quinta-feira, 15 de março de 2012

[Livro] A Punhalada 2 - Capítulo 1: Não Atenda o Telefone

Um toque sutil de telefone era a única coisa que se ouvia no andar de baixo. Vazia e silenciosa, a sala fazia o toque parecer mais alto. Mas a casa dos Carson não era a única vítima do silencio, o bairro inteiro parecia parado. As pessoas mais velhas iam se deitar cedo na vizinhança enquanto seus filhos curtiam uma noitada de festa na casa da fraternidade feminina Alfa Gamma. Elas eram famosas por dar festas de arromba, metade dos jovens da cidade sempre marcavam presença, e a outra metade não ia por falta de convite.

Só que os mais velhos tinham um motivo para deitar cedo, mesmo motivo pelo qual não conseguiam dormir, já que só pensavam na segurança de seus filhos. Eles temiam que algo de ruim acontecesse como ao do ano passado, onde doze pessoas foram massacradas na cidade pelos assassinos Brandon Rush e Sarah Richards, que tentavam imitar os filmes da Quadrilogia “Pânico”. Os moradores ainda não se sentiam seguros, a comunidade ainda estava de luto pelas pessoas mortas, e isso acabou deixando a cidade marcada. Ela era chamada pelos noticiários de “Capital da Morte do país”. Pessoas se mudaram, com medo, espantadas, temendo que qualquer dia algum lunático por sequencias quisesse massacrar os jovens, exatamente como nos filmes.

Ashley Carson não pensava assim. Ela não via porque temer, já que tudo acabara. Os assassinos foram mortos e os sobreviventes estão seguindo suas vidas, ela achava besteira dar tanta importância a uma coisa que já passou.

Sentada em sua cama, ela pintava as unhas dos pés de vermelho enquanto ouvia um rock feminino no rádio. Ela amava as musicas que Chloe Field colocava, seu programa de rádio era o melhor. Passava o esmalte cuidadosamente nas unhas, enquanto sua boca repetia as estrofes da musica, em sussurros, odiava sua voz.

Seu lençol roxo ao lado estava sujo de esmalte, ela havia derramado segundos antes numa distração, mas não estava preocupada em levar bronca dos pais, eles sempre passavam a mão em sua cabeça, fechavam os olhos para suas burrices e abriam a mão para seus caprichos.

Num movimento sexy, jogou seus cabelos longos e loiros para trás, eles estavam empatando sua visão dos pés, queria que ficasse perfeito, pra causar inveja nas amigas e seduzir algum jogador de futebol, antes que ela vá pra faculdade, era como se fosse uma meta a seguir. Quando a musica parou, ela fez uma careta de reclamação, Chloe havia cortado a musica na metade para falar.

- Muito bem pessoal – Disse Chloe, pela radio, Ashley decidiu prestar atenção no que ela dizia, já que sempre tinha os melhores bordões – É quase meia noite, estamos perto do aniversário de um ano do massacre de New Britain. Sei que tem muita gente com medo, mas também muita gente triste. Então, peço que as pessoas se solidarizem e compareçam ao memorial de amanhã no Albert Park, ao meio dia, vamos mostrar pras famílias prejudicadas que podem contar conosco sempre. E é isso aí pessoal, quando der meia noite faremos um minuto de silencio na rádio, mas enquanto isso, fiquem com My Chemical Romance, Helena.

Quando a musica começou a tocar, Ashley deu um grito, adorava aquela musica e era uma das poucas daquela banda que achava que valia a pena. Mas então, ouviu o telefone tocar novamente. Ela bufou, estava tentando ignorar o toque há dez minutos, mas quem quer que fosse ligando, estava insistente demais.

- Mas que saco! – Reclamou, assim que decidiu ir atender.

 Levantou-se da cama, deixando o travesseiro rosa cair no chão e saiu do quarto. Andou pelo chão de madeira do segundo andar e desceu as escadas correndo.

- Já vai! – Ela gritou, dobrando pra sala – Alô? – Disse, quando atendeu.

- Alô – Disse uma voz macabra do outro lado da linha.

- Quem é?

- Com quem estou falando?

- Ashley. Com quem quer falar? – Ela trocou o telefone de mãos e começou a andar com ele nos ouvidos em direção a cozinha.

- Não sei... Você quer falar comigo?

- Não tenho tempo pra brincadeiras – Ela desligou assim que chegou à cozinha e deixou o telefone encima do balcão central.

Abriu a geladeira e fitou as opções. Não tinha muita coisa, além do que ela não comia. Poderia pegar o queijo e o presunto e fazer um sanduiche, traindo assim sua divina dieta, acrescentando-a uma coca cola bem gelada que estava quase vencendo na validade. Ou, poderia simplesmente pegar um copo do suco de laranja sem açúcar a sua frente, continuando seu severo regime, e torcer pra não sentir fome mais tarde.

- Que se dane – Ela disse, mordendo o lábio e olhando pro queijo – É só colocar pra fora depois – Ela tirou o queijo e o presunto da geladeira. Colocou encima do balcão atrás de si e pegou um pão ao lado.

Não era o lanche perfeito, mas era o que tinha, e era gostoso. Cortou o pão com a faquinha e enfiou três fatias de queijo, duas fatias de presunto, estava lhe dando água na boca só de preparar. Pegou o suco na geladeira de novo e caminhou pra sala. Colocou o copo encima da mesinha em frente ao sofá bege onde se sentou. Pegou o controle remoto ao seu lado e ligou a TV, assim que deu uma mordida no sanduiche que havia preparado. Com as pernas encima da mesa, tomava cuidado para não encostar no suco e derramá-lo como da ultima vez.

Na TV, a repórter Casey Andrews estava ao lado da atriz Neve Campbell, a protagonista dos filmes “Pânico”. Parecia ser uma entrevista, poderia ser interessante.

- Então Casey – Disse Neve, parecia estar continuando alguma coisa – Eu nem sabia se eu faria outra sequencia. Ficamos anos sem fazer nada, e várias especulações surgiram ao longo dos anos, mas nada concreto. Eu também não sabia se iria querer fazer outro. Achava a trilogia o bastante, mesmo porque eu me conectei a personagem Sidney de uma maneira muito forte, e comecei a sentir pena dela por tudo o que passou. Não via como o estúdio podia trazê-la no quarto filme sem fazê-la querer dar um tiro na cabeça.

- Entendo – Disse Casey – E o que você acha dos assassinatos que aconteceram na cidade de New Britain, Connecticut, baseados nos filmes?

- Ah, merda – Reclamou Ashley no sofá, não queria aquele papo de novo.

- Bom, como eu disse, comecei a me sentir muito desconfortável com a história de Sidney nos filmes, até pra mim que sabia que aquilo tudo não era real. Então, nem consigo imaginar o que aquelas pessoas de New Britain sentiram vivendo todo aquele terror. Não consigo imaginar como ficou a cabeça das pessoas que sobreviveram, e nem como ficaram as famílias dos jovens, sabendo que seus filhos foram brutalmente assassinados, vítimas da loucura de duas pessoas completamente perturbadas e que usaram nosso trabalho pra matar inocentes.

- Eu sei, Brandon Rush e Sarah Richards já foram considerados os maiorias serial killers da América. Mas, uma pergunta. O que o estúdio pretende fazer a respeito dos filmes? Farão um quinto filme ou não? – Casey observava Neve como se quisesse comê-la, e talvez quisesse isso, afinal, era uma entrevista exclusiva e quente sobre os assassinatos que chocaram o mundo, a credibilidade que ganharia com isso seria enorme.

- Por enquanto, não – respondeu Neve, olhando pra plateia. Logo depois voltou seu olhar a Casey – Eu conversei com Wes, Courtney e David a respeito disso. Também falamos com Kevin, nosso roteirista, e preferimos não fazer uma quinta parte agora. Ficamos muito chocados com o que aconteceu em New Britain, Courtney disse que estava com medo de fazer outro filme e David temia que outro filme gerasse outro massacre, além de acharmos uma ofensa enorme aos moradores de New Britain fazer outro filme agora. Estaríamos brincando de ganhar dinheiro com a desgraça deles. Então, se no futuro tudo der certo, nós faremos outro filme, mas por enquanto é uma péssima ideia.

- Então, Neve, só para concluir. O que você tem a dizer às famílias das vítimas do Massacre de New Britain?

- Só queria dizer que eu sinto muito. Me sinto moralmente culpada, já que protagonizei os filmes da franquia “Pânico”, e se eu pudesse fazer alguma coisa para ajudá-los, eu faria. E espero que eles consigam se recuperar da tragédia. Sei que não é fácil, mas... Creio que algum dia todos estarão bem.

Ashley parecia enojada. Achou o discurso da atriz muito falso, começou a pensar que com certeza nem o estúdio e nem os atores davam a mínima para o que havia acontecido, era só mais uma forma de aparecer.

Pegou o controle remoto de novo e mudou de canal. Estava passando um filme de faroeste na outra emissora, parecia ser mais divertido que ouvir as pessoas falando sobre tragédias. Foi aí que o telefone tocou de novo. Ashley suspirou, aquilo lhe pareceu o fim do mundo. Deu um gole no seu suco e se levantou, caminhou direto pra cozinha.

- Alô? – Ela disse ao atender, tinha plena consciência que sua voz parecia entediada.

- Filha, você está bem? – Perguntou a mãe dela, ao telefone.

- Ah, mãe. É você. Estou sim.

- Liguei só pra saber, e também pra avisar que vamos chegar um pouco atrasados. O pneu do carro furou. Mas estamos há três quarteirões de casa, seu pai não quer largar o carro aqui por nada.

- Nossa, isso sim que é aniversário de casamento – Ashley deu um meio sorriso – Ano passado aconteceu um massacre e agora isso, que azar hein.

- Ashley, não brinque com isso! – Repreendeu sua mãe e isso fez Ashley suspirar – Pessoas morreram minha filha.

- Ok, mãe. Não brinco mais com isso.

- Tudo bem. Bom...

- Alô? – Ashley olhou pro telefone, a ligação parecia ter caído. Ela jogou o telefone no balcão e se virou.

Nem havia dado meia volta e ele tocou de novo. Ela parou, mais uma vez, emburrada. Olhou para o telefone, a luz vermelha que iluminava os números estava piscando em sincronia com o toque.

- Alô? – Ela atendeu.

- Olá. Com quem eu falo?

Ashley reconheceu a voz do trote de ainda pouco e ficou com mais raiva ainda.

- Você não tem o que fazer?

- Não. Se você me deixasse te matar, eu teria.

Ashley parou. Achou aquilo estranho demais, mas ainda não estava com medo. A primeira coisa em que pensou foi que poderia ser alguém que ela conhecia, já que não era a primeira vez que recebia um trote de algum de seus amigos tentando fazê-la ficar com medo tentando imitar a voz do assassino.

- Kate? É você? – Ela perguntou - Se for, para de brincadeira.

- Como uma garota como você pode ficar sozinha em casa com a porta destrancada? – A voz macabra no telefone era de deboche.

Ashley estranhou mais ainda, e começou a ficar com medo. Afinal, como ele sabia que a porta estava destrancada? Ela andou até a sala, ainda com o telefone no ouvido, que não fazia barulho nenhum. Era como se a pessoa que estava ligando, tivesse desligado.

Ela foi até a porta e logo a trancou. Observou pelo olho mágico, mas não via ninguém, apenas avistava sua varanda branca e a estrada vazia e escura em frente a sua casa.

- Bom, agora ela está trancada – Ashley queria que sua voz saísse firme, pra não demonstrar o medo – Ta bom pra você?

Após terminar de falar, ficou esperando uma resposta, mas não ouviu nada. Nenhum barulho, nenhum ruído, começou a pensar que realmente era um trote e a pessoa que o fez havia desligado.

- Alô? Você ta aí? – Ela perguntou, mas não obteve resposta novamente.

Apertou o botão para encerrar a ligação, já estava mais calma, foi aí que ouviu um barulho na cozinha. Era parecido com o de uma panela caindo no chão. Isso a fez dar um pulo, o medo havia voltado. Não podia ser seu gato, já que as panelas ficam penduradas em ganchos, mas ela estava mais preocupada com a teoria de ser um fantasma.

Abaixou o telefone, mas continuou com ele em mãos. Devagar, andou até a cozinha, tomando muito cuidado, rezando para não ser nenhum fantasma, ela morreria se fosse um.

Quando passou pela porta da cozinha, viu uma das frigideiras jogadas no chão, ela ainda estava balançando devagar. Ela olhou para o resto das panelas penduradas em ganchos encima do balcão central, realmente estavam altas e presas demais para ter sido coisa do seu gato. Andou até a frigideira no chão, mas tomando cuidando, fitando todos os lados. Levantou-se também fazendo isso.

- Buh! – Disse sua amiga Chelsea Tedesco, escorada no balcão, e isso fez Ashley soltar um grito e dar um pulo.

Chelsea começou a rir, sabia que conseguiria assustar Ashley, ela ficava em pânico fácil demais.

- Ai meu Deus, Chelsea sua vadia! Eu quase bati com essa frigideira em você! – A voz de Ashley saiu alta, estava praticamente gritando.

- Hahaha! – Chelsea gargalhou – Você é tão fácil de assustar.

- Droga! Logo agora que recebi um trote super estranho...

- Quem era? – Chelsea deu as costas para a amiga e abriu a geladeira.

- Eu sei lá, só sei que disse que queria me matar – Ashley se escorou no balcão central. Deixou a frigideira encima dele e olhou para Chelsea, que parecia procurar algo em sua geladeira.

- Deve ter sido o Gary, você sabe como ele adora essas brincadeiras sem graça. Ele assusta a própria namorada, imagina você, que deu um fora nele – Chelsea remexia nas coisas, estava tentando encontrar algo gostoso e que não engordasse, mas isso parecia ser impossível, pois as duas coisas nunca vinham juntas.

- É, pode ser. Enfim. O que você está fazendo aqui?

- Simples – Chelsea tirou uma fatia de queijo e fechou a geladeira. Ela olhou para Ashley e continuo falando, enquanto mastigava – Teve briga na festa da Alfa Gamma. Pessoas saíram feridas, chamaram a policia, e antes que os tiras chegassem, eu vazei.

- Isso é bem a sua cara mesmo...

- É óbvio. Quem ficaria ali sabendo que pode ser preso? Eu sei o que as lésbicas fazem com garotas como eu na cadeia, eu realmente não estou preparada pra deixar de encarar o pepino e servir de luva humana para dedos de presidiárias.

- Isso foi nojento, Chelsea – Ashley fez uma careta, não sabia como a amiga teve coragem de dizer uma coisa daquelas.

- Você sabe que me ama... – Chelsea fez uma pose enquanto comia o ultimo pedaço de queijo, ficou realmente sexy. Ela andou em direção a sala, Ashley a estava seguindo.

- Você já vai? – Ashley perguntou.

- Sim, preciso chegar em casa antes que meu padrasto acorde. Ele vai me matar.

- Não quer dormir aqui? – Perguntou Ashley, e quando percebeu que estava transparecendo medo, tentou disfarçar – Claro, se quiser... Podemos fazer uma noite das garotas...

Chelsea olhou para ela, tinha sacado que ela queria que ela ficasse apenas porque estava com medo.

- Hey, Ash. Você não vai morrer hoje a noite.  E a não ser que Brandon Rush ou Sarah Richards queiram dar uma de Jason Voorhees e ressuscitar para fazer uma matança Zumbi numa sequencia desesperada pra render dinheiro ao estúdio, você está a salvo. Mesmo assim, se eu ficasse, eu apenas morreria com você, não posso ser considerada proteção. Duas loiras morrem mais rápido que uma só.

- Você é uma vadia – Disse Ashley, dando um sorriso.

- Aprendi com a melhor – Chelsea deu outro sorriso – Agora tenho que ir. Se cuide, e durma bem – Ela destrancou a porta a sua frente e saiu – Namastê, Vadia.

- Namastê – Sussurrou Ashley.

Ela continuou olhando pra porta, não sabia mais o que fazer do resto da noite, já que não iria dormir de jeito nenhum. Suspirou e andou até o banheiro, logo depois de jogar o telefone encima do sofá.

Acendeu a luz e se sentou no vaso. Olhou pro nada enquanto esperava terminar o que havia ido fazer. Estava cantarolando a musica que ouvira antes, fitando a cortina azul clara do banheiro. Quando terminou, se levantou e foi até a pia. Abriu a torneira e começou a lavar as mãos, usou seu sabão liquido na cor vermelha.

Quando terminou, fechou a torneira e se olhou no espelho. A primeira coisa que notou foi que seus cabelos loiros e longos estavam com mais vida que antes. Logo depois reparou em sua pele, branca como neve, ela parecia um experimento real de photoshop. Se sentia uma estrela de cinema, estava cada vez mais linda de acordo com que ia se olhando no espelho.

- Vadia – Ela disse pra si mesma.

Só parou de reparar em sua beleza quando ouviu o telefone tocar de novo. Outra ponta de medo lhe subiu, mas ela preferiu ficar apenas com raiva pela insistência e achar que era Gary quem a estava atormentado. Correu até a sala e atendeu ao telefone.

- Alô?

- Qual seu filme de terror preferido?

- Gary, para! – A voz de Ashley saiu rígida, o medo já estava virando pavor.

- O meu é aquele em que a loira burra atende o telefone e morre segundos depois, só para uma maior contagem de corpos no final – A voz macabra, de debochada, passou a ser séria, isso fez Ashley ficar pior.

- Seja lá quem for você, vá pro inferno! – Ashley gritou.

- Se você queria morrer mais rápido, era só ter falado...

- Eu não vou morrer esta noite, e apesar de ter conseguido me assustar, não vou acreditar em suas ameaças. – Ashley falava caminhando pela sala, tentando parecer convicta.

- E por que não?

- Todo mundo sabe que sequencias só existem pra manchar a reputação do original. Pânico 2, Eu Ainda Sei, A hora do pesadelo 2 , nenhum deles conseguiu superar o original, ou seja, ninguém se atreveria a tentar superar Brandon e Sarah. Não agora, não nesta cidade. Então, você já sabe onde pode enfiar suas perguntas.

- Eu acho que não – A voz macabra soltou uma risadinha – Você quer sentir o sabor da minha sequencia?

- Não obrigada, eu sei que tem gosto de remake – Ashley sorriu.

- Não foi isso que seus pais disseram.

Ashley fitou o nada, quase paralisada. O jogo tinha acabado de ficar mais grave. O que ele queria dizer com aquilo? Se ela começasse a acreditar que aquilo era real, a chamariam de louca. Todos daquela cidade já receberam esse trote, muitos até bem melhores que este, era impossível acontecer alguma coisa, certo?

- Meus pais? – Ela perguntou, tentando sorrir – Eles acabaram de me ligar, estão bem.

- E você teve tempo pra dizer tchau? Se não teve, é melhor correr pra varanda. E não desligue esse telefone por nada...

Ashley olhou pra porta que levava a cozinha, e consequentemente, a varanda. Ela abaixou o telefone da orelha e caminhou até lá, bem devagar. Estava querendo que um de seus amigos pulasse em sua frente e lhe desse um susto, pois aquilo estava macabro demais.

Quando chegou à cozinha, olhou pra varanda, estava tudo escuro, não estava desse jeito da ultima vez que ela checou. Com a mão direita, e bem devagar, ela apertou no interruptor que ligava a luz, e teve uma surpresa. Seu pai estava se arrastando pelo jardim, com a garganta cortada, era uma longa estrada de sangue desde a entrada.

- Pai! –Ela gritou, desesperada e tentou abrir a porta.

- Se você abrir a porta ele morre, vadia maluca! – Gritou o assassino, no telefone.

Ashley parou de forçar a tranca, mas continuou com a mão nela. De seus olhos escorriam lágrimas ao ver a dor do pai, nem sabia onde ele tinha sido ferido, só sabia que ele estava clamando por ajuda, mas não podia arriscar. Ela viu os filmes, soube das histórias, precisa jogar o jogo dele e só assim conseguiria se salvar.

- Agora você vai brincar comigo, Ashley?  - Perguntou o assassino - Ou eu preciso matar logo seu pai? Foi uma pena ter chego até este ponto, eles são boas pessoas, não merecem morrer por causa de uma vadia sem coração como você.

- O que você quer? – Chorava Ashley, ao telefone.

- Você sabe o que eu quero. Você viu os filmes. Você sabe o que tem que fazer pra sobreviver...

- Por favor, não... – Implorou ela, estava quase vomitando de tanto nervosismo.

- Apenas responda. Cite uma sequencia em que tentaram dar um novo rumo a uma franquia.

- O que?

- Responda a pergunta! – O assassino gritou – É fácil, o mundo do terror está tão cheio de franquias que deveriam ter terminado, mas a ganância foi maior. Responda, e talvez eu não mate o pobre Senhor Carson.

- Eu não sei... – Ashley olhou pro pai de novo, não podia deixá-lo morrer – Sexta-Feira 13 Parte 5... – Ela se escorou na parede, não conseguia parar de chorar.

- Excelente. A resposta certa lhe custou mais alguns minutos de uma vida que você não merecia. Só tenho mais uma pergunta a fazer...

- Por favor, não... Eu não quero morrer... – Ashley saiu da cozinha e andou até o corredor para o quarto de hóspedes no andar de baixo, em silencio, olhando pra todos os lados.

- Anda, só mais uma. Eu sei que você consegue.

- O que? – Ela gritou, estava farta.

- Adivinha quem já está do lado de dentro da casa.

Ashley nem teve tempo para pensar, apenas ouviu o barulho da porta ao seu lado se abrindo e o assassino mascarado saindo de lá. Ele já estava com sua faca em mãos, pronto para matá-la. Ashley gritou, mas sabia que fazer apenas isso não a deixaria viva. Correu pela porta que cortava para o corredor e deu de encontro com a porta da frente. Com a mão direita, Mexeu na maçaneta, mas a porta não abria.

Correu na direção da escada, sabia que não daria tempo de destrancar a porta da frente. Ghostface estava bem atrás dela, quase tocando seu corpo, mas com rapidez, ela pegou o vaso de cima da mesinha do segundo andar e jogou na cabeça do assassino, que caiu do ultimo degrau da escada. Ela o observou caindo, e ele parecia desmaiado assim que chegou ao chão.

Ashley se dirigiu para a pequena entrada no teto que dava pro sótão. Ela puxou a corda e a escada desceu. Rapidamente subiu os degraus, mas um deles acabou quebrando. Ela fez mais força, mesmo com o ombro machucado e conseguiu subir. Logo puxou a escada, dando ainda tempo de ver que o assassino estava chegando. Empurrou o sofá velho ao seu lado para tapar o buraco, e logo viu o assassino forçando-o pelo lado de baixo. Ela correu até a janela triangular de vidro do sótão e viu a rua deserta.

- Me ajudem! Me ajudem! – Ela gritava enquanto batia na janela, alguém precisava ajudá-la.

Mas notou que continuando assim, acabaria morrendo. Pegou um disco voador de brinquedo do chão e quebrou a janela, tomando cuidado para tirar todos os cacos que ficaram para não se cortar. Ela colocou a primeira perna no telhado, mas foi puxada pelo cabelo pelo assassino. Deu um grito e começou a arranhar o assassino, que lhe deu três facadas na costa antes de jogá-la pela janela.

Ela caiu pelo telhado do primeiro andar e rolou até o jardim, onde seu pai estava jogado, ele já tinha desistido de lutar.

Ela ficou um tempo parada, a queda havia lhe custado uma fratura externa na perna, que não a deixava ir a lugar nenhum. Quando olhou pra frente, com seus olhos cheios se lágrimas, viu seu pai jogado na grama, cheio de sangue. Ela prendeu o choro, mas ele saia assim mesmo.

- Pai! – Ela gritou, tentando se arrastar – Não!

Seu pai conseguiu levantar a cabeça e olhou pra ela, os olhos cheios de lágrimas também. Ela já podia ver que sua garganta havia sido cortada, ele estava morrendo aos poucos. Ela olhou pro lado e viu sua mãe jogada no meio da rua, cheia de sangue no rosto, mas só percebeu que era o fim quando ouviu os passos do assassino atrás dela.

Ela olhou pra trás e o viu por completo, a fantasia era a mesma, a faca que ele tinha nas mãos ainda estava com seu sangue e ele parecia estar decidido a observar seu sofrimento antes de matá-la.

- Não! – Ela gritou, tentando se arrastar novamente.

O assassino acompanhou a garota, ela conseguiu se arrastar até onde seu pai estava. Eles estenderam as mãos para se tocar, mas antes que conseguissem, Ashley foi virada de peito pra cima e levou sua ultima facada, em seu rosto, enquanto seu pai a assistia morrer.

Nesta Quinta...
Repórter: Será que está acontecendo de novo? Será que New Britain não é mais segura?
ELES DISSERAM QUE O PÂNICO HAVIA ACABADO
Erik: Vocês não assistem televisão?
Megan: Alguém morreu!
Gabriel: Tem repórteres pra todo lado, a polícia está entrevistando os alunos.
MAS
Zoe: Isso não pode ser aleatório...
Megan: Amanda, eu sinto muito!
ELES ESTAVAM ENGANADOS
Zoe: Acha que ela é a próxima ou a protagonista dessa vez?
Megan:  Ai meu Deus!
A PUNHALADA 2, dia 22/03
2- SANGUE NOVO
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Comentários
12 Comentários

Comentário(s)

12 comentários:

  1. Meu Deus o que foi isso só uma palavra Maravilhoso

    sera se a Neve Campbell vai entrar no livro -q

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  2. Morto gente, muito bom, ancioso pelo próximo capítulo. Muito muito muito bom!

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  3. Que abertura incrivel,sera que essa sequencia vai superar o original?

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  4. Caralho muito bom
    A Megan tem que voltar como protagonista,adoro ela

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  5. Ótimo muito bom você conseguiu quebrar muito bem as regras da primeiras mortes estou impressionado

    amei o seu estilo trailer

    estou morrendo de saudades da Megan do Aaron e da Amanda eu não quero que nenhum deles morram por favor

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  6. Achei que a Chelsea morreria junto com ela

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  7. Eu achei esse "estilo trailer" meio idiota, mas a história tá bombástica! Parabéns =D

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  8. Amei essa abertura ficou SENSACINAL,seria muito legal se a Neve entrasse pro livro,espero que a Megan seja a protagonista já que no primeira era a Amanda.Esperando o próximo capitulo e adorei o estilo trailer.

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  9. estava tudo muito bem ate entrar a parte do My chemical pronto parei de ler!que droga!

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  10. amei a punhalada 1 e estou amando o começo do 2, uma duvida que me segue desde o primeiro capitulo do primeiro livro,vcs tem alguma obsessão com o verbo fitar ?

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  11. Sim, temos HUASHASUHASUSHUS', é o nosso mascote <3

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