sábado, 11 de fevereiro de 2012

[Livro] Destino Final - Capítulo 9: Visões

- Ele morreu... – Sussurrou Chad, completamente cansado de tudo aquilo. Ele estava sentado na ponta de um ambulância, fitando o nada. 

Rachel não sabia o que dizer, mas também, nada iria importar. Scott tinha acabado de morrer e isso significava que eles estavam certos, a morte estava pegando um por um daqueles que deveriam ter morrido dentro do Perry180, seguindo uma ordem bizarra.

- Eu preciso ir pra casa... Meus pais devem estar preocupados...

Chad olhou pro lado e viu quando os paramédicos colocaram os restos de Scott dentro de uma ambulância, ele estava dentro de um saco preto, encima de uma maca. Quando fecharam a porta ele tomou um susto.

Rachel acompanhou sua visão, era terrível. Ela não conhecia Scott, mas podia sentir o que Chad sentia. As coisas começaram a piorar quando ela lembrou que Naomi era a próxima, o que eles deveriam fazer? Não parecia ser uma coisa de que se pudesse escapar, ou parecia?

- Eles vão deixar você ir embora? – Chad fez um gesto com a cabeça para onde Norton e Wilson estavam tomando o depoimento do maquinista.

Rachel olhou pra lá, sentindo pena do pobre homem. Se ele fosse acusado pela morte de Scott seria muito injusto, já que ela sabia exatamente porque ele tinha morrido. Ela só parou de olhar quando Norton parou de escrever na folha de papel em sua mão e olhou para ela, querendo intimidá-la.

- Eu já falei com eles, disseram que posso ir...

Chad abaixou a cabeça e fitou seus sapatos, fazendo Rachel sentir outra onda de pena dele. Ele ainda estava sujo no rosto com o sangue de Scott que espirrara nele e podia ver o reflexo de seu rosto na poça d’água no meio de seus pés.

- Chad, eu sinto muito mesmo...

- Eu sei, só não me peça pra não ficar triste...

- Eu também estou... – Rachel se abaixou para ficar da altura dele – Mas eu também estou com medo... Um dia vai chegar a nossa vez e talvez seja pior do que aconteceu com todos eles...

Chad olhou para ela, bem nos olhos. Viu Jill atrás, há alguns metros de distancia, estava sendo guiada por um paramédico. Ele nem pensou, apenas correu até ela. Rachel olhou pra trás, não achava aquilo uma boa idéia.

- Jill... – Ele sussurrou e ela olhou para ele, com os olhos cheios de lágrimas.

- Me deixa em paz...

- Jill? – Ele arregalou os olhos, não esperava por aquilo – Mas eu...

- Vai embora! – Ela gritou – Fica longe de mim! As pessoas morrem perto de você!

Chad abaixou a cabeça e suspirou, não estava preparado para aquilo, mas não podia culpar Jill por agir daquele jeito, até ele se culpava, por que outra pessoa também não faria?

- Senhor, vou pedir que se retire – Disse o paramédico.

- Jill, só... Se cuida – Chad deu meia volta e andou novamente até Rachel, que tinha observado tudo de camarote.

Ela já estava de pé, com as mãos nos bolsos, tinha achado a atitude de Jill muito injusta. Chad se aproximou dela, tentando não olhar nos seus olhos.

- Preciso ir, Rachel. Outro dia a gente se fala...

- Certo – Rachel assentiu, sabia que ele precisava ficar só.

Ela o observou partir, até ele sumir entre tantos carros de policia que estavam na frente da fábrica. Ela olhou pra trás e no alto do prédio estava o senhor Linderman, observando tudo de dentro da sua sala pela enorme janela de vidro. Ele estava bebendo alguma coisa, seus olhos lagrimavam, e Rachel não podia fazer nada além de lamentar.

O barulho dos corvos encima da placa chamou sua atenção. Havia quatro, um do lado de outro, eles estavam gritando, parecia que queriam se comunicar ou que estavam comemorando o que havia acontecido.

--

- Hey Chad – Disse Sherri, sorrindo, como se estar dentro da casa dele comendo sua comida fosse completamente normal.

- Onde está...

- Foi pro bar – Interrompeu ela, sabia exatamente onde a Senhora Barclay estava.

- Como sempre... – Chad jogou seu casaco numa das cadeiras da mesa.

Ele fitou o chão, incomodado, queria que Sherri não estivesse ali. Segurou com uma mão na cadeira e olhou para ela meio sem jeito.

Sherri também olhava pra ele, mas não via nada estranho, nada além do garoto estranho que morava na casa ao lado da sua. Ela mastigou a comida e engoliu, enquanto esperava que ele falasse algo.

- Sherri, você podia...

- Ir embora? – Ela completou, como se tivesse adivinhado – Sem problema... – Ela tomou o ultimo gole de seu suco assim que levantou. Limpou as mãos no guardanapo e olhou para Chad, sorrindo – Eu sei que você não gosta muito de me ver por aqui, mas mesmo assim eu insisto. Não posso deixar um garoto de 17 anos nas mãos daquela louca. É melhor se acostumar, porque vou estar sempre por perto até você ir pra faculdade.

- Desculpa, eu não queria expulsar você... – Chad parecia arrependido, percebeu que estava sendo um idiota quando percebeu que uma garota qualquer queria cuidar dele sem ganhar nada em troca, era muito mais do que sua própria mãe fazia.

- Sem problema – Sherri piscou – Te vejo amanhã. Do jeito que sua mãe está e pela sua experiência, vão precisar de alguém que faça o café.

- Obrigado...

- Vá descansar – Sherri passou por ele e colocou a mão em seu ombro, era uma forma de consolo. Depois ela apenas pegou seu casaco pendurado na porta e saiu.

Chad suspirou, estava exausto, mas não deixou de agradecer mentalmente a tudo o que Sherri fazia por ele. Ele tinha sido um idiota com a única pessoa que demonstrava se importar quando não deveria. E isso até lhe fez sorrir.

--

Rachel bocejou ao telefone, não sabia há quanto tempo Naomi estava tagarelando. Ela fingia que estava ouvindo, mas estava mais interessada no documentário sobre répteis que passava na TV a sua frente.

Ela estava pronta para dormir, já estava com seu pijama marrom que ficava muito largo nela, e aquelas meias azul claras que iam até seu joelho. Ela só precisava esperar Naomi se cansar de falar para se deitar e esquecer tudo o que tinha visto naquele dia. Mas sabia que seu tempo era precioso, qualquer dia chegaria sua vez, e ela nem pôde dizer a Naomi o que tinha acontecido, já que lhe faltou oportunidade.

Mas Naomi estava tagarelando porque queria esquecer tudo o que tinha acontecido. E enquanto falava, tentava não olhar para a foto dela e de Zac que estava na tela de seu notebook. Ela nem sabia porque tinha colocado aquela foto, nunca foi do tipo que se torturava.

- Rachel, perguntei o que você acha. Hello.

- O que eu acho? – Perguntou Rachel, não tinha ouvido uma só palavra do que a prima dissera.

- Sim, se eu devo ou não trocar de psiquiatra. Você não estava me ouvindo?

- Claro que estava. E acho que você não deve fazer isso, você está com o Doutor Kelvin há um ano e meio, ele conhece você melhor do que ninguém...

- É, mas... – Naomi olhou para a foto dela e de Zac novamente, estava pensando que eles nem puderam aproveitar – Eu queria me desapegar daquilo que eu posso...

- Entendo... – Rachel hesitou, queria aproveitar a pausa que Naomi tinha dado para falar de tudo, mesmo sabendo que ela a chamaria de louca – Escuta Naomi... – Naquele momento, Rachel começou a tossir.

- Ray? – Perguntou Naomi, assustada – Você está bem?

- Sim... – Disse Rachel tentando controlar a tosse.

- Você tem certeza?

Rachel jogou o telefone no sofá ao seu lado, não estava conseguindo parar de tossir. Naomi não estava ouvindo mais nada, perguntava o nome de Rachel, assustada.

- Que droga Chuck! – Gritou ela – Desliga a droga desse video game!

Rachel se ajoelhou no chão da sala e segurou em sua garganta com as duas mãos. Ela já estava vermelha de tanto tossir. E sentia uma coisa muito estranha, era como se estivesse se afogando. E por alguns momentos ela viu alguma coisa. A imagem era embaçada demais para ter certeza, mas ela sentia que estava se afogando.

- Rachel! Rachel! – Naomi gritava, mas ela não podia ouvir.

Rachel estava vendo água, muita água e ela estava ali, se afogando, sem poder sair.

Ela só parou de sentir aquilo quando o toque de seu celular ecoou. Foi como um despertador. Finalmente conseguia respirar direito, mas ainda podia sentir que a água estava em sua garganta.

Ela olhou para o sofá, seu celular estava bem próximo do telefone onde acabara de falar com Naomi. Ela correu até ele e olhou no visor, sentiu um arrepio quando leu o nome de Embry. Desde que se conheceram, aquela era a décima quinta ligação que ele fazia a ela, que não atendeu nenhuma delas.

Com apenas um clique, ela recusou mais uma chamada. Não podia se dar ao luxo de se envolver com Embry, não enquanto achava que ela e todos a sua volta estavam em perigo.

Ela pegou o telefone e colocou na orelha, Naomi ainda estava na linha.

- Naomi...

- Rachel? O que aconteceu? O que foi tudo isso? Você está bem? – Naomi quase gritava de tanta preocupação.

- Acho que eu vou enlouquecer...

- Você não vai enlouquecer, só precisa descansar – Naomi olhou pra trás, Chuck estava gritando com a TV – Por Deus Chuck! Desliga essa droga!

- Não enche!

- Rachel, você ainda está aí?

- Sim – Rachel pegou na testa e suspirou – Estou...

- Você precisa dormir, amanhã a gente conversa. Vamos passar por tudo isso juntas...

- Obrigada – Rachel desligou e jogou o telefone no sofá.

Ela passou a mão pelo cabelo e olhou pro tapete, lembrando do momento em que caíra ali e sentira água em sua boca, como se estivesse se afogando de verdade. Foi mais estranho que ter aquela sensação gelada, era como se a sensação tivesse sido física. E nada poderia explicar aquilo, a não ser que Naomi poderia morrer afogada. Mas se realmente fosse isso, a sensação não teria passado.

Rachel saiu da sala e caminhou até seu quarto. Olhou pra pilha de papeis sobre Anna Trents perto da janela e suspirou, aquilo a estava deixando louca. Mas, e se tivesse deixado alguma coisa passar? Se ela bem se lembra, no livro que Chad pegara na biblioteca, dizia que a opinião de Anna sobre suas premonições era que ela tinha ficado perto da morte uma vez e isso a tinha deixado sensível para esse tipo de coisas.

Rachel correu até as pilhas de papeis, tentando procurar aquilo que explicaria o que estava pensando. E não demorou muito pra ela achar a folha que queria, Anna Trents dizendo que seu acidente a fez ficar sensível para poder saber como a morte iria agir.

Então, tudo fazia sentido. Chad ficou perto da morte quando ficou dois dias naquele barco enfrentando tempestades, fome e tendo que aceitar a morte do pai. Rachel abaixou a folha e fitou o nada, ela também tinha tido uma visão, e também tinha uma história onde havia ficado perto da morte.

Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
7 Comentários

Comentário(s)

7 comentários:

  1. Adorei o capítulo! Qual vai ser o jeito de fugir? Será que a Naomi vai escapar da morte? Se não, como será a morte dela, afogada? D: Muitas perguntas.

    ResponderExcluir
  2. aaah esperaa do proximo capituloo kk's agr to acompanhandoo dakii daa Italia*-*

    ResponderExcluir
  3. Estou adorando essa história a cada capitulo que leio.Tô morta de curiosidade para saber qual vai ser o jeito de fugir da morte, e a história de quase-morte da Rachel.Esperando o cap 10.

    ResponderExcluir
  4. apesar de ter sido curto em relacao aos outros, esse capitulo explicou algumas coisas q estavao no ar. ,t legal o capitulo!!! aii por favor axe um jeito de salvar naomi!!!
    by: junio sombra

    ResponderExcluir
  5. Falta quantos capítulos, tirando o 10, pro final ? Estou ansioso pra ler A apunhada 2 *_*

    ResponderExcluir