terça-feira, 21 de agosto de 2012

[Livro] My Last Lie - Capítulo 5: Fear Me

Don't Feel Safe.

- Hey, é a Bela, não posso atender. Deixe uma mensagem – Disse a secretária eletrônica, fazendo Lola revirar os olhos.

Não acreditava que Bela tinha resolvido ignorar suas ligações, logo quando ela mais precisava. Olhou pra frente, estava no corredor do banheiro feminino do restaurante e podia ver a mesa onde estava há poucos metros. Lá estava o poderoso Daniel Sparks, o homem mais rico daquela cidade, dando gargalhadas escandalosas com as piadas do pai de Lola, o empresário da Moda Billy Ridell. Ao lado de Billy estava seu filho mais velho, Matt, que tentava de todos os jeitos ignorar que estava no meio de um jantar importante tanto quanto era ridículo.

Lola compartilhava da mesma opinião do irmão, porém, achava aquele jantar necessário. Se conseguisse convencer Daniel de que poderia trabalhar pra ele como modelo, seria o começo de um novo império. Ela criaria sua própria marca, colocaria seu nome nas inúmeras roupas que já criara, e assim, sairia daquela cidade sem dever nada a seu pai. Era um ótimo plano pra quem achava a faculdade uma perda de tempo e queria ser rica facilmente.

E se quisesse causar uma boa impressão, não poderia demorar muito no toilet. Bela não iria atender a chamada, era perda de tempo, de qualquer maneira.

- Hey diva da reabilitação. Não sei se você percebeu, mas essa é a décima terceira vez que estou ligando. Então você podia simplesmente tomar seu remédio direito e ligar pra mim? – Lola encerrou a chamada e colocou o celular na bolsa preta.

Se olhou no espelho do corredor, o batom continuava perfeito, e o cabelo estava intacto. O vestido preto que deveria lhe fazer parecer ainda mais magra, modelou seu corpo. Era realmente uma pena que não poderia usar nada daquilo para conseguir o que queria, já que Daniel não era do tipo que prestava atenção nas mulheres.

Com seus saltos fazendo barulho, ela caminhou de volta a mesa, certificando-se de que parecia uma modelo. Sentou-se a mesa e logo abriu um sorriso falso, que convencia qualquer um.

- Qual é a piada? – Perguntou ela.

- Piadas de adultos, desculpe criança – Disse Billy. Lola sentiu uma pontada de raiva do pai, mas segurou o sorriso. O único que percebeu foi seu irmão, ele foi obrigado a tomar um longo gole de seu vinho para disfarçar a risada que estava prestes a escapar.

- Então, Lola... – Disse Daniel enquanto cortava seu bife – Seu pai me contou que você desenha algumas roupas para marcas famosas, e algumas delas vendem até mais que roupas criadas por estilistas profissionais.

- Bom, é claro que ele está exagerando – Lola olhou para o pai, sorrindo – Eu crio algumas peças, é o que eu amo fazer. Mas nada que se compare a Vera Wang.

- Humildade – Disse Daniel, mastigando o bife. Estava apontando a faca para Lola, já que não poderia usar o indicador – É disso que eu gosto. Mas me diga... – Ele voltou o olhar para o prato, nem se importava de estar falando de boca cheia – Você acha que está pronta para entrar definitivamente no mercado de trabalho?

- Bom, passei minha vida inteira me esforçando para que agora estivesse. Não acho que vou decepcioná-lo.

Matt levantou as sobrancelhas, estava impressionado com o vocabulário da irmã. Aquilo provava que ela não tinha talento apenas para menosprezar as pessoas e criar frases de efeito, como também, persuadir as pessoas certas.

- Lola, deixe-me ser franco com você – Daniel colocou os talheres na mesa, parecia estar preparando um discurso – Existe apenas uma verdade sobre mim. Eu trato meus empregados como iguais assim que eles me provam que merecem ser tratados como tais. Isso não é um jogo, ou uma oportunidade divina para inexperientes que querem subir na vida. Algumas pessoas brincaram com bonecas a vida inteira e acharam que por isso estavam preparadas. Preciso ter certeza que você não brinca com bonecas, Lola.

- Não cheguei onde estou brincando com bonecas, senhor. Posso lhe garantir.

- Muito bem – Daniel assentiu enquanto Lola recebia um olhar cauteloso do pai – Então, vamos fingir que esta é uma entrevista de emprego. E eu já tenho uma pergunta.

- Sou toda ouvidos.

- Você é a chefe, e no final do dia de teste, descobre que está faltando dez dólares. A primeira garota vê a nota no chão, pega e entrega a você, pois é honesta. A segunda vê a nota no chão e a deixa no mesmo lugar, pois não é problema seu. Já a terceira, pega a nota e leva pra casa, afinal, achado não é roubado. Qual delas você empregaria?

- Qual delas? – Repetiu Lola, estava um pouco confusa, pois a resposta parecia óbvia – Com certeza, a primeira garota.

- Não, a que tiver seios maiores! – Disse Daniel, seguido por uma gargalhada.

Billy e Matt também caíram na risada, Lola arregalou os olhos com o choque. Aquela foi a pior coisa que já tinham lhe dito, com certeza. E o pior de tudo era que se também não agisse como uma perfeita idiota, talvez não ganhasse o emprego. Logo fez brotar um sorriso forçado que mesmo mantido com esforço, ainda assim demonstrava que ela estava constrangida.

No final da noite, ela já tinha certeza que tudo tinha sido perda de tempo. Esperou Billy despedir-se de Daniel na porta do restaurante, com o irmão do seu lado. Olhava para Daniel entrando no carro como seu sonho indo embora. Ela não estava preparada para aquilo, achava que ele seria o rei da seriedade, não um bobo da corte que contrata apenas quem lhe faz rir.

- Não se preocupe, você foi ótima – Disse Matt, para consolá-la.

- Não ótima como o curinga do Batman. E acho que no final isso era necessário.

- Acho que ele gostou de você. Se eu fosse arriscar um palpite, diria que você tem grandes chances.

- Espero que você esteja certo, não sabe o quanto batalhei por isso.

- Eu posso dormir com ele se você quiser – Matt sorriu, e sem querer, Lola fez o mesmo – Eu podia jurar que ele estava me secando enquanto eu comia ostra.

- Era porque ele estava te secando – Lola cruzou os braços e olhou pra porta, o carro de Daniel estava partindo – Será que tem vaga pra mim na delegacia?

- Vou perguntar pro meu chefe. Aceita ser secretária?

- Digamos que eu prefiro a morte – Lola sorriu.

Devagar, Matt passou a mão em seus ombros, sabia que ela estava tensa por causa do jantar.

- Quer que eu te leve pra casa?

- Por favor, o que eu mais quero agora é um banho.

- Vou pegar o carro – Matt passou por ela, caminhou na direção do pai.

Lola continuou observando, de braços cruzados, só queria sair daquele lugar e rezar para que Daniel Sparks a aceitasse pelo menos como estagiária. Foi no meio de tantos pensamentos quase positivos que ela ouviu o celular apitar. Tirou ele da bolsa imediatamente, pensando ser Bela. Ela precisava ser avisada sobre o video mandado. Mas, ao invés de uma mensagem de Bela explicando porque não tinha atendido suas ligações, havia uma mensagem, que dessa vez, possuía assinatura.
“Lembra quando você me mandou pro inferno? Agora é a sua vez” – Charlie.
--

Paige abriu a porta de sua casa, e o barulho estridente acabou chamando a atenção de seu fiel companheiro. Seu cachorro amarelo correu até a porta e lhe recebeu mexendo o rabo e fazendo ruídos semelhantes a de um latido.

- Shhh – Pediu ela, seu pai poderia estar dormindo.

Quando Paige ligou a luz através do interruptor, Effy foi obrigada a fechar os olhos. Estava tão acostumada com a escuridão do cemitério e de seu quarto que ser exposta a luz direta machucava seus olhos, principalmente quando eles estavam ardendo de tanto chorar.

Assim que notou o cachorro, ela se abaixou para acariciá-lo.

- Hey Freddie – Disse ela, deixando o cachorro lamber sua mão. Ele estava bem maior, cresceu rápido em pouco tempo. Nem parecia mais o pequeno cachorro que achara com a melhor amiga abandonado na estrada. Se Mary Beth deixasse, Effy o teria levado pra sua casa – Ele está grande.

- É, como a fome dele – Paige fechou a porta. Jogou a bolsa no primeiro degrau da escada e foi até a sala.

Effy a seguiu, junto do cachorro. A sala – como o resto da casa por onde elas ainda não passaram – estava um completo breu. Apenas a TV ligada iluminava a poltrona de seu pai e os restos de comida espalhados pelo chão. Ele estava na mesma posição de sempre, e pela primeira vez, não estava sendo decepcionante não vê-lo fora dali como o médico disse que poderia acontecer.

- Pai? – Chamou Paige, esperando qualquer ruído que provasse que ele ainda estava acordado.

Effy ficou observando, com as mãos nos bolsos de trás. Tinha pena de Paige pelo que ela estava passando, pois não desejaria isso nem ao pior inimigo. Não fazia nem um ano que seu pai sofrera um derrame e fora obrigado a vegetar. Não consegue comer, tomar banho, ou até mesmo caminhar pela casa sem que seu cérebro lhe pregue uma peça. Sua mãe – a linda e jovial Nicole Lawless -, como sempre, não poderia estar presente. Seus namorados, suas viagens e suas farras eram bem mais importantes que ajudar a filha a cuidar do pai. E talvez seja por só ter o pai do seu lado que Paige luta tanto para que ele não se vá.

- Acho que ele dormiu de novo – Paige virou para Effy – Você está com fome?

- Definitivamente – Disse Effy, ao mesmo tempo dando um suspiro. Foi preciso um pequeno estímulo para que lembrasse do buraco no estômago.

E então, só tinham duas opções. Poderiam usar todos os ingredientes que Paige tinha em sua cozinha pra fazer o melhor jantar de todos os tempos, ou simplesmente esquentar a pizza de ontem para que, junto do suco de laranja, pudessem matar a fome.

Sabiamente, elas optaram pela pizza. Elas subiram as escadas e dobraram o corredor para o quarto de Paige, e por incrível que parecesse, ainda estava do jeito que Effy lembrava. Nada havia mudado desde que ela tinha doze anos, a não ser o mural dos amigos perto do rack onde ficavam seus livros velhos.

Elas tiraram as roupas pesadas que estavam usando para trajes mais leves de dormir assim que entraram. Depois disso, apenas sentaram na cama com o notebook aberto para assistirem qualquer programa enquanto comiam.

Por alguns momentos, toda aquela previsibilidade dos programas de TV aberta pareceram clarear suas mentes. Não estavam pensando em Violet, ou Charlie, ou os benditos emails. Afinal, eram apenas brincadeiras até que lhes provassem o contrário.

A primeira a terminar a pizza foi Paige, como sempre, e mastigou o ultimo pedaço dando um pulo da cama.

- Vou tomar um banho – Disse ela, ao entrar pela porta do banheiro.

Effy apenas assentiu, sem tirar os olhos do notebook. Logo o pedaço de pizza que tinha nas mãos acabou e já não tinha mais o que fazer se não continuar de olho no programa. Ouviu o barulho do chuveiro, Paige tinha acabado de ligá-lo. Se não saísse rápido, aquele programa ficaria chato o suficiente para que desistir de tentar se distrair.

Então, era apenas ela, o silencio e a escuridão. Não demorou muito para que ela ficasse neurótica com tudo isso, e os zilhões de teorias que acabava criando sem querer na própria cabeça. Pensou até ter ouvido um ruído estranho, que tentou ignorar quando cogitou a possibilidade de ser apenas sua imaginação. Então, ouviu outro barulho, alto o suficiente para que sentisse que não deveria deixar pra lá. Ela parou de prestar atenção imediatamente no notebook para fitar a porta, algo lhe dizia que ela precisava saber o que tinha acontecido.

Após abaixar o volume do notebook, Effy se levantou da cama e puxou a porta entre aberta. Olhou pros dois lados do corredor, nada de incomum. Poderia ser Freddie brincando no andar de baixo, ou qualquer outra coisa não sobrenatural e não assustadora que lhe fizesse voltar pro quarto com a consciência limpa. Estava quase desistindo de toda aquela paranoia e voltando pro quarto quando ouviu o barulho da porta. A não ser que o Senhor Lawless tenha se levantado milagrosamente da poltrona e contrariado a ciência, tinha mais alguém ali dentro.

Effy caminhou na direção das escadas até poder enxergar o andar de baixo. Se tivesse chegado um segundo antes, teria visto um homem vestido de preto caminhando da porta até o corredor onde ficava a cozinha.

Ela não sabia do perigo, nem imaginava que ele estava lá dentro, e foi exatamente o único motivo pelo qual continuou descendo. Também não viu quando o homem passou de uma porta a outra pelo corredor atrás da escadas, tão silencioso que parecia apenas uma sombra.

Então, tudo aquilo começou a lhe parecer extremamente ridículo, ainda mais por estar com medo. Subiu as escadas e caminhou na direção do quarto. Parou assim que ouviu algo se quebrar no andar debaixo. Agora tinha certeza, alguém estava brincando com ela, e se pudesse arriscar um palpite, diria que era a mesma pessoa que tinha mandado o email.

Ela lançou um olhar tenebroso na direção da escuridão das escadas, e enquanto ela permanecia parada, o cérebro fazia ela se perguntar o que ainda estava fazendo ali.

Quando virou pra frente, o susto foi inevitável. Acabou dando de encontro com Paige, que tinha acabado de sair do banho.

- Que droga! – Reclamou Paige, após um pequeno grito – O que você tem?

- Ouvi um barulho no andar debaixo – Effy apontou pra trás com o polegar, com medo de que Paige achasse que ela estava neurótica.

- Bom, Freddie ainda mora aqui.

- É, acho que você tem razão... – Effy entrou no quarto, com a mão na testa – Acho que preciso dormir.

- É, eu também – Paige fechou a porta.

As duas deitaram na cama quase que ao mesmo tempo. Effy do lado esquerdo, Paige do lado direito. Ficaram em silencio por alguns segundos, Effy fitando a escrivaninha e Paige o teto. Só depois de um tempo caladas que foram perceber que o sono demoraria a chegar.

- Eu também estou com medo, sabe... – Sussurrou Paige, Effy virou para olhá-la imediatamente – Essas mensagens, o video... Estou me forçando a acreditar que não estamos correndo perigo neste momento... Antes eu me perguntava se tínhamos feito a coisa certa, mas agora eu tenho certeza que não...

- Eu não sei mais o que pensar...

- E você nem deve. Está passando por coisas demais pra começar a se importar com isso.

- Todas nós estamos... Não é fácil ser uma das sete garotas nem pra Lola, acredite.

Paige sorriu por alguns instantes, mas depois os pensamentos a fizeram parar. Queria ter coragem pra perguntar sobre o que Effy estava passando, mas não sabia se podia. Na duvida, preferiu acreditar que falar sobre seus problemas deixa as pessoas mais aliviadas.

- Você sente falta dele? – Perguntou ela, cheia de hesitação.

- O tempo inteiro... – Effy suspirou - É como se eu estivesse louca...

- Isso vai passar, tudo passa. Você sabe disso né?

- Eu sei... – Effy engoliu em seco. Se falassem mais sobre aquilo, não teria uma boa noite de sono – Boa noite – Disse ela, virando-se.

--

Paige abriu os olhos e fitou o teto branco, ainda com a vista embaçada. Fechou e abriu os olhos mais duas vezes até despertar completamente e poder enxergar tudo com mais clareza. Sentiu algo gelado sobre as pernas, pensou ser Effy jogada por cima dela, pois a garota se debatia demais durante a noite desde a quinta série.

Ela olhou pro lado e viu a amiga dormindo, o lençol estava cobrindo metade de seu rosto. A primeira coisa em que pensou foi no que as pessoas diziam. Paige era a rainha do baile, a garota mais bonita da cidade, e acabava deixando o título de coadjuvante para Effy. Mas, se alguém tivesse parado pra perguntar, saberia que um de seus sonhos era poder ser como a amiga, sem tirar um sequer traço.

Então, de repente, aquela forma angelical que estava admirando foi substituída por pânico. Uma cobra saiu debaixo de seu lençol e tapou o rosto de Effy, foram os gritos histéricos de Paige que fizeram-na acordar. Quando levantou da cama, viu uma cobra caindo do seu lençol. Então era por isso que estava sentindo algo gelado na pele.

- Effy tem uma cobra na cama! – Gritou ela, puxando a amiga pelo braço.

Quando iam correr, tiveram que parar pra mais um susto. Não havia apenas uma cobra na cama, como também, mais cobras no chão perambulando pelo quarto. Na porta, no armário, na escrivaninha, estava tudo infestado. Não tinham outra opção e não pular por cima delas e sair daquela casa, e também não tinham muito tempo pra pensar.

Elas conseguiram chegar até o corredor, onde mais cobras estavam esperando por elas. Uma caiu do teto no ombro de Paige, ela se debateu e jogou a cascavel no chão.

No desespero de ver as escadas também cheias de cobras, Effy acabou caindo e se enrolando em algumas delas. Paige correu até ela e a ajudou, tirou as cobras de cima e a puxou na direção da porta da casa. Gritavam tanto que achavam que as gargantas iriam explodir.

Nem se importaram por estarem com roupas de dormir, correram até o carro o mais rápido que puderam, Paige no banco do motorista. No desespero para procurar as chaves, ela abriu o porta luvas e deu de cara com outra cascavel.

O animal ficou em posição de ataque enquanto Paige abria a porta para tentar fugir. Ela caiu no chão do lado do carro, com a cobra seguindo-a. Estava tão desesperada arrastado-se na grama aos gritos que nem percebeu o momento em que Effy saíra no carro. A garota acertou a cobra com um taco de baseball achado no veículo. Bateu na cobra até que ela se enrolasse e por fim, estivesse morta.

Já haviam se livrado da morte, porém, seus corações ainda batiam rápido demais. Elas estavam cansadas, com a respiração ofegante e tão suadas que pareciam ter acabado de correr numa maratona.

Ao trocar um olhar cansado com Paige, ambas perceberam que não estavam sozinhas. Vários vizinhos tinham parado suas atividades para vê-las lutando contra uma cobra usando roupas de baixo, mas a vergonha era a ultima coisa em que pensavam. Alguém definitivamente queria matá-las, e era poderoso o suficiente para usar cobras nisso.

--

Courtney pisou fundo no acelerador, ignorando o pequeno esquilo que tentava atravessar a rua. A musica alta dentro do carro não lhe permitia ouvir qualquer outra coisa, nem mesmo seus pensamentos, ou até mesmo o barulho das buzinas dos outras carros. Estava ocupada demais deixando o tom de seu batom mais bege com a ajuda do retrovisor, que a estrada parecia ser a ultima coisa com que iria se preocupar.

Quando terminou, posicionou as duas mãos no volante e começou a acompanhar a musica que estava tocando, fazendo movimentos com a cabeça. Só parou quando notou quem estava andando pela calçada do outro lado da rua. O branco de cabelos negros e olhos verdes se chamava Penn Hamilton, era o quaterback da equipe de futebol. E pelo traje e o suor em seu rosto, parecia estar voltando da academia.

Courtney fez questão de aproximar o carro dele, acelerava bem devagar para acompanhar o ritmo do andar do garoto.

- Hey Penn.

- Courtney – Disse ele, sorrindo.

- Voltando da academia?

- É, dia corrido...

- Liguei pra sua casa algumas vezes, você não estava...

- É, eu saio bastante... – Ele parecia desconcertado. Queria que ela entendesse que não deveria mais ligar sem que precisasse ser grosseiro.

Mas como Courtney entenderia? Ela era a garota carente, caçava namorados o tempo inteiro, e não desistiria nem que ouvisse com todas as letras que não podem ficar juntos. Sua insistência poderia prejudicá-la algum dia.

- Então, o que você acha de sair comigo nesse sábado? Sei lá, pegar um cinema.

- Sábado? – Penn fez uma careta, não sabia que desculpa poderia lhe dar– Eu tenho o jogo de lacrosse do meu irmão, eu treino o time dele.

- E domingo? – Courtney olhou pra frente por dois segundos, apenas para ter certeza de que não bateria ninguém.

- Reunião familiar, você sabe como são os Hamilton.

- Ok... – Sussurrou Courtney, estava quase entendendo o que estava acontecendo, mas iria insistir mais um pouco – Então será que você...

- Hey, posso te pedir um favor? – Penn virou pra ela, com animação. Os olhos de Courtney quase brilharam.

- É claro.

- Você pode ligar pra Effy e perguntar porque ela faltou a academia hoje? Tínhamos combinado de treinar juntos, fiquei preocupado, e acabei de perder meu celular.

- Effy? – Courtney sentiu náuseas. Virou o beiço com nojo e nem se preocupou em disfarçar.

- É, claro, se você puder.

- É, vou ver o que posso fazer... – Courtney suspirou.

- Valeu Court – Disse Penn, antes de dobrar para a rua que iria pra sua casa.

Courtney ficou olhando ele partir, com a cara no chão. Effy parecia ganhar em tudo, até na fama por ter sido uma das vítimas de Charlie Abrams. E depois que iniciou sua fase dark, parecia ter chamado a atenção de muito mais garotos do que no tempo em que parecia uma princesa da Disney.

- Effy, Effy, Effy... – Sussurrou ela, desdenhando da amiga. Afinal, não tina nada demais com ela, e com certeza Effy não tinha nada que ela também não tivesse.

Courtney acelerou o carro e dobrou para a rua de sua casa, sem hesitar. Viu Skye em frente ao seu jardim, batendo fotos de insetos com sua câmera de alta resolução com qual andava pra cima e pra baixo. Pensou em lhe dar oi, mas estava mal humorada demais, preferiu ignorar a amiga nerd e dirigir direto pra sua casa.

Não pensava em outra coisa se não tomar um bom banho e dormir o resto do dia, já que faltar aula era o privilégio que podia ter quando sua mãe não estava em casa. Tirou as compras do porta malas do carro e entrou na casa, jogando as sacolas no pequeno hall. Caminhou até a sala, onde seu pequeno gato tirava um cochilo na mesinha de centro. Não iria alimentá-lo enquanto não matasse a própria fome, disso tinha certeza.

Ela foi até a cozinha enquanto tirava o casaco cinza que estava usando. Viu o telefone ao lado da porta dos fundos, havia quatro recados na secretária eletrônica. Apenas apertando um botão começou a ouvir as mensagens. Caminhou até a geladeira pra pegar algo pra comer, e estava com tanta pressa que não pôde notar a queda de duas minhocas no chão ao tirar o prato com sanduiche.

Ela rapidamente virou pra mesa da cozinha onde havia um embrulho de sua mãe. Seu pequeno gato, Smigle, já estava rodeando a mesa em busca de algo pra comer.

- Está com fome? – Perguntou ela, mastigando um pedaço do sanduiche que acabara de tirar da geladeira – O que você quer comer?

O gato apenas miou, e para ela, soava como um sim para qualquer coisa que lhe desse.

Courtney decidiu, então, lhe dar o que sua mãe havia deixado embrulhado na mesa, pois nunca se atreveria a comer aquela gororoba tailandesa feita as pressas. Só sentiu que havia algo estranho com seu sanduiche na segunda mordida, quando algo pareceu estar se mexendo dentro de sua boca junto de um gosto azedo nunca sentido antes.

Ela olhou pro sanduiche em suas mãos, e o desespero lhe consumiu quando viu que estava comendo minhocas. Abriu a boca num gemido e deixou cair o pedaço que estava mastigando. Havia duas minhocas ainda vivas dentro da boca, que começaram a andar pelo chão da cozinha assim que foram postas pra fora.

O nojo acabou fazendo Courtney correr até a pia e vomitar. Segurou na torneira de ferro e despejou tudo aquilo pelo ralo, sem entender o que tinha acontecido.

- Merda! – Gritou ela, limpando a boca com a manga da blusa.

Rapidamente virou pra geladeira, logo notou as duas primeiras minhocas passeando pelo chão. Teve um pressentimento quanto ao que tinha dentro dela, mas não hesitou. Abriu a porta com fúria e deu de cara com uma infestação de minhocas, que não produziam fedor algum, mas que lhe faziam sentir vontade de vomitar novamente só de olhar.

A repulsa lhe fez correr desesperada pra fora da casa, e sem perceber, acabou ignorando a ultima mensagem que sua secretária eletrônica estava reproduzindo. Era Bela gritando antes de ser assassinada, implorando por sua vida como um animal. E uma, todas elas fariam o mesmo.

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Comentários
8 Comentários

Comentário(s)

8 comentários:

  1. O M G !!!!!!!!!!!! cobras,minhocas perto do Anonymous,-A fica no chinelo kkkkkkkkkk adorei mesmo o capitulo,esperando o proximo anciosamente e que nem uma das minhas preferidas,Lola,Skye,Page e Effy morram.

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  2. Ná boa, essa Lola é fodástica, demais mesmo, Essas cobras, minhocas, a trama, meu Deus, injustiça é ter que esperar até dia 28... ;x

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  3. Meu Deus amei.. Cobras, minhocas ,, Semana cheia de animais o.O usahashuas Amei muito ..

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  4. acabo de assistir o ultimo episódio lançado de Pretty Little Liars, e não é que apareceu uma cobra no episódio! eu fiquei tipo "WTF? COPIARAM DO JOÃO" RSRSR!

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  5. Ãh 'implorando por sua vida como um animal', que animal implora pela vida? essa é nova para mim.

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  6. Desculpem o atraso no comentario,é que fiquei em casa na quarta,quinta e sexta por causa de um dente que fui obrigada a arrancar.Amei o cap,Anonymous está superando -A nessa temporada,Geedes na verdade PLL gravou essa cena antes do João escrever "Fear Me" então os dois tiveram a mesma idéia é raro mas acontece,cobras e minhocas me lembraram do filme O Dia do Terror onde o Cupido entrega bombons com verme para uma de suas futuras vítimas,esperando o próximo capitulo.


    PS:É HOJE \o/\o/\o/\o/\o/\o/

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  7. Calma, respirando enquanto processo a últimas informações... Uma palavra: F-O-D-A!

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  8. meu Deus isso foi muito louco João você é psicótico sério
    Coitada da sorteadas vou correr agora para ler o próximo capítulo porque eu estou super atrasado aff

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