fiquei de boca aberta. Estão esperando o que para entrar neste mistério?
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