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[Crítica] Sherlock - 1ª Temporada


Duração: 90 minutos
Nº de episódios: 3 episódios
Exibição: 2010
Emissora: BBC One

Nem tão elementar, meu caro Watson.

Crítica:
(Spoilers Abaixo)

Sabe aquela série maravilhosa que você ainda não assiste, e então de tanto insistirem (lê pressionarem) você vai e assisti e acaba totalmente in love? Foi assim com Sherlock. Confesso, que não sou fã de produções britânicas, por isso fui assistir com os dois pés atrás, outra coisa que me deixou apreensivo foi a duração dos episódios: uma hora e meia. O dobro de tempo de uma série normal. Mas, eu ignorei meus receios e preconceitos (admito que minha confiança na BBC foi essencial pra mim assistir), e baixei o primeiro episódio. Com uns dez minutos, eu já tinha me apaixonado completamente.

A série, é basicamente, uma adaptação dos livros de Sir Arthur Conan Doyle que conta a história do detetive Sherlock Holmes, com um único grande diferencial, o enredo da série se passa nos dias atuais, não no século passado como nos livros. E esse é um dos pontos positivos da série, estamos muito acostumados a ver agentes do FBI (F-BI-AI) ou de outras organizações resolvendo crimes, que ver um detetive particular que resolve os crimes mais complicados à maneira antiga nos dias de hoje, é muito bom. Sherlock mostra que não precisa de toda a tecnologia que vemos nos seriados americanos pra resolver os casos. O foco da série é a inteligência e o poder de dedução que Sherlock tem, são muito poucas as cenas de ação ao longo da temporada. Convenhamos que se eu quisesse ação estaria assistindo um filme de Steven Seagal.

A adaptação de Sherlock é muito mais fiel que a dos dois longas hollywoodianos mais recentes do detetive, isso mesmo com a mudança radical no tempo em que a trama se passa. O famoso endereço, 221B na Baker Street, foi mantido; as características dos dois protagonistas mesmo que adaptadas ao mundo atual continuam as mesmas: desde a profissão de Watson no Afeganistão aos adesivos de nicotina (substitutos dos charutos que Sherlock fuma nos livros) usados pelo protagonista. A verdade é que a série consegue ser impecável, não me surpreende que tenha sido um dos pilotos mais caros da história. Tudo chama a atuação, roteiro, atuações, personagens, histórias. Principalmente pra mim que apesar da vontade nunca tive a oportunidade de ler os livros (aceitando empréstimos).

Pra quem pensa que de algum jeito a mudança de tempo estragaria as obras, está muito enganado, é de fato, mais natural ver Watson escrevendo num blog do que vê-lo escrevendo um diário. É mais aceitável, ver eles fazendo uso de smartphones e meios como a Internet, que isso enriqueceu mais ainda a premissa da série.

Outro ponto forte da série são os personagens e a interação entre eles. Podem me achar louco pela comparação que vou fazer, mas os personagens de Sherlock, me lembram muito os de Bones. O Sherlock com sua inteligência sobre-humana, a sua objetividade, frieza, racionalidade, insensibilidade e a capacidade de encontrar coisas que mais ninguém vê, consegue ser praticamente uma versão masculina da Dr.Brennan. O Dr.Watson faz justamente um contraposto as características do Sherlock, podendo ser comparado a Ângela ou até mesmo ao Booth.

A amizade que nasce entre os dois, já nos primeiros momentos do piloto, e só cresce ao longo da temporada, é realmente linda de se ver. Não é nada forçado, são apenas dois HÉTEROS – a sexualidade deles é tão questionada na série que chega a irritar, apesar de ser um elemento bacana por causa da ambiguidade de ambos personagens, muitos fãs chegam a torcer por um relacionamento homossexual entre eles – que se tornam amigos, e que apesar de serem diferentes, possuem uma mesma essência: ambos se sentem deslocados no mundo. E nada melhor que um deslocado, pra entender outro.

Os personagens recorrentes também não ficam atrás, e o bom é que a série não enrola pra apresentar a maioria deles, temos o irmão do Sherlock, Microsoft Mycroft Holmes, temos o Lestrade (que poderia ser comparado a Cam de Bones, just saying...) e tem também a dona do apartamento que onde os dois protagonistas moram, a Sra. Hudson. Sem falar na legista que tem uma queda pelo Sherlock, a Molly, que várias vezes foi destratada por ele. Eu sou Team Molly “forevermente”, só pra deixar claro. E por último, mas não menos importante, temos o grande vilão da temporada, uma espécie de alter-ego do Sherlock: Moriarty. Com recursos e inteligência, esse antagonista, rende um grande suspense pro protagonista na season finale da temporada. Posso comparar ele com outro personagem de Bones: o Pelant?

O primeiro episódio é baseado no livro A Study In Scarlet. Girando entorno de uma série de assassinatos que aparentemente eram suicídios. O segundo episódio é baseado no The Blink Banker, onde Sherlock investiga um estranho assalto a um banco. E afinal, se é estranho, Sherlock ~Excêntrico~ Holmes está envolvido. E o terceiro, e melhor da temporada, é baseado no The Great Game. Onde o vilão da série, Moriarty entra em destaque, fazendo com que o detetive e seu escudeiro investiguem uma série de sequestros e tentativas de assassinatos envolvendo bombas. Esse terceiro episódio, é nada menos que ÉPICO.

O sucesso da série foi tamanho, que já tivemos uma segunda temporada, que aliás eu já assisti, mas não vou adiantar nada, é só olhar na próxima crítica. O importante é que as sacadas cômicas, as referências bem colocadas, as boas atuações, as mudanças super bem vindas, entre tantas coisas, fazem da série uma grande obra que deveria receber uma chance de qualquer um. Eu aposto que assim como eu, vocês vão ficar loucamente tentando decifrar as pistas e solucionar o mistério antes do, me arrisco a dizer, detetive mais famoso da história.
Comentário(s)
5 Comentário(s)

5 comentários:

  1. FINALMEEEEEENTE! *u*
    E eu que fiquei pressionando e até que enfim você viu e concluiu que a série é perfeita!

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  2. FINALMENTE²! *u*
    Essa série é perfeita. A ausência de ação não atrapalha em nada, mas também daria um ritmo mais frenético a série. Realmente, o último episódio da 1ª temporada é nada menos que épico. E o desfecho lhe deixa ao mesmo tempo que revoltado-com-tudo-e-com-todos e curioso. Estou indo ler sua próxima crítica u.u

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  3. Ai gente,até parece que eu demorei pra fazer essa crítica, pfvr.

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  4. Comecei a assistir a série depois de ler a crítica aqui no blog e acabou acontecendo o inevitável: virei super fã! As atuações, os mistérios, tudo é perfeito. Não vejo a hora de começar a 2ª!

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