terça-feira, 28 de agosto de 2012

[Livro] My Last Lie - Capítulo 6: Acid Skye

Don't Turn On the Lights.

Tessa mordeu o lábio inferior e fechou os olhos, qualquer descuido e seus gritos poderiam ser ouvidos pela rua inteira. Soltou um pequeno gemido assim que Corbin passou os lábios por seu pescoço, descendo bem devagar, até sentir o gosto metálico que tinha seu cordão. Ela usou suas unhas pintadas de vermelho para arranhar suas costas e deixar marcas na pele pálida do namorado, marcas que iam de seus ombros até a extremidade de sua coluna.

Quanto mais Corbin se aproximava da explosão, mais seus movimentos se intensificavam. Tessa segurou o lençol com força e gemeu mais alto, franzindo o cenho. Corbin então, apenas fechou os olhos e parou de se mover. Posicionou a cabeça pra cima, na direção do teto, sussurrando palavras que Tessa não fazia questão de compreender.

- Deus... – Sussurrou a garota, a mão foi até o rosto suado automaticamente.

Em menos de dois segundos, Corbin deitou do seu lado, colocando uma das mãos embaixo da cabeça. Ainda estava com a respiração ofegante e um sorriso cansado. Os olhos já abertos fitavam o teto branco do quarto enquanto seus lábios imploravam por um cigarro.

- Eu preciso mesmo ir embora? – Perguntou ele.

- A não ser que você queira levar uma surra dos Malcolm...

- Que horas eles chegam? – Corbin virou a cabeça, Tessa ainda fitava o teto.

- Às onze.

- Que droga – Ele suspirou.

Tessa ajeitou o cabelo, a enorme franja formada na frente do rosto já tinha começado a incomodar, assim como ainda estar completamente sem roupa numa casa que não era sua, e numa cama que também não era sua. Com o lençol cinza ela cobriu grande parte do corpo, e não se preocupou em deixar a perna direta de fora para que continuasse no frio. Estava mais preocupada com os pensamentos, e no incômodo que sentia quando Corbin estava perto no momento em que queria ficar sozinha. Mesmo que não estivesse servindo de Babá pra duas crianças na casa dos Malcolm e fosse perigoso ter Corbin ali, ela só queria pensar. Nem acreditava que suas amigas tinham conseguido lhe convencer de que alguma coisa estava errada e que isso realmente importava.

- Então, Effy e Dean vão ao boliche. Ta afim de ir?

- Odeio boliche – Respondeu ela, curta e grossa. Queria pensar mais, e Corbin sempre estava disposto a não deixá-la fazer isso.

- Então, podemos ir ao cinema na terça?

- Tudo bem.

- Ok – Corbin olhou pro criado mudo do seu lado esquerdo, o celular de Tessa tinha começado a tocar.

 Tessa ignorou o toque e se virou, com as mãos embaixo da cabeça. Tinha escolhido aquele toque para Effy e com certeza não iria atender. Mas Corbin não sabia disso. Pegou o celular e passou à ela assim que viu a foto de Effy no visor.

- É a Effy – Disse ele, colocando o celular nas mãos de Tessa.

- Eu sei – Tessa ignorou a chamada com apenas um clique. Jogou o celular no chão e voltou a posição em que estava, era estranhamente confortável.

- Então, está com raiva da Effy?

- Não.

- O que está acontecendo entre você e suas amigas, afinal? Vejo vocês juntas sempre cochichando, brigam na frente de todos, ignoram umas as outras. Nem sabia que vocês tinham voltado a ser amigas.

- Não voltamos, esse é o problema – Tessa sentou na cama e colocou o cabelo atrás da orelha – Acho melhor você ir, os Malcolm devem estar quase chegando.

- Tudo bem – Corbin se levantou da cama, a primeira coisa que fez foi pegar a cueca do chão.

Eles não demoraram nem cinco minutos para vestir as roupas. A pressa acabou fazendo com que Corbin colocasse o cinto no ombro, mas em poucos instantes, já haviam descido as escadas e chegado até a porta.

- Te vejo amanhã? – Perguntou ele, esperando que Tessa parecesse tão ansiosa pelo encontro como ele demonstrava.

- Claro – Tessa sorriu. Aproximou-se devagar para beijá-lo mais uma vez, mas recuou assim que ele fechou os olhos – Boa noite, Corbin.

- Certo – Corbin sorriu, ela sempre fazia aquilo, e ele já estava acostumado.

Ele se afastou devagar enquanto ela fechava a porta, era sempre a mesma despedida, e só mudaria quando tivessem que colocar um fim naquilo que tinham.

Então, enfim só. Era só ela, a casa, e as crianças, que por sorte, já estavam dormindo. Após fechar a porta, Tessa caminhou na direção do banheiro, mexendo no cabelo, tinha acabado de lembrar que estava com dor de cabeça. Notou pelo espelho que tinha vestido a blusa do avesso, e isso soou como um alerta. Se os Malcolm vissem, poderiam desconfiar.

Rapidamente ela tirou a blusa para colocá-la do lado certo. Foi obrigada a ignorar a cicatriz embaixo do braço para que não pensasse na noite do acidente, e assim, tivesse uma noite de paz.

Antes de sair, se olhou uma ultima vez no espelho. Estava pensando em algo para dizer à si mesma olhando em seus olhos como as pessoas sempre faziam nos filmes, mas como nada lhe vinha a cabeça, ela apenas embaçou o espelho com um sopro. Usou o indicador para fazer um coração com um lado maior que o outro e se despediu da própria imagem perfeita com um sorriso de satisfação.

A cozinha foi o próximo lugar pra onde caminhou. Lá, ela se preocupou apenas em atacar a geladeira, aproveitando a variedade de opções e o aval do casal para que pudesse comer o que quisesse. Mas, entre tantas iguarias que apenas os ricos comiam, eram poucas as coisas que faziam seu gosto. Como o prato cheio de brigadeiro na segunda porta, que decidira levar até a sala no momento em que botara os olhos.

Quando sentou no sofá, pra sua sorte, tinha acabado de começar um filme de terror. E esta seria a única coisa que lhe salvaria do tédio até seus patrões chegarem.

E então, as horas se passaram, e o filme terminara antes mesmo de começar a ficar bom. Ela não sabia há quanto tempo estava lá, mas o relógio marcava as dez e meia, e era só uma questão de tempo até que seus patrões chegassem. E uma questão de tempo também para que estivesse em casa, na própria cama, usando os fones de ouvido e dormindo como se não tivesse responsabilidades.

Ela se levantou do sofá logo após desligar a TV, caminhou na direção da enorme janela da sala para observar os vizinhos. Estavam chegando em casa, com certeza do boliche, já que naquela cidade não havia mais nada que um casal de meia idade poderia fazer. Vê-los usando as chaves para abrir a porta lhe fez lembrar que não havia trancado a casa, e poderia levar uma bronca se não o fizesse.

Ao chegar nos fundos, viu a porta aberta sendo balançada pela forte ventania que ouvira falar mais cedo no noticiário. Algumas folhas mortas eram arrastadas para dentro da casa, ou simplesmente voavam na altura da porta desgovernadas. Era tão estranho, que Tessa não pôde negar a si mesma que estava com medo. Ela cruzou os braços por causa do frio e andou até a extremidade da porta, tendo uma bela vista do enorme quintal dos Malcolm.

Só o que via eram as árvores se mexendo, as folhas voando, e o céu escuro prestes a formar um temporal sobre a cidade de Ridgefield. Foi este cenário macabro que a fez trancar a porta mais rápido antes que a paranoia aumentasse.

Depois que o andar de baixo já havia sido trancado, ela subiu as escadas, e aproveitou para arrumar a cama que ela e Corbin haviam transado depois de passar no quarto das crianças. Eles pareciam dois anjinhos, mas do tipo que dormem tranquilamente apenas porque deram muito trabalho quando estavam acordados. Quando os Malcolm chegassem, veriam que ela fez um bom trabalho e a chamariam novamente para servir de babá pela diária gorda que os ricos costumavam pagar.

E se as crianças estavam bem, ela não tinha mais nada pra fazer no andar de cima. Deu meia volta e caminhou na direção da escada, só parou quando ouviu o barulho de uma porta se abrindo. De onde estava podia ver que o barulho vinha da ultima porta, que abriu-se e iluminou pouca parte do quarto com as luzes do corredor. Parecia que as portas daquela casa simplesmente não queriam permanecer fechadas.

Mas, sem hesitar, ela caminhou até o fim do corredor. Observou por entre a escuridão, e como esperava, não havia nada de estranho. Então, fechou e desceu as escadas. Agora era a porta da frente que estava aberta. E dela vinha sons estranhos, impossíveis de serem reconhecidos.

Pensando ser mais uma brincadeira, Tessa abriu a porta com fúria, e deu de cara com um brinquedo em forma de caixão encima do tapete de Boas-Vindas. A cruz vermelha gravada em sua tampa piscava num tom vermelho, no momento em que apitava.

- Mas que merda... – Ela se abaixou para tocá-lo.

Assim que a cruz vermelha foi tocada, a caixa se abriu, e dela pulou uma boneca com os olhos vermelhos, gritando a palavra “surpresa”. Tessa ainda não havia entendido, e nem viu quando tudo aconteceu. Foi agarrada por trás pelo assassino e deixada inconsciente com a ajuda de um lenço umedecido colocado em seu rosto. Não teve tempo de gritar, ou lutar, ou entender, apenas caiu ao lado do brinquedo. Estava tão vulnerável, que chegava a ser injusto o que estava prestes a lhe acontecer.

--

Quando Tessa abriu os olhos, sua ultima lembrança lhe roubou um susto. Tentou se mover, mas estava num local tão estreito que era impossível até mesmo levantar as pernas. Também era escuro demais para que pudesse ver alguma coisa, e o cheiro de madeira molhada não lhe dizia nada.

Ela tocou algo em seu lado enquanto se remexia desesperada, era uma lanterna, que usara pra descobrir o que realmente estava acontecendo. Com ela pôde enxergar suas pernas e o fundo do caixão onde estava. Mas assim, o desespero só aumentou. A primeira coisa em que pensou foi que tinha sido enterrada viva, e não poupou gritos e desespero pro que ela achava que seriam os últimos minutos de sua vida. Mesmo que se debatesse, mesmo que usasse a lanterna para quebrar a madeira, era resistente demais.

- Não! – Gritou ela pela ultima vez, antes do choro consumi-la e ela começar a se entalar com a própria saliva. Jogou a lanterna pro lado pra poder arranhar a tampa do caixão e bater com as duas mãos. Já nem estava conseguindo ver direito por causa dos olhos cheios de lágrimas.

Então, um barulho do lado de fora lhe calou. Primeiro, parecia que alguém tinha batido na madeira. E depois, era como se alguém estivesse andando por cima do caixão de um lado para o outro.

Os olhos de Tessa tentavam seguir os passos, mas o desespero acabou lhe fazendo achar que eles vinham de todos os lugares. E como num passe de mágica, eles cessaram. Por alguns segundos Tessa pensou estar mais segura, e todo aquele desespero de achar que seria enterrada viva passou para que pudesse prestar atenção se o barulho de passos iria se repetir.

Mas ao invés disso, ela ouviu apenas o barulho do primeiro monte de terra caindo sobre o caixão. Seus gritos se intensificaram quanto mais terra ouvia cair, pensava que se implorasse desesperadamente por sua vida poderia ter chances de sobreviver, ou ser salva por alguém. Estava vendo a hora da garganta explodir de tanto que estava gritando, e do coração parar de tanto medo que estava sentindo.

Tessa demorou alguns instantes para perceber que a terra havia parado de ser jogada. Ela segurou a lanterna contra seu peito, as mãos tremiam como se estivesse levando um choque e os olhos não sabiam pra onde ir.

A porta do caixão foi aberta, pra sua surpresa, e num reflexo, ela se levantou imediatamente e foi agarrada pelo coveiro. Pensando que ainda estava em perigo, ela começou a se debater, mesmo com o senhor pedindo para que tivesse calma.

Aos poucos ela foi se deixando levar pela gentileza do coveiro e o agarrou com força. Ela estava fora do caixão, e ainda estava viva.

- Chame a polícia – Disse o senhor ao ajudante - Está tudo bem – Ele passou a mão pelo cabelo de Tessa, tentando fazê-la se sentir segura o suficiente pra parar de chorar e contar quem tinha feito aquilo com ela. Mas, mesmo que Tessa não consiga dizer uma só palavra, quem fez isso com ela havia deixado sua marca na parede de terra – Minha nossa... – Sussurrou ele, assustado.

Tessa olhou pra ele, confusa, percebeu a direção em que ele olhava. E de repente, tudo tinha ficado ainda pior. Era uma mensagem escrita com sangue da mesma pessoa que lhe colocou ali dentro, e com certeza, da mesma pessoa que estava mandando mensagens anônimas para suas amigas.
Da próxima vez você será comida por minhocas” – Charlie
--

Effy abriu a porta do quarto com a mão direita. Na outra, havia um copo de café que comprara para Paige, ela precisaria tomá-lo para forrar o estômago antes que tivesse dores. A ultima vez que havia comido tinha sido no dia anterior ao ataque das cobras, e depois, ficara até a noite ao lado do pai no hospital.

Era triste vê-la daquele jeito, segurando as mãos da pessoa mais importante da sua vida esperando que não morresse. Naquele momento, o apito da máquina cardíaca ao lado era o único som que podia aliviá-la, e o único que indicava que seu pai ainda estava com vida.

- Hey P, trouxe um café pra você... – Sussurrou Effy, fechando a porta devagar.

Paige finalmente saiu da posição que havia ficado nas ultimas duas horas, suas articulações começaram a doer imediatamente. Ela pegou o café das mãos da amiga, dando suspiros de cansaço.

- Como ele está? – Effy sentou ao lado dela na poltrona azul, com a perna aberta e os cotovelos encima dos joelhos.

Ela olhou para Steven Lawless por um breve momento antes que Paige respondesse, ele nem parecia o homem forte e cheio de vida que tinha dois empregos, mas ainda tinha tempo pra família. Lembrou-se da ultima vez em que o vira, ele lhe ganhou no uno doze vezes seguidas sem trapacear, como um profissional de jogos infantis. Era tão estranho ver alguém bom numa situação como aquela que Effy se perguntava se poderia haver justiça. Corruptos e sequestradores continuavam vivos, mas foi o pai de família quem ganhou uma morte ambígua.

- Está na mesma – Paige passou a língua pelos lábios após tomar um gole de café. Posicionou o copo na coxa direita, segurando-o com as duas mãos – Disseram que não sabem se ele vai ficar bem.

- Mas se ele não recebeu nenhuma mordida, então o que aconteceu?

- O susto. Disseram que ele viu a casa infestada de cobras e saber que não podia nem se mover pra se salvar fez ele sofrer uma parada cardíaca. Como se já não fosse o suficiente ficar vegetando...

Effy engoliu as palavras, estava prestes a fazer mais perguntas quando percebeu que essa era a ultima coisa que Paige queria ouvir.

- Meu pai está vindo me buscar – Disse ela, ainda com a voz serena – Você quer uma carona? Um lugar pra ficar?

- Hoje não – Paige fungou e olhou pra ela – Vou dormir aqui.

- Quer que eu fique com você? Porque se quiser...

- Não, tudo bem. Mesmo assim eles só deixam uma pessoa ficar, então...

- Ok – Effy pegou no ombro da amiga, no exato momento em que ouviram um barulho do lado de fora.

Ambas olharam pra vidraça, Matt estava batendo nela com dois dedos para chamar sua atenção. Ele usava o uniforme da policia, mas não estava de serviço, era apenas o que tinha que usar pra fazer hora extra e descobrir como todas aquelas cobras foram parar na residência dos Lawless.

- Acho que ele tem novidades – Disse Effy, levantando-se. Ela saiu e bateu a porta bem devagar.

- Como ele está? – Perguntou Matt.

- Na mesma – Effy cruzou os braços – Você tem novidades?

- Sim, descobrimos de onde vieram as cobras. Acontece que na noite de ontem um instituto de cria e pesquisa de répteis em Bethel foi invadido, mas apenas de manhã recebemos uma chamada. Foram levadas as quarenta e nove serpentes que eles mantinham em cativeiro.

- Quarenta e nove? – Effy deu um ar de risos depressivo – Então alguém realmente queria nos matar.

- É aí que está. Todas as cobras encontradas na casa estavam sem veneno, é um procedimento padrão que o instituto segue no caso de terem que entrar em contato com répteis hostis. Mas por precaução, levamos algumas cobras para análise e constou que nenhuma poderia causar danos maiores que uma simples mordida.
- O que? – Effy olhou pro lado, cheia de duvidas, estava tentando ligar os pontos, mas nada fazia sentido – Isso não é possível...

- Acho que tem alguém querendo assustá-las, e está disposto a cometer crimes pra fazer isso. E se tem alguém intimidando vocês, nós precisamos saber. Não podemos deixar que o incidente de dois anos atrás se repita.

- Eu não sei... Nós estamos recebendo essas mensagens e elas dizem coisas... Estranhas. Mas sei lá, você não sabe quantas vezes os adolescentes dessa cidade nos mandaram brincadeiras sem graças, não sei o que pensar.

- Colocaram quarenta e nove cobras na casa onde você estava, você sabe exatamente o que pensar. Vou registrar uma ocorrência e ver se consigo rastrear as mensagens.

- Nós meio que já conseguimos rastrear... – Effy hesitou, não conseguiria dizer seu nome sem criar coragem – E chegamos até Charlie Abrams.

Matt permaneceu quieto, mas lançou para Effy o mesmo olhar que ela lançava para ele. Era um olhar cauteloso, de duas pessoas que não faziam ideia do que estava acontecendo, e de até onde tudo aquilo iria chegar.

--

- Tem certeza que não quer que eu te leve em casa? – Perguntou Skye, apertando a alça da mochila.

Courtney colocou as mãos no bolso e olhou pra baixo. Mal conseguia enxergar alguma coisa com as luzes da varanda da casa de Skye apagadas.

- Não, tudo bem, minha mãe já chegou. Então...

- Você pode passar a noite aqui se quiser, minha mãe não liga e meu pai... Bom, meu pai nem deve saber que eu existo, então tudo bem.

- Não consigo dormir fora de casa, preciso da minha cama. E talvez hoje a noite, também de um calmante... – Courtney colocou o cabelo atrás da orelha e tentou não pensar no que tinha acontecido. Ainda sentia o gosto amargo das minhocas em sua boca mesmo tendo escovado os dentes trinta vezes. Lembrar pioraria tudo.

Skye aproveitou o silencio que se formou para olhar pra varanda de sua casa. Era estranho que ainda não tinha ninguém se já era onze da noite.

- Acho que eu vou entrar e esperar meus pais chegarem. Você me liga?

- Claro. Boa noite, Madsen.

- Boa noite – Skye subiu as pequenas escadas da varanda, Courtney demorou um tempo para começar a andar.

Quando a amiga passou pelas cadeiras de balanço, ela virou, aliviada por estar longe de pessoas só para que pudesse desabar sozinha. Ela caminhou ainda com as mãos no bolso pela calçada, passando pela parede de flores dos Mark que tinham dois metros de altura e não lhe deixava ver a propriedade. O único som além de seu salto na calçada era o dos grilos. E agora, o de seu celular.

Era outra mensagem de texto, como aquela que recebera minutos depois de ver sua geladeira infestada de minhocas.
“Se contar pra alguém, eu conto pra todos o porquê de você não ter um pai” – Charlie.
Courtney olhou pra frente e suspirou, quase soluçando. Já tinha aprendido a levar a sério a pessoa que lhe mandava mensagens. E nada podia fazer se não continuar andando e fingir até para si mesma que nada estava acontecendo.

Com a mão esquerda, Skye tocou a parede do hall de sua casa, procurando o interruptor. Logo as luzes se acenderam e ela pôde entrar sem medo de tropeçar em algum móvel.

- Mãe? Pai? – Perguntou, jogando o casaco no encosto do sofá.

Pra ter certeza que ninguém estava em casa, ela caminhou até a cozinha, também ligando as luzes através do interruptor. Ela parecia estar sozinha ali dentro, e essa era a chance que tinha de revelar algumas fotos antes que seu pai lhe mandasse ir pra cama.

Ainda com a mochila nas costas, ela desceu as escadas pro porão onde ficava a pequena sala com luzes vermelhas fluorescentes construída para que revelasse fotos. Ao passar pela porta, colocou a mochila encima da mesa de ferro e olhou pras fotografias penduradas no varal acima de sua cabeça. Conseguiu reconhecer algumas delas onde as amigas estavam sorrindo, e das plantas que havia fotografado na manhã daquele dia.

As fotos estavam tão perfeitas que Skye acabou se sentindo mais inspirada para que mais fotos fossem reveladas. Da mochila ela retirou sua câmera, e acabou sendo vítima mais uma vez de seu tique nervoso. Sempre que tirava a câmera da mochila, limpava suas lentes com a manga da blusa, por motivo algum se não o próprio costume.

Ela pendurou a câmera no pescoço, e logo em seguida, tirou um dos filmes de dentro dela para observar os negativos e ver quais fotos iria revelar. Foi só prestar atenção também nas fotos penduradas ao lado que notou algo estranho. Nas fotos onde aparecia, havia uma mancha preta e vermelha na frente de seu rosto, como se alguém tivesse queimado a foto.

Se o defeito tivesse saído em apenas uma foto, ou em outros rostos, poderia ter cometido um erro na hora de revelar. Mas todas as fotos onde aparecia – colocadas lado a lado numa enorme fileira – apenas seu rosto parecia ter sido afetado. Teve que passar a mão por cima das fotos pra ter certeza que não estavam sujas e pra descobrir com o toque o que era aquilo. Mas antes que pudesse fazer isso com todas as fotos, as luzes se apagaram.

- Merda! – Sussurrou ela, caminhando na direção da porta.

Apertou nos interruptores duas vezes só pra ter certeza que a falha não era ali. Mas, ao abrir a porta e olhar pra escada, percebeu que a casa toda estava um breu. O pior era que nem sabia onde estavam as velas, ou simplesmente mexer no gerador que ficava atrás da garagem.

- Só pode ser brincadeira... – Resmungou ela, correndo até a mochila. Tirou seu celular lá de dentro, mesmo que não iluminasse mais que um metro a sua frente. Era a única coisa que tinha para ajudá-la a sair dali e procurar uma vela.

O mais difícil foi mesmo subir as escadas sem errar os degraus, pois quando chegara ao andar de cima, soube se locomover com mais precisão. Conseguiu enxergar o balcão central ao chegar à cozinha, mas encima dele havia apenas uma cesta de frutas. Próximo a ele estavam os armários, a única esperança de encontrar uma vela.

- Onde estão vocês...? – Sussurrou pra si mesma ao começar a vasculhar. Porém, não demorou nem cinco segundos para ouvir o primeiro barulho estranho vindo dos fundos.

- Mãe? Pai? – Perguntou ela, sem obter respostas. Mas esperar alguma resposta na escuridão, realmente não era uma opção – Sinto muito, mas vou dar o fora daqui.

Skye passou pelo balcão central e continuou no corredor onde estava, que ia na direção da sala. Passou pelo sofá e encarou a janela sendo iluminada pela luz do luar. Era a única coisa que a possibilitava de ver o sofá e uma parte do chão da sala.

Então, antes de sair, ouviu algo se mexendo perto da parede. Virou com o susto, colocando o celular na sua frente pra tentar enxergar alguma coisa. Ouviu o mesmo barulho de novo, mas dessa vez, do outro lado da sala. Teve a impressão de quem alguém estava correndo no escuro para assustá-la e a luz de seu celular era fraca demais para lhe permitir enxergar.

- Quem está fazendo isso? – Gritou ela com a voz desesperada.

A mesma coisa aconteceu de novo, e ao virar, Skye teve certeza que um vulto passou perto da janela. Ela parecia estar cercada por alguma coisa que circulava a sala fazendo barulho para que ficasse apavorada.

- Para com isso! – Gritou ela.

Foi ai que lembrou da câmera pendurada no pescoço, que poderia lhe ajudar a enxergar. Mas o medo de fotografar alguma coisa a fez hesitar com a câmera nas mãos. Se visse algo com a ajuda do flash, não saberia o que fazer.

Então, ela apertou o botão de disparo bem devagar e o primeiro flash saiu. Não conseguiu ver nada de estranho, nada além da parede bege de sua casa onde havia um quadro. Depois virou pro outro lado e apertou novamente o botão, só conseguiu ver o sofá branco e uma parte da mesinha de centro.

Quando o mesmo som se repetiu na parte de trás, ela se virou, e apertou o botão de disparo com precisão enquanto caminhava pra trás. Não conseguiu ver nada além do corredor que dava pra cozinha, mas levou um susto quando algo lhe tocou. Deu gritos insanos enquanto se debatia, sem saber o que tinha lhe atacado.

As luzes voltaram no momento em que caiu encima da mesinha de centro, como num passe de mágica. Seu gato estava perto do sofá, olhando pra ela e miando bem baixo. Ela logo entendeu o que tinha acontecido, por isso pensou ter ouvido seu gato miar quando algo lhe tocou. Ele estava encima da estante de pratos perto da parede e provavelmente tinha pulado de lá. Agora tudo fazia sentido.

- O que está acontecendo? – Perguntou Ivy ao passar pela porta. Viu a filha jogada encima da mesa e pensou que algo grave tinha acontecido.

- Damon está acontecendo – Skye olhou para o gato.

- Por que as luzes estavam todas desligadas? Acabei de religar o gerador na garagem.

- Eu não sei – Skye se levantou – Eu estava revelando fotos, então tudo apagou – Ela ajeitou o óculos – Onde está o papai?

- Pegou o turno da noite, pensei que você soubesse. Enfim, quer comer alguma coisa?

- Sim, por favor.

- Vou preparar – Ivy passou pela filha, caminhou direto pra cozinha.

- Vou estar lá embaixo – Skye correu pelas escadas do porão, sem esperar pra ouvir o que sua mãe estava terminando de dizer.

Ela passou pela porta e colocou a câmera encima da mesa de ferro. Riu de si mesma pelo susto que acabara de tomar, estava se sentindo uma idiota por ter deixado seu pequeno Damon fazer aquilo pela enésima vez. Mas, ela já se sentia segura, e agora só precisava revelar as fotos e ir pra cama.

O primeiro passo era saber quais fotos revelar e quais teria que descartar, por saírem tremidas, ou simplesmente sem foco. Ela ligou a câmera ao computador do fim da sala por um cabo USB e o deixou fazendo o reconhecimentos das fotos. Foi até a estante onde se encontrava os ingredientes que iria usar e notou que um deles estava faltando. De manhã quando saíra de casa, havia um jarro de ácido sulfúrico, mas agora, nenhum. Seu pai deve ter pegado para alguma coisa, ou deve ter quebrado sem querer, como já fizera. Mas isso era o de menos quando havia uma caixa cheia deles na parte inferior da estante. Ou pelo menos, era isso que ela pensava.

Ao abrir a caixa, percebeu que só havia um frasco dentro dela, quando deveria haver doze. A não ser que seu pai tenha jogado tudo fora por ser perigoso, algo estava realmente errado.

No fim, ela preferiu não ligar e pegar o jarro restante, mas sua expressão deixava claro que estava achando tudo estranho demais.

Para se juntar ao ácido, Skye também pegou água, uma espiral, duas vasilhas onde despejaria os produtos químicos e as folhas de papel para que os negativos fossem ampliados. Depois os organizou lado a lado na ordem em que usaria cada um.

Ao terminar, o computador já tinha feito a verificação das fotos. Ela se sentou na cadeira giratória e navegou pelos álbuns. Entre as fotos de amigas e das lindas paisagens de Ridgefield, ela encontrou as fotos que tinha acabado de bater quando seu gato Damon estava lhe pregando uma peça. Nada havia nas primeiras se não os móveis da casa e seus maiores detalhes por causa da alta resolução. Mas na terceira, havia uma figura preta com uma máscara de olhos e bocas costurados que estava atrás da estante. O zoom lhe ajudou a ver melhor, e só assim teve certeza que tinha alguém dentro da casa.

- Mãe! – Gritou ela desesperada, ao sair correndo pelas escadas. Temia que sua mãe corresse perigo, e faria de tudo para protegê-la.

Ela subiu rapidamente até a cozinha e viu o liquidificador ligado com uma lata de leite jogada no chão. Ao se aproximar devagar, notou que a mãe estava jogada no assoalho em meio a uma poça de sangue, devido a um ferimento na cabeça.

- Mã... – Antes de terminar o sussurro, Skye foi agarrada por trás pelo homem mascarado e teve sua boca tapada.

De tanto se debater, o assassino bateu as costas na parede e teve que soltá-la. Ela precisou se equilibrar para não cair, e com a ajuda da parede, chegou até a porta da frente. Mal teve tempo forçar a maçaneta e logo foi alcançada. Recebeu uma pancada na cabeça com o machado do assassino e caiu no chão semi-inconsciente. Seus olhos tremiam, queriam se abrir, mas o traumatismo havia sido grave.

Ele, então, aproveitou o estado de Skye para juntar suas mãos no alto e amarrá-las num pedaço de arame farpado. Ela só voltou a consciência quando ele começou a puxá-la pelo corredor e o arame furou seus pulsos. Ela foi arrastada da porta até o banheiro da casa depois da cozinha, aos gritos, vendo o próprio sangue fazer um rastro até o banheiro.

Quando chegou lá dentro, pensou que teria tempo para correr, mas foi puxada pelo cabelo assim que suas mãos se livraram do arame farpado. O assassino pressionou sua cabeça contra a banheira cheia, e pensando que seria afogada, Skye resistiu. Debateu-se usando as mãos até derrubar o xampu dentro da banheira. Foi aí que percebeu que aquilo era ácido, tão poderoso que dissolveu um vidro de xampu em poucos segundos.

O desespero só aumentou e os gritos se intensificaram, mas não teve jeito. Skye teve a cabeça mergulhada na banheira cheia de ácido por alguns segundos, porém, tempo suficiente para o produto causar grandes danos ao seu rosto. Ele a mergulhou mais uma vez, por mais tempo, e os danos causados foram bem maiores. Seu rosto já estava completamente desfigurado, com a arcada dentária prestes a aparecer por completo.

Então, ela foi mergulhada no ácido mais uma vez, por mais tempo, até que não estivesse mais respirando. Seu corpo sem vida foi jogado pro lado, com o rosto tocando o chão. A pele que se soltava grudava nas lajotas, fazendo uma poça de sangue no chão onde seu rosto estava. Teria sido uma morte horrível, se o que aguardasse todas as outras não fosse ainda pior.

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Comentários
9 Comentários

Comentário(s)

9 comentários:

  1. Aff...Não gostei, não do capítulo, mas eu pensei que a história seguiria as meninas com ameaças e talz, eu realmente pensava que a Skye iria viver, foi como uma decepção, e ainda diz que mais meninas vão morrer... meio que desanimei.

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  2. Nãããão!!! eu gostava da Skye,que pena que ela morreu,é duro quando voce curte um personagem e ele morre,e a cena da Tessa então OMG! Ameeei,enterrada viva deve ser a pior morte que tem,aguardando anciosamente o proximo capitulo.

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  3. Ao contrario do Geedes,eu gostei do capitulo é uma pena que a Skye morreu era uma garota legal gostava dela,esse Anonymous é cruel,Angel acho que a pior morte que tem é ter o rosto desfigurado por ácido isso sim deve ser dolorido,quero mais mortes no próximo cap.

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  4. Aff, eu coloquei que o capítulo foi bom, só não gostei do rumo que a história ta tendo, só isso... eu gosto da história e vou continuar lendo, saiba interpretá o que ler Georgie.

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  5. Eu concordo com Geedes. Se as meninas todas morrerem não vai ter graça. Mesmo que eu ache o Lindley muito criativo kkkkkkkkkkkk Gostei do capítulo sim. - A precisa aprender algumas coisinhas u.u

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  6. Não acho que todas as meninas vão morrer,mas é obvio que umas tem mais destaque e são mais interessantes que outras,eu aposto em Lola e Effy como Final Girls

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  7. Por favor não mate mais nem uma garota, eu sei que se não matarem elas não tem ninguém para matar
    coitada da Skye ela era a minha terceira personagem favorita
    vou ler logo o outro capitulo e tentar não me atrasar mais
    mas tomara que nem uma garota morra

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  8. OHHH atrasado ja havia lido a punhalada 1 e 2 voltei no site pra ver se ja havia lançado e achei este incrivel livro, skye era minha personagem favorita mais acho que mais por me fazer lembrar da skye de my super psycho sweet sixteen, mas com o passar do tempo percebi que a effy se parece mais com a skye de my super psycho do que a propria skye deste livro kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk pelo menos pra mim, mas emfim amei o livro.

    obs 1: ja li o livro completo em pdf mas precisava vir aki pra comentar
    pbs 2: achei que da muito trabalho pra achar os livros aki, caso vc vlica na categoria livro nao aparece todos.

    Felipe

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