quinta-feira, 19 de abril de 2012

[Livro] A Punhalada 2 - Capítulo 6: O Legado de Brandon


Craig parou o carro em frente a sua casa. Amanda, que fitava as pernas ao seu lado, parecia hesitante quanto a sair. Craig olhou pra ela, tirando as chaves do carro. Ele colocou suas mãos encima das pernas e deu um leve suspiro, sabia muito bem o que estava acontecendo com ela. A conhecia há pouco tempo, mas era o suficiente pra saber.

- Você quer ficar aqui por um tempo? Se quiser, tudo bem...

- Ok... – Ela ergueu a cabeça e olhou pra rua escura à sua frente – Está acontecendo de novo... Eu rezei tanto pra que isso não acontecesse...

- Me desculpe...

- Não é sua culpa...

- Eu não deveria ter te deixado só, me desculpe...

- Isso não importa mais – Ela olhou pra ele – As pessoas que ficam perto de mim, vão apenas morrer.

- O que isso significa?

- Que se você for esperto, você vai ficar longe.

- O que? Amanda, para com isso – Craig hesitou, estava prestes a gaguejar tudo o que estava passando pela sua cabeça – Você não pode simplesmente fugir...

- Pegue Matty e saia da cidade com sua família, é o melhor que você faz.

- Eu não posso deixar você – Ele pegou no ombro dela, era um gesto de carinho – Isso é loucura...

- Então você está disposto a morrer por mim? Isso é loucura – Ela olhou pra frente, sentindo um aperto no peito.

- Se eu fugir e você morrer aqui eu nunca vou me perdoar...

- Ele quase pegou o Matty... Eu nem sei o que seria de mim sem ele...

- Vamos superar isso juntos, você vai ver... – Ele a beijou, segurando seu rosto com uma mão.

Amanda fechou os olhos e aceitou o beijo, era exatamente do que ela estava precisando. Segurou no braço dele com força com sua mão enfaixada, como se estivesse prestes a perdê-lo, e era exatamente como ela se sentia.

Eles ficaram perto um do outro, a testa colada, os olhos fechados, ambos sentindo que poderiam ficar daquele jeito pra sempre.

- Eu não quero morrer... – Sussurrou Amanda – Preciso ficar viva pra fazer o certo pelo menos uma vez na minha vida...

- Você não vai morrer...
--
 
Aaron olhou pro enorme quadro de policia a sua frente. O policial Bill fechou as cortinas, a luz do sol estava invadindo a delegacia, deixando todos incomodados. O delegado estava perto do filho, observando o mesmo quadro, assim como Megan, sentada na cadeira de ferro com as pernas cruzadas.

No enorme quadro bege havia uma porção de fotos. O olhar de Aaron ia das fotos onde Ashley Carson aparecia morta até as de Zoe Pierce. Inclusive as coisas deixadas pelo assassino. No caso de Zoe, apenas as palavras “Brinquedo Assassino” escritas com sangue de animal enquanto para Ashley, nada, como se os crimes não tivessem ligação. Mas a polícia sabia que tinha. Seu pai podia ter dito que foi apenas um assalto, mas estava possivelmente sob ameaças, e as inúmeras ligações pra casa da vítima naquela noite provam que ela morreu num jogo doentio iniciado por Brandon Rush e Sarah Richards um ano atrás.

- Então, os crimes têm ligação? – Perguntou Aaron.

- Sim – Respondeu seu pai, num tom cauteloso – Ouvimos as chamadas que o assassino fez pra casa de Ashley Carson. Seu pai mentiu porque estava sendo ameaçado.

- Eu não entendo – Aaron se aproximou do quadro, ficou bem perto das fotos de Brandon e Sarah – Com Brandon Rush e Sarah Richards as coisas foram diferentes. Eles exibiam os corpos como se fossem troféus, não tinham tempo pra ameaçar testemunhas. Aliás, por que os assassinos deixariam os pais vivos?

- Se eu pensasse como psicopata não exerceria esta profissão – O delegado andou mais pro lado, sentindo raiva.

Aaron não ligou, sabia como seu pai era, usaria qualquer desculpa para culpá-lo por ter virado uma sub-celebridade de quinta e ter esquecido suas origens.

- E o que significa ‘brinquedo assassino’? – Megan olhou pro quadro, estava mascando um chiclete – É um filme, não é?

- Claro que é – Aaron olhou novamente as fotos – Chucky, o brinquedo assassino. Não sei como isso se encaixa nessa morte. Talvez já estivesse lá, algum vândalo escreveu aquilo, talvez não tenha nada haver com a morte em si.

- Pouco provável – Disse o policial Bill – Eu fui chamado pra juntar alguns corpos do ano passado e uma coisa posso afirmar, esses caras são bons e qualquer detalhe é importante.

- Não é como se estivessem recriando as mortes do ano passado... Queria só qualquer pista que nos dissesse quem é o próximo...

- Vocês não assistem TV? – Megan se levantou da cadeira, cuspiu sem chiclete pro lado. Andou até onde Aaron estava, decidida – Por Deus, parem de ser tão amadores. A loira burra morre sozinha em casa, a bêbada recebe uma ligação numa festa longe da cidade e vocês não sabem quem é o próximo?

- Não – Respondeu Aaron, de imediato.

- A sub-celebridade!

- Ela tem razão – Disse Amanda, entrando na sala.

Todos olharam pra ela, não esperavam que fosse aparecer. Estava tão perturbada na noite passada, como ela poderia parecer tão forte? Era só fingimento?

- A sub-celebridade é o próximo – Ela olhou pro quadro – Drew Barrymore, Sarah Michelle Gellar, Lucy Hale, Anna Paquin, todas apareceram como participações especiais nos filmes ‘Pânico’. São as divas. Fazem um papel pequeno, mas marcam para sempre.

- Quer dizer que eu estou em perigo? – Aaron se assustou, ele era a única sub-celebridade que alguém poderia querer matar, considerando que era um dos sobreviventes.

- Depende, você não é uma diva – Disse Bill – O público gosta de elenco feminino nessas horas, ninguém torceria por você se fosse um filme.

- Então alguma garota famosa vai ser a próxima? – Perguntou o delegado, ajeitando seu cinto – Várias garotas são famosas por aqui. É o ano do Miss New Britain e do bicentenário.

- Que é um prato cheio pra esse doente... – Amanda passou o dedo pela foto de Ashley pendurada nos ganchos da cozinha, ela já tinha visto aquilo em algum lugar. Depois que viu as fotos, se virou – Precisamos de um plano. Precisamos ficar atentos. Se ele realmente está seguindo as regras dessa vez, não vai deixar nenhum evento de fora.

- Temos que cancelar – Disse o delegado.

- Não, precisamos de uma isca e muitos policiais a disposição – Amanda olhou para Megan – O que você acha de ser a nova Miss New Britain?

- O que? – Megan arregalou os olhos.

- Eu sei, não é certo – Disse Aaron.

- É claro que eu quero ser a nova Miss New Britain!

- O que? – Aaron olhou pra ela, estava eufórica.

- Pode ser o começo da minha carreira como jornalista! – Megan andou até a janela, estava maravilhada imaginando a hora de receber o prêmio – Megan Bower, Miss New Britain 2012. Preciso de tempo pra criar um slogan. Que tal 'A sobrevivente número 1 da América'?

- Megan, você não pode fazer isso. E se ele te pegar?

- Amorzinho, se acalma – Megan pegou no rosto dele com as duas mãos – Eu sou uma sobrevivente, ele não vai se atrever e aquela faixa vermelha vai destacar a cor da minha pele.

- Não, arrumem outro plano – Aaron cruzou os braços – De preferência, um que não coloque a vida de mais ninguém em risco.

- Aaron, isso foi o que aconteceu comigo por eu não ter um plano – Amanda levantou a mão esfaqueada, estava enfaixada – Eu tenho um filho, que por acaso, também está nessa lista. Eu não sei você, mas quero acabar com isso antes de ganhar outra cicatriz.

- Senhor – Disse um policial, abrindo a porta – A autópsia do corpo de Zoe Pierce saiu, encontraram uma coisa. O senhor precisa vir comigo.

Amanda e Aaron trocaram um olhar cauteloso, que também era, ao mesmo tempo, de espanto. O delegado olhou pra eles, com medo. Da ultima vez que um policial abriu a porta dizendo isso, encontraram um pen drive dentro do corpo de Trish Peterson.

Todos correram na direção daquele policial, ele estava indo na direção da sala de vídeo. Quando entraram, viram um detetive mexendo em um notebook. Ele estava com um pen drive nas mãos, tentando acessar o conteúdo.

- Outro Pen Drive? – Perguntou Aaron.

- Só tem um arquivo de vídeo aqui – Disse o detetive, dando play.

Quando a tela ficou cheia e o rosto de Brandon apareceu, Amanda sentiu um calafrio. Ela abriu a boca pra respirar melhor, mas não conseguiu. Era o irmão que estava naquele computador.

No vídeo, Brandon ajeitava a câmera no que parecia estar num quarto recheado de pôsteres de filmes de terror. Não era seu quarto, então, onde ele estava?

- Oi, todo mundo – Ele disse – Se vocês estão assistindo a este vídeo, quer dizer que meu filme não terminou como eu esperava e que você, Amanda, está enfrentando uma sequencia. Isso é inadmissível pra mim, não posso deixar qualquer amador manchar a imagem do original.

Amanda segurou o choro e olhou pro lado. Megan olhou pra ela, estava se compadecendo de seu sofrimento.

- Pelo menos agora, eu virei uma lenda. Não estou mais atrás de você, Amanda, não estou mais em segundo plano. Não era exatamente o que eu queria, mas me contento em saber que podem se passar até 100 anos, mas as pessoas vão lembrar de mim e do que eu fiz com todos aqueles adolescentes fúteis que tinham a vida perfeita – Brandon sorriu, fazendo uma lágrima escorrer pelos olhos de Amanda enquanto ela tremia – Mas, não gosto de ver nenhuma imitação barata de tudo o que eu já fiz. Então, pense Amanda, pensar vai ajudá-la a sobreviver. Pense porque alguém, além de mim, iria querer matá-la. Que pontas eu deixei? Quem poderia estar querendo matar todos dessa cidade? Pense, porque no final, tudo tem ligação, e é tudo culpa sua.

Quando o vídeo terminou, Amanda olhou pro lado, os olhos cheios de lágrimas. Todos naquela sala olharam pra ela, temendo que fosse desabar, mas não foi isso que aconteceu. Ela ergueu a cabeça, enxugou as lágrimas e disse:

- Vamos pegar esse filho da mãe.
--

- Chloe Field, com quem eu falo?

- Oi, aqui é a Denise, da Alfa Gamma – Disse uma voz feminina, fazendo Chloe revirar os olhos.

Mas, isso era bom, desde a morte de Zoe as pessoas ligavam para sua rádio perguntando o que aconteceu e como ela estava se sentindo. A verdade era que, ela estava com medo, e receber esse tipo de ligação só piorava mais a situação.

Miley, sentada bem a sua frente com as pernas encima da mesa, apenas ria. Ela se balançava na cadeira giratória como se fosse uma criança.

- Hey Denise – Disse Chloe, fingindo ser simpática – O que posso fazer por você?

- Eu só queria saber, é verdade que os assassinatos cometidos por Brandon Rush e Sarah Richard estão acontecendo de novo?

- Bom, é uma coisa que você deveria perguntar a polícia.

- Err... – A garota hesitou – Mas você estava lá e você é a melhor amiga da Amanda.

- O problema, Denise, é que não sabemos. Mas não se preocupe, quando aparecer o próximo corpo eu ligo pra você imediatamente. Tchau, tenha uma boa noite – Chloe encerrou a chamada e desligou o microfone – Por Deus, esse programa é pra ajudar as pessoas em duvidas sexuais, sentimentais e familiares, não pra responder se eu estou na lista do novo massacre ou não.

- Isso não é nada, eu recebi trotes o dia inteiro. “Qual seu filme de terror preferido?” – Miley fez uma careta – As pessoas falam isso como se ainda fosse original e engraçado. Perdeu a graça desde que Sidney Prescott transou com um assassino.

- É, tanto faz – Chloe olhou pro relógio na parede da sala, marcava dez da noite – E falando em ajuda sentimental, o que você acha de conversar de uma vez com seu namorado?

- Eu sei, vou falar com ele... – Miley parou de girar a cadeira.

- É, mas quando? Quando você tiver com a barriga enorme ou começar a vomitar por todo o lindo carro dele?

- Ele vem me pegar, deve estar chegando. Vou dizer no carro.

- Você pode treinar comigo – Chloe levou sua cadeira até onde Miley estava e se sentou de uma forma estranha, fazendo Miley sorrir.

- O que você ta fazendo?

- Anda, treina comigo. Finja que eu sou o futuro papai. Isso funciona.

- Não, você é feminina demais...

- Não sou não, por que você acha que chamaram a gente de lésbicas no Halloween? – Chloe colocou a franja atrás da orelha e novamente ficou numa posição reta, tentando ser máscula – Agora, treina comigo.

Antes que Miley pudesse falar alguma coisa, seu celular tocou. Chloe deu um suspiro e relaxou na cadeira. Olhou pra Miley assim que ela tirou o celular do bolso da saia jeans curta e olhou pro visor. Como ela não sorriu, Chloe logo adivinhou que deveria ser Trent.

- É ele – Miley guardou o celular no bolso novamente – Está aqui na frente. Tenho que ir.

- Já chegou? Mas não ouvi nenhuma buzina – Chloe se levantou e foi até a janela de vidro, ao lado da porta azul. Olhou pro gramado do campus, não tinha nem sinal de Trent. Ele deveria estar um pouco mais pra esquerda – Ele não ta aqui.

- Ele disse que está, não dá pra ver o campus inteiro dessa janela – Miley se levantou a cruzou os braços.

- Mas aqui é a entrada, ele deveria estar aqui...

- Você só ta querendo me assustar pra eu ficar. Se você ta com tanto medo, por que não vem com a gente?

- Não posso – Chloe saiu da janela – Tenho que ficar aqui até 11 e atender mais ligações.

- Você que sabe... – Miley pegou sua bolsa e caminhou na direção da porta, sendo observada por Chloe.

- Te vejo amanhã no Vulcanical’s?

- Até mais – Miley fez um gesto com a mão sem olhar pra amiga enquanto saia. Chloe colocou a mão na cintura e observou a porta fechando sozinha.

Miley olhou pro enorme corredor branco onde estava, com duvidas sobre onde ficava a saída. Era tudo muito igual, poderia ser qualquer um dos lados, mas ela não esperou pra raciocinar, foi pela direita, seus saltos pretos faziam barulho no chão. Andou até o elevador e apertou o botão pra ele subir.

Com um tédio absurdo, ela observou o quadro encima do elevador que mostrava em qual andar ele estava. Ele estava subindo tão devagar que ela apertou o botão várias vezes, mesmo sabendo que isso não o faria ir mais rápido.

Quando o elevador chegou, ela entrou e apertou o botão pra ele descer. A porta se fechou e ele começou a descer, tocando uma musica de relaxamento que ela odiava.

Lá encima, Chloe saiu da sala pra pegar um pouco de água no filtro do corredor. Ela parou assim que pegou um copo descartável. Antes que o copo enchesse, ouviu um barulho vindo do lado esquerdo. Pensou que fosse Miley, ela sempre se perdia naquele prédio, mas não tinha ninguém.

- Miley, é você? – Ela gritou, mas nada aconteceu além da água de seu copo ter transbordado – Merda! – Ela se afastou. Olhou pra esquerda novamente, enquanto andava de volta pra sua sala.

Quando chegou, deixou o copo encima da mesa e sentou na sua cadeira. Colocou o fone e parou a musica que tinha deixado tocando.

- Então, se divertiram com o Coldplay? Aposto que sim, mas, estou de volta, e mais inspirada do que nunca. Aposto que vocês estão se perguntando o que diabos está acontecendo nessa cidade e porque as pessoas estão morrendo. Isso, eu obviamente não sei, e não é pelo fato de ser loira, eu garanto. Tudo o que sei é que há três dias, Ashley Carson foi assassinada em sua própria casa e pendurada por ganchos em sua cozinha. E ontem, mais uma vítima foi feita. Zoe Pierce recebeu vinte facadas antes de ser jogada do segundo andar do hospital psiquiátrico abandonado onde sua fraternidade estava dando uma festa particular. Coincidência ou não, as duas garotas morreram próximo a data de um ano do massacre de Brandon Rush e Sarah Richards. Está acontecendo de novo? Estamos correndo perigo? É isso o que os moradores de New Britain querem saber – Chloe olhou pro relógio na parede – Então, se alguém tiver mais alguma duvida, vocês sabem pra quem perguntar.

Assim que terminou de falar, percebeu que tinha alguém ligando. Ela sorriu, vangloriada, antigamente ela tinha que esperar séculos pra alguém ligar e agora mal terminava de falar e já tinha alguém na linha, mesmo que o horário não ajudasse.

- Chloe Field, com quem eu falo? – Ela hesitou, esperando uma resposta – Alô? Olha, você não precisa dizer seu nome se não quiser, é só me dizer qual sua dúvida...

- Você está sozinha?

- Como é? – Chloe sorriu, ainda não tinha reconhecido a voz – Se eu estou sozinha? Quer dizer, se eu estou namorando? Por que você quer saber?

- Vai ser mais fácil te matar se não estiver com ninguém.

O sorriso de Chloe desapareceu.

- Olha, eu vou desligar, esse tipo de trote não é legal.

- Por que não?

- Amanda é minha amiga, e brincar com o que ela passou não é bom. Então adeus, idiota... – Quando Chloe ia encerrar a chamada, ouviu uma risada do outro lado da linha.

- Você sabe onde eu estou?

- Como eu vou saber? – A voz de Chloe tinha ficado dura, até ela olhar pra um visor na mesa a sua frente e perceber que a ligação estava vindo de dentro do prédio.

- Estou mais perto do que você imagina...

Chloe olhou pro vidro a sua frente, não tinha nada anormal. E depois olhou pras duas portas, tudo estava normal. Será que Miley estava fazendo aquilo só pra lhe irritar? E mesmo que fosse alguém que não conhecesse, estava usando o aplicativo com a voz do assassino que não era mais permitido, quem usasse poderia ir pra cadeia, além de estar numa rádio que todos escutam.

- Quem está falando?

- Aquele que vai te cortar em pedacinhos e exibir pro mundo inteiro como prova de que ninguém pode me parar.

- Você pode ir se ferrar agora! – Exclamou Chloe, levantando-se.

- Avise seus amigos, avise a mídia, avise a polícia. Diga que todos fazem parte da minha sequencia, e ninguém vai escapar.

- Eu quero te ver tentar, idiota! – Gritou Chloe. Ficou imediatamente mais assustada com a risada macabra do assassino.

- Melhores amigas sempre morrem – Ele desligou.

Chloe ficou parada por um tempo, ainda estava na linha, ouvindo os apitos que lhe diziam que a ligação tinha terminado. Ela não conseguia raciocinar direito, pela primeira vez algo a tinha assustado num nível tão grande que finalmente tinha perdido o ar.

Quando a ficha caiu, ela correu pra sua bolsa e pegou seu celular. Discou o numero da policia e se encostou na parede, esperando ser atendida.

Lá embaixo, Miley ainda caminhava pelos corredores, pensando que talvez tivesse ido pelo lado errado. Ela começou a ficar enjoada, era o pior sintoma de sua gravidez indesejada.

Ouviu um barulho atrás de si e virou. Ficou olhando por um tempo, sem coragem de perguntar se tinha alguém ali.

O silencio do local acabou fazendo-a ficar com medo. Andou rápido, ainda olhando pra trás. Deu um grito quando deu de encontro com Trent. Ele sorriu, adorava quando ela ficava assustada.

- Merda! – Reclamou ela.

- Calma, sou eu. Você ta legal?

Por estarem de lado no corredor, nem perceberam o assassino correndo de um lado pro outro e passando por uma porta na ponta da direita.

- Sim – Miley engoliu em seco. Olhou pra baixo, precisava urgentemente de um banheiro – Só preciso ir ao banheiro.

- Tem um no final do corredor... Eu te levo lá.

- Ok... – Miley tentou segurar o enjoo até chegarem na porta do banheiro.

Eles andaram abraçados, Trent fazia carinho no ombro dela. Quando chegaram, ele a beijou, ela nem lembrou do que estava sentindo já que sempre ficava hipnotizada com aquilo.

- Eu não demoro...

- Você vai entrar num banheiro com um assassino a solta? Que corajosa – Ele sorriu.

- Para Trent – Ela lançou um olhar severo pra ele e entrou.

Não perdeu tempo se olhando no espelho, correu pro vaso sanitário e despejou tudo o que tinha lanchado com Chloe. Era por isso que odiava gravidez, nunca tinha se imaginado sendo mãe ou sofrendo aquelas mudanças no corpo. O pior era que em alguns minutos teria que contar ao namorado que ele iria ser pai e que isso estragaria sua vida.

Ela respirou aliviada depois de tudo, parecia que tinha se livrado de um grande peso no estomago. Puxou a descarga e correu pra pia. Ligou a torneira e lavou a boca e o rosto, estava pensando nas palavras certas que usaria com Trent mais tarde.

Se olhou no espelho, estava pálida, os olhos fundos e bastante magra, como se sua barriga não tivesse crescido. Ela teve que levantar a blusa e se olhar de lado no espelho pra ter certeza.

Um barulho estranho vindo de uma das inúmeras cabines chamou sua atenção. Ela olhou pra trás, com duvidas, não poderia ter ninguém ali àquela hora.

- Olá? Dane-se – Ela se olhou novamente no espelho, mas o barulho se repetiu – Trent se for você, juro que te mato.

O barulho se repetiu novamente, ela achava que estava vindo da cabine numero três. Andou devagar até lá, fungando, não estava sentindo medo algum. Quando chegou na frente da cabine, ficou olhando por um tempo, o barulho se repetiu de novo, ela tinha certeza que vinha daquela cabine.

- Você ta bem? – Ela perguntou, mas ninguém respondeu.

Devagar, se ajoelhou no chão e olhou por debaixo da porta, via apenas dois sapatos pretos.

De repente, o assassino chutou a porta encima dela. Ela levantou e foi levada pela porta até a pia. Gritou imediatamente, mas foi calada com duas facadas no peito. O sangue começou a jorrar no chão e na pia, ela estava quase morta.

O assassino a puxou pelo cabelo e bateu sua cabeça no enorme espelho, no exato momento em que Trent entrou para socorrê-la. Ele viu Miley sendo jogada no chão e depois olhou pro assassino, sabendo que precisava correr, porque não podia fazer mais nada por sua namorada.

Ele não foi longe, ghostface o alcançou rapidamente e o esfaqueou nas costas, bem perto do ombro, logo depois dele abrir a porta da sala ao lado na tentativa de fugir. Ele caiu, mas estava resistindo. Olhou pro assassino, sabia que a pessoa por trás daquela máscara estava adorando aquilo.

O assassino se preparou para dar uma punhalada em seu rosto, mas Trent segurou seu braço. Eles ficaram medindo força por alguns momentos, se Trent largasse, levaria uma facada certeira no rosto que resultaria em sua morte. Como um milagre, Chloe apareceu por trás deles e bateu no assassino com um extintor de incêndio. Ele caiu pro lado, mas não inconsciente.

Ela se preparou para bater nele mais uma vez, mas ele foi mais rápido e desviou. Com a guarda baixa, Chloe foi atacada, levou um soco no nariz e caiu no chão, sangrando. O assassino andou até ela e a puxou pelo cabelo. Lançou ela pela janela de vidro da sala ao seu lado, ela caiu encima dos cacos, ao lado de uma mesa marrom.

Olhou pro lado com esforço, estava um pouco fraca por causa da pancada. Com a porta aberta, a parede ao lado a deixava ver apenas a cabeça de Trent, ele ainda estava jogado no corredor. Ele olhava pra frente com medo, ela não sabia o que estava acontecendo até ouvir o barulho das inúmeras facadas que o amigo recebia. Ele gritava, o sangue de seu peito espirrava em seu rosto, estava morrendo aos poucos. Estava sentindo a faca penetrar seus órgãos, fazendo inúmeros buracos que doíam como se estivessem pegando fogo.

Ela ficou horrorizada, e só de pensar que não podia fazer nada, se sentia como uma inútil. Se tentasse ajudar Trent, também seria esfaqueada. Por isso, antes mesmo que visse o amigo morrer, se levantou e correu pela porta azul da direita. Ficou procurando a tranca, mas não havia nenhuma. Tentando controlar o choro, ela se afastou da porta, não queria tirar os olhos dela, pois se o assassino entrasse, seria por ali.

Quando tentava procurar um local pra se esconder, notou a janela de vidro. Ela correu até lá e a abriu. Colocou sua primeira perna pra fora, estava pisando no telhado, mas parou quando ouviu um barulho na outra sala. Olhou pra trás, o barulho não se repetiu, mas ela estava nervosa, temia que o assassino abrisse aquela porta e fizesse com ela o mesmo que fez com Trent. Porque naquele momento, até o barulho dos grilos parecia estranho e era assustador, já que seria difícil de acreditar que o assassino a deixaria escapar.

O barulho não se repetiu, então ela virou pra frente. Colocou a segunda perna pra fora e olhou pro chão. Ghostface abriu a porta com fúria e correu imediatamente até a janela. Chloe não teve tempo de fazer nada, apenas tentou segurá-lo para que não pudesse lhe machucar. Aos gritos, ela foi empurrada de lá e caiu no meio das árvores do primeiro andar.

O assassino olhou pra baixo, Chloe já tinha desaparecido em meio àquela escuridão.
 
No próximo capítulo...
Gabriel: Chloe está no hospital. Ela foi atacada!
Amanda: Eu sinto muito.
NESTA QUINTA
Amanda: As pessoas costumam morrer perto de mim.
Chloe: Sua amizade vale mais do que tudo isso.
ENFRENTE SEUS MEDOS
Amanda: Isso funciona?
OU SEJA ASSOMBRADO POR ELES
Brandon: Você pensa que pode fugir de mim?
Amanda: Megan está com você?
Aaron: Ela está bem?
Brandon: Você deveria ter morrido no meu lugar, Amanda!
A Punhalada 2, dia  26/04
7- Assombrada
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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. Amei o capitulo,muito bom me enganou completamente achei que a Chloe seria a próxima,mais quando ele disse "melhores amigas sempre morrem" soube que seria a Miley e o Trent só morreu junto por que ele viu o ghostface matando a namorada.Até quinta que vem.

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  2. meu Deus ótimo ja estava sentindo falta do sangue coitada da Miley

    muito bom nossa amei a parte que Brandon deu as caras muito bom ele querendo ajudar Amanda

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  3. Gostei Muito da chloe estar viva,esta se tornando uma dos meus personagens favoritos.

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