quarta-feira, 16 de novembro de 2011

[Livro] Hell Yes - Capítulo 12: As Trevas que a Chuva Traz


Axel abriu os olhos, os pingos de chuva o acordaram. Ele olhou ao redor e percebeu que estava numa floresta. Seu peito doía e parecia estar ferido. Ele levantou-se e notou o frio, estava completamente pelado. Logo puxou na sua memória a ultima coisa de que lembrava. Ele estava com Annie no carro, dirigindo após os dois terem matado um lobisomem. Ele então viu uma mulher sangrando correndo para a floresta e foi atrás dela. Depois disso, sua memória deu um branco, parecia que tudo tinha parado ali. Mas, o que aconteceu?

Axel pegou na sua cabeça que doía e percebeu que ela estava sangrando. Perto dele no chão havia um pedaço de madeira com sangue, ele logo presumiu que havia sido atingido na cabeça. Mas nem sabia quanto tempo se passara, se Annie estava bem e o que aconteceu depois. Ele só sabia que precisava sair dali e sabia exatamente pra onde ir.

Ele correu até encontrar a estrada que como sempre estava desabitada a não ser por um carro que se aproximava longe. Ele cobriu suas partes íntimas com uma mão e com a outra fez sinal pro primeiro carro que passou. Era uma BMW vermelha, que estava com o som no ultimo volume numa musica das Spice Girls. O carro parou do lado dele, ele tentou não tremer de frio. Percebeu que dentro do carro só havia garotas, com óculos no rosto, chiclete na boca e com roupas da moda. Era só o que faltava.

A garota de cabelo castanho no banco do passageiro abaixou o óculos e olhou para ele, assim como as demais meninas no carro. Ela estava impressionada, perguntando-se se finalmente o homem perfeito havia caído do céu.

Axel percebeu que as garotas estavam de boca aberta e o comendo com os olhos, mas era o único carro, ele não fazia idéia de quanto tempo levaria pra passar outro.

- Eu quero... Uma carona... – Ele sussurrou.

As garotas não pensaram duas vezes, mandaram o modelo desconhecido e pelado entrarem em seu carro, estavam querendo ver alguma coisa que ele não deixava, pois sua mão estava na frente. Ele sentou-se no banco de trás bem ao meio de duas meninas que não paravam de olhar. Até as garotas que estavam sentadas na frente estavam olhando. Ele engoliu em seco, aquela era a situação mais constrangedora que já vivenciou em toda sua vida

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Axel saiu do carro, com roupas de adolescentes que mal cabiam nele, mas eram as únicas que tinha, pertenciam ao namorado de uma das garotas. Elas deram tchau sem parar de olhar e ele fingiu ser simpático, mas suas bochechas estavam tão vermelhas que estavam quase explodindo. Ele esperou o carro sair de sua vista para poder olhar pra cabana de Elvira. Viu um movimento na cortina da janela e sorriu, ela estava lá. Ele correu e sem bater entrou na cabana.

Elvira estava parada à sua frente com um rifle apontado para seu rosto. Ele não entendeu, até se perguntou se ela estava possuída.

- O que você quer? – Ela perguntou.

- Relaxa, sou eu, abaixa a arma – Ele pediu, com calma.

- Eu soube o que aconteceu, não me faça gastar balas com você, Abigor.

- Elvira, sou eu, Axel. Por favor, apenas abaixe essa arma.

Elvira não abaixou a arma, sabia que dali Abigor não passava já que era um demônio e a casa era repleta de feitiços nas paredes que impediam a entrada de qualquer criatura. Mas na verdade estava apenas hesitando, pois aquele ainda era o corpo de Axel.

- Elvira, se acalme – Axel deu um passo e ela recuou – Sou eu, por favor, não atire em mim... – Axel deu mais um passo, havia ultrapassado a linha do feitiço.

Elvira ficou em choque, se perguntou como Abigor conseguiu fazer aquilo. A não ser que...

- Sou eu, Elvira – Disse Axel, novamente – Acabei de acordar no meio da floresta, sem roupa, sem nada. Cheguei de carona, por favor.

- Fale algo que só Axel saberia.

- Você matou seu marido porque ele se transformou em um lobisomem.

Elvira imediatamente abaixou a arma e correu para abraçá-lo. Era ele mesmo, em carne, osso e memórias que só ele sabe sobre a vida de Elvira. Axel correspondeu seu abraço, estava com saudades, mas precisava primeiro saber o que tinha acontecido.

- Por que tudo isso? O que aconteceu? Por que acordei no meio do nada?

- Qual a ultima coisa de que você lembra?

- Eu estava com Annie no carro e corri pra ajudar uma mulher que estava sangrando e depois apaguei...

- Hum – Elvira pensou, estava cogitando a possibilidade de Abigor ter saído de seu corpo, mas por que o deixaria no mesmo local? – Vire de costas, Axel.

- O que? – Ele não estava entendendo.

- Vire-se – Ela mesma fez isso. Levantou sua camisa e notou uma mordida.

Foi só ver aquela marca de dentes afiados que soube o que estava acontecendo. Axel olhou para ela novamente, cheio de duvidas. Ela olhou para ele e disse:

- Você tem mordidas de metamorfo no corpo, alguém tirou seu DNA e se transformou em você.

- O que? Pra que?

- Capturar Taylor – Ela suspirou.

Se era essa a idéia de Minerva, estava cheia de falhas, ou ela não sabia que Taylor saberia que aquele não era Axel pelo cheiro? Ou existe mais coisa não contada? Os metamorfos só podem se transformar naquilo de que se alimentam e sempre mordem as costas das vítimas antes de se transformar nelas. A marca de mordida na costa de Axel mostrava claramente dentes de metamorfo, e como ele continuou vivo, foi apenas usado por alguém que queria se transformar nele. E de acordo com  tudo o que está acontecendo, os planos dos demônios se resumem em capturar Taylor, e ela sabe muito bem porque escolheram usar Axel.

- Ela foi encontrar Penn – Respondeu Elvira, rapidamente – E se eu fosse você, correria.

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Camerom estava andando pelo quarto de um lado para o outro. Estava procurando ferramentas, balas, sal, água benta, alho, qualquer coisa que prevenisse um ataque de qualquer criatura, inclusive dos Ereptus. Sua mala estava encima do lençol vermelho listrado encima da cama de hotel, já estava cheia de coisas.

Rebecca, dona temporária da cama ao lado, já tinha guardado tudo o que iria precisar e estava matando o tempo lendo sobre alguns feitiços interessantes no livro de Camerom.

Emma também estava lá, sentada na janela do quarto olhando pra fora, até que as atitudes de Camerom e Rebecca lhe chamaram atenção. Ela estava com eles há dias e se sentia mal por isso, pois sabia que só tinha um teto pra morar porque eles estavam com pena dela pelo que aconteceu a Nate. Nate, ela repassou seu nome na cabeça e lhe veio um aperto no peito. Sentia saudades de seu amigo, que estava mais para irmão. Ela virou-se para Camerom e viu que ele estava bastante nervoso enquanto guardava as coisas. Quando ele colocou uma adaga de prata dentro da mala, ela percebeu que nunca haviam falado sobre aquilo que ele e Rebecca fazem. Caçar coisas parecia ser perigoso demais para ela.

- Então... – Ela sussurrou, mas nem Camerom e nem Rebecca olharam para ela – É isso que vocês fazem?

- Isso o que? – Perguntou Camerom enquanto enchia suas armas de balas, cada uma de um tipo.

- Caçar, monstros... Quer dizer, caçar coisas... Não é...

- É muito gratificante – Interrompeu Rebecca, sem tirar os olhos do livro.

- Gratificante? – Perguntou Emma, na duvida se eles gostavam daquela vida.

- Sim – Respondeu Rebecca e olhou para ela assim que fechou o livro – Nossos pais faziam as mesmas coisas. Os pais deles também. Os pais dos pais deles também. É um lance pessoal de família.

- E você salva pessoas... – Completou Camerom, ainda estava carregando as armas – Daquilo que elas nem sabem que existe, isso as torna presas fáceis.

- Salvamos famílias de alguém, amigos de alguém, pessoas de que alguém sentiria falta se não existisse...

- Ta certo – Emma hesitou, pensou um pouco e depois continuou – Este é apenas o lado positivo de tudo. Mas acho que pra fazer isso é realmente o lado que vocês precisam ver.

- Nós morremos rápido, Emma – Disse Rebecca – Não temos uma vida normal. Nenhuma criança precisa ser ensinada a atirar ou reconhecer pessoas possuídas. E somos frios, porque alguém matou todos que amamos e é o único jeito de fazer tudo isso sem dar um tiro na cabeça.

Camerom olhou pra ela, um pouco surpreso, sabia que ela era gótica e depressiva, mas suas palavras fizeram bastante sentido e acabaram expressando parte da sua opinião sobre isso. Emma olhou pra ela do mesmo jeito, mas estava sentindo pena. Eles ajudavam pessoas a sobreviver e isso era um dom, mas o que ganhavam em troca era terminar sozinhos e se conformar por todos que amam já terem morrido. Era triste.

- Obrigada, por me deixarem ficar com vocês... – Ela disse, Camerom e Rebecca olharam pra ela imediatamente – E por terem tentado ajudar Nate...

- Emma, não nos agradeça, ele é um vampiro, deve estar torcendo o pescoço de alguma adolescente indefesa agora mesmo.

- Rebecca! – Camerom a estava repreendendo, às vezes ela falava as coisas de um jeito duro demais, mas era sempre verdade.

- Eu sei – Disse Emma, ela engoliu em seco – Mas fazer o que vocês fazem... É bom... Acho que tentar impedir Nate de se transformar foi a melhor coisa que alguém já fez... Por mim.

- Você vai ficar até ter pra onde ir, Emma – Disse Camerom, com firmeza na voz, estava tentando passar segurança pra garota – Mas só se você parar de agradecer todos os dia – Ele fechou a arma e sorriu.

- Claro – Ela também sorriu, mas estava um pouco tímida.

Camerom saiu de lá e foi até o banheiro pegar o restante das coisas. Rebecca abriu o livro novamente e Emma olhou pra janela, a conversa havia terminado. Ela olhou para o estacionamento do hotel e viu um carro chegando. Ela o conhecia, e também conhecia quem estava saindo dele. Axel, ela lembrava muito bem, como poderia esquecer não é? Ele saiu do carro e correu na direção da escada para subir até o quarto de Camerom.

- Pessoal – Disse Emma – Axel está aqui.

- Axel? – Perguntou Camerom assim que guardou dois vidros de ácido sulfúrico na mala.

- Se não for ele, é alguém muito parecido.

Camerom tirou a arma da bolsa e apontou para a porta. Rebecca deu um pulo da cama e tirou a arma presa em sua cintura. Ela apontou pra porta e isso fez Emma quase ter um treco. Ela não estava entendendo muito bem, não estava presente no dia em que Axel foi supostamente possuído, só o que via ali era Camerom e Rebecca prontos para matar um colega de trabalho.

- O que vocês vão fazer? – Ela perguntou.

Axel abriu a porta, sem bater, mas recuou quando viu Camerom e Rebecca com a mira das armas nele.

- De novo não – Ele pediu.

- Agora vai dizer que é o verdadeiro Axel? Me poupe, estou pronta pra estourar sua cabeça, seu verme – Rebecca deu um passo a frente.

- Vocês ainda não receberam a ligação de Elvira, não é? – Axel entrou no quarto, ainda olhando para Camerom e Rebecca.

Ele sabia porque estavam desconfiando dele e sabia que se fosse ele no lugar deles, faria o mesmo, só não entendia porque eles estavam olhando espantados para ele depois que entrou.

- Acho que Abigor saiu do corpo dele – Rebecca lançou um olhar cauteloso a Camerom.

- Ou foi isso, ou esse demônio sabe burlar muito bem feitiços na parede.

O celular de Camerom tocou. Ele atendeu imediatamente, era Elvira, que iniciou uma explicação sobre os fatos. Axel olhou para Rebecca, que tentava não encará-lo com surpresa, mas por dentro ela estava torcendo para ser o verdadeiro Axel de fato.

Elvira explicou a Camerom tudo o que havia acontecido, desde a mordida de metamorfo até Axel não lembrar de nada. Quando terminou, ele desligou e guardou o celular no bolso. Fitou Axel, que demonstrou cansaço por ter acontecido tudo aquilo.

- Então... – Disse Camerom, dando um passo à frente – O que o verdadeiro Axel quer?

- Tenho uma missão pra gente.

Rebecca e Camerom trocaram outro olhar cauteloso, mas apenas Rebecca tinha certeza que envolvia Taylor

--

Taylor não podia esperar até voltar à cabana de Elvira para abrir a misteriosa pasta que pegara de Penn. Ainda estava nos corredores no edifício que Penn pegara para ele e já estava lendo tudo sobre As Rainhas. A história era realmente macabra, e fazia muito sentido, e Taylor continuava com medo de se tornar uma delas. Se sua cabeça como Ereptus já valia muito, imagine se ela se tornasse uma Rainha, seria perseguida por caçadores e criaturas.

Numa das folhas, ela estava vendo uma foto pequena e ao lado o nome de cada Rainha. Era um dossiê completíssimo, que lhe mostrou que das doze Rainhas, três já haviam morrido. Rainha de Hades, Rainha dos Condenados e a Rainha do Abismo estavam mortas, restava apenas nove.

No fim, ainda havia uma folha dedicada somente a Emerald. As palavras estavam em negritos, contando como uma vampira de 800 anos conseguiu se tornar Rainha, tirando o trono de uma mulher que possuía milhões de anos. Ela foi a prova viva de que a história é real e a maldição existe, e é passada para quem matar uma Rainha e ter suas características mais fortes. Ainda foi ressaltada a palavra “impossível”, pois uma recém criada não teria forças o suficiente para matar a Rainha Vampira. Então, o que aconteceu?

Taylor entrou no elevador e fechou a pasta. Olhou pra frente e viu três vampiros com o olhar fixo nos dela. Eles estavam furiosos por ela ter matado duas recém criadas e ter saído ilesa, mas Taylor sabia que os vampiros não passavam de animais sedentos por sangue e vingança, o que estava impedindo-os de atacá-la? Ordens de Penn? Minerva?

A porta do elevador se fechou, mas Taylor teve tempo o suficiente de lhes lançar um olhar vitorioso. Foi só o elevador começar a descer que ela ouviu seus rugidos, eles estavam gritando alto, com certeza explodindo por não ter tido permissão para matá-la. Isso era bom, pelo menos ela ficaria viva até Minerva conseguir o que queria, mas tudo indicava que para ter isso precisa capturá-la primeiro.

Quando a porta do elevador se abriu, Taylor estranhou que não havia movimento. O primeiro andar – que era uma antiga recepção – estava desabitado. Ela colocou a cabeça pra fora do elevador e olhou pros dois lados, só pra ter certeza disso. Logo depois saiu sem medo, sabia que o problema seria se houvesse alguém ali e não a ausência deles. Ela começou a andar em direção a enorme porta de vidro giratória da entrada, que emperrou. Taylor parou e leu o que estava escrito no adesivo vermelho grudado na porta. Sim, estava escrito “Empurre”, mas ela estava empurrando e a porta não funcionava. Ela se afastou, estava se sentindo estressada. Com um só pisão quebrou a porta giratória, que ficou em cacos minúsculos.

Taylor saiu do prédio, seus passos faziam barulho pelo chão cheio de cacos de vidro, e ela, por alguns segundos, ficou preocupada com a situação de suas novas botas pretas. Ela olhou pra rua, não havia ninguém. Os carros parados no acostamento pareciam macabros como o silencio daquele local. Folhas de jornal eram arrastadas pelo asfalto com o vento, era o único som que havia ali. Onde estava todo mundo? Quando ela entrou, havia muitos humanos fazendo suas tarefas normais e vivendo suas vidas sem saber do perigo que existe em seu mundo, mas agora a rua estava parecendo o início de um apocalipse.

Ela olhou pro outro lado e notou o mar. Estava tão perto dele, a água parecida agitada. Amarrado ao cais, havia uma barco pequeno. Do lado dele, barcos maiores, mas tudo continuava desabitado.

Foi só ouvir um trovão que ela olhou pro céu, de claro estava ficando preto com tantas nuvens de chuva se formando rapidamente. As primeiras gotas caíram antes de Taylor virar seu rosto e elas acertaram sua testa, mas ela não se mexeu. Sim, alguma coisa estava errada, ela sentia, e não tinha cara de ser obra de uma X-men.

Ela olhou pro lado esquerdo, seu cabelo já estava ensopado com a chuva e o cheiro era muito bom. Cheiro, ela repassou em sua cabeça, seu olfato estava mais aguçado provavelmente depois de ter tomado sangue de Rainha. Havia alguém lá, humano ou criatura, ela podia sentir o cheiro. Ela preparou seu nariz, fechou os olhos e fungou, sentiu imediatamente o cheiro de Ereptus na direção do prédio.

E ela estava certa, um Ereptus estava se aproximando dela por trás, bem devagar. Quando ele preparou seu ataque, Taylor lhe deu uma cotovelada no rosto e o fez recuar, ele começou a sangrar. Depois ela deu um chute em seu rosto que o fez cair no chão, ela ouviu o barulho de seus ossos do rosto quebrando. Ela guardou a pasta preta por dentro da calça na parte de trás.

O Ereptus não estava sozinho. Logo, dezenas de Ereptus atravessaram as janelas de vidro dos prédios e correram na direção dela. Eram muitos, e eles estavam ao seu redor, atacando ao mesmo tempo.

Taylor sorriu com malícia quando os primeiros se aproximaram. Ela rapidamente acertou o da esquerda com um chute no rosto e pulou por cima do Ereptus do meio. Ela virou-se e tirou suas enormes unhas. Atravessou com a mão aberta a cabeça do Ereptus e com a mão esquerda retirou sua arma. Ela apontou pro Ereptus que restava e atirou em sua cabeça. A bala atravessou e acertou mais dois Ereptus ao fim.

Logo o restante chegou e a luta de verdade começou. Com movimentos rápidos ela acertava cada um deles com seus socos super potentes, tinha prazer em ouvir os ossos do corpo deles se quebrando. Sim, ela ainda estava na vantagem. Era mais rápida, mais forte, e poderia acabar com eles ali mesmo.

Ela conseguiu matar diversos deles, revezando socos, chutes e dando tiros em suas cabeças com seu revólver cheio de balas de madeira. A medida que iam morrendo, se desintegravam pegando fogo, mesmo debaixo de uma tempestade. Mas ainda havia Ereptus chegando, parece que estavam brotando do chão, se continuasse assim ela iria cansar e eles acabariam matando-a.

Taylor parou, percebeu que estava chegando um Ereptus gigantesco. Ela se lembrou dele, já havia lutado com ele. Era o Ereptus com roupas de motoqueiro e chifres na testa, que agora estavam maiores. Ele estava com um enorme machado nas mãos e correu para atacá-la. Ele lançou o machado no chão, mas ela desviou rapidamente. Ele acertou o asfalto, criou um buraco enorme com a pancada. Taylor olhou para o que aconteceu com o asfalto e ficou com medo, a ultima coisa que queria era ser acertada com aquele machado.

O Ereptus a fitou e correu para ela de novo. Parecia não ter saída, a parede do prédio estava em sua cara e o Ereptus já havia preparado o ataque. Taylor pulou nela e desafiou a gravidade, deu dois passos na parede e pulou pro lado, livrando-se de uma machadada certeira que destruiu a parede. Ela não perdeu tempo e entrou no edifício, o Ereptus, claro, correu atrás dela.

A primeira coisa que ela viu lá dentro foi o balcão da recepção, logo decidiu pular para trás dele. Ela se livrou de mais uma machadada, que acertou o balcão da recepção e o partiu ao meio. Ela se abaixou no fim da parede e tentou se proteger, pensando que as faíscas do computador destruído fossem atingi-la. Ela tirou as mãos do rosto e olhou para o enorme Ereptus, que estava tirando seu machado do chão partido. Com um olhar severo que dizia “já chega”, ela arrancou duas armas da cintura e correu atirando nele com ambas. Todas as balas acertaram-no na cabeça e ele caiu. Taylor jogou as armas vazias pro lado e montou encima. Cravou sua mão no peito dele – já com as unhas de fora - e arrancou seu coração. Ele só teve tempo de dar um ultimo grito antes de desaparecer em meio das chamas.

Sem o corpo dele ali, os joelhos de Taylor acertaram o chão e o coração em sua mão desapareceu. Ela começou a respirar ofegante, estava cansada, e começando a achar que realmente a queriam morta. Colocou seu punho direito no chão e olhou para suas botas, completamente sujas, foi aí que ouviu os rugidos. Ela olhou para frente e viu muito Ereptus se aglomerando em frente ao prédio onde ela estava. Eles estavam caminhando, com suas presas de fora, cercando-a. Não havia outro jeito, ela precisava apelar ou então morreria. Foi aí que notou outro barulho que não era um rugido e nem o da chuva. Era um carro, e ela começou a sentir que era Axel. Levantou-se do chão e olhou.

Lá fora, Axel havia acabado de frear seu carro, atropelou alguns Ereptus. Ele saiu de lá com um rifle em mãos e um olhar duro no rosto.

- Corre! – Ele gritou a Taylor, antes de tirar o pino de uma granada e jogar nos Ereptus que estavam aglomerados em volta do edifício.

Taylor entendeu muito bem o recado e correu pra trás do balcão destruído da recepção. Axel pulou a capota do carro e se abaixou. Isso tudo enquanto os Ereptus olhavam para a granada no chão, se movendo perto deles. Quando entenderam do que se tratava, era tarde demais, a granada explodiu e vários corpos foram lançados ao ar. Annie, Camerom e Rebecca que estavam dentro do carro, sentiram-se surdos com o barulho da explosão. O carro se movimentou um pouco e choveu destroços pra todo lado.

Taylor finalmente olhou pra frente e viu que os Ereptus estavam todos mortos, apenas alguns estavam desmembrados e espalhados entre o carro e o edifício.  Ela saiu de lá, com a arma em mãos e atirou na cabeça dos Ereptus mutilados no chão que ainda possuíam vida e estavam se regenerando devagar. Ela podia ver os músculos da perna de um dos Ereptus se formando, era nojento, estava acabando com o mal e com o sofrimento deles atirando em suas cabeças.

Axel levantou-se do chão e olhou para os que estavam dentro do carro. Seu rosto sangrava, mas ele não estava muito machucado.

- Vocês estão bem? – Perguntou ele.

- Sim – Annie tossiu – Estamos.

Axel olhou para o edifício e viu Taylor andando em sua direção enquanto no caminho matava os Ereptus que faltavam. Ele não tirou os olhos dela, nem por um segundo. Ela chegou bem perto e apontou a arma para ele, que mudou de expressão imediatamente. Taylor apertou o gatilho e a bala acertou a testa do Ereptus que estava quase atacando Axel pelas costas. Ele virou pra trás, tomou um susto, e antes de voltar a olhar para Taylor pôde ver o Ereptus se desfazendo em chamas no chão. Ela sorriu para ele, com malícia.

- Não se preocupe – Ela guardou a arma na cintura – Não vou te matar... Ainda.

Axel sorriu, estava espantando. Agora era ele quem estava bobo. Sim, ele achava ela incrível, talvez, a pessoa/criatura mais incrível que já viu na vida. E ele percebeu que ela havia dito exatamente a mesma coisa de quando eles viveram esta situação, só que inversa.

Camerom saiu do carro, logo ele e Taylor trocaram um olhar. Ele não estava querendo fazer cena lhe dando um abraço e dizendo o quanto estava com saudades da sua querida prima, mas ele queria lhe dar um abraço e dizer que estava com saudades. Só que ao invés disso, apenas sorriu, querendo que Taylor entendesse o recado. Ela entendeu perfeitamente e sorriu do mesmo jeito, também não estava muito afim de abraçá-lo e dizer que sentiu sua falta pelo tempo em que não se viram.

- Ora, ora, ora – Disse Lector, há cinco metros de distância de todos eles.

Todos olharam pro lado, o garoto zumbi estava bem na frente deles com aquele sorriso vencedor no rosto, bem perto do cais. Taylor o reconheceu imediatamente e lembrou que tem ódio dele, é uma das criaturas mais grotescas que poderia existir.

- Que grupinho lindo. Taylor, você é minha preferida, você sabe – Ele piscou para Taylor, que se enojou na mesma hora – Vocês querem morrer hoje?

De repente, os vampiros pularam dos prédios e caíram em pé do outro lado, todos estavam cercados por criaturas. Os vampiros soltaram suas presas e rugiram, estavam prontos para atacar.

Jennifer pulou de um dos prédios e caiu na frente de todos os vampiros. Seus olhos ficaram vermelhos e suas presas saíram. Taylor pensou que ela estava traindo eles, mas decidiu confiar em Jennifer, ela não podia matá-los.

- O garoto que não toma banho é meu – Ela sorriu e passou por todos feito bala, atacou Lector com toda sua fúria.

- Entrem no carro! – Gritou Taylor assim que os vampiros começaram a se mover.

Camerom e Axel entraram no carro. Camerom jogou um rifle cheio de balas de madeira e Taylor mirou nos vampiros. Ela acertava em cheio cada uma das balas e os matava, mas eram muitos.  Axel saiu do carro com outro rifle com balas de madeira, dando graças a Deus que trouxe bastante munição já que sabia que haveria vampiros.

- Vão! Eu vou ficar! – Ele gritou e Camerom imediatamente deu partida no carro.

Eles passaram por Jennifer e Lector que travavam uma batalha intensa de criaturas perto do cais. Ela estava dando socos em seu rosto rapidamente, e ele não desviava, mas era nojento, a cada soco saiam insetos de dentro de sua boca.

Taylor e Axel correram na direção deles quando as balas acabaram.

- Vamos pular na água! – Ela gritou e Axel não hesitou.

Quando ambos chegaram a parte de madeira onde Jennifer tentava estrangular Lector, eles pularam por cima deles e caíram na água. Os vampiros também pularam, ignorando o fato de Jennifer ser uma deles, mas estar do lado dos humanos e da Ereptus renegada.

Taylor descobriu que não possuía as habilidades de sobreviver ou respirar embaixo d’água e logo voltou a superfície. Axel nadou mais pro fundo, mas os vampiros deram pulos gigantescos que o alcançaram. Um deles afundou a cabeça de Axel, querendo matá-lo afogado, pois era mais doloroso do que quebrar seu pescoço. Taylor, ali perto, tentava boiar e atacar os vampiros que pulavam, havia ao todo nove deles na água e eram os únicos que restavam. Ela quebrou o pescoço de muitos deles, mas foi acertada em cheio quando se distraiu ao perceber que Axel estava morrendo ali, há três metros de distância dela. Uma vampira lhe acertou um soco que quebrou seu nariz. Imediatamente sarou, mas Taylor estava ofendida. Tirou suas enormes unhas e rasgou o pescoço da vampira.

Taylor nadou até onde Axel estava e quebrou o pescoço do vampiro que estava tentando afogá-lo. Axel chegou até a superfície e puxou o ar, quase tinha morrido, mas Taylor o salvara novamente. Ela segurou no braço dele, tentando acalmá-lo, ele estava agitado e acabava deixando a água entrar mais em sua boca.

- Relaxa – Ela pediu - Já passou.

- Certo – Ele tentou se acalmar.

Quando ouviram o grito de Lector, ambos olharam para o cais. Ele estava deitado na parte de madeira no chão, segurando um dos braços de Jennifer que estava encima dele. Eles se olhavam nos olhos. Lector estava com medo, sabia que morreria ali mesmo, e Jennifer estava confiante, pois sabia que iria matá-lo. Com o braço livre, ela atravessou o tórax de Lector e agarrou o pequeno monstro que estava em seu peito. Quando retirou de dentro dele, o pequeno monstro começou a emitir um som bastante agudo que doía nos ouvidos. Ele tinha a forma de um lagarto, mas o rosto de caveira, isso provava que Lector era realmente um Bi-Hades da espécie Zumbi.

Jennifer apertou a criatura com as mãos e ela explodiu. Finalmente o som agudo e irritante cessou. Lector estava morto.

 Ela jogou os restos da criatura que estava em sua mão no chão e olhou para o corpo humano de Lector, com desprezo. Levantou-se do chão e fitou Taylor e Axel boiando na água há alguns metros dela. Ela percebeu que eles estavam olhando de um jeito diferente para ela. Estavam surpresos com a cena que acabaram de ver, apesar de Lector merecer, Jennifer foi cruel.

- Era uma questão pessoal – Defendeu-se Jennifer, logo arrancou uma risada feliz de Taylor e Axel.

CAPÍTULO 13: O Belo e a Fera
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