terça-feira, 14 de agosto de 2012

[Livro] My Last Lie - Capítulo 4: Masquerade

Don't Die So Fast.

- Aqui está – Disse a garçonete ao deixar dois copos de suco encima da mesa.

- Obrigada – Agradeceu Paige, assentindo com um meio sorriso.

 Ela olhou pela janela de vidro ao seu lado, viu que o grupo de garotas que estava na mesa ao lado estava saindo da lanchonete. Ver a morena de cabelos longos colocar seu casaco a fez lembrar do frio que estava fazendo em Ridgefield naquele fim de tarde. Ela esfregou os braços, esperando inutilmente que isso pudesse aquecê-la.

- Que droga – Disparou Tessa, assim que sentou-se a mesa de frente pra amiga – Esse banheiro é um lixo, tem cheiro de sopa de legumes, deve ser por isso que é público.

- Seu suco chegou.

- Ah – Tessa pegou o copo e tomou um gole. Já tinha se acostumado a tomá-lo sem açúcar, e não precisava mais fazer caretas.

Paige esfregou os braços novamente e olhou pro lado de fora. O céu indicava que faltava pouco tempo pra escurecer, porém, as nuvens de chuva já haviam desaparecido.

- Então... – Disse Tessa, colocando o suco de volta na mesa – Eu soube o que aconteceu entre você e a Effy, e não estou me referindo ao beijo triplo de dois anos atrás.

- Bom, quem não soube? – Paige olhou para seu copo e deu um ar de risos depressivo – As pessoas dessa cidade têm boa memória e meu rosto ainda está vermelho, então...

- Isso vai passar, não se preocupe, todos piramos de vez em quando. Com a mãe que ela tem não sei como não aconteceu antes – Tessa deu de ombros e tomou mais um gole do suco, parecia indiferente demais.

- Ela te conta alguma coisa? Você sabe... Vocês são amigas agora...

- Bom, saímos juntas algumas vezes, conversamos um pouco, nada demais. Não é como se ela falasse sobre seus problemas, ou fosse sociável.

- Então ela não mudou tanto assim.

- Uma coisa que você precisa entender é – Tessa levantou o indicador – Algumas pessoas mudam, mas outras, não mudam nem a peso de porrada. Effy mudou, e se você não tivesse abalada com o que aconteceu, talvez presenciasse essa mudança e tivesse espaço pra você agora. Mas... Você não estava lá quando ela precisou. Pense comigo, seu namorado acabou de ser assassinado na sua frente, sua melhor amiga a ignorava porque precisava de um tempo longe de tudo pra poder superar, e ao seu lado, tinha apenas uma criança de oito anos fã do homem aranha e a mãe fanática religiosa cuja única solução pra tudo é ir a igreja e pagar o dízimo. Ou você desistia, ou se acostumava a estar sozinha. Bom, acho que ela fez um pouco dos dois.

Paige apenas concordou mentalmente, não teve coragem de dizer em voz alta o que estava pensando. Sabia que era tudo culpa sua, talvez se não tivesse ficado com medo de se aproximar das pessoas Effy fosse diferente. Mas, se tudo tivesse a ver com o trauma, seria bem mais fácil. Era difícil admitir, mas, até um período próximo de tempo, mal conseguia olhar para uma foto de Effy sem achar que ela tinha sido a culpada por Charlie Abrams atacá-las No estábulo. Pensamento que compartilhava com Courtney, e mesmo assim não chegava perto de ser justo.

Tessa olhou pros dois lados, iria se aproveitar da pequena distração de Paige e das outras pessoas para colocar um ingrediente especial no seu suco. Do bolso do casaco bege ela tirou uma garrafa prateada de vodka e despejou em seu copo. Paige arregalou os olhos, se as vissem com aquilo poderiam ter problemas, ou dar problemas a seus pais.

- Ficou maluca? – Sussurrou Paige, repreendendo a amiga.

- O que foi? Eu disse que algumas pessoas não mudam – Tessa guardou a garrafinha no bolso e fez cara de paisagem só pra garçonete ao lado não perceber o que tinha feito.

- Droga Tessa – Paige olhou pro lado. Por sorte, ninguém tinha visto.

- Relaxa, ninguém ta vendo. Se quiser sair dessa abstinência deixo você beber um pouco.

- Não, obrigada – Paige voltou a esfregar os braços – Mas se quiser me oferecer seu casaco, vou aceitar.

- Compra um pra você, ora.

Quando ouviu seu celular apitar, Paige colocou a mão no bolso. Era apenas uma mensagem, pensou ser a enfermeira que contratara para cuidar de seu pai enquanto estivesse no colégio, ou até mesmo Lola em mais um de seus ataques de falsidade querendo deixar claro que quem decide se são amigas ou não, é ela. Porém, a mensagem era anônima.
“Não se preocupe, você não vai sentir tanto frio quando estiver no inferno”.

Paige olhou pra trás imediatamente, como num reflexo. E aos poucos foi deixando a paranoia tomar conta da sua cabeça. Não sabia se estava com medo, só sabia que tinha sido instigada pela mensagem e que ela poderia significar alguma coisa a mais. Poderia ser anônima, mas considerando suas palavras, tinha sido escrita por alguém que estava ali e vira que Paige estava sentindo frio.

Todo parecia normal, no entanto, e nenhuma das pessoas lá dentro poderiam ser culpadas. Estavam todas vivendo suas vidas normalmente, saindo, entrando, lendo jornais, sorrindo, conversando. Era tudo tão normal que não poderia passar de uma brincadeira.

- O que foi? – Perguntou Tessa, estava curiosa.

- Eu não sei – Paige virou pra frente, tinha começado a se sentir uma idiota por se preocupar com aquilo. Olhou pra tela do celular, nem sabia que alguém podia enviar uma mensagem anônima – Recebi uma mensagem estranha, mas acho que é só uma brincadeira.

- Deixa eu ver – Tessa pegou o celular de sua mão, leu a mensagem em apenas alguns segundos – Nossa, e você preocupada com essas bobagens – Tessa lhe devolveu o celular – Deve ser algum idiota querendo te deixar assustada só pra ver alguma ação nessa cidade esquecida por Jeová.

- É, deve ser isso mesmo... – Sibilou Paige, mas não conseguia acreditar no que tinha acabado de dizer.

- Engraçado, recebi um email estranho ontem. Também era anônimo. Alguém dizendo ‘É melhor trancar a porta’. Onde estamos? Na quinta série encenando Pânico? – Tessa revirou os olhos.

Paige apenas sorriu, se dissesse pra amiga que tinha ficado preocupada com aquilo poderia ser mais uma vítima de seu sarcasmo. Porque mesmo que Tessa estivesse certa, ainda fazia sentido. Elas duas receberam mensagens anônimas que pareciam ameaças. Se somassem isso com o fato de terem começado no aniversário de dois anos da morte de Violet, elas teriam preocupações de sobra. Mesmo assim, eram apenas mensagens, como as que costumavam receber logo no início e que foram rastreadas por Skye. Se continuassem era só fazer o mesmo e tudo se resolveria.

O devaneio de Paige foi interrompido assim que seu celular começou a tocar. Viu a foto de Dawson no visor, o eterno ‘Senhor Legal’ que tanto desejara ser seu pai. Mas por que ele ligaria?

- Espere um pouco – Pediu ela, colocando o celular na orelha – Alô?

Tessa ficou esperando, a curiosidade lhe dominou assim que percebeu a preocupação nos olhos de Paige. Não sabia o que estavam lhe dizendo, mas parecia grave.

- Ai meu Deus... – Sussurrou a garota ao ouvir a notícia. Esperou mais alguns segundos pra falar novamente – Acho que eu sei onde ela está, vou buscá-la, eu prometo. Sinto muito senhor Wheeler.

- Quem era?

- Effy está com problemas – Paige se levantou – Preciso buscá-la. Nos vemos amanhã?

- Ok – Tessa assentiu. Esperou Paige virar as costas para revirar os olhos. Ainda não entendia porque ela se importava tanto com Effy se nem mesmo ela se importava com si mesma.

--

Paige estacionou o carro em frente ao cemitério. Leu o enorme letreiro macabro ao lado das estátuas dos anjos, estava no cemitério Saint Bridget. Assim que bateu a porta do carro e começou a andar na direção do portão, olhou pra cima. O céu estava servindo com um relógio, e por já ter começado a escurecer, sabia que não tinha muito tempo. Em poucos minutos a enfermeira iria embora e seu pai ficaria sozinho, era apenas nele que ela conseguia pensar. Nele, e na melhor amiga.

Como já esperava, as correntes que lacravam o portão estavam caídas no chão. Só precisou puxar as grades enferrujadas e entrar. Elas fizeram um ruído estridente ao serem movidas, e se tivesse alguém ali dentro, com certeza iria ouvir.

Paige caminhou por entre as tumbas, observando as lápides velhas cheias de gravuras que não queriam lhe dizer nada. Se lembrasse onde Harry fora enterrado, encontraria Effy.

E então, simplesmente há havia encontrado. Effy estava há alguns metros em frente ao túmulo de Harry. Ela relia seu nome enquanto a enorme dor em seu coração era despejado em forma de lágrimas encima da grama. Paige nem lembrava da ultima vez que tinha lhe visto chorar, e durante esses dois últimos anos, até achava que Effy nunca mais conseguiria fazer isso.

Quando Paige finalmente decidiu se aproximar, não teve coragem de dizer uma só palavra. Não achava que Effy a trataria mal, ou que pudesse falar a coisa errada, só não queria estragar aquele momento. Effy parecia tão concentrada que nem reclamava que alguém estava lhe vendo chorar, e deveria permanecer desse jeito se quisesse continuar próxima.

- Eu venho aqui todos os dias, esperando que de algum jeito, meus problemas se resolvam – Effy fungou – Pensando que estar perto dele vai me fazer pensar direito ou que as coisas vão melhorar... E isso nunca acontece. Porque não importa o quanto eu tente, eu nunca consigo senti-lo, e é como... – Effy se afastou. Colocou as mãos na cintura e tentou controlar o choro, estava prestes a desabar – É como se ele nunca tivesse estado aqui, nunca tivesse existido... Como se ter um túmulo num lugar especial fosse o suficiente pra provar que ele merece ser lembrado...

- Effy... – Paige tentou se aproximar, mas parou quando a amiga continuou a falar.

- Todo mundo fala sobre a Violet, sabe? Como se ela fosse mais importante, como se tudo tivesse se resumido só a ela. Ninguém lembra dele, ele não recebe homenagens, visitas... – Effy fungou novamente, Paige já tinha percebido que ela parecia revoltada – Parece que só está dentro de mim e não é o bastante porque eu quero que ele exista. E eu quero tanto que eu não consigo pensar em mais nada... – De repente, sua respiração já não estava mais a mesma. Começou a soluçar e a tremer ao mesmo tempo, e todo aquele descontrole mal lhe deixava raciocinar – Eu não sei porque... Eu não sei por que ele teve que ir. Ele era a única coisa que eu tinha e agora eu não tenho nada... Eu devia ter ido no lugar dele, eu devia ter ido com ele...

- Effy – Paige correu até ela assim que resolveu despejar todo o choro.

As lágrimas, os gritos, os gemidos, tudo se intensificou enquanto a dor permaneceu intacta, mas Effy estava completamente grata pelo abraço. Ter sua amiga ao lado não traria Harry de volta, mas lhe faria companhia quando a falta que ele fazia ameaçasse fazê-la desabar.

- Eu sinto muito... – Sussurrou Effy, em meio aos soluços.

- Tudo bem... – Paige passou a mão em seu cabelo – Vai ficar tudo bem...

Depois de algum tempo abraçadas, Effy já parecia estar mais calma. Foi parando de chorar aos poucos, finalmente estava se sentindo protegida. Não era mais como se ainda estivesse sozinha, e se dependesse dela, seria apenas o começo de uma melhora significativa.

Paige teve que interromper o abraço quando seu celular apitou. Tirou o celular do bolso enquanto Effy limpava suas lágrimas e ajeitava o cabelo embaraçado. Era de Lola, a ultima pessoa com quem poderia querer falar numa situação como aquela.
“Quero você no The Purple agora. Traga Effy, é urgente”.
- Quem era? – Perguntou Effy, colocando o cabelo atrás da orelha.

- É a Lola – Paige olhou pra ela – Quer que a gente vá ao The Purple.

- O que? Isso ainda existe? – Effy deu um ar de risos.

Só em lembrar do The Purple já sentia vontade de achar graça. Era o point das garotas, o lugar onde costumavam se encontrar pra fazer suas lendárias reuniões, fundado quando ainda eram crianças. Não era nada tão organizado, já que se encontravam na antiga escola primária abandonada perto da floresta e era de longe o lugar mais macabro daquela cidade, mas era o único lugar onde poderiam ficar realmente sozinhas.

Effy puxou na memória a ultima vez que foram, foi um ano antes de Violet morrer, ela acabou tendo uma discussão com Lola e desde então, nunca mais estiveram lá. Talvez Effy com alguns garotos quando sua mãe estava em casa, ou Paige, quando queria lembrar dos bons momentos. Mas, nunca juntas. Era apenas o lugar onde passaram a maior parte da infância que não lhes servia mais pra nada. A não ser agora, quando por algum motivo ainda desconhecido, Lola queria reuni-las novamente.

- Você quer ir? – Perguntou Paige – Seus pais estavam preocupados, acho melhor você ir pra casa.

- Não posso ir, vamos ao The Purple e depois vou pra sua casa. A gente liga pro Dawson, dá um jeito.

- Tudo bem – Paige guardou o celular no bolso, não iria discordar da amiga nunca mais – Então vamos.

--

- Elas estão demorando – Resmungou Lola, andando de um lado pro outro.

Courtney olhou pela janela embaçada, via apenas a árvore morta na frente da escola e as folhas no chão. Então, o lado de fora não estava tão diferente como o de dentro. Havia coisas mortas por toda a parte, cadeiras, quadros, cadernos, tudo deixado para trás quando o incêndio começou. As paredes – antes verde claras – estavam carbonizadas, junto com 70% do restante dos móveis.

O chão – extremamente podre – fazia qualquer passo fazer barulho, e estava tão sujo que ninguém poderia se arriscar a pisar descalça. A situação daquele lugar só não estava pior devido a arrumação semanal que as garotas costumavam fazer, ou então, estaria tudo com os dias contados como todos os outros compartimentos.

- Não estou vendo nada – Disse Courtney, no momento em que Tessa e Skye voltavam do pequeno tour.

- Elas ainda não chegaram? – Reclamou Skye – Preciso chegar em casa antes das oito.

- E eu preciso trabalhar – Tessa passou por elas e sentou na janela onde Courtney estava, sem medo que ela desabasse – Sabe como é, não sou filha de um empresário como vocês, preciso ralar pra ganhar meu próprio dinheiro.

- Sim, porque arrumar um namorado rico é muito difícil assim... – Lola sorriu com falsidade, logo cruzou os braços e olhou pela janela ao seu lado. Não notou nada além da coruja parada na árvore morta.

- Por que você não fala logo com a gente e depois repete quando elas chegarem? – Tessa levantou as sobrancelhas.

- Afinal, por que você reuniu a gente? – Courtney olhou ao redor – Ainda mais nessa residência condenada. De The Purple foi pra The Lixo.

- Sabe Courtney, o tempo passou, mas essa cidade ainda funciona do mesmo jeito – Lola olhou pra ela – A sociedade ganha mais com você calada. Esse é o tipo de coisa que não muda.

- Onde está Bela? – Perguntou Tessa.

- Hey pessoal... – Disse Paige. Ao lado dela estava Effy – Chegamos.

Tessa olhou para o rosto de Effy, estava inchado, sabia que ela tinha chorado. Mas não diria nada. Talvez pra Effy de antigamente, mais sociável, elegante e inteligente, mas a Effy de agora poderia até lhe socar no rosto se lhe fizessem alguma pergunta.

- Até que enfim – Resmungou Courtney – Onde vocês estavam?

- Não importa – Effy sentou na janela ao lado de Tessa, ainda estava fungando por causa da choradeira. Cruzou os braços e olhou para Lola – Então, o que você quer?

- O que eu quero... – Lola sorriu com deboche. Caminhou até o laptop encima da mesa velha e o trouxe pra uma mesa mais próxima, só para que todas as garotas pudessem vê-lo – A pergunta é: O que ele quer? – Ela apertou play no video em destaque, ficou olhando pras garotas só pra saber suas reações. A mais indiferente seria a culpada... Ou não.

No video, Lola e Tessa apareciam de costas no estábulo, Effy tinha acabado de se retirar. E então, de repente, Lola se levanta para abrir o portão trancado por Bela assim que começa a ouvir os gritos de Effy. Era unanimo, todas as garotas estavam chocadas.

- Ai meu Deus... – Sussurrou Courtney, colocando a mão na boca.

Elas ficaram em silencio por mais alguns segundos só para se focarem no video. Ele terminou assim que Effy entrou no estábulo coberta de lama.

- Qual de vocês mandou isso? – Perguntou Lola – Aliás, qual de vocês teve a ideia de gravar isso?

- Gravar isso? Ta brincando né? – Effy sorriu de um jeito sarcástico.

- Não estou dizendo que vocês sabiam que Charlie iria nos atacar e colocaram a câmera ali só porque seria divertido brincar de Big Brother e o video ganharia muitos acessos. Alguém colocou uma câmera ali e nos filmou, sem saber o que iria acontecer.

- Ai meu Deus, ai meu Deus... – Courtney colocou a mão na cabeça e se afastou, não acreditava que aquilo estava acontecendo.

- Por que uma de nós filmaria? – Contra atacou Paige – Antes de tudo acontecer estávamos falando sobre Charlie, registrar aquela reunião poderia nos condenar por perjúrio.

- Isso não pode estar acontecendo... – Skye se afastou, não conseguia prender o choro.

- Sinceramente, não quero dar uma de Pacto Secreto e achar que estamos sendo perseguidas – Falou Lola – Mas se nenhuma de vocês gravou isso e me enviou anonimamente por email, então quem foi?

- Anonimamente? – Paige olhou para Tessa, ambas ligando os pontos – Eu e Tessa recebemos mensagens anônimas também, mas nada como um vídeo.

- Diga que você está brincando... – Lola ficou séria. Tinha que ser brincadeira, ou então, isso significaria que alguém tinha algo contra elas.

Effy olhou pra baixo, se perguntando o que estava acontecendo. Foi quando Courtney tomou a frente para falar o que estava pensando e iniciou um bate boca entre as garotas que ia de acusações até hipóteses sobre possíveis ameaças. Lola queria alguém pra culpar, qualquer uma delas, só pra não admitir que aquilo poderia ser grave. Mas Courtney não acreditava em nada, parecia ser apenas uma brincadeira. Não via motivos para pensar que alguém as perseguia, tampouco que queria matá-las. Porque se isso era verdade, significaria que alguém estava do lado de um assassino e não das vítimas.

Skye aproveitou a distração para pegar o laptop e dar uma olhada, nenhuma das garotas tinha percebido. Quem tivesse enviado aquele email deixaria um rastro, e nisso ela era especialista.

- Eu também recebi uma mensagem... – Disse Effy, seu pronunciamento acabou terminando com aquela bate boca e lhe dando toda a atenção – Eu pensei que era uma brincadeira.

- A droga desse video parece uma brincadeira pra você? – Gritou Lola. Effy lhe lançou um olhar indiferente, nunca mostraria suas frustrações a ex amiga.

- Foda-se o que eu acho, você vai sempre fazer o que quer ou pensar o que quer.

- Olha, eu não posso lidar com isso – Courtney se afastou devagar – Eu passei tempo demais pensando nisso, já está na hora de seguirmos em frente. Querem que a gente fique como Bela?

- Eu vi a cara do meu namorado ser partida em dois e é ela quem vai pro hospício. Vadia maluca... – Effy tirou um cigarro do bolso, continua indiferente e sarcástica.

- Querem saber? Eu vou embora – Courtney deu meia volta. Depois virou pras amigas, deixando claro que aquela seria sua deixa – Não posso fazer parte disso, me desculpem. Não vou deixar Charlie Abrams ser a coisa mais importante da minha vida. Boa sorte resolvendo seus problemas.

- Vadia! – Gritou Tessa quando ela foi embora. A garota lhe mostrou o dedo do meio, sem parar de andar.

- Quem liga pra ela? – Lola fez uma careta e virou pras amigas – Temos que resolver isso rápido.

- Não sei como – Effy acendeu seu cigarro, o isqueiro logo foi colocado no bolso após uma tragada – Nenhuma de nós gravou o video, seria suicídio. Charlie Abrams poderia estar livre agora se ele tivesse vazado.

- Então vamos descobrir.

- Pessoal... – Chamou Skye, logo recebeu toda a atenção.

As garotas olharam pra ela, estava no canto da sala sentada numa cadeira velha com o laptop encima da perna. Ninguém notaria que ela ainda estava ali se não tivesse se pronunciado. E seja lá por qual motivo queria a atenção de todas, parecia preocupada com isso.

- Consegui rastrear o email. A conta está no nome de Charlie Abrams.

--

Bela olhou no relógio do carro, estava tarde, era a hora perfeita para fazer uma surpresa a seu pai. As ruas de Ridgefield já estavam todas desertas, uma das coisas das quais sentiria falta quando seu voo saísse no dia seguinte. A calmaria, a paz, a tranquilidade, exatamente o que Nova York não podia lhe dar.

Bela estacionou o carro em frente ao prédio onde ficava o escritório de seu pai, rezando para que não tivesse chegado tarde demais. Olhou no celular no banco ao lado, tinha esquecido-o no modo silencioso. Havia dez mensagens de Lola, que ela só responderia a caminho de casa.

Ao sair do carro Bela ligou o alarme, e os apitos pareceram soar altos demais diante daquele silencio. Ela colocou as chaves no bolso e entrou no prédio através da porta de vidro automática. Deu de cara com a recepcionista arrumando suas coisas para ir embora, parecia mesmo ter passado da hora.

- Não, diga que não está tarde – Disse ela, com a voz suplicante.

- Senhorita Desmond? Não sabia que estava na cidade.

- Cheguei ontem, vim pro memorial e acabei perdendo. Meu pai está?

- Sim, está terminando a ultima reunião do dia. Quer que eu ligue pra avisar que você está aqui? – A recepcionista pegou o telefone, estava prestes a ligar quando Bela a interrompeu.

- Não, quero fazer uma surpresa – Bela sorriu – Mas obrigada Keisha. Você é a melhor.

Bela correu até o elevador, as portas se fecharam quando ela ainda estava sorrindo, imaginando o reencontro com o pai. Fazia tanto tempo que não via seu herói que mal conseguia se conter. Nem mesmo aquela musica chata no elevador conseguia roubar sua ansiedade.

Quando as portas se abriram, ela correu pelos corredores, acabou percebendo que não lembrava ao certo onde ficava a sala do pai. Ficou em duvida sobre qual caminho pegar, pois quando era criança já tinha se perdido.

Depois de pensar e puxar na memória, a esquerda lhe pareceu o melhor lado para seguir. Começou a ler os nomes nas portas, nenhuma era a sala de seu pai. Sem falar que sua sala tinha uma porta marrom dupla, pois ele tinha um cargo importante na empresa.

No fim do corredor no qual dobrou, Bela conseguiu reconhecer a porta. E não precisou de mais de dois segundos para ter certeza que aquela era mesmo a sala de seu pai. Se aproximou devagar pros saltos não fazerem barulho e denunciar sua presença. A porta estava entre aberta, então, o pai estava ali, por sorte. Ela olhou pela brecha, só porque estava curiosa pra espiar. Mas acabou vendo o que não queria.

Seu pai estava fazendo sexo encima da mesa com uma mulher de cabelos pretos que ela não conhecia, mas com certeza não era sua mãe. A descoberta lhe roubou o sorriso que sustentava no rosto, trocando-o por uma expressão de choque e angústia. Ela nem sabia o que pensar, só sabia que aquilo significava que seu pai não poderia ser o herói que sempre pensou que fosse. Heróis não traem as esposas, heróis não mentem, heróis não deixam de pegar a filha no aeroporto pra transar com uma vadia no escritório.

Naquele momento, só o que pensava era entrar na sala e lhe dizer umas boas verdades. Parar o que aqueles dois estavam fazendo pra deixá-los constrangidos de uma forma que os fizesse nunca mais cometer tais atos. Mas, ao invés disso, escolheu ficar quieta. Se afastou da porta e escorou a cabeça na parede, deixando uma lágrima escorrer pelo rosto. Era melhor ficar quieta. Voltaria pra casa, pegaria seu avião e depois ligaria pra mãe contando tudo, ela sim precisava fazer alguma coisa a respeito. Mas era triste demais saber que aquilo estava acontecendo.

Ela correu pelo corredor, enxugando as lágrimas. Parou antes de dobrar só pra se escorar novamente na parede antes de sair dali. Se passasse por Keisha chorando ela perguntaria o motivo, sempre se importou com os sentimentos da filhinha rica de Peter Desmond. Então, teve que pensar no plano novamente, sua mãe iria lidar com aquilo, não podia fazer isso por ela, nem ficar triste por causa das imoralidades do pai.

Bela dobrou o corredor com pressa quando decidiu finalmente sair dali, já nem sabia mais onde estava e nem mesmo encontrava o elevador. Teve que caminhar mais e mais, tomando cuidado para não parar no mesmo lugar. Quando finalmente encontrou o elevador, tomou um susto com a figura vestida de preto petrificada na frente dele. Ela não conseguia ver seu rosto porque estava oculto dentro do capuz do casaco de frio que usava. Ele também estava com uma jaqueta preta e uma calça da mesma cor, era macabro só de olhar.

- Oi? – Disse Bela, sem disfarçar o medo – Olá?

Ela deu alguns passos pra trás, aquilo era estranho demais. O homem parecia uma estátua, não se mexia, não falava, apenas a encarava, posicionando as mãos pra trás.

- Quem é você? – Bela deu mais alguns passos pra trás, não queria demonstrar o medo que sentia, ou então estaria sendo preconceituosa e paranoica.

O homem finalmente se moveu e ela não teve mais que esperar uma resposta. Devagar ele foi tirando as mãos das costas e revelando um machado prateado que estava escondendo.

- Ai meu Deus... – Sussurrou Bela.

O homem começou a correr em sua direção, Bela quase caiu com o susto. Dobrou o corredor e começou a correr gritando por ajuda. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas estava pensando em Charlie Abrams. Achava que era ele, a roupa era igual, o machado era igual, e ele definitivamente estava querendo matá-la.

Ela, então, entrou na primeira porta que viu pela frente. Trancou-a por dentro, mas ainda não estava se sentindo segura. Ficou olhando pra ela, esperando o momento em que o assassino a encontrasse, e então, nada se ouviu. Nada além de sua respiração ofegante que demonstrava o quanto ela estava apavorada. Também podia ouvir seus batimentos cardíacos, era como se tivesse uma bomba relógio dentro do próprio corpo.

Quando o silencio lhe pareceu um boa notícia, ela suspirou de alívio. Mas, em menos de um segundo, o assassino derrubou a porta apenas com um chute. Tentando desviar, Bela acabou caindo encima da mesa. O assassino tentou lhe dar uma machada, mas ela desviou, e o machado acertou a mesa de madeira.

Bela correu pelo buraco formado pela ausência da porta. O casaco bege que usava já estava caindo, o cabelo, completamente arrepiado. E o corpo ensopado de suor. Como se não bastasse o prédio estar quase vazio, seu salto tinha acabado de quebrar. Ela se equilibrou pra não cair e o tirou do pé. Correu mancando até a janela do corredor, de onde podia ver a escada preta de incêndio.

Olhou pra trás, o assassino não estava atrás dela. Com o outro salto ela quebrou a janela, retirando os cacos dar bordas para não se cortar. Subiu na janela e chegou a escada, era só descer um andar pra chegar até o chão. Cometeu o erro de olhar pro chão e dar às costas a janela, foi quando o assassino tentou lhe dar outra machadada. Ela desviou a tempo e o machado acabou acertando a grade preta.

Mesmo com medo e estando fraca, Bela tentou lutar. Empurrou o assassino pra dentro quando ele tentou sair pela janela, e se debateu tanto que fez seu machado cair. Ela desceu as escadas enquanto ele descia atrás dela. O pior era que não importava o quanto gritasse, ninguém iria ajudá-la, Charlie Abrams estava tentando terminar o que havia começado.

Por descer devagar, ela acabou sendo alcançada. Foi puxada pelo cabelo e arremessada até o chão. Caiu de costa nos inúmeros cacos de vidro espalhados pelo beco onde estava. E apesar disso, ainda estava viva. Com forças suficientes para abrir os olhos após alguns instantes de inconsciência. A vista embaçada olhava para onde ela estava e já não enxergava o assassino.

Bela Demorou a se levantar, mas com a ajuda da parede, conseguiu se erguer. Os cacos de vidro ainda estavam grudados em sua pele e não tinha como tirá-los, estavam doendo como o inferno. Ela deu gritos de dor enquanto se movia na direção da saída do beco, segurando na parede pra não cair. Achava que por ter caído de um andar próximo ao chão o assassino desceria pelas mesmas escadas e acabaria lhe pegando.

- Socorro! – Ela gritou quando viu um carro passar. Porém, ninguém dentro dele pôde lhe ouvir.

Ao sair do beco, Bela pôde olhar pra rua, não era a mesma pela qual tinha chegado. Não via seu carro, ou alguma pessoa, ou o mercado por onde passara prestes a fechar. Então, o único jeito de sobreviver era continuar correndo. Ela logo tratou de tentar pedir ajuda nos estabelecimentos que via, batendo nas grades, implorando aos gritos. E no fim, tudo em vão, só o que tinha conseguido era fazer alguns cachorros começarem a latir.

Então de repente, a rua escura se iluminou. Ela olhou pra trás, viu os faróis de um carro preto acesos em sua direção.  Soube quem estava lá dentro quando o motor começou a fazer barulho e o carro ameaçou dar a partida.

- Não! – Bela começou a correr o mais rápido que seus machucados lhe permitiam.

O assassino imediatamente acelerou o carro na direção dela. Tentou dirigir devagar só para que seu desespero aumentasse e depois, finalmente, lhe daria seu golpe de misericórdia. Àquela altura até mesmo Bela sabia que já estava morta.

Ele pisou fundo no acelerador e a atropelou no exato momento em que ela se aproximava de uma pet shop cheia de cachorros latindo. O carro a imprensou nas grades, de um jeito que não tinha como fugir.

O assassino esperou alguns instantes para sair do carro, e quando o fez, deixou o machado a mostra para que Bela continuasse seu escândalo. Ninguém iria ouvir, ninguém iria ajudar, e quanto mais medo tivesse, era melhor.

Ele olhou pra ela bem de perto, queria primeiro contemplar aquela vista. A ultima coisa que Bela viu foi sua máscara, refletida pelo espelho da loja. Ele usava uma meia preta para cobrir o rosto, deixando apenas um olho de fora. A boca e o outro olho estavam costurados, era exatamente o que queria fazer com suas vítimas. Calar suas bocas de onde só saem mentiras e fechar seus olhos ao apresentá-las a morte.

Ele levantou o machado e acertou Bela na cabeça sem dó nem piedade. Ela parou de gritar imediatamente, caiu no capô do carro como se a coluna tivesse sido quebrada. Os olhos ainda abertos e cheios de lágrimas, era uma pena que ela não tivesse vivido mais para ver o que as amigas iriam passar. Uma mentirosa a menos numa cidade onde todas mereciam morrer.


PS: Fiquem atentos aos gifs dos próximos capítulos, eles sempre dão dicas do que vai acontecer, e revelam coisas importantes.
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Comentários
6 Comentários

Comentário(s)

6 comentários:

  1. Ahhhhh, coitada da Bela! morrer com aquela imagem do Pai! pfvr joão muito mal! joão, não mate uma garota a cada capítulo, por favor, mate coadjuvantes, queria que a Bela tivesse sobrevivido!
    OK OK! MEU DEEEUS , MUITO BOM, INTENSOOOO... KKKK, EU CONHEÇO TANTO AS MORTES DE A PUNHALADA QUE EU JÁ SABIA QUE A BELA IA MORRER RSRSRSR! QUERO O PRÓXIMO CAPÍTULO LOGO.

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  2. Aiiiii amei,adorei a morte da Bela,meus personagens preferidos são,Effy,Lola,Page,Skye,não as mate please,o resto pode morrer kkkkkkkkkk

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  3. Amei esse capitulo,principalmente a sequência da morte da Bela imaginei tudo na minha cabeça e foi eletrizante,pobre da garota morrer depois de ver o pai traindo a mãe é muita maldade,gostei da máscara do Anonymous(gostaram do nome?) bem assustadora,Geedes assim que a Bela apareceu no cap. já sabia que ela seria a primeira vítima da vinçança mortal tudo culpa do João e A Apunhalada kkkk.

    Quero o cap.05 AGORA!!

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  4. Anonymous kkkkkkkkkkkk morri/

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  5. Nossa morri amei muito esse capitulo.. Necessito do outro capitulo..

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  6. a morte da Bela foi muito nem sei o que falar
    coitada ela era a minha segunda personagem favorita tomara que a Paige não tenha esse mesmo destino tão trágico vou ler o próximo agora

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