sexta-feira, 6 de abril de 2012

[Livro] A Punhalada 2 - Capítulo 4: Alfa Gamma Tem que Morrer



- Alfa Gamma, sejam bem vindos! – Gritaram as garotas com roupa de baixo ao abrir a porta.
Elas estavam com armar de brinquedo nas mãos e dentro delas havia cervejas. Os garotos nem tiveram tempo de ficar hipnotizados, elas lançaram um jato em seus rosto que os fez pensar que estavam no paraíso.

- Eu amo vocês Alfa Gamma! – Um deles gritou, o resto acompanhou.

Quando entraram no prédio, perceberam que aquele hospital abandonado já não parecia mais ter sido um manicômio. O local estava completamente decorado com as cores vinho e branco, a combinação oficial da Alga Gama. Havia uma jacuzzi bem no meio do enorme hall onde os garotos podiam ver as outras garotas se refrescando só de biquíni.

Mas estas eram as únicas coisas que não tinham haver com a cultura grega daquele local. Porque era este o tema da festa. Perto das escadas e das portas havia estátuas de deuses e perto do bar, um local par ao sacrifício final onde a chefe da Alfa Gamma iria ser jogada dentro do caldeirão de mentira só pra apimentar mais as coisas.

No pátio do prédio havia uma cama elástica, bem perto da sacada onde os mais corajosos se arriscavam do segundo andar. Era lá que Zoe estava, preste a pular, com uma garrafa de cerveja nas mãos e possivelmente mais bêbada que qualquer pessoa naquela festa.

- Eu vou pular, vadias! – Ela gritou e ergue a garrafa.

Lá embaixo, as pessoas pararam pra fazer um coro especialmente para seu salto. Todos estavam gritando que queriam que ela pulasse, menos Miley e Trent, que estavam ocupados demais dançando David Guetta ali perto.

- Eu vou pular! Zoe gritou de novo, antes de jogar sua garrafa pro lado e saltar encima da cama elástica.

A adrenalina foi tanta que ela logo saiu de lá pra vomitar ao lado. Suas amigas foram ajudar, ainda era cedo e ela aprecia ter tomado muitas enquanto organizava a festa.

Ainda na pista, Miley encarava a multidão ao seu redor com dúvidas. Trent estava passando a mão pelo seu corpo, como sempre fazia quando dançavam, mas ela não estava ligando. Só queria ter um tempo só pra eles pra poderem conversar, ela não podia mais adiar a notícia. Mas o que ele faria quando soubesse que ela está grávida?

- Trent... – Ela virou pra ele – Vamos sair daqui?

- Por que? – Trent bebeu um gole da cerveja que tinha nas mãos – Suas irmãs estão aqui. Não me diga que não gostou da festa.

- Não, só quero ir pra um lugar mais calmo, estou com um pouco de dor de cabeça.

- Você ta legal? A semana inteira você reclamou que estava se sentindo mal. O que foi, eu fiz alguma coisa?

- Não, claro que não... – Ela olhou pra camisa preta que ele usava, com tristeza. Só de pensar que ele nem lembra que estava com essa camisa quando se conheceram, era triste – Ta acontecendo muita coisa ultimamente. Você sabe, eu meu pai, as coisas estão difíceis.

- Quer que eu chute a bunda desse velho babão? – Trent sorriu.

- Bom, eu quero, mas você não deve. Só o que eu quero agora é conversar com você...

- Ok. Então fale.

- Eu... – Miley foi interrompida quando sentiu seu celular vibrando no bolso. Ela olhou no visor, era uma mensagem de Chloe, que dizia “To quase chegando, preciso de ajuda pra entrar.”

Miley guardou o celular, o rosto ainda triste. Mais uma vez ela tinha sido interrompida e nem sabia quando teria outra chance de dizer a verdade pro seu namorado.

- Quem é? – Ele perguntou, bebendo outro gole de cerveja.

- Chloe. Preciso ajudá-la a entrar. Podemos conversar depois?

- Claro – Trent lhe deu um beijo e correu pra onde os amigos estavam.

Miley saiu de lá, foi direto pro portão. Lá estavam alguns seguranças da Alfa Gamma, preparados pra barrar qualquer um sem um convite. Ela passou por eles e dobrou na esquina escura, onde viu o carro vermelho de Chloe, com os faróis mais fortes que ela já vira na vida.

Ao lado dela no carro estava Gabriel, parecia que eles iriam fazer uma boa dupla por bastante tempo.

- Hey garota – Disse Chloe, assim que Miley se debruçou na janela do carro, ficando bem próxima a Gabriel – Vou pular o muro, vai uma ajudinha?

- Estou com dois convites no meu bolso, seja normal Chloe e pare de procurar sarna pra se coçar.
- Não posso ser convidada, assim seria previsível. Mesmo assim, quero ver a cara da Zoe quando vir que mesmo ela me odiando, ainda consegui participar da melhor festa do ano sem precisar de um convite. É disso que o povo da rádio gosta.

- Zoe está mais bêbada que nossos pais juntos depois de um churrasco no domingo – Miley revirou os olhos – Nem vai perceber que você está lá.

- O que? Ela bebeu? – Gabriel parecia surpreso – Ela prometeu que não faria isso.

- Ela prometeu que não iria mais enfiar o dedo na garganta e de repente estava cabendo numa calça 36 – Chloe desligou o carro e abriu a porta – Mas acredite, ela ainda está na vantagem. Você não vem?

- Vou – Gabriel saiu do carro e bateu a porta.

Eles fitaram o muro da propriedade, Chloe com as mãos na cintura, enquanto Gabriel e Miley pareciam desinteressados.

- Não é tão alto. Acho que consigo – Chloe olhou para Miley, querendo uma resposta.

- Ta legal, eu ajudo – Miley se aproximou dela – Mas se você quebrar um braço, não vou assinar no seu gesso.

Ela e Gabriel se prepararam para ajudar Chloe a pular o muro, sem saber que de longe, outra penetra assistia tudo. Ela estava com um cigarro entre os dedos, com as unhas pintadas das cores de uma onça.

Sua roupa preta a fazia parecer uma espiã, exatamente como ela queria. Quando viu que Chloe estava conseguindo pular o muro, soltou a fumaça de sua boca e apagou o cigarro no poste de luz ao lado, dizendo:

- O que Megan Bower quer, Megan Bower consegue.

--

- Tem certeza que quer ir andando? – Perguntou Aaron à Amanda, tentando não demonstrar que estava com medo daquelas ruas escuras e vazias.

Amanda olhou pra ele e sorriu, percebendo o jeito que estava por causa do silencio daquelas ruas. Ela colocou as mãos no bolso do casaco preto e continuou andando ao lado dele, mas não estava com medo.

Ver as ruas de New Britain daquele jeito era comum desde os assassinatos. As pessoas tinham medo de sair, mas não havia perigo, já que não havia mais assassinos. Mas como Aaron iria saber se ele se mudou antes mesmo que Amanda pudesse agradecer a ajuda daquele há um ano?

- A festa fica há poucos quarteirões daqui, e o ar frio vai me fazer bem.

- Então... Você é uma nova mulher? – Aaron olhou pra trás, só pra ter certeza que não estavam sendo seguidos.

- Sim, eu sou mãe, esqueceu?

- Estou falando sobre medo. Você anda por essas ruas como se não tivesse corrido por elas há um ano atrás pra se salvar... Às vezes não consigo nem atender ao telefone sem sentir um arrepio.

- Eu tenho identificador de chamadas. Isso ajuda muito – Ela sorriu ao lembrar do ultimo trote que passaram pra casa dos Fuller, o garoto implorou para Amanda não chamar a policia e dizer que o aplicativo com a voz do assassino que fora proibido estava sendo comercializado de novo por um adolescente.

- Sabe, eu adorei essa noite. Conheci sua nova família, seu filho, e sua sogra foi até simpática comigo.

- Mas você viu a cara que ela fazia quando você me elogiava, não é?

- É, vi sim. Aquela mulher te odeia, mas ama seu filho. Acho que você teve sorte.

- É, eu tive... – Amanda olhou pro lado e ficou pensativa.

- Mas onde está seu cunhado? Não o vi no jantar.

- É, ele evita tudo o que é normal e tudo o que sua mãe quer que ele faça. Kyle é... Diferente.

- Vocês têm algum problema? – Aaron olhou pra frente e depois pra ela, Amanda parecia ter ficado desconfortável com a pergunta – Quando Craig falou dele no jantar, você ficou estranha...

- Se você encontrar alguém que não tem um problema com Kyle, é só me avisar... – Ela olhou pro lado de novo, não sabia se conseguiria disfarçar.

Aaron apenas assentiu e ficou calado, não tinha percebido que o problema de Amanda e Kyle poderia arruinar tudo o que ela construiu até agora.

Eles andaram calados os quarteirões que faltavam até chegarem nos portões do hospital abandonado. Amanda bateu palmas, logo os seguranças que se escondiam nas sombras apareceram. Eles eram enormes, provavelmente tinham dois metros de altura e freqüentavam uma academia todos os dias.

- O que deseja, senhorita? – Perguntou o careca, estava com um auto falante nas mãos.

- Ashton Kutcher na minha cama – Disse ela.

Logo os portões estavam sendo abertos. Ela entregou dois convites aos seguranças enquanto Aaron estava confuso ao seu lado.

- O que você disse?

- É a senha, uma garota rica e mimada criou.

- Não diga – Ironizou Aaron.

Eles andaram até a entrada, passando por todos os carros dos convidados que estavam lá dentro, já podiam ouvir a musica alta que tocava lá. Mas, outra coisa estava chamando a atenção de Aaron. Ele olhou pro lado e viu Megan pulando o muro. No começo não tinha certeza se era ela e cerrou mais os olhos, até perceber que só uma pessoa teria coragem de usar aquele esmalte de unha.

- Vai na frente, Amanda. Preciso fazer uma coisa. Vai ler cinco minutos.

- O que? – Amanda estranhou.

- Você pode ir, eu já venho, te encontro lá dentro.

- Ok – Ela assentiu e entrou.

Aaron olhou pros seguranças, eles pareciam distraídos olhando pro portão. Tomando cuidado pra não fazer barulho, correu até Megan, ela estava se levantando do chão e limpando a sujeira da sua roupa.

- Megan – Ele sussurrou – O que você ta fazendo aqui?

- Amorzinho, é você? – Megan lhe abraçou – O que você ta fazendo aqui? Pensei que iria jantar com a Fuller cabeça de parafuso.

- Eu estou aqui com Amanda – Ele olhou pra ela, sabia como ela era extravagante se tratando de roupas – E por que você está vestida como a Lady Gaga?

- Ah não – Ela olhou pra sua roupa – Tem bife no meu vestido?

- Não – Aaron segurou na mão dela e a puxou mais pras sombras, com medo que os seguranças vissem – Fale baixo Megan, se te pegam como penetra te jogam na calçada.

- E por que eu não tenho um convite? Amanda não gosta mais de mim? Pensei que éramos amigas. Sobrevivemos juntas, e eu não fui nada pra ela?

-Você ta drogada?

- É claro! Agora sai da minha frente que essa música é minha! – Megan correu dele – Eu te amo, bebê.

Aaron quase gritou, mas se prendeu. Não sabia como alguém tão louca podia lhe fazer tão bem. Se não fosse hilário, seria trágico.

Lá dentro, Amanda caminhava por entre a multidão, desejando ter uma brecha para dançar. Nem lembrava da ultima vez em que tinha feito isso, sua vida tinha mudado completamente. Também não sabia se deveria. O que as pessoas iriam dizer se vissem a sobrevivente do massacre de New Britain se divertindo como se nada tivesse acontecido?

Perto do bar, estavam Chloe e Miley, observando a estátua de Dionísio. Elas nem notaram que a amiga estava ali, por isso não se aproximaram. Então estava dando certo para Amanda passar despercebida como sempre quis.

Como se ninguém tivesse ali, ela começou a dançar. Começou tímida, bem devagar, mas depois foi se soltando. Fechou os olhos e não ligou pra mais nada. Era incrível como dançar podia fazê-la esquecer dos problemas. Esquecer que existia, que seu irmão era um psicopata, que se filho podia ter sido gerado num estupro ou que todos que ela amava morreram ou foram embora.
Mas quando abriu os olhos, ela percebeu que a dança nem sempre a livraria dos problemas. Ela viu Kyle dançando com uma garota perto da Jacuzzi, ela estava só de biquíni e ele aproveitava para passar a mão em seu corpo.

Talvez fosse egoísmo, mas ela não queria que ele fizesse aquilo com alguma garota. Era errado, mas ela sabia que aquele sentimento era ciúmes, e quanto mais cedo admitisse isso, era melhor.
Ele olhou pra ela, já parada, e logo afastou a garota com quem dançava. Se aproximou dela, que virou pro outro lado e ficou olhando a janela.

- Que bom que você está aqui... – Ele disse – Pensei que ainda estivesse naquele jantar deprimente com a minha família.

- É a minha família também – Ela cruzou os braços.

- Ainda não, mas em breve será. Pra quando é o casamento mesmo? Setembro?

- Setembro.

- Ótimo mês pra casar – Ele chegou mais perto, podia sentir o cheiro do cabelo dela – Sabe Amanda, se eu não te conhecesse, iria dizer que isso que está sentindo agora é ciúmes. Mas você me obrigou a isso, não quer se render porque quer a família perfeita e eu não posso te dar isso. Nem imagina que é exatamente nisso que eu penso quando vou dormir... Eu, você... – Ele pegou na cintura dela, que tremeu – o pequeno Matty, uma cerca branca e um cachorro chamado Bob... Ou um gato chamado JJ...

Amanda suspirou, era verdade o que ele estava dizendo ou ele só queria ter o prazer de destruir uma família? Ela não podia correr esse risco, não quando Kyle Fuller era o partidor de corações numero um daquela cidade.

- Me solta – Ela tirou a mão dele de sua cintura e saiu andando.

- Cadê a Amanda de antes que não tinha medo de ser feliz? – Ele gritou, fazendo-a parar – Você vai deixar seu irmão te impedir de viver até depois de morto?

Ela olhou pra ele, desejando poder estar mais perto só para lhe dar um soco. Mas sabia que ele não estava errado. Desde que tudo aconteceu ela estava com medo de viver, dançar, se soltar, ser ela mesma por alguns minutos, porque tinha medo de machucar alguém. Medo de ser a pessoa horrível que pagou muito caro por tudo o que fez.

Ela se aproximou dele bem devagar, mas ele não recuou, mesmo sabendo que podia levar um tapa.
- Então, você gosta da Amanda de antigamente? Então olha – Amanda empurrou uma garota que passava do seu lado após pegar sua bebida.

Tomou aquele copo cheio enquanto Kyle a observava, incrédulo. Depois deu um grito e começou a dançar no ritmo da música, como se ninguém tivesse olhando. E para Kyle, aquela era a coisa mais incrível que ele já vira.

Um pouco afastada deles, estavam Zoe e as amigas, nem todas tão bêbadas como ela. Estavam rindo do garoto que se machucou na cama elástica, até o celular de Zoe começar a tocar. Ela atendeu, com uma alegria bêbada sem tamanho.

- Quem fala?

- Oi Zoe – Disse uma voz macabra.

- Eu conheço você?

- Não. Você quer conhecer?

- Ui – Zoe olhou pro lado – E se eu disser que sim?

- Você está linda esta noite, Zoe. Eu quero brincar com você.

- Brincar comigo? – Ela sorriu, já estava pensando besteira – Mas eu nem sei quem você é...

- Você não quer me conhecer?

- Me dê um bom motivo pra isso... – Ela se escorou na parede e fechou os olhos.

- Se você quiser saber quem eu sou, vá pro segundo andar, tenho uma surpresa pra você.

- Eu aaaaaaamo surpresas, você não tem ideia – Ela olhou pras escadas – Você quer que eu suba pra encontrar você? Que garoto levado...

Da outra linha, Zoe não ouviu mais nada. Ela caminhou na direção das escadas brincando, como se fosse uma criança, era a bebida que fazia ela agir desse jeito.

De longe, Gabriel olhou. Viu sua irmã subindo as escadas e indo pra um lugar onde não tinha ninguém. Achou estranho e gritou seu nome, mas ela não ouviu, a musica estava alta demais.

- Estou subindo as escadas senhor misterioso... – Disse Zoe, no celular – Estou indo pra um lugar onde ninguém vai ver o que vamos fazer...

- Você gosta de filmes de terror, Zoe? – Perguntou a voz macabra do outro lado da linha.

- O que? – Ela riu e fez uma careta – Você é desse tipo que se excita com coisas estranhas, é?

Ela olhou ao redor, estava numa sala velha e imunda cheia de plásticos e madeiras espalhadas. Ficou olhando o local por algum tempo, não ouviu nada além da respiração de quem estava do outro lado da linha.

Lá embaixo, Amanda continuava dançando e tomando cerveja enquanto Kyle a observava. De vez em quando olhava pra ele, só pra ver aquele sorriso perfeito em seu rosto, que dizia que ela era a pessoa mais incrível que ele já conheceu na vida.

A aquela altura, Amanda já tinha chamado a atenção de todos. Chloe e Miley, no canto, estavam de boca aberta pra amiga. Era a primeira vez que a viam daquele jeito. E de repente, ela deu um beijo em um dos garotos que estavam perto do caldeirão.

- Meu Deus! – Exclamou Chloe – É como se ela tivesse nascido pra ser vadia!

- Nem me fale... – Miley estava com inveja, mas não conseguia ficar com raiva, Amanda era uma das melhores pessoas que ela conhecia.

Quando a música acabou, Amanda fez uma pose, só pra terminar bem. As pessoas aplaudiram, inclusive Kyle. E ela estava feliz, não como antes, mas já era um começo. Olhou pra frente e o sorriso desapareceu assim que ela viu Craig na porta, olhando pra ela, decepcionado.

Ele estava com as mãos no bolso, olhando pra ela, culpando-a por ela ter feito aquilo como se tivesse algo errado em se sentir bem. Ele pensou que ela tinha mudado, mas agora achava que não. Saiu correndo pela porta, Amanda atrás dele.

Ela gritava seu nome, mas ele não ligava. Saiu pelos portões, entrou sem eu carro e o ligou.

- Craig, me deixa explicar!

- Sinto muito Amanda, você teve sua chance – Ele partiu.

- Merda! – Ela gritou, enquanto observava o carro dele.

- Amanda! – Kyle gritou, estava com sua moto – Sobe aqui! A gente pode alcançá-lo!

Ela não pensou duas vezes, pulou na garupa sem nem lembrar de usar o capacete.

Enquanto isso, no segundo andar, Zoe passava pelos enormes plásticos que estavam ali, tentando encontrar o misterioso homem com quem falava pelo celular.

- Onde você está homem misterioso? Já estou no segundo andar... Será que você não quer mais brincar comigo? Pensei que você ia se aproveitar de mim porque estou Bêbada... – Ela viu ratos passeando por lá e tomou um susto – Que nojo, tem ratos aqui. Apareça logo.

- Você disse que gostava de surpresas... – Respondeu a voz macabra, finalmente.

- Eu gosto, mas estou ficando preocupada. Eu nem sei como você é... Mas se for um Kappa, não vou me arrepender.

- Acho que hoje é seu dia de sorte...

- Sério? – Ela gargalhou, tudo pra ela era motivo de risada – E como você é? Loiro? Moreno? Negro? Alto baixo?

- Como um fantasma...

- O que? – Zoe gargalhou de novo? – Você está bêbado como eu? – Ela fez um bico.

Quando não obteve resposta, olhou pra frente. Viu que já tinha saído de perto dos plásticos e estava numa área plana. Não havia ratos, mas ainda era sujo e grotesco, ninguém passava por ali há anos. Mas o que lhe chamou mais atenção foi o que estava escrito na parte de cima, encima das janelas de vidro ainda intactas. Ela leu “Brinquedo Assassino”, estava escrito em letras vermelhas que escorriam na parede como sangue.

- Mas que porra é essa? – Ela deu um ar de risos e foi abaixando o celular bem devagar.

Ele vibrou e ela se assustou, deixando cair no chão. Era Gabriel ligando. Ela se abaixou para pegá-lo, no momento em que o assassino se aproximou e sua imagem ficou embaçada pelos plásticos pendurados. Ele se aproximou mais dela, que juntou o celular do chão rapidamente e se virou assim que percebeu o barulho.

Ao olhar para aquela fantasia, sua única reação foi rir. Aquilo não era nada, Trent e Gabriel já tinham assustado ela com uma fantasia parecida certa vez. E se a faca que tivessem em mãos não fosse de borracha, ela teria morrido.

- Ok, deixa eu adivinhar – Ela disse – Você me chamou até aqui porque quer me matar. Hahaha – Ela fingiu uma risada – E deixa eu adivinhar de novo, eu sou a vadia bêbada que morre no começo. Uuuuuh, que medo. Corta essa Trent, estamos em 2012. Não só é um a nova década como um novo ano.

Ela esperou por uma resposta, mas nada aconteceu. O assassino continuou olhando pra ela, mas dessa vez, já estava mostrando a faca que tinha nas mãos. Ela olhou pra faca, mas isso não lhe deu medo, estava certa de que era apenas uma brincadeira.

- Você não vai me responder? Tudo bem, não vou fazer parte dessa brincadeira, sinto muito – Ela virou e atendeu a chamada de Gabriel – Alô?

O assassino correu até ela e lhe deu uma facada nas costas. Ela deu um grito, mas ninguém ouviu, não com aquela musica alta demais. Ela caiu no chão e seu celular bem ao lado. Gabriel conseguiu ouvir seus gritos do outro lado da linha.

- Socorro! – Ela gritou, antes de ser puxada pelo cabelo.

O assassino a jogou contra a parede, ela machucou o rosto. Depois ele andou até ela e continuou a dar facadas, uma seguida da outra, sempre nas costas, seguidas por gritos de dor e pavor da garota. O sangue dela espirrava nos plásticos suspensos e nas janelas de vidro.

E enquanto ela estava sendo esfaqueada a sangue frio no andar de cima, lá embaixo, a festa rolava. As pessoas dançavam sem se importar, sem saber o que realmente estava acontecendo.
Depois de tantas facadas, o assassino a jogou no chão. Ela ficou de peito pra ele, dando seus últimos suspiros enquanto se entalava com o sangue que saia de sua boca. Ela nem tinha mais forças pra gritar.

Olhou pra frente, ghostface estava se abaixando pra ficar mais perto dela. Eles ficaram se olhando, ela implorava com os olhos cheios de lágrimas.

- Por favor, não...

Ele preparou a faca pra cravar em seu peito e ela gritou. Ele lhe deu várias facadas, sem parar, mesmo sabendo que ela não estava mais se mexendo. Era do barulho da faca entrando em seu peito que ele gostava.

Lá embaixo, Chloe tinha acabado de abrir a porta de entrada. Miley estava ao seu lado, elas estavam indo embora, queriam saber como Amanda estava depois daquilo.

- Vou ver se Amanda está bem – Disse Chloe, andando na direção dos carros estacionados – Você pode ir sozinha pra casa? – Perguntou a Miley, que ainda estava triste.

- Posso sim, tudo bem.

- Ótimo – Quando Chloe se virou, chamaram seu nome.

Gabriel correu até ela com o celular nas mãos, sendo seguido por Megan e Aaron. O garoto parecia desesperado, alguma coisa tinha acontecido.

- É a Zoe! – Ele disse – Eu vi ela subindo e depois liguei pra ela e ouvi gritos. Acho que aconteceu alguma coisa!

- Ai meu Deus eu sabia! – Gritou Megan.

- O que? – Chloe fez uma careta – Não aconteceu nada, ela está bêbada demais. Você ta pirando.
- A gente precisa chamar a polícia! – Gabriel olhou para Aaron, o olhar do garoto lhe dava aprovação.

Afinal, qualquer ligação estranha naquela cidade deveria ser notificada, mesmo que não significasse nada.

- Gabriel, para com isso, na boa – Chloe se afastou – Sua irmã está bem, você está bem, nós estamos bem. Brandon Rush está morto, e ninguém mais vai morrer.

Quando ela parou de falar e virou pra enorme picape prata à sua frente, o corpo de Zoe foi arremessado do segundo andar. Ele caiu encima da picape, quebrando logos seus vidros e fazendo um barulho estrondoso. As pessoas que estavam lá fora protegeram seus rostos com os braços por alguns segundos, até perceberem que o impacto já tinha acabado.

Chloe tinha cacos de vidro no cabelo, assim como Gabriel, estavam perto demais. Olharam pra frente e viram o corpo de Zoe, ela tinha sido esfaqueada, dava pra perceber, mas a queda tinha piorado a situação.

Miley e Megan soltaram gritos de pavor quando perceberam o que tinha acontecido. Aaron abraçou Megan e tentou não olhar, mas não conseguia. Chloe olhou para Gabriel, o garoto estava com a respiração ofegante e completamente em choque, assim como Aaron. Mas nenhuma expressão podia vencer a dela. Era medo, pânico, incredulidade e arrependimento ao mesmo tempo, pois ela sabia que aquela morte significava o retorno do ciclo, e ela com certeza fazia parte daquela seqüência.

No próximo capítulo...

Jornal: Garota morta na festa da Alfa Gamma!
Ellie: Acho que temos uma sequência.
NESTA QUINTA
Kyle: Amanda, tudo bem?
Amanda: A porta está aberta.
O PASSADO NÃO ESQUECE
Ghostface: Você sentiu minha falta?
Amanda: Você não é ele! Eu o matei, está morto.
Ghostface: Não nesta sequência.
O PASSADO NÃO PERDOA
Ghostface: Estou com uma coisa que te pertence!
Amanda: Matty!
Ghostface: Ele é meu agora.
O PASSADO NÃO TE DEIXA VIVER
Craig: O que aconteceu?
Amanda: Ele está lá dentro!
Maisy: Ai meu Deus! É o Kyle!
A PUNHALADA 2, 12/04
5- Ele é Meu
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Comentários
8 Comentários

Comentário(s)

8 comentários:

  1. muito bom quebrando as regras de novo com uma festa no meio coitada da Zoe eu gostava dela mais você pecou em fazer com que a morte dela fosse um pouco parecida com a da Rebeca poderia deixar ela pendurada com uma corda no pescoço ou algo assim

    ahh valeu por postar hoje

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  2. Aaron: eu estou aqui com a Amanda,e porque voce esta vestida como a Lady Gaga?

    Megan: Ah não...tem bife no meu vestido?

    MORTA/kkkkkkkkkkkk depois dessa tirada eu não existo! muito bom o capitulo eu ja estava maluca com o atraso de um dia kkkk adorando a história,parabéns,anciosa para o proximo.

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  3. AAAAAAh!!!Amei demais
    Se o João matar a Megan,eu morro. Megan é a melhor personagem ever

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  4. não matem a megan please !!!!!!!!!!!!!

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  5. Nefferson, vocês do blog falaram tanto de Anjos da Noite e até hoje não fizeram nenhuma crítica de nenhum filme da série porque?? Ah, e sobre o capítulo... foda demais! Tá cada vez melhor!! Se matarem a Megan vai se muito paia, mass é lógico que eu não vou deixar de continuar lendo =P

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  6. esse episodio foi show

    mais concordando com todo mundo você pode quebrar as regras mais não pode matar ninguém do elenco principal

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  7. Adorei o capitulo,pobre Zoe esse ghostface é bem cruel(do jeito que eu gosto rsrs),espero que a Megan não morra,gosto dela.

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  8. Megan n tem que morrer
    sequencia ahazando muito

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