sábado, 21 de janeiro de 2012

[Livro] Destino Final - Capítulo 6: Sinais

- Uow – Disse Zac, assim que foi jogado na parede por Naomi, que imediatamente começou a beijar seu pescoço.

Zac estava gostando, mas tinha medo que alguém os visse. Aquela mansão estava lotada e vários convidados circulavam por ela. Ta certo que eles já estavam de amassos naquele corredor há cinco minutos e não passara ninguém, mas mesmo assim, se alguém o visse ali poderia até ser despedido.

- Naomi, vai com calma... – Ele pediu, mas não queria que ela parasse – Alguém pode ver a gente...

- Ninguém vai ver – Ela deu um sorriso e depois lhe beijou na boca.

- Naomi... – Ele tentou falar, a língua dela ainda dava voltas dentro da sua boca – É melhor a gente ir pra sua casa...

- Por que? – Ela riu, achava que ele estava brincando – Perigoso é mais divertido, não acha?

- Estamos numa festa. Se o dono da casa nos pegar, eu perco meu emprego e seu pai provavelmente também perde o dele.

- Você ta falando sério, né?

- Sim – Ele tossiu e ajeitou a camisa social, Naomi já tinha desabotoado alguns botões.

Ela suspirou, derrotada, mas não queria sair daquela mansão. Olhou para a porta ao lado, estava entre aberta. Logo teve uma idéia, usar um dos quartos ou uma das salas daquela mansão para fazer com Zac o sexo perigoso que estava planejando desde que o vira pela primeira vez.

- Vem comigo – Ela o puxou pela mão.

- Aonde nós vamos? – Ele perguntou, mas deixou-se levar.

Quando entraram na sala, viram um ventilador caído encima da banheira de hidromassagem. O outro estava do outro lado, perto a estátua de madeira jogada no chão. Naomi podia ouvir aquela máquina borbulhar, além de ver a quantidade exagerada de fumaça que dali saia.

- O que aconteceu aqui? – Perguntou ela e olhou para Zac, ao seu lado – Está sentindo esse cheiro?

- Que cheiro?

- De queimado – Naomi olhou para a hidromassagem novamente.

- Preciso avisar aos donos da casa que os ventiladores desabaram, já volto – Zac saiu, sem nem ao mesmo deixar Naomi falar alguma coisa.

Ela se aproximou devagar da banheira e percebeu que estava pisando em água quente. Seu pé queimou e ela de um pequeno grito, afastando-se. Olhou para a banheira novamente, sabendo que aquela coisa estava vazando e estava quente demais. Deu a volta para não se queimar com a água que vazava e olhou para dentro, apesar do ventilador caído não deixar ela ver muita coisa. Algo estranho estava borbulhando ali dentro, era vermelho e verde, na verdade, possuía muitas cores e era muito grotesco. Mas foi só ela ver a arcada dentária de Serena que percebeu o que tinha acontecido.

- Ai meu Deus... – Ela sussurrou e se afastou devagar da banheira – Ai meu Deus! Zac! Zac! – Ela gritou e saiu correndo, desesperada – Tem alguém morto na banheira! Tem alguém morto na banheira!

Naomi desceu as escadas correndo e gritando, chamando a atenção de todos na festa.  A musica parou de tocar e as pessoas pararam de falar para lhe dar atenção, ela  já estava chorando. Zac a segurou quando ela desceu o ultimo degrau. Ele a segurou pelos ombros e perguntou o que ela tinha.

- Tem alguém morto na banheira! Tem alguém morto na banheira!

Zac teve apenas alguns segundos para raciocinar antes de correr escada acima junto de várias outras pessoas e descobrir que Serena morreu dentro daquela hidromassagem, num estranho acidente.

--

Rachel deu uma freada brusca no carro em que dirigia, quase fazendo Chad sair pela janela. Ela estava nervosa e com medo. Mais uma morte tinha acontecido e o pior de tudo foi que sua prima e melhor amiga havia achado o corpo. Ela saiu do carro rapidamente e logo atrás saiu Chad, que também sabia sobre a morte de Serena, mas estava bem menos abalado que a garota.

Ela correu até a ambulância onde vira Naomi sentada com um cobertor em volta de si. Um paramédico estava dando um copo de café para ela pra esquentar seu corpo, e era exatamente disso que ela precisava naquela noite fria. Quando viu Rachel, desabou no choro, largou a caneca ao lado e correu para abraçar a prima.

- Rachel! – Ela chorava em seu ouvido – Foi horrível!

Rachel não conseguia dizer nada, nem mesmo uma palavra de consolo para a prima, porque achava que nada do que dissesse iria mudar alguma coisa. Chad, há dois metros delas, apenas observava a cena.

- Foi horrível, Rachel. Ela morreu de um jeito horrível!

Rachel afastou Naomi e a segurou pelos ombros.

- Calma, o importante é que você não se machucou – Ela sentou Naomi de volta na ambulância.

- Eu sei... – Naomi já estava se acalmando, mas sabia que não conseguiria dormir a noite – Eu vi ela... Toda... Toda queimada dentro da banheira... – Naomi fitava o nada enquanto falava, lembrando das imagens – Foi a coisa mais horrível que eu já vi na vida...

- Não pense nisso... – Pediu Rachel, logo debochando de si mesma. Ela não tinha visto nada, mas também não conseguia parar de pensar nisso.

Chad abaixou a cabeça e fitou os sapatos marrons, cheios de lama, mas foi só por alguns segundos. Ele estava tentando pensar. Ele sabia que tudo o que estava acontecendo fazia sentido, mas acreditar nisso seria loucura. A primeira vez em que ele e Rachel sentiram aquela sensação gelada, tiveram uma visão do navio Perry180 explodindo. Na segunda vez, Alice, Jill e Scott sofreram um acidente na pista de patinação, acidente do qual Alice não pôde sair viva. E agora, tinha acabado de acontecer a terceira vez. A mesma sensação, o mesmo medo, a mesma angústia, e mais uma morte. Não podia ser coincidência, ou podia? Já era estranho demais os dois terem tido uma premonição sobre um acidente fatal, era demais pensar que eles sentem a mesma coisa apenas quando alguém vai morrer. Mas, por que as pessoas estavam morrendo, pra começar? Ou melhor, por que todos que saíram daquele navio depois da premonição de Chad e Rachel estavam morrendo?

- Eu vou dormir na sua casa –Disse Rachel, passando a mão pelo rosto da prima – Você vai se sentir melhor comigo lá...

- Obrigada... – Naomi olhou para Chad atrás de Rachel, perguntando-se porque ele estava ali. Talvez até o culpasse, o achava estranho, mas sabia que ele tinha ido ali apenas para ajudar no consolo.

Rachel também olhou para ele, e apesar do seu olhar não significar isso, ele achava que estava sobrando. Ela caminhou até ele, que esperou pacientemente.

- Vou com ela pra casa. Tudo bem se você voltar sozinho?

- Tudo. Eu me viro – Chad assentiu.

- Eu quero ver você amanhã... Acho que temos que conversar...

- Você disse que não queria levar isso à diante...

- Isso foi antes das pessoas começarem a morrer... – Rachel olhou para trás, Naomi estava se forçando a tomar o café da caneca, ela tremia demais.

- Eu também tenho coisas a dizer... Mas você não vai gostar de ouvir.

- Boa noite, Chad – Ela sorriu, tentando disfarçar o calafrio que sentiu com as palavras dele.

- Se cuida, Rachel – Ele deu um meio sorriso tímido.

Rachel deu meia volta e caminhou até Naomi, queria ajudá-la a beber o café. Chad ficou observando a cena por um momento, mas logo depois de um suspiro profundo, deu meia volta e se retirou. Colocou as mãos no bolso e caminhou pela rua, que estava sendo infestada por carros de reportagem e de policia.

--

- Cesta!  –Gritou Scott, assim que conseguiu enfiar a bola de basquete na cesta.

A bola caiu pro lado direito e ele correu para pegar. Chad, há poucos metros dele, reclamava mentalmente, odiava perder em jogos ou em qualquer outra coisa. O sol batia de frente no rosto dos dois, obrigando-os a fazer uma careta. Eram três da tarde, estava um calor insuportável, Chad tinha começado a achar que tinha sido uma péssima idéia aceitar jogar basquete com Scott, mas até que foi bom, já que eles estavam meio afastados e Chad precisava ficar perto do amigo... Ou qualquer outra pessoa que conseguisse achá-lo normal.

- Você não precisa me deixar ganhar tão fácil... – Disse Scott, batendo a bola no chão. Sua respiração estava ofegante e ele pingava de suor, assim como Chad.

- Eu infelizmente estou fazendo tudo o que eu posso...

- Eu sei, você não tem culpa, eu que sou bom demais – Scott correu na direção dele, iriam começar uma outra rodada.

Ele estava batendo a bola no chão, de frente pro amigo, Chad só queria uma brecha para tirar a bola dele e tentar fazer um ponto, mas Scott era bastante rápido e parecia estar brincando com ele.

- Você precisa ser mais rápido, ou então não vai conseguir tirar a bola de mim.

- Ou, preciso achar o seu ponto fraco.

Scott passou por ele como uma bala. Chad tentou impedir sua passagem, mas não conseguiu, Scott colocou a bola da cesta e ainda se pendurou no aro para comemorar.

- Você é péssimo – Debochou ele, já havia pegado a bola de volta – Você pode ficar com a bola dessa vez – Ele jogou para Chad.

Os dois deram alguns passos e ficaram na posição de jogar. Chad batia a bola no chão enquanto Scott tentava arrumar uma brecha para tirar a bola dele.

- Como você está com a Jill? – Perguntou Chad.

- Jill? Ah, tudo normal. Acho que estamos felizes, apesar do que aconteceu. Não sei se isso é egoísmo.

- Não é. Alice não iria querer que vocês chorassem pela morte dela. Sabe, seguir com suas vidas, sem culpa – Chad mirou e jogou a bola, que rodou na cesta, mas caiu fora.

Scott, no momento em que ele jogou, olhou para trás, mas não estava torcendo para Chad errar. Olhou novamente para ele, com uma resposta na ponta da língua. Ou melhor dizendo, uma pergunta.

- E quando você vai começar a seguir em frente?

- Não sei... – Chad olhou para a bola quicando no fim da quadra. Ela quicou sete vezes antes de rolar pelo chão – Eu sinto falta dela – Ele olhou para Scott, que colocou a mão na cintura e fez uma careta pelo sol – Não falava com ela há dois meses. Eu sentia saudades, mas tinha esperança, coisa que não posso ter agora...

- Acredite, o problema seria se você ainda tivesse... – Scott andou até o banco de ferro ao lado onde estavam suas coisas.

Chad olhou pra ele, ele estava exausto pelo jogo, mas de alguma forma sempre mantinha aquela aparência de quem agüentava dez vezes mais. Ele abriu sua mochila verde escura e de lá tirou uma garrafinha azul com água gelada. Ele se sentou no banco e tomou um gole, estava com tanta sede que sentiu um prazer imenso quando a água desceu pela sua garganta.

Chad andou até lá e sentou ao lado dele, próximo a sua mochila vermelha. Os dois olharam pelas grades das laterais da quadra, havia uma rua ali. Crianças brincavam pela caçada, mulheres levavam seus cachorros – ou dos outros - para passear, algumas crianças estavam ali desde que chegaram, observando o jogo, sonhando que um dia os deixem jogar também. Mas aquela quadra parecia vazia demais, nunca ficava assim, Chad começou a achar que a cidade realmente tinha parado por causa da morte de Serena.

- Deus, eu amo isso aqui – Disse Scott, dando mais um gole na sua água – Lembra da primeira vez que viemos e os garotos mais velhos quiseram te bater?

- Lembro – Chad sorriu – E você acabou com todos eles...

- Acabaria de novo se mexessem com meu melhor amigo. Eu sempre salvei você, só que não mais que Alice. Eu lembro quando ela jogou cola no cabelo de uma menina que tinha zoado com você por causa da morte do seu pai. Ela era muito criativa pra maldade...

Chad sorriu novamente, lembrou-se de quando viu Stephanie Salts correndo pelos corredores do colégio com o cabelo todo grudado. Depois sentiu vontade de gargalhar quando lembrou que ela chegara na sala no dia seguinte com uma peruca loira. A risada de Alice era diabólica, mas Stephanie até que mereceu, talvez fosse insensível demais para merecer ter tido seu cabelo ruivo e longo intacto.

- Eu sei. A gente se conhece desde os três anos... Lembro também quando algumas garotas falaram que ela gostava de mim, foi tão absurdo que Alice jogou um saco de insetos nelas... – Chad sorriu com esta outra lembrança também e olhou para o anel dourado de Scott, ele brilhava no sol, poderia deixar alguém cego.

- E se não fosse assim tão absurdo? – Scott olhou para ele.

- Como assim?

- Às vezes melhores amigos se apaixonam. Seria tão ruim assim se ela estivesse apaixonada por você? – Scott queria apenas saber se Alice havia tomado a decisão certa antes de morrer.

- Eu... – Chad pensou – Estava tudo bem da minha parte, mas... Acho que eu a teria machucado caso ela sentisse, coisa que eu não acredito que tenha acontecido – Chad estendeu a mão para Scott, pedindo sua garrafinha de água emprestada.

- Certo – Scott entregou a garrafinha a ele e ficou pensativo. Então, Alice tinha feito a coisa certa.

Chad tomou um gole e olhou pra cima, viu algumas nuvens de chuva se formando longe, mas o sol ainda batia em seu rosto. Ele olhou pro relógio preto no seu pulso, lembrando que tinha marcado de se encontrar com Rachel as quatro.

- Preciso ir – Ele se levantou e entregou a garrafinha a Scott.

- Sério? Pensei que você tinha mais um tempinho – Scott não tinha achado o suficiente ter passado uma hora com ele, sentia que ainda estavam distantes.

- Preciso mesmo ir, marquei com Rachel.

- Hey, a quadra da liberada? – Gritou um homem com uma bola de basquete nas mãos, na entrada da quadra. Atrás dele estavam outros homens, pareciam querer jogar.

- Pode jogar, irmão – Gritou Scott, e logo depois voltou sua atenção para Chad - Que lance é esse entre você e a Rachel?

- Não tem lance nenhum... – Chad guardou sua toalha na mochila.

- As pessoas estão dizendo que vocês estão andando juntos. Não fique com raiva pelo o que eu vou dizer, mas eles chamam vocês de “Casal Oráculo”.

- Eu não fico – Respondeu Chad, colocando uma das alças de sua mochila no ombro direito – Mas talvez apenas a parte do casal esteja errada.

- Ok, você não esconderia uma coisa assim do seu melhor amigo, eu sei. Pode ir – Scott tomou mais um gole de água.

- Não se esqueça, jogo no sábado. Dessa vez prometo que vou sair do zero.

- Falô – Scott sorriu, achava até engraçado aquela falta de auto estima de Chad.

Chad caminhou até a saída, tentando desviar dos jogadores que ali estavam. Ele andou dali até o banheiro público mais próximo. Quando entrou, alguns garotos estavam saindo, teve que desviar deles. Entrou numa cabine e fechou a tampa do vaso. Jogou sua mochila lá encima e tirou sua roupa, odiava aquela camiseta que usava para jogar basquete. Colocou primeiro uma camisa preta sem manga e depois um casaco também preto, não estava mais sentindo calor. Tirou sua bermuda marrom e colocou sua calça comprida. Depois foi a vez dos sapatos, seu all star azul escuro parecia nem caber mais nos seus pés.

Saiu do banheiro assim que se achou pronto. Foi direto pra parada de ônibus, olhando para o relógio, achava que ia se atrasar um pouco, mas Rachel entenderia. Quando apanhou o ônibus, sentou na ultima fileira e esperou ele passar pela biblioteca onde marcara com Rachel. Antes mesmo que saísse do ônibus, começou a chover.

Quando desceu, colocou o capuz do casaco na cabeça e as mãos no bolso. Correu para não se molhar muito. Avistou Rachel assim que se aproximou dos enormes degraus brancos da biblioteca. Ela estava sentada no parapeito do enorme pátio, com alguns cadernos e livros nas mãos. Seu cabelo estava molhado, ela também tinha acabado de chegar.

- Desculpe o atraso – Chad pediu, abaixando o capuz.

- Eu acabei de chegar, tudo bem.

- Como está Naomi?

- Um pouco abalada, ainda está sendo difícil pra ela.

- Eu também não sei o que faria se tivesse encontrado o corpo... – Chad também sentou no parapeito, ele estava separado de Rachel pelos cadernos e livros dela.

- A gente meio que já viu coisa pior...

Chad olhou para ela, tinha entendido o que ela quis dizer. Ela também parecia um pouco abalada, um pouco triste, estava sendo demais pra ela também e qualquer um se sentiria assim com tudo o que estava acontecendo.

Ela mudou de posição. Colocou as pernas encima do parapeito, a altura do pescoço. Ela agarrou as duas pernas com os braços e fitou seus livros, parecia uma menina assustada, ou carente demais.

- Não é como se tudo aquilo tivesse sido real, Rachel...

- Mas eu ainda acho que era pra ser...

Eles trocaram um olhar cauteloso.

- O que você está dizendo?

- Chad, eu vi... – Ela tentou dizer isso sem lembrar das imagens, mas era impossível – E pelo que me consta, você viu exatamente a mesma coisa. Alice foi a primeira a morrer na minha visão, eu vi aquela chaminé caindo encima dela... E depois que a gente saiu, eu olhei pro navio, de longe, a chaminé foi a primeira coisa que aconteceu... Como se... Fosse acontecer exatamente assim se não tivéssemos saído de lá. Tivemos uma premonição, e talvez nossas mentes tivessem inventado uma história para aquilo. No começo eu pensei que se estivéssemos lá, apesar do que vimos, morreríamos de formas diferentes. Talvez na explosão, eletrocutados na água, mas tudo o que está acontecendo está me provando que as coisas não eram pra ser assim. Se a gente tivesse ficado, morreríamos do mesmo jeito que vimos. Fora o fato de termos visto exatamente a mesma coisa.

- Não sei se entendi...

- Éramos pra estar mortos agora, Chad – Um relâmpago iluminou, o local, Rachel pensou ter visto a forma de uma caveira no rosto de Chad, mas sumiu com a luz do relâmpago.

Logo veio o barulho do trovão, Rachel se segurou para não pular de susto.

- Eu sei, eu também acho... Mas e se isso significar que ainda temos que morrer?

- Ou que já começamos a morrer... – Rachel olhou pro nada, as coisas pareciam fazer mais sentido agora.

- Vem comigo – Chad se levantou e andou na direção da porta fechada da biblioteca.

Rachel estranhou, mas deu um pulo e foi atrás dele. Quando abriu a porta, duas meninas estavam saindo de lá, já estavam colocando seus cadernos encima da cabeça para não pegar chuva. Chad segurou a porta para Rachel, que entrou primeiro que ele.

Os dois passaram pelas inúmeras mesas da enorme biblioteca e chegaram até os corredores das estantes. Eles caminharam por lá, os passos de Chad estavam rápidos, estava tentando encontrar algo. Rachel estava bem atrás dele, agarrada em seus cadernos e livros, perguntando-se onde ele estava indo.

Chad parou bruscamente quando chegou até a estante de ocultismo e livros sobre paranormalidade. Rachel quase o atropelou, não esperava que ele parasse tão de repente. Ele entrou no corredor e começou a procurar o livro que queria, tinha que estar ali. No fim do corredor havia um escada grande e amarela que servia para pegar livros da prateleiras de cima, uma mulher tinha acabado de descer dela e olhar desconfiada pros dois. Ninguém ia até aquela sessão se não fosse para se beijar.

- O que exatamente estamos procurando? – Perguntou Rachel, passando os dedos por alguns livros da estante a sua direita, estavam cheios de poeira.

- Uma coisa... – Chad passava o dedo pelos livros, tentando encontrar aquele que queria.

- Tão desconhecida a ponto de não poder ser encontrada pela internet?

- Achei! – Exclamou Chad, retirando o livro grosso de capa azul de uma das prateleiras.

Rachel se aproximou dele enquanto abria o livro, ele parecia procurar alguma coisa. Ele conhecia aquele livro, mas não lembrava da página que achara importante para a situação. Rachel tentou ler algumas coisas das páginas que Chad virava antes que não pudesse mais e notou que ali falavam sobre sonhos e sinais, ou alguma coisa parecida.

- Aqui! – Chad apontou com o dedo para a página, era um pequeno texto sobre o curioso caso de Anna Trents.

 - O que é isso?

- A mulher da foto preta e branca era Anna Trents, morreu em 1967 num acidente estranho num edifício. Antes disso, ela sofreu um acidente de carro e fez uma operação no crânio. Ela afirmava que depois disso começou a ter visões. Um de seus relatos foi quando sua melhor amiga estava indo visitá-la e sofreu um acidente de carro. Ela foi morta por mutilação, atravessou o vidro do carro além de ter sido amassada pela lataria. Várias pessoas afirmaram que no momento em que ela estava morrendo, o espelho da casa de Anna caiu misteriosamente e derrubou um porta retrato com a foto das duas. O porta retrato quebrou apenas no rosto de sua amiga, foi o que bastou para Anna sair gritando que alguma coisa iria acontecer. Nas inúmeras entrevistas em que deu, ela disse que o acidente havia lhe dado o poder de desvendar os planos da morte só porque havia ficado cara a cara com ela uma vez.

- Nossa – Rachel olhou para a foto dela, parecia louca ou uma serial killer das antigas – Planos da morte?

- Sim, ela achava que podia prever quando a morte iria agir...

Rachel leu o que estava escrito embaixo de outra foto dela. Anna estava numa casa com um padre e alguns homens na sala, mas não parecia estar possuída. A legenda da foto dizia “Anna Trents em uma sessão religiosa, antes de sofrer uma convulsão e começar a falar sobre sinais”.

- Sinais... – Sussurrou Rachel e virou a página, tendo a surpresa de que o próximo texto era sobre este tema.

- Quando eu tinha doze anos, estava correndo por aqui com meu primo, ele estava com meu celular nas mãos e queria escondê-lo. Eu o empurrei exatamente onde estamos e ele bateu na estante. Esse livro caiu encima dele, exatamente na página que contava a história de Anna Trents.

- Meu Deus... – Rachel ficou pasmada, o que aquilo significava então?

- Eu li tudo e fiquei pensando dentro do carro na volta pra casa. “E se eu pudesse ter visto os planos da morte e ter salvado meu pai?”. Mas eu era só uma criança... E eu não podia voltar no tempo...

- É tão estranho... Você e seu primo, o livro cair e agora tudo isso, são como...

- Sinais?

- Como se alguma coisa soubesse o que aconteceria agora e tivesse alertado antes... A mesma coisa que nos alertou antes do navio zarpar...

Eles ficaram calados, apenas se olhando, de repente eles tinham respostas, que não deixavam de ser assustadoras.

Na distração, Rachel acabou deixando cair um de seus livros. Ela se abaixou para juntar no mesmo momento em que Chad fizera, os dois acabaram batendo a cabeça. No fim do corredor, a enorme escada perdeu o equilíbrio e caiu na direção dos dois. Rachel notou rapidamente que a escada iria acertá-los, logo tratou de empurrar Chad e se afastou antes que a escada o acertasse. Chad deu de encontro com a estante e caiu sentado no chão. Um livro que estava encima caiu no seu colo, tinha a capa preta e era bastante fino.

Rachel respirou aliviada quando viu a escada caída a sua frente, por sorte não havia sido acertada. Ela olhou para Chad, ele estava pegando o livro preto em seu colo. Quando leu o nome, sua espinha gelou, mas Rachel estava longe de entender sua expressão.

- Você está bem? – Perguntou ela, tirando o cabelo do rosto.

- Você estava falando em sinais? – Ele levantou o livro com a capa virada para ela, o frio na espinha foi inevitável quando ela leu “A Trajetória da Morte”.


Bônus da Semana: Musica "Oh Death"
Sim, a música existe, e serviu como inspiração pra criação da história. Ela tem um ritmo macabro, uma letra estranha e combina perfeitamente com a série de filmes "Final Destination". Quem quiser ouví-la, é só clicar no Player abaixo.
Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
8 Comentários

Comentário(s)

8 comentários:

  1. incrivel, otimo como sempre parabens.

    ResponderExcluir
  2. ahh comecou a explicar algumas coisas! gostei bastante!!!
    caraca a musica assusta msm!! ancioso pelo proximo capitulo!

    ResponderExcluir
  3. otimo episodio amei
    meu Deus o proximo é Zac se ele morrer a Naomi morri também primeira vez que eu me sinpatezei com um personagem homem

    ResponderExcluir
  4. A cada capitulo as coisas ficam mais interessante,gostei da história da Anna Trents.Esse música é de gelar a espinha,ela até tocou na série Supernatural.

    ResponderExcluir
  5. João, confesso que no começo eu não gostava de você, porque você me chamou de Bebê, mas eu agora sou seu fã, suas histórias são demais!

    ResponderExcluir
  6. /\ HSUSAHUSAHSUSHSAUSHSUSHS'
    Não lembro disso, mas provavelmente disse, sou muito impulsivo e às vezes faço um mal uso da minha língua chicote HAHAHA. Mas desculpe, e obrigado pelo elogio.

    ResponderExcluir
  7. só eu imagino a naomi como a naomi de 90210 kkkk

    ResponderExcluir